Profissões em Destaque 2017


É uma iniciativa que tem como objectivo poetar e ao mesmo tempo homenagear as inúmeras profissões existentes e outras quantas já extintas. São tantas as profissões ao dispor que teremos registos muito variados e interessantes, certamente. Cada poema deverá referir-se apenas a uma profissão. Nesta iniciativa terão a opção de juntar uma foto da profissão escolhida, conforme instruções abaixo.

É PARA DESCREVER UMA PROFISSÃO NA REALIDADE, NÃO PARA CONTAR HISTÓRIAS .


ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 23:45H.

NO AR ÀS QUARTAS FEIRAS.......

1 -  Obrigatório identificar a iniciativa com:
- ou nome da profissão no cabeçalho,  foto da iniciativa e foto da profissão;
-  ou nome da iniciativa e nome da profissão, no cabeçalho;
- ou nome da profissão no cabeçalho e foto da iniciativa.

2 – Textos a publicar no grupo

FOTOS: OU SÓ DA INICIATIVA...OU DA INICIATIVA E DA PROFISSÃO. NUNCA SÓ DA PROFISSÃO.



15-11-2017
 CHEFE DE COZINHA

É grande essa prova de amor
que na mistura de aromas com sabor
proporciona todo o prazer e alegria
nas mãos hábeis de fazer magia!

Muitos são os que se entregam com valia
a essa arte com brilho e magia
onde ressalta toda a sua imaginação
para uma delicada degustação!

Quem não gosta dum bom prato com fetiche
ou de um misterioso doce de tentação?
feito com ternura amor e paixão!

Um bom apreciador...não resiste
a esse sagrado momento de prazer
de...á mesa se sentar para comer!

15-11-17 maria g. 





“O PROFESSOR”
Leva para a sala de aula
A bondade e um sorriso
A paciência e a impaciência
São eternos aprendizes
Têm como missão
Fazerem o caminho
De mãos dadas com o amor
Despertando olhares e poesia
Trazem com eles a sabedoria
E o gosto de educar
Ajudam a dar os primeiros passos
Semeando a cultura e o saber
Na aventura da vida daquelas crianças
Que estão a despertar para a realidade
É a mão que ensina
Ampara e ajuda a construir futuros
Em troca
Pedem respeito e compreensão
Sabem que a escola da vida
É um marco na vida de cada um
O professor é como um farol
Iluminando cada caminho
Com todo o carinho para que sejam alguém
São uma referência
Porque o mundo mudou
O ensino também
Ser professor
É ser capaz de transformar
Sonhos em realidades…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 AS AMAS, GOVERNANTAS, OU FIÉIS SERVIÇAIS.

Falarei desta mui antiga profissão, dela tive conhecimento muito perto, pois duas tias avós AMAS a vida as formou, no dia da partida eram mulheres de muito saber e muito estimadas, amadas e queridas, eram guardiãs de segredos que guardavam ciosamente.
As Marias, nascidas em famílias pobres numerosas onde muitas bocas havia ao redor da magra mesa.
Em casa das excelências, juízes, médicos, meninas nascidas em casas brasonadas. Todas estas pessoas de um extrato social mais alto tinham por perto essas Marias.
Eram entregues pelos pais às famílias de bem, iam com essas famílias para as cidades grandes.
Passavam a ser meninas sem meninice. Aprendiam boas maneiras, muitas eram estimadas, algumas das patroas as ajudaram a crescer com um pouco de sonho e ambição.
Essas se tornaram moças de feições suaves, gestos delicados. Namoraram no tempo certo casaram por amor, formando famílias felizes educadas, gente de bem.
Outras Marias adotaram os patroas como gente de família.
Tinham aprendido tanto. A governar uma casa com equilíbrio.
Aprenderam os bons costumes, o bom gosto. Sabiam receber altas personalidades, sempre com o olhar baixo eram as Marias. As patroas foram mães, elas as Marias, criaram aqueles meninos como seus, eram pequenos príncipes, frágeis e delicados, sempre as Marias os velavam noite e dia, enquanto as mães serenas na alcova outros seres geravam.
Passaram os anos, os meninos cresceram, tinham as Marias um amor enorme pelos garotos.
Os meninos se tornaram homens e mulheres. De quando em vez se dúvidas tinham, confiavam nas Marias para procurar algum conselho. As Marias davam em palavras seu saber, mas o concelho era, Fale menino com os papás. Mas quando os meninos chegavam á conversa com os papás, já a Maria tinha falado com sua senhora acerca do menino Ddavid, ou da menina Gracinha. Já o problema dos meninos tinha sido amadurecido na mente dos papás, arte das Marias para que a bom porto chegassem as resoluções. Mas as Marias envelhecem, os meninos se fizeram homens e mulheres. Uma das Marias de que vos falo, tive a honra de ser tratada até ao último suspiro na casa dos senhores, foi rodeada de carinho merecia-o, gostava daquelas crianças que cuidou como suas fossem, era uma pessoa sábia, delicada, bondosa, sua afável maneira de ser cativava todos em amor. Tive a honra de ser sua sobrinha, sou testemunha de quão doce era o sorriso dessa MARIA.
“ partiu com 97 anos “
Mas eu falei de Marias, Amas. Pois a outra Maria também criança veio para a cidade grande. Casa de gente de muito boa posição social, foi cozinheira, ama da menina do casal e de seus filhos. Viveu numa casa farta, aprendeu boas maneiras, nunca foi amada como a outra Maria,
Era respeitada. Uma noite fatídica ficou doente, foi internada, partiu sem saber o que era amor, porque nem quando criança teve a terna ventura de ser inocente ave em liberdade.
Era também minha tia, boa pessoa mas que vidas diferentes a destas Marias cuja profissão foi abdicar de viver.
Nascerão para servir.

Augusta Maria Gonçalves.




08-11-2017
“O JORNALISTA”
Ser jornalista é ser voraz
Às vezes lutar contra o tempo
Ser nobre e sério
Tudo muda na vida
São sinais do tempo
É uma paixão insaciável
Contam as notícias
Utilizando palavras suas
Percorrendo estradas
Sem saberem o que vão encontrar
Publicam o que alguém
Não quer ver publicado
Muitas vezes
Quase não encontram palavras
Para descrever o que estão a ver
Transformam os factos em notícias
Ligando as pessoas ao mundo
Perpetuam
Os acontecimentos na história
Vão onde as asas os levam
O destino é o rumo
A liberdade fica
Entre a pausa e a notícia
Às vezes parecem insensíveis
Mas é a vida deles
A profissão assim o exige
De um acontecimento fazem a notícia
Chegam a correr perigo de vida
Hoje é mais fácil com as novas tecnologias
O jornalista faz o direto
Antigamente era mais difícil a comunicação
Andam sempre de cá para lá
Para nos manterem informados
Obrigada por existirem
Amigos jornalistas…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA



 CIRURGIÃO PLÁSTICO.
Em voga está esta profissão. Sei de casos em que por motivos de saúde se praticam cirurgias. Mas sei de muitos mais, que o fim é alindar, fazer rejuvenescer, ter seio bem delineado e firme. Se a mocidade fosse eterna, como era bom. Para isso médicos arrojados se tornam mestres em cirurgias delicadas, que costumam resultar num roubar de anos á fisionomia que obedece às leis do tempo.
Hoje casualmente fui acompanhar alguém muito jovem ainda, que tem um sonho.
Reduzir algo no seu corpo que incomoda tremendamente. O cirurgião homem relativamente jovem, com bom nome conceituado por ter hábeis mãos. Disse! Temos de pensar que cirurgia plástica tem riscos, se o paciente não reunir as condições precisas, comigo não conte. Terá de reunir todas as condições, peso certo em relação á sua estatura, pois quero muito quando a devolver a quem a gosta, que tenha peito perfeito e esteja viva.
Pois pense nisso, tem de fazer a sua parte. Emagreça uns kilos, venha depois, para que eu conscientemente faça meu trabalho, desejo que quando reunir as condições para essa cirurgia,
Saia daqui orgulhosa do seu delicado seio.
Fiquei eu a pensar, nunca me tinha ocorrido como é séria esta profissão.
Não só, quanta audácia se precisa para alindar o ser humano, que está designado como a criação mais extraordinária da natureza.
O meu agradecimento a este profissional, que sabe que a vida é coisa de impagável valor.

Augusta Maria Gonçalves


01-11-2017

“A PROSTITUIÇÃO”
Oiço barulho na escada
A minha vizinha volta do trabalho
Para o calor da casa. O amor dos filhos
Os meus já estão a dormir
Eu saio ao cair da noite
Levo comigo os sonhos perdidos
Na alma a angústia
Tenho de ganhar
Para dar comer aos meus filhos
Saciando a fome dos homens
Vendi tudo o que tinha
Valores e dignidade
Vendo os sonhos ao desbarato
Em cada encontro que tenho
Não escolhi esta vida
Ela é que me escolheu a mim
E quem me pode julgar?
Quem me atira a primeira pedra?
Sou mais uma
Um rosto abstrato naquela esquina
Sou como uma embalagem do mundo
As minhas ideias vagueiam
Porque não voltas passado?
Mágoa á solta no presente que não muda
Os meus filhos esperam o pão
O que hei-de fazer?
Nem a 4ª classe tenho…
Mas quem acredita em mim?
Sorrio, chorando por dentro
Não era isto que queria oferecer aos meus filhos
Busco uma luz ao fundo do túnel
Mas onde me leva ela?
Tenho tanto amor para dar
Mas a vida escolheu-me
Neste caminho sem volta
É fácil entrar…
Mas difícil de sair…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




O varredor

Madruga manhãs nas ruas desertas
cantando baixinho cantigas de amor
nas mãos a vassoura faz descobertas
de folhas, papeis, ou restos de dor

Salpica uma lágrima, aqui e ali
no pó da calçada que o vento deixou
afaga o cachorro que passa por si
recolhe as *“beatas” que a pega deixou

O cabo que agarra com os calos das mãos
apoio certo ao nascer o cansaço
é esperança que o guia por bermas e chãos
varrendo lixos dum tempo devasso.

*“beatas” (pontas de cigarro)

Abgalvão (reservado DA)




 OURIVES
Aprendiz de tantas profissões,
Mas só em plena busca tentou encontrar realização.
Já homem quarentão.
Perfil fino, mãos esguias.
Olhos de um negro profundo.
Como lua encoberta em noite fria.
Se fez á vida em nome de uma liberdade desejada.
Foi aprendiz de ourives.
Bom gosto tinha.
Vi feitas por suas mãos joias raras.
Algumas de ouro e pedras finas.
Algumas comprei com muito agrado.
Futuro promissor.
Havia em si um grito agreste.
Liberdade.
Natureza para percorrer amar contemplar.
Se enamorou,
Seu coração era leme, para calcorrear caminhos de poeira, prados e searas.
Ficar deleitado a olhar as margens de um rio a cantar.
Olhar riscando o céu a seta de um grupo da aves a voar.
Anoitecia, vestia a alma de ternura.
Seus olhos escuros acendiam a noite escura.
Ao recordar a noiva deixada para trás.
Com o ventre crescendo, germinava a semente.
Sofria, não tinha ancoras em terra arada.
Era um sonhador, percorria a vida numa busca constante de aprender.
Era sábio, solitário, sofredor.
Cruzamo-nos na vida num acaso.
Vi em seus lábios, fome e amargura.
Convite para a mesa, convite para uma conversa, um café adoçado de ternura.
Fiquei a saber retalhos de rasgadas histórias,
Foi barman, foi relações públicas.
Foi engraxador foi moço de recados, arrumador de carros.
Foi aprendiz de mil artes sem nome.
Cozinhava bem, fazia bolos com mestria.
Fazia bijuteria, com engenho.
Seus haveres cabiam numa maleta de cartão pequena.
Um dia me mostrou seus tesouros.
Pedras raras, projetos para jóias de bom gosto…
Seriam belezas raras.
Por fim me disse ser ourives.
Mas porque arte de exímias mãos não tinha preço.
Escolheu a liberdade.
Anda por esse mundo caminhante.
Veio, deu de si.
De mim levou.
Guardo a recordação desse que sendo ourives.
Preferiu vaguear, deitar sob a lua.
Ser poeta sem nunca escrever.
Porque sua poesia era só bom gosto.
Afável coração.
Recordo-o como quem escreve uma saudosa poesia.

Augusta Maria Gonçalves



25-10-2017

 MÁGICO OU MAGO

" MUITO MAIS ALÉM DO QUE SE VÊ. "

Há quem disso faça profissão.

Esbelto, jovem loiro de olhos claros.
Desde menino, tinha nos olhos a clareza de um saber guardado.
Pediu um baralho de cartas, um tarôt.
Prenda de natal.
Dessas cartas que dizem segredos que só os astros sabem.
Foi depois pouco a pouco lendo nas imagens os presságios.
Tantos saíram certos.
Ajudou abrir caminhos claros, onde o sol fez de luz germinar bênção e fertilidade.
Ajudou a sair de traumas seres que se sentiam náufragos em mares de marés cansadas.
Até que um dia leu sem querer sua própria vida.
A doença grave que galopava em silencio.
Só um tossir constante denunciava que havia flores murchas no seu peito.
Colocou de lado as cartas coloridas.
Porque sabia que suas forças eram só para serem dique do seu próprio medo.
Caiu doente, com uma súbita doença inesperada.
Foram dias sem cor,
Dias já sem lágrimas.
Dias em que seu olhar claro gritava medo.
Por perto quem o amava,
Á sua cabeceira Deus, anjos se revezavam a velar seu sono.
Sabia ele tudo desde antes.
Resistiu, frágil ressurgiu.
Deixou guardadas as cartas, se as consultava guardava segredo.
Vidas viu florir, sim desabrocharam.
Outras as viu mergulhadas em neblinas disformes e calou.
O tempo passou, respeita ciosamente o oculto saber do que persente.
Poderia ter tido uma carreira brilhante nesse mundo para o qual alguns nascem iluminados.
Mas não era essa a profissão por ele desejada.
Poderia ser cartomante, adivinhador.
Mas ser homem comum é muito mais apaixonante.
É programador tem um futuro promissor.

Augusta Maria Gonçalves




“O VENDEDOR DE CASTANHAS”
Quem quer…
Quem quer…
Castanhas quentinhas e boas
Acabadinhas de assar
Este é o pregão
Do vendedor de castanhas
Sabor sem igual
Neste Outono-verão
Andam de rua em rua
Apregoando as suas castanhas
Empurrando o seu carrinho
Mexendo as castanhas
Para saírem
Amarelinhas e saborosas
De casca crocante
Mais um pouco de sal
É o amor com que o fazem
Que as fazem mais gostosas
Deixaram os ouriços abrirem
E darem as belas castanhas
Castanha assada e caldo verde
Belo pitéu
As belas castanhas assadas
Aquecem-nos a alma
Enfarruscam as mãos
Mas sabem tão bem
Regadas com uma bela água-pé
Obrigada vendedor de castanhas
As tuas castanhas são sempre as mais saborosas…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 ------- Florista------

Vende flores e sonhos..
Embrulhados em belas fitas coloridas
E com um pouco de conversa ...
Fica inteirada das nossas vidas!

Enfeita o raminho com carinho
E desvelo, ao gosto da gente
Se for para data feliz ...
Congratula- se sorridente!

Se mostrarmos luto e dor
Apenas mostra sentimento
E se concentra na escolha da flor!

Todos os dias entre flores
A florista cria encanto e ilusão
Com a sua arte e amor no coração!

25- 10- 17 maria g.




18-11-2017

“ENFERMEIRO/A”
Ser enfermeiro é ter a alma nos olhos
São grandes como o pensamento
É uma arte
Uma devoção
Como um pintor ou um escultor
Eles tratam a tela viva
Bela arte que salva vidas
Trabalham com amor
Cuidam de quem não conhecem
Seja rico ou pobre
Todos são iguais
No nascer
E no morrer
O hospital não funciona
Sem estes profissionais
É um sonho grandioso
Só almas que acreditam
Podem ser enfermeiros
São guerreiros
Na luta contra a morte
Trabalham em cenário de guerra
Enfrentam a morte de peito aberto
São anjos da saúde
Alguém que não tem medo da morte
Trazem com eles
A lâmpada do amor ao próximo…
Parabéns enfermeiros/as deste país…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA






 BOMBEIRO.
Soldados da Paz.
Toldados os olhos,
Magoada a alma.
Inertes as lágrimas.
As mãos cansadas desse fazer que se faz por amor
Não tendo porém a certeza de amparar a flor.
Chamas, gritos, aflição.
Reduzidos a nada nos sentimos.
O fumo espesso, labaredas sinistras,
Não se respira, não há um só caminho onde a paz brilhe.
Ao longe agudas sirenes, estridentes sons.
São os soldados da paz.
Humanos seres, frágeis, como tu e eu.
Homens, nessa condição temerosos, cujo medo deixaram a velar seus filhos que são anjos a abrir clareiras entre árvores que ardem.
Tombam as árvores devoradas por a sôfrega labareda.
Quem pode? Quem tem mão nesse dragão de frentes sem limite.
Só mesmo com ELES a coragem, o altruísmo, abenegação.
Um grande amor que debotamente têm ao desconhecido ser que está em aflição.
A grandeza de serem homens que cujo coração é salvar das dantescas tragédias a humanidade.
Acredito em Deus, me interrogo quem são afinal os ANJOS?
Creio que ser bombeiro, não se trata de uma profissão.
Trata-se sim de HOMENS que para salvar outros HOMENS.
Lutam com a fúria do inferno, olhando nos olhos a morte sem temer.
A todos os soldados da paz.
Agradeça este povo, aos bombeiros, se ergam abraços de fraternidade.
Bombeiro é ser herói, nem todas as profissões exigem tanta coragem e muito escassas as que se corre risco de vida por tão parco salário.

Augusta Maria Gonçalves. 





 Jardineiro

O jardineiro olha a tristeza
de tanta flor beijada pelo sol ardente
de chama intensa que cresta
é a sede que mata ...
num tempo de seca!
Limpa o suor que escorre da testa
e pelo corpo se mistura no pó!
Espera o tempo das chuvas abençoadas
mas...também as geadas
que queimam sem dó!

A terra descansa...
e ele também ...
neste tempo de mudança!

Já junto à lareira...
aquecendo as suas mãos
calejadas do trabalho...
e que ao seu corpo serve de agasalho
contempla a chama acesa
e cisma com desejo ardente
que o inverno passe de repente
para voltar a por o seu jardim em beleza
com o seu carinho e engenho!

Mas o tempo manda no tempo!
de novas sementeiras e seu amanho!

18-10-17 maria g. 






11-10-2017
“O SAPATEIRO”
Ele conserta sapatos
Dá-lhes vida
Uma alma nova
De todos os modelos
Do todas as cores e feitios
Consertar sapatos
Também é arte
Do velho fazem novo
Amam o que fazem
Dedicam-se á beleza
Dos passos dos seus clientes
É um remendão de sapatos
Faz disto o seu ganha-pão
Sapatos de todos os tipos
Empilhados uns nos outros
Á espera da sua vez
Quantos caminhos já percorreram
Quantas encruzilhadas da vida
Indiferente
O sapateiro martela
Bate, bate
Cola aqui
Pesponta ali
Bate sola o dia inteiro
Ao fim do dia
Vai para casa cansado
Muitas vezes
Com os sapatos rotos
Porque…
"Santos de casa não fazem milagres”…
Assim é a vida do sapateiro…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 






PESCADOR

O vento amaina-te as velas
mar adentro a navegar
enquanto recordas aquela
que ficou por ti a orar.

Enfrentas as ondas sem medo
em busca do teu ganha-pão
vais à faina manhã cedo
fica em terra o coração.

É dura a vida do mar
não te invejo a profissão
se o teu barco naufragar
tudo perdes sem condição.

Que a força nunca te deixe
ao lançares as redes e o arpão
pra encheres o barco de peixe
se o tempo correr de feição.

Aida Maria (Aida Marques)





MÉDICO DE PROVÍNCIA.
Ainda os há.
Claro já não os antigos médicos de óculos suspensos no nariz pontiagudo.
Que nas terras distantes conheciam por o alcunho todos os habitantes.
Ora era a ti Estrela qua passava mal. Ora eram os piquenos da viúva que tinham otite, ou faringite, ou até calazar, doença que dava tanto nas crianças. De olhos febris, barrigas inchadas, sofriam desta maleita, muito conhecida, só por milagre se curariam de tal.
O médico era chamado de repente, truz, truz. Batiam na porta em aflição. Senhor doutor, dizia um petiz com falta de ar da correria, venha está a nascer o menino da Luzia. O doutor cismava, ainda o tempo não é chegado.
Ia no seu cavalito mal montado.
Teria mil histórias para citar.
Minha Avó materna dizia com orgulho, lá na minha terra havia a “ botica “
Me recordo da farmácia ainda aberta na minha muito tenra infância.
Era Provezende a terrinha que encimava o monte, num Douro profundo, habitado por rica e abastada gente. A botica fechou, tinha as portas pintadas de verde escrito em cima Farmácia com PH-ARMÁCIA. Isso lembro.
Mas da profissão de médico falava eu.
Resido no alto Douro, tenho por amigo um médico, que acode seja a que hora for aos seus doentes. É pessoa sábia, abnegado no seu trabalho, ama o que faz. Claro veste jeans, mocassins nos pés, usa um rabo de cavalo atando os cabelos que o vento ainda lhe põe em pé se estiver de má maré.
Vem consultar, se a chave estiver na porta entra indo ter com o paciente ao quarto costumeiro. Já o vi de ar muito preocupado com certos estados clínicos. Raramente se engana, chama ambulância se preciso for. Dirige carta aos médicos dos hospitais onde o doente é conduzido. Telefona a perguntar, como vai o meu doente. Certo, seus honorários já não são como antigamente, uma galinha gorda, um garrafão de jeropiga, ovos, mel ou aguardente.
Paga-se em euros a consulta. Mas no caso de ser alguém que a vida faça gastar por conta e medida, diz serenamente, hoje não paga, pagará quando puder, desejo sim que melhore o meu doente.
Ainda há médicos de provincia, este fala muitas vezes comigo. Diz sábios eram os meus colegas de antigamente.
Por osculação acertavam sempre na doença do paciente.
Augusta Maria Gonçalves. 




04-10-2017
“SOLDADOS DA PAZ”
Dizem que os anjos não existem
Estes não possuem asas
Nem poderes sobrenaturais
São pessoas como nós
Normais
Alguns com outros empregos
Mas o amor ao próximo
Fala mais alto
Por tudo isto
Algo os torna especiais
Sempre prontos a ajudar
Arriscando a própria vida
Às vezes até a perdem
Mas não vacilam
Fortes e destemidos
Desafiam as chamas
Para salvar quem precisa
E darem o melhor de si
Não os conhecemos
Mas são heróis
Que estão ao nosso lado
Nos momentos difíceis
Seja em fogos
Ou a salvar vidas em perigo
Até fazem de parteiros
São os nossos anjos sem asas
Um aplauso
E um bem-haja
Aos nossos Bombeiros
Aos nossos soldados da paz
Aos nossos anjos sem asas…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 

20-09-2017
“O CALCETEIRO”
Bem cedo começa
Com o martelinho na mão
Faz magia
Com as pedrinhas do chão
Noites perdidas
Mas valeu a pena
Partiu pedras e mais pedras
E vejam o que apareceu
Um belo florão
Que encanta quem passa
E é o orgulho de quem o fez
Um calceteiro
É um ourives do chão
É um poeta das pedras
Compõe aqui e ali
Parte aqui
Parte ali
E vai saindo das suas mãos
Passeios e calçadas
Ser calceteiro é uma arte
Com o seu belo trabalho
Embeleza o nosso Portugal
Trabalha o chão
Com amor e carinho
Como se fosse papel e caneta
Debruçado todo o dia
Vai fazendo os seus desenhos
Minuciosamente
No chão que vai ser pisado
Pedras de várias cores
Consoante o desenho
Este homem é um artista
Vivam os calceteiros…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 ARTESÃO

Nas recordações tenho uma profissão da qual o nome desconheço.
Sei de memória virem pelo outono gentes simples. Mulheres de pele trigueira, mãos cajejadas de trabalho árduo. No rosto emoldurado de cabelos anelados a branquejar sob o lenço florido que as cobria.
Tinham olhos afáveis onde dormia calada a mocidade, se é que a desfrutaram algum dia.
Todas eram Marias, das-Dores, dos Remédios, do Soccorro, ou até Maria da Piedade ou das Virtudes.
Andavam essas sábias mulheres de porta em porta a comprar trapos e retalhos.Sim trabalhariam essas sobras das magras vestes de gente sóbria de limpeza e arranjo.
Pois trabalhariam, cortando tiras e tiras de tecido, fariam novelos enormes. Depois em plena noite no rigor do inverno teceriam mantas ou” liteiros “ que venderiam depois de calcorreando lugarejos transportando á cabeça lá iam tentar uns trocos para que os dias fossem mais aconchegados. Pelas idades quase todas elas eram já avós. Brilhavam-lhe os olhos de ternura a falar de seus amores. Mas… coisas da vida, outras eram mães no outono da vida, traziam com elas meninas da carinhas açoitadas pelo frio, mas a mão da mãe era o favo de mel DELAS, sem direitos de crianças, tão longe de serem mulheres. Dizia-me a alma que nunca chegariam a ser crianças.
Vou agora contar uma história verdadeira,
Vão talvez 20 anos.
Veio de longe um dia, um velhinho de faces enrrugadas, trazia uma carroça pequena puxada por um burrico. Parou na berma da estrada, perguntando, “ dona tem farrapo para vender?”
Respondi não, mas o homenzinho subiu a calçada, deparou-se frente a mim e meu marido.
Vendo meu marido com ferramenta na mão, perguntou? O senhor é ferreiro? Rimos, disse meu marido sei da arte. Foi então falando o ancião, sabem! Ando a comprar farrapo para fazer mantas, o inverno é longo, mas junto á lareira não há frio. Disse depois. Tenho a carroça com um ferro gasto de tanto caminho, se o senhor me desse no ferro um arranjinho.
Rimos, dissemos sim arranja-se.
Na verdade o trabalho foi breve, mas alegria do ancião enorme.
Teimosamente quis pagar, meu marido disse oh! Homem de Deus siga caminho.
Mas ele foi junto da carroça pegou num saco, trazendo-o num sorriso, disse aceite.
Perguntei rindo o que tem o saquinho. Respondeu, castanhas lindas graúdas apanhei-as no caminho. Olhei suas mãos sulcadas, vi nelas as marcas das picadas dos ouriços.
Havia em seus olhos tal doçura, que a bondade estava ali, idosa de alma límpida, creio que sonhos ainda tinha. Continuou caminho, acenou lá ao pé da curva, feliz porque deu sua essência, a sabedoria dos cabelos brancos que ainda tinha.
Lá foi, com a esperança de farrapos comprar por um tostão.
Para nas noite geladas entreter a solidão, por companhia a lareira na mente a melodia do pregão.
Mantas tecidas com amor… comprem uma mantinha por favor.
Augusta Maria Gonçalves. 



13-09-2017
 O ARDINA

Incansável na sua rotina
logo pela manhã cedinho
ouvia-se a voz do ardina
apregoando as notícias
a quem lhe cruzava o caminho.

Na sua sacola carregava
o molhe dos jornais diários
enquanto as notícias "cantava"
em slogans e epítetos vários
as "últimas" apregoava.

Figura típica de outros tempos
com a sua boina "às três pancadas"
o ardina decorava a cidade
correndo pelas ruas e calçadas
quer houvesse chuva ou ventos.

Mudaram os tempos
mudou a própria cidade
e a profissão do ardina
hoje pertence ao passado
deixou de ter validade.

Aida Maria (Aida Marques)




“A COSTUREIRA”
Podiam costurar a vida
Pesponto atrás de pesponto
Costurar o amor
No peito de quem ama
Costurar a verdade e a mentira
A saudade que está guardada
Na caixinha das linhas
Costurar a felicidade
Oi bem e o mal
Costurar o perdão
Mas assim
Vai costurando
O que vai aparecendo
Imagina
Como seria a sua vida
Dentro daqueles belos vestidos
Retalha aqui e ali
Vai cozendo e cerzindo
Assim ganham a vida
A deixar os outros bonitos
Com o seu trabalho
Ás vezes
Dos restos dos tecidos
Vão embelezando os filhos
Profissão ás vezes ingrata
Trabalham de sol a sol
Para dar comer aos filhos
Costuram a ternura
Em cada ponto e nó
Costuram sonhos e fantasias
Remendando com a agulha e linha
Recebem o aplauso do seu trabalho
Costurar não é simples
Costurar é uma arte
Vivam as costureiras…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 





 PROFISSÃO ESTIVAL.
" vindimadores "

Vem, diz o eco.
E vão contentes.
Ao ar livre o trabalho é colheita.
Cortam-se das cepas cachos loiros.
Oh! Pepitas de sol, com lágrimas de mosto.
Oh! Riqueza de um chão de pedras de rachão.
Oh! Minas verdes, onde os rubis são bagos.
Oh! Vindimadeira que cortais da videira.
Cachos caprichosos, berlindes cheios de mel e vinho mosto.
Oh! Vindimadores que entre socalcos.
Vergais vosso corpo sobre os bardos.
Colhem reclinados como quem reza uma oração.
O vento faz melodia…
Entoa a alegria de um dia árduo,
Depois o salário.
Logo á ceia na mesa pão.
A festa no lar se torna laço terno.
Fumega o jantar,
A criançada brinca e pergunta.
Mãe, pai!
Quando vão as uvas para o lagar.
Pois da canseira árdua da colheita.
Nectar jorrará pelo espiche.
Será então que os vindimadores.
Provarão a colheita das suas mãos.
Na prova de novo vinho.
Lá para o S. Martinho.

Augusta Maria Gonçalves. 




 A LAVADEIRA DE ROUPA

Saia de casa de manhã bem cedo
Para a roupa recolher na casa das patrôas
Seguia de pois para a ribeira, mais perto
Para encontrar disponível a pedra para lavar
De joelhos ou dentro da ribeira
Lavava com mestria e desenvoltura
Para que a roupa ficasse branca e sem nódoas
Metia num alguidar água e sabão bem mexido
E punha a roupa na sabonária, para depois a corar ao sol
Quando este estava seca, voltava a lavar.
Tinha orgulho ao ver a roupa estendida, branca como a neve.
Era um trabalho pesado para as pernas e rins
Mas tinha que trabalhar…
Os filhos ficavam com a vizinha, ou na rua a brincar.
A roupa escura e a do trabalho custava mais a lavar
Tinha que ser bem esfregada e batida na pedra
Para que ficasse bem limpa e com cheirinho a sabão.
Muitas patrôas eram exigentes, tinha que saber conservá-las.
Pessoas sacrificadas, porque havia muitas lavadeiras com pouco trabalho. As mãos ficavam muitas vezes a sangrar
Felizmente esta profissão acabou, a evolução da ciência,
Trouxe as máquinas de lavar roupa.
Hoje é mais fácil, não maltratando tanto o ser o ser humano
No trabalho tudo ou quase tudo está mecanizado.

Rosete Cansado



06-09-2017
O FOTÓGRAFO AMBULANTE”
Esconde-se atrás da sua máquina tapando a cabeça
O fotógrafo ambulante que caiu em desuso
Vai captando as imagens reais
Que ficam guardadas eternamente
Naquela caixinha mágica
Tem uma sensibilidade
Um olhar diferente da vida
Fotografa tudo que mexe
Capta imagens sem igual
Fotografia é poesia
Escreve a imagem só com um olhar
Traz a poesia nesse olhar
Tem magia e emoção
Fotografia tem sentimentos
Tem luz e momentos
Hoje já é diferente é tudo sofisticado
Tenho saudades dos fotógrafos ambulantes
Andavam com as máquinas e tripés às costas
Fotografando principalmente as famílias
A fotografia é mágica
Eterniza momentos únicos
Escrevem com os olhos
Num papel especial
Com alma, com amor
Uma foto é um tesouro
Simboliza momentos inesquecíveis
Os fotógrafos não registam apenas cor e movimento
Aprisionado naquela máquina
O olhar revela a alma
Naquele sorriso sem igual
Captam num segundo
A poesia do momento de toda uma vida
Sou uma amante da fotografia
Obrigados fotógrafos por existirem
E nos eternizarem momentos tão felizes…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 





Ser Músico!

Sua música que encanta
Música que faz poesia
De natureza variável
O que perde no dia
Com música recria,,,
Cada nota em seu perfil,
O músico,,,,,,
Com o seu instrumento
Desmanda com sentimento
Para quem,,,
Em qualquer momento,,,
Da música seu bivrar no peito
Que agita o dançar,
E no ouvido, a melodia,
Que faz rir,,,,,e até chorar!
Sua música em arraiais!
Provoca folia animada,,,
Mas,,,a triste música
Em funerais,,,,
Entranha em dor mergulhada...
O músico, é um artista
Tem uma linda profissão,
Mesmo que longe da vista!
Sua música, nos dá pista,,
Para nos entoar no coração...

Arminda...T.G.L... 




 A CEIFEIRA

Trabalhava de sol a sol
Com uma hora para descanso
Ceifando o trigo doirado
Que na hora do calor
Transpirava por todo o lado.
Era explorada pelo patrão
Que lhe pagava uns míseros escudos
Mas assim se sujeitava
Porque os empregos não eram muitos.
Tinha mais deveres que direitos
Mas ceifava com vontade e rapidez
Tinha que levar o pão para casa
Para sustentar os filhos seus.
Embora o trabalho fosse pesado
Ceifava com alegria e a cantar
Chegava a casa cansada
Mas ainda tinha que fazer o jantar.
Dormia poucas horas por noite
Tinha que se levantar bem cedo
Deixava o almoço feito para os filhos
Saindo de casa a correr.
Se não chegava na hora certa
Pelo capataz era repreendida
Calava a mágoa no peito
Com medo de ser despedida.
Catarina Eufémia ceifeira do Alentejo
Foi calada para sempre
Num dia a ceifar o trigo, que lhe dava o pão
Porque dizia a verdade
Foi morta sem contemplação.

Rosete Cansado




 Operária Fabril

Ao falar da profissão
A de... Operária fabril,
tanta coisa a escrever
Tão cedo comecei a seguir este caminho
Foi a minha escola, um aprendizado,
Este que me ensinou a crescer
... A crescer e a saber viver
Treze anos eu tinha quando saí de casa, do meu ninho
... Tinha de trabalhar
Pois naquele tempo não havia meios para estudar
O futuro era fazer-se à vida e sonhar

Trabalhava numa Multinacional
De nome ITT Semicondutores
Era operária de linha
Trabalhava com um miscróscopio
E unia fios em cerâmicas, para televisores.

Era uma menina
Era ajuizada e tinha louvores
Era uma fábrica enorme
... E de pessoas aos milhares
Tinha três turnos a funcionar
Ah e como eu amei lá trabalhar.

Situada em Cascais
Deparei-me com gente fina,
Gente que vivia diferente
Gente que vinha de todo o lado
Gente que se aceitava
Gente que trabalhava

Da profissão que tinha, sentia-me orgulhosa
Trabalho de fábrica não dá para explicar
... Futuro pode não haver
Mas ali sentia-me uma menina vaidosa,
Vaidosa não de vaidade
Mas sim de ter um trabalho diferente
E fazia assim vingar a minha felicidade

Cada um é pró que nasce
Saí com vinte anos
E logo-logo, outro trabalho arranjei
E logo-logo, outro futuro renasce.

Escrevo de alma lavada
E de cada profissão que passei
Sinto-me profissional e muito honrada.

(Foram muitas, esta foi a primeira)

Florinda Dias



12-07-2017
A VARINA
"Olha a sardinha, é da boa"
apregoava a varina
pelas ruas de Lisboa
era assim antigamente
vendia-se o peixe fresco 
às portas de toda a gente.
Manhã cedo chegava a frota
com o seu provimento de peixe
pra ser descarregado na lota
e logo a varina atrevida
tentava ser das primeiras
a licitar a pesca pretendida.
Depois do negócio cumprido
punha a canastra à cabeça
na boca o pregão repetido
"olha a vivinha da costa"
venha cá ver ó freguesa
hoje só tenho o que gosta.
Uma profissão de outrora
que a própria evolução matou
no livro das tradições ainda mora
recordada num quadro a óleo
num postal amarelecido
ou nas marchas de S. António.

Aida Maria (Aida Aida Marques)




“O TAXISTA”
Sai de casa bem cedo 
Para ir labutar
Na correria do dia-a-dia
Tem contas para pagar
E os filhos para comer
Nunca sabe quem leva ou traz
Quem manda é o passageiro 
Às vezes até lhes ensinam
Coisas que não sabiam
Não pode recusar
Sabe que deles depende
Levar dinheiro para casa
Anda de cá para lá
Entre becos e ruelas
Não sabe bem onde vai
Só Deus o pode guardar
Nunca sabe se vai voltar
Cada vez há menos segurança
Os ladrões roubam e matam á vontade
Entram pessoas simpáticas
Mas também rufias e mal-educados
Há de tudo um pouco
Num momento de descanso vai um cochilo
Lá vêm uns estrangeiros
Vamos ver se tenho sorte
Não se pode ter medo
Esta é a sua profissão
Que de tanto se orgulham
Na hora de perigo
Entrega-se nas mãos de Deus
E assim vai feliz
O taxista…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



Ferroviário 
(um sonho de menino)
Desde cedo ainda muito pequenino,
já no meu imaginário,
naqueles sonhos de menino,
eu sonhava ser ferroviário !
Talvez por influência de meu pai,
também ele funcionário da CP,
talvez porque quem aos seus sai...
ou melhor…não me perguntem porquê!
Olhava para os comboios com paixão,
Mesmo hoje ainda é assim,
São o meu trabalho, a minha profissão,
Por eles, dou sempre o melhor de mim.
Nunca aprendi a fazer mais nada,
Comecei cedo nos aprendizes,
foi o caminho que escolhi… a minha estrada,
e felizmente… têm sido anos felizes.
Comecei por trabalhar na CP, 
em Janeiro de oitenta e cinco,
Quase sempre fui feliz e porquê?
Porque sempre trabalhei com afinco.
EMEF, como se chama agora,
esta empresa de manutenção,
que me tem dado pela vida fora,
as minhas bases de sustentação.
Trinta e dois anos e que venham mais,
vou trabalhando naquilo que sei fazer,
peço pelo menos que sejam iguais,
para que os meus filhos possa ver crescer.
O futuro será uma incerteza,
não sabemos qual o destino,
mas foi aqui nesta empresa,
que realizei o meu sonho de menino!

Luís Farto


05-07-2017
“O FAROLEIRO”
Não posso confiar no mar
Nem nos homens
Por isso nunca durmo
Fico acordado
Ou num torpor sonolento
Ouço e vejo tudo
Que atravessa o feixe luminoso do farol
Um faroleiro é um rei das alturas
Confio nas minhas mãos 
E nos meus olhos
Não sei que idade tinha
Quando o meu pai me trouxe com ele
Era faroleiro com muito orgulho
Olho o oceano escuro
Contemplo a luz que varre o mar
Isolo-me do mundo
Em dias de tempestade
Estou só, terrivelmente só
Mas já estou habituado
Ai vem mais um navio
Aviso-os com o sinal de luzes
Parecem miniaturas a flutuar
Desaparecem nas vagas altaneiras
Devo ser um dos únicos homens acordado
Mas tenho de velar por muitas vidas
Entre a hora de acender e apagar 
Passa aqui de tudo
Desde barcos, golfinhos alcatrazes
E até lindas sereias
Não posso abandonar o meu posto
Inesperadamente o mar ressoa medonho
Aviso mais um navio
Varrendo o mar com o feixe luminoso
Já lá vai fora de perigo
Assim é a vida do faroleiro…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



O carteiro-----
Batia sempre à porta,
mas muitas vezes nem era preciso
porque era eu que ia ao seu encontro
na ânsia de receber mais uma carta,
esperada num curto espaço de tempo...
que se fazia longo!
Depois lá ia para o meu quarto
ler e sonhar com as palavras
de amor, cheia de saudades de nós
Depois de a ler juntava-a às outras 
que guardava numa gaveta fechada
numeradas e atadas com fita e laço!
Estranha emoção que vagueia...
pelo meu pensamento
ao pensar a esta distância
esse momento em esperava
uma carta de amor!

05-07-17 maria g.



28-06-2011


Inspector de Circulação - Um dia de Trabalho

Sai a correr já apressado,
 Para que não chegue atrasado,
 Entra passa o cartão, portas e portinhas,
 Já na sala comprimenta um-a-um,
 Chamando e memorizando o seu nome,
 Inteira-se do serviço pendente,
 Das alterações, ocorrências e rotações,
 Abre o email, o portal, as aplicações,
 Um sinal que avaria,
 Uma agulha talonada,
 Uma porta avariada,
 Um individuo na via,
 Uma marcha pedida,
 Um passageiro sem bilhete,
 Mais umas quantas ocorrências,
 Uma alteração há rotação,
 Tantas e tantas urgências,
 Um sinal fechado, “olha a ponte”,
É Ligeiro? É Pesado?
 Comboio danado…

Na pressa do segundo,
 Em que nada está parado,
 Fica esquecido o sinal,
 Que outrora estava fechado…

Mais uma ocorrência,
 Um erro danado,
 Que para futuro,
 No cadastro registado…

Tudo fiscalizado, segurança assumida,
 Viajam para longe os comboios 
 Milhares deles dependem a cada dia!

No fim do turno,
 A calma,
 O descomprimir,
 O ir para casa e sorrir.


Alberto Cuddel




“O VARREDOR”
Lá vai o varredor
 Empurrando o seu carrinho
 Com o lanchinho pendurado
 Sempre de vassoura na mão
 Faça sol ou faça chuva
 Tem de cumprir o seu dever
 Vai passando e vai varrendo
 Levando os seus males na pá
 Vai esquecendo a triste vida 
 Dando mais umas varredelas
 Mãos calejadas
 Olhar profundo
 De lutas e sonhos na alma
 Varre a rua com amor
 Pensa ter feito tudo
 Vem uma rabanada de vento
 E lá recomeça tudo outra vez
 Passa gente, gente passa
 Deitam papéis para o chão
 Ai vai o varredor
 Varrer com a esperança 
 De encontrar um tesouro
 Busca sonhos coloridos
 Vai varrendo os pensamentos
 Sem ver outra saída
 Assim é a vida do varredor…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



O FARRAPEIRO.
Era eu menina de palmo e meio. 
Lá na cidade onde vivia. 
Havia um armazém, 
Soturno e cheio. 
Onde tudo se comprava e se vendia. 
Os sem abrigo desse tempo. 
Apanhavam papeis soltos ao vento. 
Enchiam sacos de papelões,
Iam vender papel por uns tostões. 
Um lugar negro, com um cheiro próprio. 
Uma balança enorme decimal. 
Tudo se pesava ferro, papel, metal. 
Lembro só farrapeiro, 
Homem de cara suja olhar brilhante, 
Dava então uns tostões pelo papel. 
Vinte centavos davam para um pão. 
Hoje penso que no brilho daquele olhar havia a astucia de negociar. 
Pendurados por lá peças de ferramenta muito gastas. 
Uma albarda que era do burro que morreu. 
Mais uma foice. 
Uma bicla sem rodas. 
E também amontoados uns pneus. 
Pois guardo até hoje na memória, a curiosidade que eu tinha. 
Espreitava da porta, sustinha a respiração. 
Porque ali havia mofos, velharias, tudo se negociava, 
Por um ou dois centavos. 
Isto no tempo do tostão.

Augusta Maria Gonçalves.



21-06-2017

“O PALHAÇO”
O palhaço vive um mundo de magia
 No palco da vida
 Ai está o palhaço
 Com as suas gargalhadas e piruetas
 Faz rir o seu público
 Às vezes de alma triste
 Mas sempre alegre
 Esconde a sua amargura
 Debaixo da sua pintura
 Na sua fantasia
 O palhaço vive o sonho e faz sonhar
 Faz sorrir as criancinhas
 Com as suas brincadeiras
 Troca o certo pelo falso
 Toca a música certinha
 E às vezes ao contrário
 Sem sequer ser músico
 Toca as suas melodias
 Com o seu nariz vermelho
 Crescem não crescendo
 Seguem as pisadas da família
 A vida não lhes dá alternativa
 Debaixo das suas pinturas
 Há uma personagem
 Uma vida que passa
 Existe alguém que chora e ri
 Tem sentimentos e ama
 Faz aquilo de que gosta
 Ser palhaço…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




O RELOJOEIRO 

O que seria do tempo
 se com o teu valioso trabalho
 não o soubesses acertar?
 Talvez ele andasse mais lento
 e proporcionasse às horas
 um tempo pra descansar...

Minuciosidade e arte
 requer esse teu labor 
 concentras-te nas rodas do tempo 
 mostrando o teu real valor
 ofereces ao relógio mais tempo 
 terminando a sua "dor"...

Quem dera que com essa arte
 pudesses concertar num momento
 as horas de desalento
 e encontrar uma saída
 quem dera soubesses acertar
 os ponteiros da minha vida...


Aida Maria (Aida Marques)



14-06-2017
“O CARTEIRO”
Estão a tocar á campainha
Vou abrir é o carteiro
Vem trazer as novidades
Podem ser boas ou más
Cartas de amor já as não tenho
Já nem se usam
Contas vêm algumas
Traz sempre uma sacola
Algo para entregar
Com o seu ar prazenteiro
De sorriso rasgado
É recebido em euforia
Pela minha cadelinha
Que não dispensa o miminho
O carteiro
Calcorreia o dia inteiro
Batendo de porta em porta
Levando as suas entregas
Sente-se recompensado
Quando traz boas noticias
Fica um pouco triste
Se as noticias forem más
Passo ligeiro
Gasta as pedras da calçada
Percorre canto a canto
Leva sempre a esperança
De realizar sonhos
Ao fim do dia
Volta á estação
Com o orgulho
Do dever cumprido
Obrigada carteiro…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA


07-06-2017

“O ARDINA”
De pé descalço, olhar sereno
Com os seus suspensórios e calções rotos
O ardina apregoa os seus jornais
No seu grito usual
Olha as fresquinhas!
Olha o corte das pensões!
Olha mais um que só roubou milhões!
Assim vai de rua em rua
Entre becos e vielas
Este rapaz de sorriso matreiro
Canta á vida o ardina
Com a sua sacola de jornais
Boné na cabeça
E a bucha para a merenda
Tem de calcorrear quilómetros
Para ganhar
Para a sua subsistência
A escola ficou para trás
Parece que canta
Com o seu gorjear
Uma canção trémula
Tem um destino incerto
Mas tem de continuar
Assim vai a vida do ardina…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





 A TECEDEIRA DE MANTAS

Era criança, ainda,
junto à casa de minha avó,
a Sra Rosa Apolónia tinha um tear
cujo funcionamento me deslumbrava.
Aproveitando as tiras
previamente retalhadas e enoveladas,
de tecidos não usados que os clientes lhe facultava,
fazia obras de arte, coloridas e desenhadas.
Ali passava horas,
observando o trabalho manual,
o fuso deslizando entre uma trama de fios,
em dança impulsiva, para lá e para cá.
Trabalhando, com auxílio de pedais
e uma peça compressora,
a fazer tac-tac na batida
e a manta nascia, ao fundo, já enrolada,
aguardando a entrega.

José Lopes da Nave 




 PROFISSÃO EXTINTA
" venda de azeite porta a porta "

Vou fazer um exercício de memória.
Lá na cidade do Porto onde nasci e fui garota.
Recordo um toc-toc que entoava nos paralelos da rua.
Sorrio ao ver o burrito atrelado á pequena carrocita.
Pois era!
O burro do azeitero.
Nem mais, percorria a dias certos as ruas da cidade.
A clientela era atraída pelo toc-toc das patas do burrico.
Era já velhote, conhecia as paragens, creio que até as crianças conhecia.
Porque tal era a mansidão, que podíamos fazer-lhe festas.
Dizia o homem que vendia o azeite.
Um quartilho freguesa.
Não! Hoje só meio quartilho.
Eu que escutava a conversa de quartilho, pensava, será um litro.
Depois aprendi serem dois litros. Meio quartilho um litro.
“ dizíamos nós, lá vem o burro do azeiteiro “
Mas na verdade nunca pensávamos, no homem que conduzia o burro e vendia azeite.
Mas sim em sua excelência o simpático burro.
Era assim na cidade do Porto, já lá vão cinquenta e tal anos.
Claro já havia muitos carros a circular.
Mas o burrico, passava toc-toc, levando na carroça um almude de azeite.
Sim, vinte e cinco litros.
O azeiteiro era das redondezas. Caso o azeite não chegasse para todos, voltava no dia seguinte.
Pois era isto também uma profissão.
Hoje extinta completamente.

Augusta Maria Gonçalves. 


31-05-2017

FERRADOR - O SENHOR ALBERTO
Lá vou eu a caminho do tempo da infância. 
Era alberto de nome o FERRADOR. 
Sim ferrador. 
Tratava de calçar cavalos e burros com saber arte coragem e mestria. 
Nem mais. O alberto era um homem transmontano, lá de Mogadouro. 
Cego de um olho, manco de uma perna. 
Para a arte que tinha aprendido, de ferrar cavalos, sua terra era pequena. 
Porque ele tinha já desposado Amélia, tinha já uma menina e outro rebento a caminho. 
Fez-se á vida veio de comboio para o Porto, arranjou um trabalhito no canil municipal. 
Mas era na sua arte de calçar com ferraduras os cavalos que o alberto ganhou muito dinheirinho. Lá chegavam os cavalos, doceis e pacientes. Alberto já tinha feito á força de braços na forja as ferraduras, era para isso também preciso arte, pois moldar o ferro em brasa é coisa de saber ancestral. Depois se seguia um ritual. Arrancava as ferraduras gastas. 
Aparava os cascos dos animais. Depois com marretadas sábias, lá os calçava de novo.
Dava umas marteladas nos cravos com sabedoria. 
Os cavalos ninguém dava por eles, mas os burros zurravam. Criança era eu, pensava coitaditos gostam mais de andar descalços. Havia no ar um cheiro a cascos requeimados, já pela vizinhança conhecido. “ diziam, é da casa do Alberto ferrador “ 
Vi sair de lá muitas vezes os cavalos cheios de elegância. Este senhor Alberto também se profissionalizou em cabeleireiro de cães. E não é que saíam de lá os lulus todos bonitos. 
Até os caniches tosquiava. Esses eram dos mais bonitos que meus olhos guardam na lembrança.

Augusta Maria Gonçalves.



Costureira de sonhos
Coses sedas e linhos
com linhas puxadas...
nas tuas mãos marcadas...
pelos mesmos gestos...
de tantos caminhos!
Nesses teus dedos
onde a agulha e o dedal...
são parceiros dessa magia
transformas em ideal...
o sonho e a fantasia,
para ti sem segredos!
E com esses mesmos dedos...
tantas vezes picados,
ensanguentados ...
crias verdadeiras obras d'arte
para uma vida,
ou para a exuberância...
de um grande dia!

31-05-17 maria g.



 O JARDINEIRO

No jardim, esse encanto
repleto de aventuras da pequenada
e das suas confusões,
o jardineiro é quem cuida das pragas,
planta novas espécies,
poda as árvores,
põe uma flor colorida aqui,
um cacto ali.
O jardineiro é o companheiro
que se pode chamar
apenas para conversar
e passar o tempo.
Ele vai voltar no dia seguinte,
a fim de cuidar do jardim
com o mesmo cuidado,
porque o que mais lhe importa
é ver o seu jardim cheio de flores e cores.


José Lopes da Nave




___FLORICULTOR____
Os meus pais eram floricultores
E no meio das flores me criei
Era uma profissão muito dura
Mas que a ajuda-los eu tanto amei.
Também tinha os seus encantos
Que nunca eu esquecerei
Que era o perfume das flores 
E as cores diversas também.
Seu crescimento era trabalhoso
Desde o plantar a colher
Sendo a parte mais inglória
Quando ao mercado as iam vender
O maior trabalho era do floricultor
Mas quem lucrava era o vendedor.
Mas no fim de tanto trabalho 
Que eu própria acompanhava
O mais gratificante de tudo
Era o perfume que elas emanavam.

Fátima Verissimo



“O PESCADOR”
Pescador valente
Que faz do mar o seu sustento
Nele vai procurando o pão
Para matar a fome aos filhos
Enfrentas ventos e tempestades
Destemido lança as redes
No mar tempestuoso
Às vezes amigo
Outras vezes cruel
Desafias a morte
Uma onda mais forte
Tenta virar o barco
Encharcado até às orelhas
Pedes ao Santo Padroeiro
Que tenha dó de ti
Não pensas em mais nada
Senão na tua mulher que te espera
Sentada na areia rezando
Ao Sr. Jesus das Chagas
Que lhe devolva o seu marido
São e salvo
Passas tantas tormentas
Mas sabes que tem de ser assim
Não sabes fazer mais nada
Seguiste as pisadas do teu pai
Ser pescador está no sangue
Quando chegas é uma festa
Cheiras a peixe que tresandas
Mas ela não se importa
Chegou o seu homem
Afaga-o e dá-lhe um beijo escondido
Agora é vender o peixe
E ir para casa com a família
Já te esqueceste que podias não ter voltado
Amanhã será outro dia…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA




Ser Babá...
É um trabalho honroso,,
Às vezes um pouco penoso...
Mas gosto muito da minha Bebê!
Ela gosta muito de mim,,,
Vivemos em sintonia...
Só não posso pegar ao colo
Quando está com agonia!!!
É uma bebê querida 
Mas faz as suas perrices 
Mas quem não faz? 
Coisas de meninices 
Mas comentando!
Sobre a minha Bebê "
Já são coisas de velhices 
Pois já conta 91
Este ano...
ainda mais um...
Dia 31 de Maio 2017

Arminda...T.G.L...




Dona de casa (EU)
Será que fui 
Ou será que sou 
A escrava do lar 
Até me fartar 
Lavei,engomei
Esfreguei 
Horas a fio 
Dei tudo de mim
Mulher,mãe,amiga,confidente 
Cozinheira 
Cuidei do jardim 
Maior erro. ...
Esqueci de mim
Um dia quiz parar 
Tarde demais 
O tempo passou 
Os filhos criei 
E eu onde fiquei?
Aqui...
Alguém deu valor 
Não!!!!!!
O amor acabou 
Alguém o levou 
No virar da esquina 
Eu nem dei por isso 
Fui a Gata Borralheira
Contei histórias dela 
Virei Cinderela
Por tão pouco tempo
A casa brilhou 
Tinha orgulho dela
Agora sinto que presa fiquei 
No passar da vida 
Sem saber porquê
Comecei a escrever 
Jamais voltarei a ser 
Uma sombra do passado
Serei a concobina
Bela e sensual
Sorriso no rosto 
Sempre com bom gosto
Saio para a rua 
Sem me sentir nua 
De mim....

Anabela Fernandes


24-05-2017


ENGRAXADOR.

Homem humilde, simpático. 
 Numa das ruas da cidade da baixa do Porto. 
 Tinha a arte de dar aos sapatos ar de novos, reluziam que nem verniz. 
 Seus clientes de todos os dias lhe confidenciavam, segredos, alguns pecados deles e certas senhoritas. Aprendeu este homem simples uma distinta linguagem. Tinha boa clientela. Gente de saber e boa alma. 
 Uns ricaços empertigados por lá passavam.
 Mas a maioria eram cavalheiros de distinta profissão e esmero no trato. 
 Sabia de politica e de politiquices. 
 Sabia de homens solidários que se debatiam por nobres causas. 
 Enquanto polia os sapatos, que calcorreavam a cidade, que assistiam a palestras, iam ao teatro, a salões de dança. Ia proseando com e cultivando o espirito. 
 Vestia humildemente. Mas sempre limpo, cabelo bem aparado, barba feita, e perfumado. 
 Perito em histórias divertidas, ria ao compasso de dar brilho aos sapatos da clientela. 
 Sabia-se humilde mas feliz. 
 Desde criança ganhava o pão de cada dia,colheu da vida sabedoria. 
 Confiavam nele os fregueses, vendia bons conselhos, no brilho conseguido com esmero de artista na arte de polir sapatos. 
 Tinha também por clientes meia dúzia de rufias. 
 Brilhantina no penteado, cigarros no bolso, á mistura com cotão de uma suja consciência. 
 A esses, dava ele bons conselhos, mesmo sabendo que árvore mal educada torta morre. 
 Contava de homens que sendo ricos, por amor tudo perderam. 
 Outros que bem vestidos, empenhavam o relógio de ouro. Para dar um presente á mulher amada, esposa ou amante. 
 Pois ele sabia, mas guardava. 
 Havia ainda um por outro que dava lustro aos sapatos. O engraxador sorria ao saber que as solas eram rotas e gastas. 
 Mas tinham os sapatos que ter brilho. 
 Ria ao pensar. 
 Presunção e água benta, cada qual tem a que quer. 
 Era perito na sua arte, tão pobre nascido. Era feliz. 
 Tem um irmão que é um sábio e doutorado barbeiro. 
 Honradas profissões. 

Augusta Maria Gonçalves. 




___ENCADERNAÇÃO___

Falando de profissões 
 Vou tentar descrever a minha
 Aquela que durante anos 
 No meu coração foi rainha.
 E falo dela com tanto amor
 Aquele que usava habitualmente
 Quando com tanto empenho 
 Eu trabalhava alegremente
 Fazer livros foi no que trabalhei
 E fazia-os de coração
 Chamando-se então esse trabalho
 A arte da encadernação.
 A arte de fazer um livro
 Não é assim tão complicado
 Mas não é só cozer as folhas
 Nem ficar muito bem colado
 Tem de se armar as capas e
 Também tem de se ter atenção
 Da dobragem das suas folhas
 E também da numeração.
 Mas depois de algum trabalho
 E ver o resultado final
 Foi sempre compensador
 Quando por gosto os vinham comprar.


Fátima Verissimo



“O AMOLADOR”
Que saudades da minha infância!
 Lá vem o amolador
 Com a sua gaita-de-beiços
 Assobiando chamando as gentes
 Sons curtos ou longos
 Calcorreia as ruas e pracetas
 Caminhando lentamente
 Levando a sua bicicleta pela mão
 Preso na parte de trás leva
 O seu caixotinho das ferramentas
 De vez em quando 
 Vai mais uma gaitada
 Até diziam que quando passa o amolador
 É presságio de chuva
 Ficava a vê-lo da minha janela
 E lá iam as mulheres amolar 
 As suas facas e tesouras
 girando a sua roda de amolar
 Ligada por uma correia á roda da bicicleta
 Ia amolando e dando dois dedos de conversa
 Gostava do seu assobio
 Do seu pregão
 É o amolador…
Amolo facas tesouras e outros afins
 As tradições acabam 
 Esta é mais uma que já pouco se vê
 Acabando o trabalho
 Lá seguia ele com a sua amiga
 Para outros lugares
 Sempre assobiando a sua gaita-de-beiços
 Será que já não existem amoladores?
 Tenho saudades tuas amolador
 E desse teu assobio único…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



"BISCATEIRO"

Não tem trabalho certo
 Ou tem muitos ao mesmo tempo,
 Faz biscates para ajudar
 ao pouco ordenado juntar,
 E á comida pra por mesa.
 têm uma profissão
 mas ficaram sem patrão...
 sabem fazer de tudo um pouco!
 são habilidosos e jeitosos
 A vida está cara e para dar
 Ele arranja, o que lhe pedem
 O que aparece.
 Muitas profissões numa só
 Nem tem horários
 Só tem trabalhos!
 Ele ajeita-se a concertar qualquer coisa
 mas é um curioso!
 Profissões antigas hoje ninguém as quer,
 Fazem falta ao homem e á mulher.
 Havia escolas profissionais,
 Onde se saia já a saber,
 Fazer bricolagem em casa
 Não é para toda a gente,
 Mas, para um biscateiro experiente!


Fernanda Bizarro




O sapateiro

Quando dantes nos caía um tacão
 Ou havia um buraco no sapato
 Recorria-se ao sapateiro remendão
 Que o colava ali no momento exato
 Trazendo cola e borracha na mão!
 Hoje, não é assim, não há calçado que dure
 Nem sapateiro que perdure
 O sapateiro de hoje, por muito bom que seja
 Faz apenas o que deseja!
 Não há sapato por medida feito
 E até se compara calçado já com defeito
 Pra romper e deitar fora!
 Já não se ouve o pregão:
 O que é nacional é bom
 Ou se se ouve, foge-se dele
 E do preço que aparece nele!
 O que era nosso e bom
 Viajou lá para fora 
 Embalado em caixas de pandora...!
 Pra cá veio o que faz o chinês
 E o que ele faz é pra usar de uma só vez! 
 O pobre do sapateiro
 Guardou a linha e a sovela
 Mesmo que queira servir-se dela 
 Nem que o faça por bom dinheiro
 Que o fisco busca-lhe agora o diploma
 Sem s' interessar se ele tem... pão que coma!


Por Zita de Fátima Nogueira 






17-05-2017


AMOLADOR
Entoava na rua da cidade o toque mágico daquele pequeno instrumento, 
Do qual o nome desconheço. 
Sempre entoava aquele som em dias cinzentos. 
Era dentro da musicalidade, 
Que as gentes diziam. 
Olha o Amolador. 
Carateristico era,
A mocidade tinha-a na melodia que entoava ao sopro de seus lábios. 
Já os cabelos tinha branqueado. 
Suas mãos tinham a destria de fazer arranjos em coisa uteis. 
Consertava guarda chuvas. 
Amolava tesouras e navalhas de barbeiro, facas de cozinha. 
Um pinguinho no fundo de um tacho, roto por tanto cozer toucinho. 
Consertava com gosto peças raras. 
Loiças de outras eras, que por descuido eram quebradas. 
Unia-as com agrafes de metal.
Ficavam consertadas, por vezes esbotenadas. 
Têm hoje em dia algum valor. 
Algumas eu guardo com carinho.
Porque se perdeu no tempo, a profissão. 
A melodia que entoava. 
Só talvez num recanto esquecido exista um carrinho de amolador. 
Uma grande roda, um pedal, artesão sem escola. 
Mas catedrático em saberes sem igual.
Augusta Maria Gonçalves.




 O MERCEEIRO DO TEMPO

Figura ímpar
nas comunidades do tempo
na sua loja característica
que de tudo tinha,
desde os bens alimentares,
bebidas diversas
aos utensílios de trabalho
e produtos para a lavoura,
sem esquecer
os guloseimas para as crianças.
Os sacos de semente alinhavam-se
em frente ao balcão,
odorando o ar de aromas particulares,
por vezes cáusticos
outras perfumados.
O rol de fiados
era a sua conta corrente
dos fregueses,
sempre cumpridores.
Surpreendente
era o não ter o produto desejado.


José Lopes da Nave



“O PADEIRO”
Ser padeiro é dar vida
É uma paixão
A massa que se cola às mãos
O seu rosto enfarinhado
Fazer pão é amor
Há tantas formas de o fazer
Acordam cedinho
Enquanto alguns se estão a deitar
Têm encontro marcado
Com o amor das suas vidas
O pão-amor
Fá-los viver
Usam a sua magia
Juntam-nos com carinho
Farinha,açucar,sal
Manteiga, fermento, água
Pão é vida é amor
São criadores de sonhos
Alimentos que tanto gosto
Acariciam-nos
Dão-lhes vida
Dão-lhes forma
Depois de os moldar
Com as suas mãos mágicas
Vão ao forno
Amam-se quentinhos
É uma emoção o resultado
Nos intervalos fazem os belos doces
É de lamber os beiços
Há de todos os feitios
Depois é a exposição
É um pouco da vida deles
Que é exposta ao público
Que orgulho ser padeiro
Viva o pão…Viva o padeiro…

“BRASA” MAGDA BRAZINHA



10-05-2017


O pastor da minha vila



Passa o pastor assobiando…

Atrás o cão, a ladrar,

 Segue o gado que anda pastando,

 e com cuidado o quer guardar



Passa o pastor ansioso…

para o cão vai a gritar:

- Corre lá, oh bicho preguiçoso,

 Não vá o gado tresmalhar!



Passa o pastor, sossegado…

Com o cão a o acompanhar…

Para casa vai descansado,

 Levou o gado a bom lugar



E eu aqui… a vê-los passar…



Fátima Rodrigues




O FERREIRO

O tlim, tlim ouvia-se ao longe,
 do martelo, batendo insistentemente na bigorna.
 Por hábito, aproximava-me
 e, às vezes, levava o arco,
 da brincadeira,
 de novo quebrado,
 para concerto.
 O ti Amaro, afogueado,
 olhava-me e sorria sempre, comentando,
 outra vez!
 Passava o lenço pela testa
 e interrompia o trabalho
 para, brevemente,
 proceder ao arranjo.
 Ficava maravilhado,
 o fogo, constante, faiscava
 dando tons rubros ao ambiente.
 O ferro ia tomando forma,
 naquelas mãos calejadas.
 E, por aí, ficava tempos …

José Lopes da Nave



“O ENGRAXADOR”
Menino sem esperança
 Que nunca foi criança
 Seguiu as pisadas do pai
 E por lá ficou
 Não conheceu outra vida
 Quem não se lembra do eterno engraxador
 Com a sua caixa mágica
 Com o seu banquinho agregado
 Dele saem pomadas, escovas
 O seu pano mais preto que branco
 Suas mãos enfarruscadas
 Saem sonhos
 Conhecem de cor os seus clientes
 Sabem os seus segredos
 As amantes dos ricaços
 Desfiam conversas
 Coscuvilham vidas
 Deambulam pelas ruas
 Procurando o seu sustento
 Naquela caixa velha
 Guardam recordações e saudades
 Engraxam sapatos finos ou botas da tropa
 Tanto faz, a vida deles é sempre a mesma
 A vida muda mas eles só têm de deixar
 Os clientes com os sapatos a brilhar
 Passam as mãos com carinho
 Nos sapatos que abrilhantam
 Quase já não existem
 Mas são ícones da vida
 Obrigada amigo engraxador…
 “BRASA” MAGDA BRAZINHA




" PROFISSÕES EM DESTAQUE "

AS MODISTAS PRODIGIOSAS.

Oh! Paixão por tecnologia.
 Verdade sei existir.
 Basta debruçar na janela.
 Logo se abrem mil imagens.
 Correm rios de palavras.
 Isto é gosto,
 Puro devaneio.
 Porque profissão.
 É livro a ler
 Devagar.
 Que sonho meu.
 Olhar montras onde os manequins eram intocáveis.
 Vestiam sedas, brocados.
 E saias pregueadas de xadrez.
 Tipo kilt holandês.
 Foi então um desafio.
 Entre tesouras sedas e brocados.
 Mãos á obra.
 Corpos vesti.
 Alguns, de uma elegância delicada.
 E tantos, que a arte de um bom tom, alindava.
 Corrigindo com bom corte.
 Certa barriguinha ou perna mal feitinha.
 Entre provas, picadelas de alfinetes e conversas ligeiras.
 Os tecidos se tornavam obras de arte.
 Desfilavam as noivas vestindo brancas sedas.
 Véus de tul, caudas de rendas e cetins, arrastar.
 Lindas, na candura que só o amor sabe doar.
 Era um desfile de bom gosto.
 Vestidos de elegância.
 Alguma cor.
 Pois Modista foi profissão,
 Que aprendi desde menina.
 A exerci com eximia destria.
 Gosto e amor.
 No presente não por profissão.
 Mas sei de linhas de bom corte
 De vestir com elegância seja quem for.

Augusta Maria Gonçalves.




RELATO DE UM CAMIONISTA

Parto sozinho
 Na bagagem levo a saudade e a esperança
 Olho o asfalto,sigo seguro de quem sabe o que quer
 Para trás deixo os filhos e a mulher
 Ouço a melodia que me embala
 Falo sozinho num silêncio mudo
 Sigo a rota marcada,vejo a natureza em todo o seu esplendor
 Anoitece ,encosto para repousar,tomo um banho em qualquer estação de serviço
 Às vezes água gelada ,mas que fazer????
 Ligo para casa,tudo está bem...
 Na certeza porém ...estou sozinho
 Sou poeta ,gosto de escrever,viajo nas palavras ,falo de amor...da vida...pensamentos meus
 Tantos países,tantos idiomas ...tento aprender
 Aqui vou eu... amanheceu...
 Outro dia ,outra estrada ,outra chegada
 Almoço requentado ,lembranças de casa
 Anos e anos no mesmo silêncio
 Chego mais cedo,meto a chave na porta
 Coração palpita,sigo a direito vou ao quarto
 Olho a cama,eu não mereço
 O meu lugar vazio está ocupado
 Saio para a rua ,olho á minha volta
 Afinal o que aconteceu...

Anabela Fernandes




Balconista de café

Quem tem ou teve um café
 está horas e horas a fio em pé
 atendendo clientes
 vende um pouco de tudo
 mas o vende mais
 é vinho, aguardente
 uísque , cervejas , agua e café

Quem tem ou teve um café
 Sabe bem como é
 não tem hora marcada
 nem para sair nem passear
 pois nem deixam fechar a porta
 para comer, nem para nada.

Quem tem ou teve um café
 ouve várias conversas
 conversas sem interesse
 muitas vezes repetidas
 mas tem de ter sempre
 sempre um sorriso no rosto
 mesmo que esteja mal disposto.

Quem tem ou teve um café
 e não tem empregados
 faz um pouco de tudo
 serve as mesas ao balcão
 lava a louca e limpa o chão

Quem tem ou teve um café
 atura muitas coisas
 é bêbados é mal educados
 que só dizem palavrões
 gente que não vale tostões .

Quem tem ou teve um café
 Também atende gente humana
 bem humorada e educada
 trata bem que os atende
 desses eu tenho saudades
 são amiga/os que guardo no coração
 alguns têm sempre a minha gratidão.

___________são __________________

Amigas/os verdadeiros onde há cumplicidade
 e até hoje permanece entre nós
 uma grande e sincera amizade.

Mila Lopes



Ferreiro

Braços fortes, desnudados,
 Mãos firmes e habilidosas
 Transformam ferros forjados
 Em peças únicas e maravilhosas.

A forja, o fole, o calor e a tenaz,
 São a sua, sempre, companhia,
 Com elas mostra como se faz
 Obra de arte, onde nada se via.

Aquece, malha e volta a aquecer,
 Até conseguir a sua moldura,
 Bate certo para o ferro retorcer.

Um espelho ou um candeeiro,
 Tudo é feito com muita ternura
 Pelas mãos hábeis do Ferreiro.

Francis D’Homem Martinho






03-05-2017

O TABERNEIRO

Mestre do equilíbrio,
 alegre e folgazão, 
 copos na mão, 
 beata apagada entre os lábios
 caminha entre as mesas,
 onde os fregueses jogam a sueca
 e, oscilando o corpo
 qual contorcionista,
 entrega o pedido feito.
 Reparos não ouve, 
 está entre gente sua, 
 apenas, anota
 mais uma rodada
 que a sede é muita
 e a mágoa também,
 há pois que apagá-las.
 E, vai mais um copinho
 para a sossega da noite.


José Lopes da Nave



“O SINALEIRO"”
Que saudades do “policia sinaleiro”!
Apita o sinaleiro
 No seu apito sonante
 Vibra com o som do apito
 Quem sabe se apita o amor
 Nas paragens obrigatórias
 Vai um olhinho às meninas?
 Que charme tem este sinaleiro
 Deus queira que demore a andar
 Gostava de o conhecer melhor
 Vai uma piscadela de olho
 Coitado do sinaleiro
 Ficou todo envergonhado
 Parece um malabarista
 Ainda por cima corado
 Mãos que se movem constantemente
 Para cima e para baixo
 Em cada apito um olhar
 Bate mais forte o coração do sinaleiro
 Mas tem de ter atenção
 Para o seu serviço cumprir
 É importante estar atento
 Às manobras dos automobilistas
 O meu amor vai a passar
 Ia engolindo o apito
 Fiquei mesmo nervoso
 Alguns são mais contidos
 Outros fazem equilibrismo
 Em cima da peanha
 De luvas brancas e cassetete
 Assim é o sinaleiro
 Quase já não se veem
 Mas quando é preciso lá estão
 Quem sabe não esquece…

 “BRASA” MAGDA BRAZINHA



VARINAS de LISBOA​

De Alfama á Mouraria
 Se ouve o pregão da varina
 Sobe a Rua dos Remédios
 Apregoando que é fresco
 Olha a sardinha e o carapau!!!!!
 Comprem freguesas 
 Que é fresquinho!!!!!
 Lá continua a caminho da Sé
 Sempre com fé 
 Em vender 
 A cesta ficar vazia 
 No rosto se ver alegria 
 Desce a feira da Ladra 
 Continua na sua jornada 
 Vendendo todo o pescado
 Hoje seguramente​
 O jantar dos filhos está segurado
 Amanhã outro dia virá
 A canastra cheia novamente
 Começa na Mouraria 
 Sempre com a mesma cantoria 
 Tempos de outros tempos 
 Que no passado ficaram
 Hoje se vai ao supermercado
 Mas o pregão da varina 
 Será sempre recordado


Anabela Fernandes



O LAVRADOR!

A tua mão é dura e agreste como o cipreste
 Mas sabes o segredo!
 Quando tens que lavrar e semear
 Conheces a terra como ninguém
 Reges-te pela lua e pel`o sol.
 Mãos que mudam de cor de tanto segurar o arade,
 Que moram e contam os meses
 Para chegar ao resultado.
 Lavrador não precisas mostrar tuas mágoas
 Feridas no corpo que te acompanham
 E tens no pensamento.
 A tua mão calejada pelo arade, pela foice e enxada
 Já está acostumada ao trato da terra ríspida
 Que trabalhas com olhar firme.
 Trabalhas o campo desde manhã
 Até ao orvalho das estrelas
 Chegas ao curral tratas da junta de bois
 Aconchegando-os com carinho. 
 Não tens tempo para limpar o suor
 Vais para casa, cansado e suado
 Comes um naco de pão com chouriço…
Feijão, ou grão ou uma sopa de couves 
 Deitas-te sobre um colchão de palha
 Para o corpo descansar.
 Novo dia chegará e há terra voltas de novo
 São as ferramentas que tens para trabalhar,
 Trabalhas com canseira, mas com vontade.
 Tua família de ti depende
 Esperas com ansiedade pela colheita
 Espreitas nos morros quando começa a verdejar,
 É bom sinal e ficas a rezar feliz
 Para que venha o bom tempo e as sementes
 Que germinaram te traga o pão.
 Com suor, fadiga e tanto trabalho
 Com chuva, com frio e pouco alimento.
 Sejas pois recompensado.


Rosete Cansado



O PALHAÇO

O palhaço no circo, ri, 
 Faz feliz também toda a gente,
 Que com aquilo que ele faz, sorri,
 Sem muita vezes, notar,
 Que ele ri em vez de chorar,
 P´las dores, que na vida sente.
 Toca variados instrumentos,
 Dá cambalhotas e falsas bofetadas,
 Dá ao público felizes momentos,
 Provoca em todos, sonoras risadas.
 Goza com o público, volta e meia,
 Com a sua maneira de brincar
 Faz de suas palhaçadas, a panaceia
 E as dores de outros, consegue aliviar.
 Mas quando o pano cai e vai embora
 E finalmente, o seu disfarce, despir,
 É nesse momento, que por vezes, chora,
 Por ter nenhum palhaço, que o faça sorrir.


António Henriques




O PADEIRO.

Tarda já a hora 
 Foge o tempo. 
 Mas trago na alma ventos falantes. Que fezem eco de trabalhadores. 
 Que não dormem . 
 Para que haja em cada manhã. 
 Pão saboroso. 
 Quente perfumado de suor e sal. 
 Farinha da espiga triturada. 

Na eira o trigo foi malhado. 
 Depois o padeiro de mãos carinhosas com afago. 
 Com farinha fermento e doação. 
 Amassa, espera que fermente. 
 Enrola na palama da mão. 
 E nas mesas há perfume de amor flor de pão.


Augusta Maria Gonçalves.

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