sexta-feira, 20 de julho de 2012

Edificando lírios

Construo-me por caminhos outros.
Talvez por isso as desafinações,
desarmonias sentidas nos vãos de escada
em que se espalha minh’alma.

Quando encontro olhos líquidos
Como caleiras em dias de chuva,
Coloco mais um tijolo na edificação de mim.
Talvez por isso a revolta se solte,
num grito mudo, em forma de letras.

Estranha forma de me edificar pessoa.
Mas pedaços soltaram -se
regressando inteiros.

Escrevo tantas vezes esta IGNÓBEL VIOLÊNCIA

Sinto-a pungente nas mentes inconstantes.
Não é delírio, não...
ela existe materializada em corpos
em olhares,
em palavras ditas e nas que emudecem a Alma.

Existe aqui, ali
tão perto
surdamente ouvida nos corações
quentes que subitamente gelam e pingam
como rubis.

Surdamente ouvida entre paredes, entre chão,
Entre corpos de cristal,
Entre farpas de jardins dourados,
Entre anéis de diamantes,
Entre tabernas
E ruas.

Amores distantes, prementes, doentes, ausentes

Também deles não me cansam as mãos
porque de tão surdos e loucos
ameaçam corações em lençóis de cardos,
outrora linho...
outrora nada.

Congelo-me aquecendo almas.
Espero as asas de corações pingados.

Voa gaivota, voa
E por ela renasce em lírio.

t.b.

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