segunda-feira, 2 de maio de 2016

ESCOLHAS

Vi-te sentado no mesmo jardim, no mesmo banco, onde esperei por ti uma eternidade e não apareceste. Outro amor tinhas encontrado, eu nada sabia …confirmaste um dia. Trazias vestido o sorriso favorito que roubaste de mim, mas estava apagado, precisava ser alimentado. O perfume que o vento me trazia, tinha o aroma do que te tinha oferecido num dia especial e que parecia não ter fim, mas já não te inebriava, perdera a essência…. Ouvias a música que um dia te dediquei, era nossa, única e por ela te apaixonaste, mas no momento não te envolvia porque a letra já não entendias. Os teus olhos estavam baços, tristes, como quando brigávamos por futilidades. Olhavas à tua volta, mas nada vias, estavas distante, perdido num horizonte inconstante. Para além de mim, tudo tiveste. Excluíste-me e assim ficaste com tudo o que te fazia feliz, achaste. Ali, a olhar-te, perguntava-me o que te faltaria para atingires a felicidade desejada, se tudo tinhas, nada te faltava e era eu que te atrapalhava e nem sequer te amava…tantas vezes afirmaste. Será que de mim nunca te esqueceste e do que fizeste te arrependeste? Tudo em ti era eu, só que, sem luz, sem cor, sem brilho, nem alegria…mas indiscutivelmente EU. Que aconteceu? Será que o amor perfeito que dizias ser do peito, por outra que nem conheço, de repente se desvaneceu, ou simplesmente nunca existiu? Partidas do coração, alimentadas pela ilusão da perfeição. Olhava para ti e via-me no sorriso, na música, no perfume… Tinhas tudo, mas nada tinhas, apenas o vazio, porque a substancia, a vida, estavam comigo, estavam em mim. Todo tu, eras eu, do princípio ao fim. Coincidência, o mesmo banco, o mesmo jardim? Claro que não. A lei do retorno, sim, não há outra explicação. Sem ti não sou, nem tu és sem mim. Será que chegaste a essa conclusão? Ainda assim, penso que não. E como a fila anda e a vida raramente é branda, depois de algum tempo de contemplação, decidi segui o meu destino e ouvi o bater de aprovação do meu coração. Tinha chegado a hora de mudar de direcção!

Helena Santos

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