domingo, 19 de agosto de 2012

Como a chuva de ontem...

Era o tempo de molhar o céu
das mil águas em cinco janelas
das noites de bréu marinho
das melodias tangentes da dor

escrevia com o luar pressentido
palavras de negros nevoeiros
nas brechas de um tempo perdido
as sombras que tapavam a alma

pensara-o o tempo do fim
em que os rios corriam ao contrário
nas margens gastas de corações
perdidos na água da fé esquecida

mas os corações que cintilam
nessas águas outrora benzidas
não morrem nas ervas escondidas
nem nas pedras que ladeiam os caminhos

o amor desliza de mais longe
do universo onde todas as flores
são poemas para amar em horizontes
infinitos na doçura do azul na voz
era afinal o princípio do sentir
de todas as emoções adormecidas
era o princípio do tempo onde
todo o tempo se condensava num instante
todo o mundo ali despertava nas palavras
escritas que se liam nos lábios
de todos os amores... de todos os poemas

Eram os lábios que beijariam... como as palavras
primeiras... profundamente...

quando as estrelas anunciam
um final no céu cinzento
trazem já a luz que escreve
o início de um outro... grandioso...

O princípio de todas as coisas...

Paulo Lemos
 

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