quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Tango de gaivotas

O mar desconhece
que o infinito azul cabe
nas suas ondas até onde se avista o sol poente
e os barcos fugirem no horizonte.
Que os pássaros do cais de gaivotas
fazem ninhos com fêmeas
nos milheirais de milho branco
junto às rochas.

O mar não sente que
nas suas entranhas, chãos de planícies
de memórias e de encostas de corais,
galopam anémonas azuis como éguas de crinas brancas
nos ombros de medusas na casa dos buzios.

O mar desconhece que
as gaivotas- árvores do céu
têm musica nos olhos,
ritmo nas asas e
num coro de escarcéu de pios
esvoaçam um balet de tangos
e em voo picado beijam com as patas
as faces do mar.

O mar não sabe
que é o farol de vários destinos.


  antonio bahia 
 

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