domingo, 23 de setembro de 2012

MOMENTO 693


Espelho-mo numa imagem
Idêntica a mim próprio

Não me reconheço
O velho espelho
Corroído pela vida
Diz que não.
Em silêncio de vozes
Abafadas pelo tempo
Nega toda a razão
Do meu ser. Advoga
A busca noutro local
A minha relação
Com o mal….
Procuro poça de água
Ao luar sossegada
Que cristalina seja
Onde o reflexo não minta.
Na imagem aguada
Sinto um silêncio
Inda mais absoluto
Olho e não reconheço
Percepciono o devoluto.
Apalpo e não sinto o grito
De gente. Que grita, sou eu!
Sou a sombra que se move.
Se é gente é corpo estático.
Afasto-me em procura
De uma moeda com duas faces.
Quero conhecer ambas
Quero conhecer
Quantos eus
Puder.

RUIZ PAZ  
 

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