Era Uma Vez... 2018




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O “Era uma vez…”, já nos dá, por si só, a ideia de encanto, magia, mistério. Por isso, TODOS OS ESCRITOS, POEMA OU PROSA, têm de começar por "Era uma vez", só assim a iniciativa fará sentido.  O que virá por aí, não sabemos e estamos todos ansiosos. Inspiração, imaginação e momentos que queiram partilhar, certamente que não faltarão. Em poema ou prosa, ofereçam-nos algo que nos solte a alma, ou até, nos arrebate o coração!


ATENÇÃO: SÓ SERÃO VÁLIDAS AS PUBLICAÇÕES FEITAS NO PRÓPRIO DIA - DAS 00:00H ÀS 23:45H. FORA DO DIA SERÃO ELIMINADAS

A DIVULGAÇÃO É SEMPRE FEITA NO DIA ANTERIOR!

1 - Obrigatório identificar a iniciativa com:
- ou com o nome da iniciativa,
- ou com a foto da iniciativa,
- ou com ambos.

2 - OBRIGATÓRIO O PRIMEIRO VERSO, OU PARAGRAFO, COMEÇAR POR "Era uma vez,"
 

3 - A foto a usar é sempre a da iniciativa.
 

4 - Poemas a publicar no Grupo

TODOS PODEM PARTICIPAR!



 18-04-2018
 A FANTÁSTICA HISTÓRIA DO MENINO QUE ERA AMIGO DAS FORMIGAS

Era uma vez um menino de quem toda a gente gostava pela sua simpatia e boa educação. Frequentemente o apelidavam de: "um anjo de menino", mas o seu grande amor pelas formigas, porém, era um pólo de discórdia entre ele e o pai. Este era proprietário de uma pequena mercearia e naquele tempo não existiam embalagens, por isso os alimentos eram vendidos a granel e guardados em pequenos silos de madeira. Apesar de os ditos silos terem uma tampa, isso não era impeditivo para as formigas, que se deliciavam a invadir o do açúcar. Para combater essas invasões, o coitado do merceeiro socorria-se de pedaços de sabão com que tapava todas as fendas e buracos, dificultando assim o acesso das ditas, mas tão logo virava as costas, o filho corria a destapar de novo todos os buracos. Quando o pai, zangado, lhe perguntava: porque fazes isto, meu filho? Ele respondia: porque as formigas têm fome e são minhas amigas.
Aos oito anos de idade este menino adoeceu, vítima de uma epidemia que o levou à morte. O seu corpo foi depositado na cama enquanto aguardava pela urna, e para pasmo de todos, uma legião de formigas começou a invadir o quarto e a respectiva cama. Todas as tentativas para as afastar foram vãs. Os quatro pés da cama foram metidos em latas com petróleo, mas mesmo assim as formigas continuavam a afluir, cada vez em maior número, e a rodearem o corpo do menino. Escusado será dizer que mesmo no caixão elas conseguiram entrar e foi na sua companhia que o menino desceu à cova. Anos mais tarde, aquando do acto da sua transladação, ao abrirem a sepultura, deram com o seu corpo intacto, tal como tinha sido enterrado.
Esta fantástica história foi passada de geração em geração até chegar a mim porque este menino foi um tio-trisavô meu.

Aida Maria (Aida Marques) 





 Era uma vez ,de tantas talvez ....
Daquelas em que o sono se faz de teimoso e teima em não chegar ,vence o cansaço .
Rebolo na cama ,encosto a cabeça no vazio da noite ,relembro os momentos do amor desmedido ,da ânsia de ouvir a porta bater ,do rancher da cama entre suspiros e beijos ,desejos fervorosos ,entre corpos despidos caímos rendidos de tanto prazer.

Caio no sono ,acordo transpirada meio atordoada
-Onde estou ? Pergunto em voz alta
Ouço uma voz masculina
-Estás em Lousada
-A fazer o quê? Eu estava a dormir na minha cama
-Fui-te buscar nas asas de um anjo ,precisas de mim
-De ti ? Não sei quem és...isto é um sonho ?

Olha á tua volta,tudo é lindo ,o azul do céu se perde no verde dos campos de flores vestidos ,hoje começa a Primavera .

Não fiques á espera vem à janela ,sentir o cheiro da natureza,acalmar a tua dor,beliscar o teu coração ,segredar ao teu ouvido ....Eu sou o cupido ....
Vem...já me conheces ,sou atrevido ,surpreendente , arrebatador tenho ar de rabugento mas sou ternurento.
Tu lança o teu feitiço sobre nós faz de mim teu amo, dá-me o teu corpete ,a tua saia rodada ,a liga na tua perna e deixa cair todos os folhos de ti e eu então dou-te meu amor aos molhos e na tua perna esquerda tatuarei a minha letra do nome que me atrevi a inventar para ti.

No dia que descobrires quem afinal sou ...

Anabela Fernandes 





 Era uma vez a atenção...
Queria atenção, a toda a hora do dia!
Se não lhe davam atenção, até perdia a razão e mentiras inventava!
Barafustava com toda a gente e inventava, inventava, sem querer saber de mais nada!
Só ela é que importava!
Queria lá saber que com o seu comportamento, fizesse sofrer!
Isso é que era bom!.... Dar atenção a outras atenções, não estava nos seus planos!
Para ela, o seu querer estava à frente de qualquer ser!
Usava todo o seu poder, para atenção conseguir.... maquinava, engendrava,
Uma estupidez de cada vez que chamava a atenção para si!
Até ao dia que foi ignorada, e de atenção, não recebeu mais nada!
Só, ficou a barafustar, nem assim aprendeu!
E só ficou, com a atenção que mais ninguém lhe deu!

Moral da história...
Quem muito mente para chamar a atenção, pouco aprende, e um dia cai de cara no chão, sem ter ninguém que lhe preste atenção!

Autora: Fátima Andrade 





“SAUDADE”
Num virar de página
Apareceu a saudade
Ela, não descola nunca
A saudade tem um porquê
Aparece em certos momentos
Relembrando pessoas que passaram
Ou que partiram para não mais voltar
O tempo passa
Mas a saudade não tem tempo
Não esquece nada, nem ninguém
Ainda me lembro do teu nome
Do teu sorriso
De ti
A saudade tem rosto
Tem cheiros
Saudade é vontade que não passa
De te abraçar bem forte
De te beijar muitas vezes
Às vezes a saudade incomoda
Mas também é a prova
Que tudo valeu a pena
A saudade nunca morre
Sinto a tua falta
A vida leva e afasta alguém
Mas ela está sempre aqui
Sei que a vida é curta
Mas há quem apareça nela
E toca-nos no coração
Ficam lá para sempre
Ela não nos deixa esquecer
Ainda bem que a saudade existe
Obrigada saudade…Por seres saudade…
“BRASA”MAGDA BRAZINHA 





 ERA UMA VEZ.
A vida nascida como flor.
Manhãs de cetim tom anilado.
Nuvens de guiupur
Festim canoro.
Jacintos azuis bordando o lago.

Se ergueram as palmeiras em louvor.
Cachos de tamaras cor de açafrão.
Pendem, colhem-nas as mãos do vento.
Há pepitas de ouro decorando areia desse chão.

A vida foi semente.
Embalada em lago de cristal.
Eclodiu na noite enluarada.
Chorou, gatinhou, cresceu,
Olhou o céu,
Aprendeu das palmeiras o brincar.
Pés delicados vida em flor.
Se tornou mulher,
Tendo no peito,
O grito, a lava de um ser
Que se queria dar.

Foram noites inquietas de pensar.
Foram noites de sonhos irreaias.
Foi um ter de partir, a procurar.
O sonho, ir ao encontro de quem pudesse amar.

Deixar o oásis o lar.
Doía, porém doída era a solidão.
Ser árvore frondosa,
Sem beijos colher e flores dar.
Era a renuncia.
De um corpo pleno de perfeição.
Cujos sentidos plenos de ternura.
Fariam da vida essa ventura.
De ser amante, eva, mulher mãe.
Árvore em festa, flor semente.
Ela que sendo mulher é fruta de polpa doce e pura.

Augusta Maria Gonçalves.





11-04-2018

 DE QUATRO PATAS ATÉ DUAS

Era uma vez ,dois macacos a Salomé e o Gerônimo ,viviam em jardins diferentes mas muito próximos ,alguns km de distância,nada que 20 minutos de carro não os junta-se.

Num dia de Abril Gerônimo viu partir quem mais amava neste mundo , sentiu-se triste,abandonado e sozinho pois as manas macaquinhas e os manos macacos João e Geremias não tinham tempo para ele.Tinham a sua família própria ,viviam em jardins diferentes e só de quando em vez visitavam o mano velho.
Um dia por mero acaso ou não a macaca Salomé ,sempre armada em madre Teresa de Calcutá,soube da história e quis ajudar o Gerônimo.
Convidou-o para fazerem um piquenique,muitas bananas e amendoins...e lá encheram o bandulho.
Gerônimo muito triste , infeliz e cabisbaixo ,saltava de um lado para o outro sem saber o que fazer, Salomé atrevidota contava anedotas ,lia histórias ,sorria e divertia o amigo.
Um dia Gerónimo num ato de loucura quiz pôr termo á vida ,não conseguia suportar a solidão.
Salomé teve um pressentimento e nesse instante olhou o céu....enviou uma mensagem e consegui evitar o pior.
Dias mais tarde os dois encontraram-se e falaram sobre o sucedido,este muito agradecido,dizia que Salomé era especial....única e linda .
Era a Number One ....
Passaram vários meses e mal se viram pois Gerônimo vivia enjaulado.Um dia Salomé teve um acidente ,sofreu e onde está o Gerônimo?

Perdido num qualquer lugar ,indiferente ,ri de contente musculado quiçá idolatrado ....vê-lo nem sombra ..... será que se perdeu?
Ou o tratador morreu e perdeu a boleia ....

Com quatro patas são RECONHECIDOS,
com duas são ESQUECIDOS

Vive para ti....Pensa em ti ...Sorri para quem merece .... Não esperes retorno porque o egoísmo é capa que tapa e só mais tarde destapa.

Anabela Fernandes
 




Estrela triste.

Era uma vez uma estrela,
Tinha ela vergonha ao brilhar,
Por não se sentir bela,
Passava as noites a chorar.

Acordava e adormecia,
Sempre inquieta inquieta.
Só queria brilhar de dia,
Na noite ficar coberta.

Bela estrela , porque choras?
Lhe perguntou o rei sol,
Porque a noite não namoras,
E fazes da lua o lençol!

Se sentiu bela, reflectiu,
Bateu as pontas de contente.
Toda a noite ela sorriu,
Não se sentindo das outras diferente.

Basta um leve gesto,
Um pequeno sorriso,
Um pouco de afeto,
Naquele momento preciso!

Autora Maria Gomes Pereira Cabana 





Era uma vez a chuva
Não deixava de cair
Para um dia
Mas vem logo a seguir
Segura em meu abrigo
Vejo-a cair
Destravo as memórias
Despojo-me do nada
Visto-me de tudo
Olho o infinito
Vendo-a cair assim
Fria e insensível
Cinzenta e triste
A chuva deveria ser colorida
Para que ao cair
Desse um ar de alegria
Como se de cristais se tratasse
Deixava-a flutuar
E como num sonho
Dançava á chuva
Brincava com o arco-íris
Naquele mundo multicor
Para me saciar os sentidos
E me iluminar a alma
Mas não…
Ela cai sempre lobregue
Deixa-nos pensativos
Cinzentos como ela
Apetecendo ter sempre um teto
Um lugar quentinho
Para nos enrolarmos
No nosso amor …
A chuva deveria ser colorida…
Era uma vez a chuva
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 CEGONHA.

Era uma vez uma cegonha
Que do seu ninho fugiu a voar
Numa velocidade medonha
Num riacho caiu, teve azar

Ali, encontrava-se perdida
Na imensidão daquele riacho
Com uma perna partida
Aconteceu, lá para os lados do Cartaxo

A cegonha teve sorte
Por um agricultor foi achada
E assim escapou da morte
Porque foi bem tratada

Foi batizada por Ana.
Ela ainda não voava
Todos os dias da semana
Com os seus padrinhos andava

Todos os dias comia peixe
Num balde lá na rua
Na sua casota ela dormia
Que era sua e somente sua

Tornou-se conhecida na Cidade
Estimada por toda a gente
Quando partir deixa saudade
Mas estará sempre presente.

José Martinho. 





 Nas Asas de' Condor

Voei e apreciei...Imaginei...
E... Pensei.

Como é que...
Se aprecia um livro?

Degusta a sua leitura
degusta cada palavra escrita
como um ato de candura

Como é que...
Se aprecia um livro?

Navega nas entrelinhas
voando e pousando o olhar
imaginando das aves, o seu levitar.

Como é que...
Se aprecia um livro?

Tentado lá chegar!
Tentando entender a alma do escritor!
Tentando se enternecer em cada poema!
Ou então... Em cada romance de amor.

Como é que...
Se aprecia um livro?

E sei lá eu... E sabes lá tu
Palavras apelativas, contidas
de cor... Verde esperança
palavras tatuadas, que pousam pra voar
em inspirações desmedidas.

Não feches o livro da tua memória
Sente a essência de cada flor
Olha o céu que te chama pra voar
e voa Poeta... Voa nas asas de' Condor.
Sente cada sinal do Céu, um dia irás lá chegar.

Não... Não encerres aqui, a tua História.

Florinda Dias 





ERA UMA VEZ... A INOCÊNCIA INFANTIL...

Era uma vez uma menina muito "viva" e muito gulosa também. Um chocolate era a sua prenda preferida que às vezes lhe era oferecida como prémio por se ter portado "bem". Tinha apenas cinco anos de idade quando protagonizou um episódio que hoje recorda porque a sua mãe lho narrou. Enquanto a mãe ia trabalhar ela ficava à guarda do pai que tinha um escritório na própria residência. Ora na família havia um "desaguisado" entre o seu avô, pai da mãe e o seu próprio pai e este tinha mais ou menos proibido o sogro de fazer visitas à filha. A filha, porém, recebia-o às escondidas do marido. Num dia de uma dessas visitas, a mãe temendo que a menina fosse contar ao pai que o avô lhes tinha feito uma visita, prometeu-lhe um chocolate se ela também prometesse que nada diria ao pai sobre a dita visita. Foi com um esforço tremendo que ela conseguiu manter a sua promessa, mas valia a pena pois já quase sentia o sabor do chocolate na boca...
E eis que chega a mãe e a menina corre para ela perguntando: mamã, trouxeste o meu chocolate? Eu portei-me bem, podes perguntar ao papá... E logo voltando-se para o pai:
- Papá, eu não te disse que o avô esteve cá em casa hoje, pois não???
Fim da história, claro que ganhei o chocolate na mesma, porque essa menina era eu, e melhor ainda...dessa vez o meu pai não foi capaz de se zangar com a minha mãe.

Aida Maria (Aida Marques) 





 04-04-2018

 Era uma vez um lugar vazio onde não restava nada ,apenas o vermelho que o envolvia e o fazia bater lentamente

Era um sitio seguro com muito potencial mas muito mal aproveitado.
As flores não vingavam ,as sementeiras não cresciam.
Não se percebendo a razão....os anos passaram e o lugar continuava vazio.

Certo dia veio um habitante novo ,algures distante,perdido na serra e de mansinho se instalou.Sentou-se descontraído ,ar de atrevido ,pediu o serviço ... gargalhou.
Marcou presença, de azul vestido ,olhar sábio de quem sabe o que quer...parco em palavras ,fez estragos ....mas estragos bons ....pincelou o lugar dando outra tonalidade.

O lugar vazio ,sorrio de contente, finalmente estava seguro ,bateu descompassado, melodioso ,agora sim as flores vão crescer ....os malmequeres ficarão vistosos as searas darão fruto maduro resta apenas a dúvida se o habitante está ele seguro....

Anabela Fernandes 







Era uma vez a saudade
A saudade morava aqui
De repente vai embora
Mas volta sempre
O que será afinal a saudade?
Saudade é solidão sentida
É quando ainda existe amor
Mas não há ninguém para amar
Saudade é dor e amor
Saudade é amar o passado
E saber que ele não volta
Saudade é recusar ter saudade
Saudade é pensar
Que existe o que não existe mais
Saudade do que perdemos
Do que ficou pelo caminho
Saudade é morte na alma,
Só quem nunca amou
Deseja sentir a saudade
Do que nunca teve
Não há maior sofrimento
Do que não ter tido saudades
É sinal que passou pela vida
E ninguém deu por isso
Nunca ter sofrido de saudades
É o maior dos sofrimentos
Eu tenho saudades
De quem partiu
De quem ficou e jamais voltou
De quem amei
De quem me amou
Vou ter sempre saudades…
“Era uma vez a saudade”…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA





Era uma vez
Uma terra a minha
-----------------------------
Alentejo solidão é companheira
No traço branco que envergas
Na sombra da azinheira
À dureza não te vergas.......
<<
Soltei risos com colares de margaridas
Na beleza salpicada pelos montes ,
Hoje sós.....doem-lhe as feridas
Já lá não mora ninguém até secaram as fontes .
<<
Povo rijo que até fome já passou ,
Distante ..... chora a saudade ,
Pois as lágrimas que chorou
Nem idade nem o tempo as levou .
<<
Do pão as sopas fizemos ,
Sem pedir nada a ninguém ,
Das ervas temperos demos ,
Cagarrinhos foram petiscos também.
<<
Trazemos na alma o riso
Rimos das raízes nossas ,
Gente alegre de bom siso
Gracejo não nos faz mossas .
<<
Quando o sol fogoso ardente se for deitar
E a lua lhe sorrir com seus sapatos de prata ,
Terei o sabor das amoras silvestres a beijar
A doçura dos medronhos numa doce serenata .
<<
Quem sabe um dia no final hei-de voltar....
Farei grinaldas de lilases do campo em flor ,
Como borboletas batendo asas a desmaiar
Repousarei na minha terra virgem sem temor.

C.BAIONA.C.





 Era uma vez um tempo
que levava tempo a passar
porque o tempo que eu queria...
era tempo de sonhar!

Finalmente chegou o tempo
que levara tempo a passar
era agora então o tempo
dos meus sonho concretizar!

Foram tão breves os momentos
do tempo que sonhei diferente
que tudo acabou no tempo...
dos tumultuosos tempos do presente!

Hoje só quero recordar
o tempo de outros tempos...
que demorava a passar...
tempo esse... de sonhar!

04-04-18 maria. g. 





Era uma vez!
Um casal feliz com dez filhos,
Tinha uma quinta de agricultura,
criavam gado, faziam plantações, sementeiras
Enfim, tinham jornaleiros diários a trabalhar na agricultura.
A uns dois kilometros da quinta, existia a habitaçãoa do casal com mais alguns terrenos á volta, dando para criar muitos animais, coelhos, galinhas,galos, peruz e até suínos de criação...
Nessa casa onde habitava a grande família,
se situava um comércio de mercearia com tasca e têxteis lar...
Sendo assim,,, o Chefe de Família administrava
A quinta e o comércio,,, mesmo que a sua
Esposa era responsável pelo comércio além da grande tarefa ser mais presente na educação dos filhos.
Houve um dia entre outros mais assustador
e marcante, pois entre dez filhos, não seria normal se não houvessem problemas uns maiores que outros...
Então um grupo de seus filhos estavam a fazer uma brincadeira do esconde esconde,,,
Um dos filhos, nesse caso menina, com seus oito/nove anos desapareceu durante o jogo.
O dia foi chegando ao fim e a miúda não aparecia.
Quando anoitece e dão por falta da miúda
o pai pede aos jornaleiros que já tinham abandonado a lavoura, se iam procurar a sua filha.
Naquele tempo ainda não existia luz pública,, cada jornaleiro saía com o seu lampião,
Foram chegando a pouco e pouco e nenhum
deles trazia a miúda...
A mãe perante o resultado negativo da busca
entrou em pânico e começa aos gritos exclamando a filha, os filhos irmãos da irmã desaparecida, ao ver a mãe a gritar se uniram ao desespero da mãe e gritavam também,
entre o montante de gritos se junta mais um!
A miúda desaparecida que tinha adormecido
no esconderijo durante o jogo do esconde esconde...
Quem a encontrou foram os gritos aflitivos da família, e não os lampiões a percorrerem os caseiros da casa e o resto da aldeia a ver se
a encontravam...
História de aflição que dos gritos passaram
a gargalhada...

Arminda...T.G.L... 





A Arte da Escrita...

Era uma vez...uma história
...contada da memória...do escritor...ele
Escultor...de palavras...pintor de letras
...em telas coloridas...a preto e branco
Em um arrastar de tintas...vai pintando
...em aguarelas escorridas...
E é um baile iluminado...em palavras
...desenhadas...riscadas...e repintadas
Vai esculpindo...moldando enredos
Criando traços...estruturas...e segredos
E as telas se vão enchendo...
...em muitas linhas com muitas cores
Pintando intrigas...gritando amores
Colorindo vidas...na arte do escrever...e ser
...o pincel da escrita...escorrendo tinta
Criando história...criando memória
E era vez...
...uma obra de arte...que vês
E era uma vez...
...um livro...que lês
Uma tela imaginária...pintada de letras
...na arte da escrita
Que ficará para sempre...
...na história...da tua memória

FCJ
Fernanda Carneiro Jacinto 







Era uma vez a esperança,
 Que teimava em não morrer,
 É assim desde criança,
 Sempre com algo a fazer.

Acorda e adormece,
 Nem sempre entusiasmada,
 Pois de esperança padece,
 E não quer morrer por nada.

Sobe degrau a degrau,
 Tanto ri como chora,
 Olha;Nem tudo na vida é mau!
 Esperança não vás embora!

Se em ti existe amor,
 Então já somos três!
 Mereces todo o louvor,
 Esperança era uma vez!

Autora Maria Gomes Pereira Cabana


 

 28-03-2018
 Era uma vez, há muitos anos...
Era tempo de férias e aproveitei para visitar uma aldeia situada no sopé da Serra da Estrela, onde tinha vários familiares que ainda não conhecia devido à minha vivência de muitos anos em África. Habituada ao bulício citadino, logo me encantei com a beleza e o sossego daquele lugar. Certo dia saí para um passeio mais alargado pelo campo, e como o entardecer demorava, fui caminhando sem me dar conta do quanto me ia afastando do centro da aldeia. Já começava a escurecer quando finalmente constatei que estava perdida. Caminhando sem norte eis que vejo ao longe uma casa e logo me dirigi para lá. Ao aproximar-me dei-me conta do estado de abandono em que a dita se encontrava, mas mesmo assim continuei até que finalmente dei comigo a gritar: Ó da casa...
Apareceu uma velhinha senhora que me convidou a entrar. Depois das minhas explicações disse-me a velha senhora que aqueles montes eram povoados por alguns lobos e que portanto era melhor eu pernoitar ali, pois era muito perigoso meter-me a caminho. Ora, a casa era muito pobre e para descansar só havia mesmo uma espécie de cama em cima de um fardo de feno, mas esgotada como estava pela caminhada acabei por adormecer e só de madrugada acordei com o canto da passarada que habitava nas árvores próximas. Tentei encontrar a minha anfitriã, mas em vão chamei por ela, só o silêncio me respondeu... Pus-me então a caminho e pouco tempo depois encontrei várias pessoas da aldeia, que alertadas pelos meus primos tinham ido à minha procura. Respirando de alívio comecei a contar-lhes onde e por quem tinha sido ajudada durante a noite e à medida que ia falando os semblantes de todos fixavam-me com espanto. Questionados por mim, responderam-me quase em coro: Ó prima, o cansaço e o medo deram-lhe alucinações, essa casa está desabitada e ninguém quer ali viver... Viveu de facto lá uma velhinha que diziam que era bruxa, mas morreu há muitos anos... Isso foi sonho com certeza... e rindo lá se puseram a caminho. E eu, caminhando com eles ia pensando: Pois... Será...? Uma coisa tinha a certeza; se era bruxa era uma bruxa boa e simpática, que me avisara da presença dos lobos e assim talvez me tivesse salvo a vida...

Aida Maria (Aida Marques) 




 Era uma vez, numa terra bela no cimo de um monte.
Bela pequena, aconchegada como um ninho.
Por essa terra de pedras gastas, caminhou minha mãe quando garota. Sonho-a de pés ligeiros, olhos de céu sem nuvens, cabelos desmanchados pelo vento a correr, creio ter deixado gravados seus passos nas pedras de granito, onde se fez eco de tantos passos.
" muito mais tarde também meus pés lá deixaram trilhas "
Maria, minha avó, tinha numa humilde casa dado à luz doze crianças, era a vida dura, invernos de um rigor extremo, só o vento caminhava entre o nevão branqìssimo e o céu. Todos os filhos dessa generosa mãe tinham buscado rumo de vida,
dois pereceram crianças de tenra idade num incendio. Em casa minha mãe a mais novita e um irmão mais velho dois anitos.
Crianças que olhavam na vidraça da pequena janela a imensidão do céu, riam felizes a ver os flocos de neve que abundante adornava os grandes castanheiros. Na lareira mais um tronco de oliveira velha ardia em labaredas de mil cores.
Maria, minha avó fazia meia na hábil mestria de cinco agulhas. enquanto seu coração tão engilhado de lembranças, lhe trazia aos lábios orações, eram os únicos sorrisos no rosto dessa mulher forte e austera. Tão pouco tudo isto, um recorte de vida simples, tudo aconteceu num ninho rente ao céu. Provezende, Douro a terra onde minha mãe nasceu.
Tudo cabe em, ERA UMA VEZ.

Augusta Maria Gonçalves. 





Era uma vez... andavam perdidas umas letras! Sem saberem onde pertenciam, todos os caminhos percorriam, uma canseira....mas no final, será que o destino encontraram ou perdidas continuaram?!

Era uma vez...

"As Letras perdidas"

O "A", por aí perdido,
andava no ar,
adejava sem sentido
não tendo onde ficar!

Encontrou o "M",
mergulhado sem cor.
Ao seu lado se colocou,
pedindo por favor.

Os dois se juntaram
viajando numa estrada,
caindo-lhes o "O",
numa valente orvalhada.

Amigos ficaram,
mas sentiam-se incompletos,
os três deambularam
á procura dos sítios certos.

Um dia esbarraram
com o "R", receando a dor,
ao seu lado ficaram,
resgatando-o do seu torpor.

Baralhavam-se incansavelmente,
num intenso labor.
Descobriram surpreendentemente,
que juntos formavam,
a palavra "AMOR"!

O seu destino encontram
E juntos, nunca mais se separaram!

Autora: Fátima Andrade 





Era uma vez um idoso disse para o seu filho amoroso:
Eu ensino-te a viver,
Cuidas de mim até morrer.
O filho disse:
Está bem, não irás precisar de mais ninguém.
Os anos foram passando,
O filho foi aprendendo,e o pai envelhecendo.
E quando deixou de falar,
Nada mais lhe poderia ensinar,
O filho internou-o num lar,
Para alguém dele cuidar.
Ele sentiu muito e sofreu,
E pouco depois morreu.
É vida de hoje em dia,
A relação torna-se fria,
Quando já não somos úteis,
E nos tornamos inúteis.
Tantas vezes dou por mim,
A pensar em minha Mãe,
Que muitos filhos tem.
Mas não tem nenhum,
Para auxiliar e ninar.
Embora os filhos paguem,
Para alguém dela cuidar.
Pois, todos eles teem que trabalhar.
Agora cuida-se assim dos pais.
Não escutamos os seus ais!
Queremos tanto viver,
Com os nossos até morrer.
Fala a voz da experiência.
Com peso na consciência!

Autora Maria Gomes Pereira Cabana 





 Era uma vez uma menina de olhos doces .
Estamos em Maio o mês de Maria,Manuel um homem crente,com convicções firmes, dotado de grande sabedoria ,família tradicional,muito conceituado na sua terra natal,nada se lhe tinha apontar, aparentemente feliz no matrimonio,seguia a passo largo rumo ao café onde gostava de se sentar degustando o seu café.
Era perto do mar ,e aquele refúgio de há vários anos o inspirava na sua arte de bem escrever e pintar.Ali passava horas ,muitas vezes munido do seu computador onde punha em prática o que pensava.
Um dia passou por ele uma mulher na casa dos quarenta e poucos anos,bem vestida ,um fato cor de pérola,sapatos de salto fino que lhe alongavam a perna ,cabelo cor de amêndoa e Manuel não resistiu a olhar.
Num ápice de segundo a bela senhora olhou para trás e os dois cruzaram olhares.Mauel sentiu um arrepio percorrer o seu corpo,e fitou aquele olhar, que não mais lhe saiu do pensamento.

Passaram seis dias e a sua rotina diária continuou ,ida ao café de sempre,conversa com este e aquele,rostos que tão bem conhecia até que no sábado a senhora que no seu pensamento já lhe chamava de menina de olhos doces,entrou no café , sentou-se duas mesas atrás de si ,pediu um café.
Manuel voltava as costas várias vezes pois não conseguia daquele lugar ver quem por magia o atraía.
Numa dessas vezes ,os dois se olharam e ela sorriu,ele respondeu sorrindo também,e não demorou até se levantar ir ter com ela e apresentar-se.
Foi o início de tudo,ela Joana de seu nome ,uns anos mais nova , divórciada muito bonita ,bem falante,morava á pouco tempo naquele lugar com um filho, portanto nova na terra,passou a ser figura assídua no café da vila.
Manuel e Joana tornaram -se amigos,confidentes,até que Manuel lhe diz que é feliz no casamento mas não a consegue tirar do pensamento,Joana não sabe o que pensar,tudo é novo para ela e nunca se viu num triângulo amoroso.
Manuel um dia diz-lhe
- Joana achas que se pode amar duas mulheres?
Joana responde
-Nao sei ,talvez ,na vida tudo é possível
No seu íntimo ,ela pensava que não ,que aquilo era só um deslumbramento de ambos ,nada mais que isso.
Mas o tempo foi passando e meses depois ,havia algo muito mais que isso ,uma paixão talvez ou amor quem sabe.
Não podiam deixar de se falar,ouvir a voz um do outro,trocar as rotinas diárias ,sonhar o mesmo sonho.
Nada mais do que isso,nunca se tocaram,beijaram ,Manuel tinha medo ,Joana também.
Um dia num passeio á beira mar ,ela olhou -o nos olhos e disse-lhe vou mudar de casa e morar para muito longe ,Manuel foi como se um murro no estômago levasse,não sabia o que dizer o que fazer,não queria perder aquele doce olhar,aquela paz que sentia á sua beira.Num impulso agarrou Joana e beijou-a loucamente,ela retribuiu o beijo.
Saíram dali rumo a casa dela,foi um momento de amor ,podia ser o único e o último.

Passado três meses Joana vai embora,mas o seu coração fica na Vila .
Nada voltará a ser como antes,ele não mais conseguiu ver a esposa ,a legítima da mesma forma,eram companheiros de anos ,tantos que o tempo levou,mas sabia que Joana era sim a dona do seu coração,do seu corpo e da sua alma.

Manuel sofreu e ainda hoje sente que um dia a vida os juntará de novo.

Anabela Fernandes 





ERA UMA VEZ
Um sótão encantado
Pertencia á casa onde nasci
Tenho saudades dele
Sei de cor todos os seus cantinhos
Compartilhei com ele
As minhas loucuras
Os meus sonhos
As minhas mágoas e alegrias
O meu primeiro amor
Meu eterno cúmplice
Onde vivia a ternura
A nossa casa é o nosso abrigo
Mas aquele cantinho milagroso
Tinha magia
Com os seus tetos baixos
Nele chorei e ri
Fui muito feliz
Era o meu teto
O meu ninho de amor
Adorava o seu aconchego
As suas paredes tinham ouvidos
Sabiam guardar os meus ais
Os meus segredos
As minhas ilusões
Da varanda do meu sótão via o mundo
Via o sol, via a lua, via a serra
Via o mar e a minha praia
Gostava da minha casinha
E daquele sótão mágico
Sentia o seu sorriso
Nele guardo recordações
Memórias e saudades
Meu companheiro de infortúnio
Mas também de felicidade
Na minha casa
Reunia-se a família
Chorávamos e ríamos até às lágrimas
Havia amor e tranquilidade
Obrigada por existires
E guardares as minhas memórias
Sótão abençoado…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




Era uma vez

*lá longe no tempo
-----------*------------
Lembras-te daquela tasca....
Ao fundo da nossa rua...
Com as portas já em lasca ...
Que era minha e também tua...
Aberta de para em par...
P´las telhas espreitava a lua ...
Ouvia-mos o fado cantar...
Na noite longa e nua ....
Aquela tasca velhinha...
Cheia de risos e fumo....
Que era tua e também minha ....
Já lhe perdemos o rumo....
Hoje na tasca velhinha ...
Só habita solidão....
Cai de podre coitadinha ...
Já não se ouve a canção...
Foram-se os anos e o tempo....
Assim como a nós também...
De lá só sopra lamento...
Já lá não canta ninguém ...

C.BAIONA.C. 




Era uma vez, uma história sem pés nem cabeça ...
Não tendo nada para contar,
começava a inventar.
Já fui rei, de quê não sei!
Mas fui rei de certeza,
ou será que fui princesa?
Ahhh... já me lembro!
Fui ladrão, mas o que roubei, não sei não!
Mas sei que sei,
que não fui princesa nem rei!
Então e o que roubei?
Esperem lá.... Ora, ora....
Fui polícia com crachá,
de apanhar o ladrão,
fiz questão!
E não era eu, não senhor!
Será que também já fui Doutor,
ou doutorado, de papel passado e assinado?
Doutor de quê, não sei!
Mas sei que sei,
que não fui polícia, ladrão, princesa e rei!
Estou a ficar atrapalhado!
Será que fui fadista cantando fado?
Hum..... Não sei não!
Esta história está uma grande confusão!
Ahhh... Já me lembrei!
Sou poeta!
Isso eu sei!
E também escritor,
de poemas e histórias e de contos de amor...
Isso eu sei, sei sim senhor!

Autora: Fátima Andrade 





 Era uma vez
Uma história de verdade
Por ser verdade talvez
Ainda hoje sinto saudade

Esta minha história
Fala de um pobre rapaz
Que mesmo sem glória
Queria viver em paz

Deu a volta ao mundo
Descalço e a pé
Num sonhar profundo
Sentado na mesa de um café

Atravessou montanhas
Cultivou jardins em flor
Colheu desilusões tamanhas
Tudo por causa do amor

Fizesse frio ou calor
Este pobre rapaz
Só por causa do amor
Nunca viveu em paz

Luis Marcelino. 



Era uma vez !
Um Sacerdote
que tinha muito senso de humor.
Então contou que havia uma senhora
muito fofoqueira na sua paróquia,
falava de tudo e de todos,
morava muito perto da igreja,
que da janela de seu quarto podia ver o altar.
A senhora ia á missa todos os dias e, depois,
passava o resto das horas do dia pela paróquia
falando da vida dos outros.
Um dia ela ficou doente e ligou para a paróquia e disse,
estou de cama doente com uma gripe muito forte, por favor você me pode trazer a comunhão?
O Padre respondeu, não se preocupe,
você tem uma uma língua tão comprida
que chega da janela do seu quarto até ao altar...

Arminda... T. G.L..






21-03-2018 
" DERRAMO ROSAS... "
Neste rio... derramo rosas;
Vermelhas... como gostavas.
Vão nas pétala - ditosas -
As lágrimas, que tu me davas!
Cada uma... leva a lembrança;
Dum lindo sonho de amor.
Mas hoje desfaço a esp'rança,
Ao desfolhar cada flor.
E tu rio, para onde vais?
Fico à beira deste Cais,
A ver-te levá-las, nas águas.
Esmoreço, em cada uma.
Não tenho sorte nenhuma!
Afogo em ti... minhas mágoas!
Liska Azevedo 



Era uma vez
Lá longe ,onde os meus olhos as nuvens namoram ,
vivem as árvores com elegância despidas ....
altivas , arrogantes , porque em seus galhos, líricos moram
sem pudor cantam com fulgor nas madrugadas preenchidas.
Prometo que em outra vida árvore serei .....
ou trevo , ou mármore , ou talvez poemeto .....
ou malmequer descuidado em ermos ... eu direi...
este ser ás avessas de preto sem amuleto não.....eu prometo.
No limiar da história das palavras ,solta-se o monólogo ,
será que alguém sabe que vivo ?
ou hoje é o depois de ter morrido sem o saber é o epílogo ?
ou serei o itinerante no nevoeiro descabido que me revivo ?
se houver alguém, mesmo sem a minha permissão ,
soprem o bafo d´alma dos abençoados em final de missão.
C.BAIONA.C. 




Era uma vez!
Tanta borboleta em bando
e cada uma por sua vez
beijava flores
de quando em quando.
Lírios, rosas, amores,
muitas e mais flores
tão belas...
E tanta borboleta voando
sobre elas...
O meu olhar se prendia
irradiaram o meu dia,
por baixo de um sol brilhando
de azinhas tão singelas
vieram com a primavera
em contraste, com flores tão belas
a mais bela qual delas?
Qual era,,,,qual era?
No ar esvoaçando
de flor em flor, pousando
beijando, beijando...
Pairava no ar o cheirinho
das flores lindas tao belas,
sussurrando bem baixinho
como quem chama por elas
as borboletas com carinho
vêem as flores, como aguarelas
de cores lindas como elas,
Beijinho e mais Beijinho,
voam e pousam deixando nelas...

Arminda...T.G.L...





 História verídica

Era uma vez um pastor que por terras do Douro , nos socalcos da serra passeava o seu rebanho .
Eram cerca de 100 ovelhas e cabras ,o cão Barnabé e a cadela Matilde .
O Sr. Zé da mula como era conhecido corria km por dia com o seu rebanho.
Levava o farnel para se alimentar e o rádio para ir ouvindo as músicas que já sabia de cór.
Mal sabia escrever pois tinha apenas a terceira classe antiga mas chegava para o que fazia no dia a dia ,lia as letras gordas do jornal da terra,as cartas da família emigrada e escrevia uns versos .

Ninguém na terra dava valor aquilo e o Zé sentia uma tristeza enorme ,mas tinha o sonho de alguém um dia ler e desse o valor,o que ele nem sabia que tinha.

Num dia quente de Agosto ,um casal foi passear por aquelas bandas e como por um acaso foi parar á casa ao lado do Zé ,conversa daqui e dali e Ana também ela uma amante das palavras,quis conhecer este homem.
Logo foram apresentados e ela toda sorridente disse
- Ti Zé posso ler o que escreve
-Pode sim menina ,mas você da cidade também gosta de versos
Ana sorriu ,apertou -lhe a mão num gesto terno e disse
-Vamos lá ver isso

Ti Zé mostrou uns quantos versos em papéis já amarelecidos pelo fumo da lareira ,gastos pelo tempo de nunca serem vistos.
Ana estava deliciada ,como alguém tão humilde escreve coisas tão lindas,quase um retrato da vida diária.

Ela começou a ler em voz alta e ao ti Zé caiam as lágrimas de contente .
Ana pediu uns quantos versos e prometeu voltar .

Queria fazer algo para aquele homem se sentir valorizado.
Ana foi á Vila,passou os versos para outras folhas e mandou encadernar.
Fez um livrinho tendo na capa a foto do ti Zé.

Uma semana depois voltou á aldeia e levou consigo a prenda ,eram horas da janta ,e lá estava o pastor com uma chouriça na mão cortando com a navalha sentado na soleira da porta.
O carro vermelho parou ,Ana dirigiu-se a ele e disse
-Trago uma coisita para si amigo.
-oh menina mostre lá

Ana entregou o livro ,ti Zé chorou de tão emocionado
-Ai menina posso lhe dar um abraço mas eu cheiro a cabras sou do campo
-Pode sim ,venha daí esses ossos.
Ana sorria de feliz ,os dois sabiam que serem reconhecidos por tão pouco é melhor que muito dinheiro junto e ninguém nos dar valor.

Não sei como agradecer mas sempre que venha a Mesão ,tem aqui um homem humilde á sua espera.
Ana trouxe duas chouriças porque aquele cheiro ,ainda hoje o sente e o ti Zé nestes setenta e oito anos lembra tanto da Ana que a chama de sua menina de Lisboa com olhos meigos .

Anabela Fernandes 




 Era uma vez ...
uma aguarela de luz e cor
nascida do ventre da terra
a quem chamaram...
Primavera em flor!
Tão cheia de alegria
trazia nos seus olhos a esperança
do rejuvenescer da natureza...
em cada dia!
O seu corpo salpicado
de singelas flores
encanto de criança...
era um lindo lençol bordado
onde o sol se deitava...
numa promessa de amor!
Pelas suas mãos ...
jorravam as águas cristalinas
das fontes renascidas
que são promessa
á terra sequiosa de vida!
Era essa primavera ....
que há muito esperavam
as alegres andorinhas
vestidas de saudade
do seu ninho....
que há muito deixaram!

21-03-18 maria g.



 Era uma vez, uma história sem pés nem cabeça, que começava assim...

Que ATRAPALHAÇÃO! Naquele dia de SOLIDÃO.
PRIMEIRO chegou o BÁRBARO RIVAL do GRANDE Hércules, com o DEDO a ESPICAÇAR. Qual VAREJEIRA adejar há volta de uma LAMPARINA. ZANGA como aquela, IMPOSSÍVEL de TERMINAR! Hércules barafustava, enquanto com HESITAÇÃO, um MÍSTICO JAGUAR se aproximava. OCULTO por um XAILE, anteviam-se QUATRO patas, dignas de NOTA, mais parecendo as de um URSO, pronto a cometer um CRIME. Estava era FALIDO, não tinha nada para vestir! Foi de partir a rir!

Autora: Fátima Andrade





Era uma vez, a verdade.
Só queria ser sincera,
Deixar a mentira a espera,
Nunca perder a vontade.

De ser pura e cristalina,
Dar razão a quem a tem,
Jamais mentir a alguém,
Não querer viver sozinha.

Veio a mentira sorrateira,
A tentando convencer,
Que com o envelhecer,
Não seria verdadeira.

Aí ela lhe falou com carinho,
E a chamou a atenção;
Se abrires teu coração,
A verdade é o melhor caminho!

Autora Maria Gomes Pereira Cabana

14-03-2018
Era uma vez uma DONZELA''
(Mar cruel)

Certo dia uma Dozela
Pela praia caminhava
Com seu véu era bela
Ver o mar ela chorava

Um cavaleiro passava!

Menina porque chora
Neste dia tão colorido
Na areia que a devora
Não suje esse vestido

-Ela soluçava...

Senhor, meu amado partiu pro mar!
No seu barco ele se voltou assenar!
E quando estou neste mesmo lugar!
Minha alma implora para o abraçar!

Mas Dozela, ele vai voltar!

-Não meu Senhor!
Faz tempo que meu amado partiu
e nunca mais se viu!

E a Donzela pela praia caminhava...
E o cavaleiro triste acompanhava...

Se fez silêncio!

Subitamente,
desceu do seu cavalo e a abraçou!
Esse nobre e gentil cavalheiro,
pela triste e bela Donzela,
por fim, se apaixonou!

O.Rodrigues
 




 Se faz a nossa vida de passagens, acontecimentos que a memória guarda em inscrições marcantes.
Depois...

Era uma vez.
Em que o dia nasceu florescido,
Depois de uma noite de clamor.
Choveu intensamente, já em Março.
Quando a natureza queria só explodir em flor.
E foram cascatas de água,
Lágrimas talvez...
De anjos em rumo ao paraíso.
Barrados no caminho por ventos impetuosos.
Corriam a terra apressados,
Nada os impedia no caminho.
Longe do meu olhar, o mar bramia.
As ondas cavalos em tropel.
Investiam na terra estremunhada.
Deixando nu o areal.
O farol aceso indicava.
Fazendo longe entoar.
Cuidado! barra fechada,
Está acordado o forte mar.
E nas janelas gastas dos abrigos.
Nós que arquivamos as histórias.
Ontem foi uma vez só de sorrisos.
Hoje é outra vez,
Para em linhas de vento escrevermos as memórias.
Amanhã será outro recordar.
Era uma vez.

Augusta Maria Gonçalves. 





( Continuação )

Era uma vez o desejo que se perde na imensidão de um beijo,numa troca de olhares ,na magia do amor.

Susana estava sozinha á algum tempo ,sem qualquer relação amorosa ,não que fosse esse o seu propósito de vida mas porque ainda não tinha encontrado a pessoa X ,aquela se tomasse o seu coração.
Sabia-se uma mulher apaixonada que se entregava com amor e por amor,só assim a vida para ela tinha sentido.
O Jorge homem nortenho,mexia com ela de uma forma inexplicável,quase louca.
Era terça feira á tarde e como hábito foi às compras ao Shopping e sentou-se a tomar um café na esplanada.
Aquele sítio era maravilhoso com uma paisagem que a deixava divagar e perde-se nos braços de Jorge,no odor do seu perfume que sentiu tão de perto,no calor da suas mãos que só de pensar excitavam a pele,e a voz essa era mel nos seus ouvidos.
Estranho pensava ela ,que raio o que é que este Portista veio desalinhar a minha vida ,mas ao mesmo tempo ,o coração sorria de alegria.

O telefone interrompe este silêncio,era Jorge.
-Ola princesa estás bem ,era assim que ele a chamava.
-Sim Jorge e tu ?
-Estou com saudades tuas ,não páro de pensar em ti
-Quem bom,mas espero que sejam bons pensamentos
-Claro,este meu lado poético já te imagina aqui no Douro ,num cruzeiro a dois ,perdidos nesta paisagem paradisíaca.
Susana ,só queria dizer que sim mas era muito comedida e não queria passar uma imagem de ansiosa.
Falaram mais um pouco,mais umas trocas de mimos e desligaram .

Jorge queria contar a Susana a sua vida mas tinha algum receio,foi um homem de algumas paixões,um casamento terminado, dinheiro gasto onde não devia ,e hoje não podia nem tinha a vida que gostava.
Foi um bonvivan e isso trouxe consequências.
Nunca pensou poupar mas viver a vida ,tirando dela o melhor proveito.Mas hoje nos seus sessenta anos já vê a coisa numa outra prespectiva.
Que pode oferecer a Susana se até para ir passar um fim de semana a Lisboa teve de contar os euros,tudo isto tomava o seu pensamento.
Mas sabia que amor ,carinho , cumplicidade ,isso daria aquela mulher ,dona do seu pensamento.

Passou um mês de vários telefonemas ,e eis que Susana liga a Jorge e o convida para vir a Lisboa.
Jorge não esita e faz-se ao caminho.
Era um fim de semana que estava sozinha e queria aproveitar ,saborear o que há muito desejava.
Preparou a casa com velas aromáticas, flores,uns lençóis acetinados na cama .
Espalhou pétalas de rosas na mesma , um bom vinho para o jantar para acompanhar o bacalhau no forno.
Vestiu um vestido vermelho um pouco a cima do joelho ,um colar prateado ,uns botins que lhe alongavam a perna e desejou estar tudo perfeito.

Eram sete horas e toca o telefone ,era Jorge que tinha chegado,o coração de Susana acelarou.
Cumprimentaram-se ,a conversa fluia naturalmente,o jantar divinal e os dois estavam rendidos aquele ambiente,trocando mimos ,toques leves no rosto,beijos nas mãos,pernas entrelaçadas .
No final do jantar ,Jorge ajudou a Susana arrumar a cozinha ,e caíram os dois no sofá escutando uma música instrumental.
Não foram precisas palavras,a paixão fez-se sentir .
Roupas espalhadas até ao quarto, lençóis amarrotados,odor á amor,gemidos sussurrados e o dia clareou com a certeza de que vale a pena ... ESPERAR....

Anabela Fernandes





Era uma vez, alguém que disse ser "pindérico" rimar mar com amar, ou com ar e ainda atenção com desatenção... Então eu fiz esta poesia de fazer rimar o que quiser doa a quem doer!

Era uma vez...

Outras rimas!?!
Como vou rimar
com a imensidão do mar?
Vou ter que pensar
que rima lhe dar..
Sempre dá no mesmo!
Mar rima com ar,
com dar e acariciar,
levando-me a pensar,
no verbo Amar!
Tão lindo e belo,
poderoso e singelo.
Não quero saber!
Liberdade quero ter,
de rimar "alhos com bogalhos",
se tiver de ser!
Olhar alguém nos olhos
e poder dizer..
...Gosto de ti aos "molhos"!
O que eu quiser!
Quer seja banal
ou fenomenal!
Que seja fantástico
ou sarcástico!
Quero lá saber!
Apenas quero ter
o poder de escrever,
o que surge de dentro de mim...
Porque me apetece!
Porque sim!
E se quiser amar
sobre a imensidão do mar,
me unir às estrelas
e à lua...
com a minha pele nua,
naquele mar profundo,
num qualquer canto do mundo...
Então é isso que vou fazer!
Porque sou muito "ser",
uma simples Mulher,
que sabe o que quer!

Amar com mar,
olhando as estrelas ao luar.
Ter o poder de escrever,
só pelo simples facto,
de o querer!
Por isso não quero saber,
doa a quem doer!
E não me vou remoer,
por "aquilo" que escrever!
Faco-o por mim,
pois sou assim!
Com pózinhos
Perlimpimpim,
somente e porque sim!

À, já me esquecia..
E com asas de "querubim"!

Autora: Fátima Andrade 




ERA UMA VEZ UMA MENINA
<
Com seu vestido a ponto cruz bordado ,
saltitando com sua mãe de mãos dadas;
e seu vestido já sem cor de tantas vezes lavado
estava linda como num conto de fadas.
Calçava sapatos já gastos herdados da irmã ,
coitados ,desmaiavam de tanto uso ser dado.
a malinha de pano pintada ,era o seu talismã....
o pai num salto de noite a Espanha tinha-lha comprado.
apertou a mão da mãe , que de olhar sereno lhe sorriu,
era a mãe mais linda de todas as mães que já tinha visto .....
foi ela que com doçura, para o passeio a vestiu
com ternura lhe colocou seu colar com a cruz de Cristo.
Tão bela... de olhos azuis iguaizinhos à cor do Céu ,
cabelos loiros da cor das searas maduras....
pelas costas num gesto atrevido jazia o seu chapéu ,
e no olhar transparente ,havia beijos com mil doçuras.
E a menina feliz ,de gasto vestido ,
cheia de graça com o sol a beijar ,
guarda num baú como um livro muito lido ,
memórias de infância de quem a soube amar.
*
C.BAIONA.C. 





“VIAGEM NO TEMPO”
Era uma vez
Uma viagem no tempo
Trouxe uma saudade
Uma mágoa, uma dor
Uma alegria inconstante
Uma lágrima escorreu
Sem pedir permissão
Como o beijo perdido
Num tempo para esquecer
Um amor para lembrar
Aquele momento gravado
Aquele sorriso fascinante
Aquele olhar sedutor
Aquelas palavras de amor
Como se esquece?
O mesmo gesto
O mesmo sonho de amar
Num afago de abraço
Num beijo sem fim
O relógio marcou o tempo
O tempo tentou fugir
O amor esvaneceu
Foi embora
Foi uma lufada de ar fresco
Que deixou só tristeza
Mas tinha de ser assim
A vida troca as voltas
Nem sempre é como se quer
Ficou no mesmo lugar
Nesta viagem do tempo…
Em que só pode dizer
Era uma vez…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez ...no tempo
em que esse tempo era
vivido tão vivamente....
que escrevi o que passo a contar!

Acordo sobressaltada
pois tenho hora marcada
para andar por aí!
Abro os olhos, olho o relógio
que horas são?
Meu Deus ...começa a agitação !
Lavo os dentes e tudo o resto
e pelo meio de tanto asseio...
penso e rezo, nem sei se rezo....
mas penso, estou viva...
mais um dia me foi dado pra viver
a Deus vou ter que o agradecer!
Aqueço o leite, faço as torradas
Abro a porta pra sentir e ver...
que tempo está a fazer
o canto do canário me chama
os gatos roçam- me nas pernas
e o leite derrama!
Enquanto corro para o telefone
que toca sempre com pressa
na passadeira tropeço ....
mas não vou cair!
De qualquer coisa me esqueço ...
antes de sair!
Saio pelo jardim
ele faz parte de mim
as minhas flores ...são um dos meus amores!
Olho as horas!!!
agora é que tem que ser...
vou ter mesmo que correr
tenho compromissos não posso faltar!
Deixo a cama por fazer, o pó por limpar
nada disso me vai aqui prender!
Enquanto corro neste devaneio
com tanto precauço pelo meio
de uma coisa tenho a certeza ...
que sem sobressaltos ...
a vida não teria beleza!
Por isso vou andando por aí
correndo,caindo,levantando- me
vivendo!!!
Dando aos outros...
Um pouco de mim!!!!

...... maria g. 




AVALON

Era uma vez, uma ilha
Envolta em brumas...
Pelo mistério rodeada

Avalon ilha encantada!

Havia nela, um místico jardim
Onde floresciam...
As mais belas flores...

Mal amanhecia o dia
Do místico jardim, todas
As flores se erguiam

E como por magia...

Das suas pétalas delicadas
Mil notas musicais
Se desprendiam...

Em em uníssono... em coro
Soavam doces melodias...
Melodias de amor!

Rosa Maria Correia Marques 





Era uma vez!
Uma sonhadora
mulher, menina.
Do seu querer ao invés
deixou em penhora
sua incógnita sina..

Queria ela !?!
No sonho de alguém
ser amada,,,
e sem saber quem"
espreitava da janela
do seu coração,,,
estava apaixonada
não queria ela"
sonhar em vão...

Era apenas um sonho
em seu sono instalado,
e o seu desejo,,,,,
sendo mega medonho"
esperava ela,
um príncipe encantado
encantado por ela...

Um tiro na esperança
ela ia desparar,,,
mas quem espera alcança,,,
então no sonho dela
o príncipe foi parar.
Mulher menina, alcançou
o sonho que tanto sonhou"
então colou em lembrança,
um sonho,,,
que muito amou ...

Arminda...T.G.L.. 





Era uma vez

Ela fora menina

Ela era tão tão...
mas que raio era ela?
só pensava e pensava
tinha agora a sensação de que já era tarde
mas para quê ? e porquê?
Ainda se lembrava de querer ser grande e lhe parecer que o dia em que finalmente fosse crescida, nunca mais chegar
agora só queria ser novamente criança
ou será que não?
A sua infância não fora um sonho, era com alguma inveja, que muitas vezes ouvia outra mulheres lembrarem com nostalgia as suas infâncias, até mesmo aquelas, que sendo oriundas de famílias pobres, tinham passado parte da mesma a trabalhar, quer no campo, quer a tomar conta da casa e dos irmãos mais novos fazendo-se gente muito cedo, mas era raro não haver um brilho no seu olhar ao falar daqueles tempos, fosse das correrias ao ar livre, fosse da escola e até das réguadas que hoje as fazem rir, fosse do primeiro beijo ás escondidas,dos bordados, das rendas, dos remendos das calças e dos vestidos, do pouco pão,da pouca carne, das poucas gulodices, da alegria do parco Natal, Pascoa e aniversários, do frio por falta de bons agasalhos, dos sapatos que passavam de irmãos para irmãos e primos, assim como os livros da escola, das sebentas, de ler á luz de um candeeiro de petróleo ás escondidas dos pais,de terem algumas, que ir servir muito novas para casas de senhoras finas em Lisboa, Porto ou numa outra grande cidade, quer até a sensação de injustiça, por verem outras de vestidinhos rendados na missa de Domingo,mas era raro, não a recordarem com um sorriso de autentica felicidade
Ela não, mal se lembrava de ter sido feliz, quanto mais da infância, a maior recordação que tinha dessa altura da sua vida, era a de solidão, solidão na cama, na escola, em casa,em seu redor, estava dentro de si e ainda permanecia, como uma segunda pele que teima em ser sua.
Sabia que outrora fora criança, não porque se visualiza-se assim, mas porque das pouquissimas fotos que lhe mostraram, estava lá a sua cara e o seu pequeno corpo, também recordava que sempre tinha sorriso, não sabia porquê, porque as noites eram de revolta, ás voltas na cama, sem sono e revoltada por ter de dormir, sabendo que amanha ainda não seria grande.
Lembrava-se muitas vezes do pai, que quando a levava á escola pela mão, o fazia com uma rapidez que a obrigava a correr ...e sorria, lembrava que só brincava com rapazes, as raparigas gozavam com ela, olhavam-na de lado com estranheza,nunca soube porquê, já os rapazes pareciam um enxame á sua volta, e ela jogava á bola, saltava, corria, parecia um cabritinho ..e sorria, fora as vezes em que se metiam com ela e num ápice, passava de sorridente rapariguinha, para uma feroz criatura, correndo atrás de quem a tinha ofendido de alguma maneira, oferecendo tabefes a torto e a direito independentemente do sexo, idade, ou altura, nestes momentos nada, mas nada lhe metia medo.
Achou sempre que um dia ia salvar o mundo, sem nem bem saber de quê, via-se heroína, defensora dos mais fracos, dos mais pequenos, dos mais débeis, irritava-a que fizessem troça dos gagos, dos que usavam óculos, dos que não sabiam ou não queriam correr, a esses abraçava e sorria com gosto, indo busca-los para uma brincadeira, ou, falando com eles, tentando incutir-lhes coragem, coragem essa, que á noite lhe fugia, quando se deitava e não conseguia dormir, sem saber onde estaria no dia seguinte, com quem e tendo a certeza que muito faltava para crescer.

14 Março 2018
ANA MARQUES 





 MEMÓRIAS

Era uma vez...
Alguém que nasceu e cresceu!
Alguém que começou a contar até três!
Alguém que começou a escrever a, é, i, o, u!
Alguém que aprendeu o abecedário!
E o que ela fez?

Aprendeu a juntar as letras!
Aprendeu a escrever nas entrelinhas!
Dava ditados e redações.
Aprendeu matemática, ciências e história!
Hoje... tem tantas vivências na sua memória!
E ainda não aprendeu as lições.

Menina mulher!
Senhora que sabe o que quer!
O que quer da vida, num ou noutro ponto de partida.

Senhora que é deveras sofrida, é lutadora!
Ela constrói pontes pra passar prá outra margem!
Ela derruba muros para seguir a sua viagem.

Ela é uma sonhadora!

Ela vê sempre uma luz ao fundo do túnel
Ela acredita num anjo de luz!
Quando carrega nos ombros!
O peso de alguma cruz.

Ela é introvertida!
Ela é uma flor de jardim!
Ela é sensível como uma borboleta!
Ela diz que não, e diz que sim!
Ela sabe que a estrada não é sempre direita.

Ela sabe que existem curvas, subidas e descidas!
E sabe também que existem pedras no caminho.

Ela sabe e mesmo assim, continua a sorrir à vida!
Às vezes ela também chora, mas para que ninguém sofra!
Ela esconde-se e chora baixinho.

Florinda Dias 




Era uma vez...
Numa aldeia pobre e humilde
nasceu um menino,
antes do tempo em que
as cegonhas transportavam bebés.
Nasceu privado de ilusões,
com pouca expectativa de esperança...
Pois..., seus
olhinhos desconheciam o verde.
Desfolhar livros, era difícil...
Difícil era correr entre as gotas da chuva,
ter água abundante e brincar com lama.
Falo d'Africa!
Tantas vezes, entre risos e gargalhadas,
juntavam-se nuvens no céu...
Criando falsas promessas,
para depois se desvanecerem em nada.
Era um tempo de incerteza...
As soluções estavam na criatividade
e na união...

José Maria... Z L







 


 07-03-2018

Conta-se em cada amanhecer a história real de viver.
Aqui o sol espreita.
Além o frio aperta.
Longe o degelo aflige.
No Polo Norte o icebergue quebra.
Amanhã será " outra vez, era uma vez "
Pois lá longe a guerra destrói, mata.
A vida se apaga como círio.
Há ventres em explosão.
Dão à luz temendo, pelo ser indefeso.
Neste mundo desumano.
Onde matam o amor,
Destroem lares, queimam campos.
Arde o pão.
Ei-los, que rasgam o medo.
Levam rente ao peito os filhos seus.
Sementes de ainda em flor a querer crescer.
Num tempo sem amor para os receber.
Vão caminhando entre os escombros.
Fogem do cheio a morte,
De rios de sangue a céu aberto.
Caem de joelhos, exaustos de cansaço.
Quantos!?
Adormecem num sono eterno.
Abraçados aos pequenos amores em seu regaço.
" amanhã, tudo será ERA UMA VEZ "

Augusta Maria Gonçalves. 





 Era uma vez o mar que diante dos seus olhos era uma vastidão,uma paz que inexplicavelmente invadia a alma .

Susana sentada no paredão da praia de Carcavelos ,olhava perdida num silêncio absurdo,porque estava ali ?Porque se via assim sem rumo ?
Uma nostalgia própria de um dia de Outono cinzento,as nuvens esparsas pareciam que iam gotejar a todo momento,mas Susana no meio deste turbilhão de pensamentos não deu sequer por alguém que se sentou ao seu lado.

De repente ouviu uma voz masculina doce ,tão doce que até parecia que cantava uma melodia.
-Boa tarde ,posso interromper por momentos
Ela olhou de soslaio e respondeu
-Boa tarde ,esteja á vontade
-É daqui desta zona ?
- Sim ! Respondeu ,quase querendo adivinhar a pergunta seguinte
- Eu sou do Norte ,estou aqui de passeio ,acabei de tomar um café ali na esplanada e estou deslumbrado com este mar
A conversa fluiu e quando Susana e Jorge deram por isso já tinham passado duas horas
Anoitecia e ela tinha de regressar a casa onde a esperava o filho adolescente.
Trocaram os números de telefone,um beijo de despedida e Jorge pernoitava no Hotel em Cascais

Susana na viagem de volta só pensava naquele homem,com a idade da maturidade,os cabelos grisalhos que despertaram tantos olhares.
Sentiu um arrepio no corpo .Oh meu Deus estou a ficar louca ,pensou .

Chegou a casa preparou o jantar ,comeu sozinha ,o filho tinha ido para o pai .
De repente toca o telemóvel.
Ela deu um salto do sofá e olhou ,vendo que era o número do Jorge.

-Olá Susana ,desculpa ,se calhar estou a ser precipitado mas como regresso para o Porto amanhã ,posso te convidar para almoçar
Ela nem queria acreditar ,mas não se conteve e disse que sim.

No domingo de manhã ,abriu o roupeiro,escolheu uma calça preta que lhe mostrava as formas do corpo,um camiseiro vermelho mostrando um pouco dos seios ,nada de muito indiscreto.
Um pouco de maquilhagem e sentiu-se linda.
Dirigiu-se a Cascais e almoçaram por ali,um restaurante perto do mar.A cumplicidade deles era tanta que parecia que se conheciam á décadas.
No meio do almoço ,as pernas por baixo da mesa se tocaram...uma sensação de calor a subir pelo corpo se apoderou deles
Susana voou em pensamento,Jorge também.
No final do almoço ,ele pegou nas mãos dela,dizendo.
-És linda ,esse teu olhar ,a tua voz ,a tua sensibilidade ,estão a mexer comigo .
-Oh Jorge ,eu sou tão simples,tu um homem vivido ,habituado a outros tipo de mulheres ,quem sabe
Jorge beijou as suas mãos,acariciou de leve os seus lábios .
Saíram dali rumo á marina .

Olharam de novo o Mar ..não foram precisas palavras

Ambos sabiam que iriam de novo ali voltar juntos

O amor tem razões que a própria razão desconhece

Anabela Fernandes 





Era uma vez…
Um barquinho a navegar
Para dar a volta ao mundo.
Já ia no alto mar
E o barco foi ao fundo…
Não mais conseguiu voltar…!
Era uma vez…
**
Aida Dinis Sampaio 





Era uma vez....num tempo de agora, em que a guerra, o ódio, desprezo, ganância e egoísmo, criaram o "Espectro da Destruição"....

Cai a noite..
Está escuro como "breu"!
Um vampiro saído das sombras
Sugando a cor do céu!

Pessoas e animais fugindo
Daquele "ser" tenebroso
Malvadamente sorrindo
Suga o sangue delicioso!

Gritos aterrorizantes
Saem das gargantas esburacadas
Pessoas e animais tombam,
Nas ruas, pelo sangue alagadas!

Todo o ar foi absorvido
Ficando denso de humidade
Pegajoso e aturdido
Uma calamidade!

Estendendo o seu espectro
Semeia a destruição
com as garras arrancando,
Coração a coração!

Corpos dilacerados
Por todo o lado jaziam
Com grunhidos macabros
Alguns se reerguiam!

Qual zombies desfigurados,
vagueando pelo mundo
Corações "estraçalhados",
Num poço sem fundo!

Guerra maldita
Que estupras a dignidade
Ceifas vidas inteiras
Sem culpa e repleta de maldade!

És o espectro da destruição
Não olhas, nos olhos de ninguém
Não sentes compaixão
E pela vida, só tens desdém!

Que a chama do amor te consuma
Até não restar mais nada teu
Vai para os confins do inferno
E deixa-nos ficar com o céu.

Autora: Fátima Andrade 





Era uma vez um Papagaio.
Tinha as penas muito coloridas, de bonitas cores, com as cores o arco-íris!
Como Papagaio… não se cansava de papaguear… parecia gente, tudo aprendia.
Vivia num grande espaço de luz… num restaurante muito chique, num local onde os clientes não o conseguiam ver, nem sabiam da sua existência.
O seu dono resolveu ensinar-lhe uma malandrice – JÁ PAGASTE?
Mal ele aprendeu a linguagem… logo que viu o primeiro cliente a sair da porta depois do repasto… fez-lhe a pergunta muito bem formulada…
- JÁ PAGASTE?
Oh! Palavra que tu disseste…!
O cliente irritado… deu um murro na cara do dono… e saiu de imediato!
O dono… ficou apalermado… sem reacção…!
A partir desse momento, ensinou ao papagaio estas palavras – AGRADEÇO VÁ EM PAZ.
Depois… abriu uma grande janela envidraçada que dava visibilidade para aquele grande espaço do seu papagaio falante.
Quando os clientes entravam ficavam maravilhados ao ver o Papagaio com as suas lindas penas coloridas com as cores do arco-íris… sorriam, davam os parabéns pela transformação dada ao restaurante e por aquele belo exemplar.
À saída… o Papagaio passou a dizer: - AGRADEÇO – VÁ EM PAZ…!
"Era uma vez"…
Esta historinha por mim inventada.
**
Aida Dinis Sampaio



 O TRAÇO DO TEMPO

Que tempo é agora?
Há quanto tempo, este tempo não para de parar?
Este tempo de amar!
E o mar espraia-se na areia,
O sol encobre-se no horizonte,
As estrelas nascem no firmamento,
Para se apagarem na tranquilidade do lago.
Corações solitários,
Folhas ao vento
Na tristeza,
Como amantes da solidão
Que baixou às almas.
Gotículas de orvalho remanescem
Na esperança do amanhecer.

José Lopes da Nave



 Uma vez no tempo
Do era uma vez
Desbaratei na colina do passado
Um trilho que me levasse até ti
Subi e desci as escadas da vida
Num vai e vem. louco sem fim
Gritei às sombras da noite
Para que nas suas asas o vento
Me trouxesse a tua voz
E apenas por um momento
Em surdina falasse de nós
Dessa vez mais uma vez
Fiquei presa no era uma vez

//... Maria Isabel Machadinho




“O FREDERICO E O SEU BURRO””
Era uma vez
Um “peixito ”chamado Frederico
Vivia nos arredores de Sesimbra
E vinha á vila todos os dias com o seu burro
Que saudades que eu tenho
Do Frederico e do seu burro
Calcorreavam as ruas de Sesimbra
Ele e o seu burrico, sempre juntos
Era a família dele
Tratava-o como pessoa
Há burros mais inteligentes
Que certas pessoas
Que só têm é bazófia
Falam, falam
Mas não dizem nada
Este percebia tudo
O que o dono lhe dizia
Andavam de porta em porta
A apanharem restos de comida
Para darem aos porcos
Que o dito Frederico criava
Os estrangeiros achavam-lhes graça
Tiravam muitas fotos
Tenho saudades desse tempo
Do Frederico e do seu burro
Hoje veem-se muitos burros
Mas só de duas patas
Os de quatro patas
Estão em vias de extinção
Estejas em paz Frederico
Tu e o teu burrico…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA
P.S. (Peixito é como chamam ás pessoas de Sesimbra) 




 Era uma vez... Um "Grande Amigo"
Loucuras na vida
Todos nós fazemos
Abrimos a boca
Sem saber o que dizemos...

Falamos barbaridades
Ignoramos o efeito
Provocamos calamidades
Sem o menor respeito...

A boca fala
O que o coração não sente
Mas nesse instante
Magoamos muita gente...

Cruéis ou displicentes
Pouca diferença faz
Não nos torna diferentes
Da maldade que mundo jaz...

Ingénuos ou ignorantes
Muito perdemos na vida
Amigos importantes
Abrimos muita ferida...

Pedir perdão não é usual
Perdoar muito menos
Provocamos muito mal
Por isso nós sofremos...

07/03/2018
Fernanda Moreira 





 Era uma vez...
uma jovem que deixou de ser menina
achou- se mulher quando
sentiu pela primeira vez a dor...
de uma platônica paixão !

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Batia seu coração
descompassado
numa arritmia louca...
e só de pensar no seu nome...
ficava de sorriso na boca!!!

Sentia sua mãos vazias
sem o poder abraçar
com o coração sempre á espreita
pela esquina do seu olhar!!!

Deixou o coração sonhar
com uma ilusão quase loucura
que até a noite mais escura ...
conseguia iluminar!!!!

Havia nela uma tristeza
que a todos ouviu dizer
que a sua fresca beleza
ele não a estava a merecer!!!

Há!!! nome suave e doce
que não respondeste á chamada
e a alma ficou cansada
de fazer como se fosse!!!

07-03-18 maria g. 




Era uma vez um anseio
Que andava tão vago,
Tão alheio,
Num devaneio...
Vejam só!
Queria a luz da Lua,
Só sua !
E assim, implorou ,
Pediu,
Insistiu,
Chorou!
A Lua ,que estava
No Quarto Minguante,
Num sorriso estonteante
De graça e doçura,
Acedeu !
E vejam só o que aconteceu!
O anseio ,
Num doce enleio,
Pos a aura da luz da lua
Num certo olhar,
Com promessa
De mil Primaveras a chegar !
E tudo iluminou
De prata e luar!
" Porque agora a luz da Lua"
Era só sua !...
... E nunca mais foi noite escura !
Apenas uma rua ,
Forrada de amor e ternura ,
Onde ppara os dois,
Nunca mais haverá
Nem antes, nem depois !...
Apenas esse anseio,
Que virou eternidade
Na felicidade,
E o brilho desse olhar,
Que a luz da Lua
Jamais
Deixará apagar !
M. DE LURDES CAMPOS




 Era uma vez um desejo
A longa espera de um beijo
E quando o beijo foi dado
Da timidez arrancado
Trémulo e desajeitado
Mais veloz que o passo dado
Num instante comovido
Como um feito conseguido
Que ficou na inocência
Porque ela é permanência
Guardada pela vida fora
Até que se vá embora.

ERA UMA VEZ –
HERMÍNIO MENDES




 28-02-2018
 Era uma vez a vaidade...
Tão vaidosa que era,
que por ninguém tinha amizade!
Vivia para o seu reflexo,
não se cansava deolhar.
Uma vida sem nexo,
sem ninguém para amar!
Mas ela, lá se ia convencendo..
Bonita como eu?
Espelho meu, espelho meu...
nem aqui, nem no céu!

Há vaidade vaidosa,
a beleza está no interior.
Deixa de ser gananciosa
e dá valor ao amor.
Olha para além de ti,
olha bem em teu redor,
Sê feliz e sorri...
Porque é somente,
o que levas daqui!

Autora: Fátima Andrade



 Era uma vez um RIO que queria ser MAR
O rio sonhava ser grandioso ter vagas gigantes,rebentar nas rochas ,galgar paredões...visto por multidões
Mas o rio era pequeno de água límpida ,sereno ,tão pequeno que passava despercebido ,era lindo mas não o sentia ...o seu íntimo dizia ser apenas um afluente
Não se contentando com a sua pequenez ,segredou á lua ...a sua revolta
D.lua fez-lhe ver as diferenças mas também as semelhanças,a sua beleza mas o rio.em vez de escutar não ,começou a procurar ajuda das trevas ,do peixe aranha ...congeminou contra o mar ...ciúmes tomaram conta dele e o rio deixou de ter águas límpidas e estas deram lugar a turvas ,ficou contaminado.
Já não tinha pescadores,nem amantes na sua margem,nem beijos ao luar perto de si.
Um dia o rio perguntou ao Sol o porquê disto .Este na sua grandiosidade respondeu
- Sabes rio ,cada um tem de ser feliz como é não podemos querer o mundo dos outros ,não podemos desprezar nem humilhar por inveja porque somos todos filhos de um Deus
Não cobices o alheio ...não queiras ser MAR porque és um RIO e se te aceitares assim... serás o maior ...belo ...
Se não , serás apenas sujidade , ninguém te olhará...porque a maldade é o pior dos defeitos a soberba um desgaste .
O rio pensou em tais palavras , SORRIO e correu para o mar ,juntos se juntaram e foram o encanto dos enamorados.

Não queiras ser o que não és...mas sim dar valor a ti mesma ...não subjugues os outros porque a grandiosidade está dentro de ti,não naquilo que os outros vêem por fora .

Anabela Fernandes




Era uma vez a menina Flor Lilás
e o seu amigo Cacto Pico Loiro,
esta é uma história rimada
de Pétalas e Picos

Pé verde, fino e frágil
Botão doirado, ao sol virado
Pétalas lilás, braços de paz
É uma pequena flor ágil!

Baloiçante ao leve vento
Ao sabor do dia o olhar apraz
Fechada, embala ao relento
Perante outro olhar fugaz

Atento à beleza, espreita sob o arbusto,
Seguro pelos vivaços picos,
de caule curto mas robusto,
O cacto de gentis e loiros bicos

Na hora vespertina
Pisca o olho à menina
Que, tão envergonhada,
Solta uma pétala, corada

Naquele jardim sempre acontecia
No fim de cada dia, muita magia
O Pisca Pisca do canteiro vizinho
Coloria, lá no vaso do cantinho
A elegante flor que adormecia a sorrir
E outro solarengo dia a pedir

Rute Pio Lopes 





Era uma vez um sorriso
Que não queria desaparecer
Mas sem querer
Deixou de sorrir
Quebram-se sorrisos
Mas nada muda
As gaivotas continuam a voar
As flores nos jardins não murcham
Continuam a desabrochar para a vida
Os rios continuam a desaguar nos mares
A bordejar as suas margens, beijando-as
As ondas continuam no seu ondular
Bailando com a areia, fazendo amor com ela
O mar continua no seu ritmo
Calmo ou tenebroso, maravilhoso ou austero
Os caminhos desencontram-se
Ideias, leva-as o vento no seu restolhar
Não podemos deixá-las ir
As amizades quebram-se
Têm de ser alimentadas
As ilusões perdem-se no tempo
Temos de as acalentar
A saudade corrói a alma
O amor precisa de incentivos
Mas não deixem morrer o sorriso
Os sorrisos não se podem quebrar
Haverá sempre um sorriso em cada rosto
Uma esperança em cada olhar
Não deixem que os sorrisos se quebrem…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez ...
No tempo em que o verão se fazia sentir longo e de calor intenso e não havia ar condicionado senão uma simples ventoinha que já ajudava mas se mostrava insuficiente,
que me lembro de minha mãe me obrigar todos os santos dias de verão a dormir a sesta coisa que para mim criança irrequieta era um tremendo castigo! Nem sempre dormia mas como ela dizia ...repousava que me fazia muito bem!!!
Então estendia um cobertor no chão da sala para eu me deitar, com tudo às escuras pretendia então assim criar o ambiente propício para uma longa e fresca sesta!
Acontecia que para as casas não aquecerem demasiado, durante o dia fechavam- se todas as portas e janelas com os respetivos taipais e á noite então abria-se tudo de novo e desta vez escancaradamente para que o fresquinho pudesse entrar de luz sempre apagada claro!!! para que não entrassem os inconvenientes mosquitos!
Depois do jantar era ver toda a gente na rua ...uns passeavam simplesmente, outros sentavam- se a conversar e a contar histórias antigas. Ouviam-se gargalhadas enquanto as crianças brincavam livres e felizes!
Havia sempre alguém que possuindo já um televisor tinha a generosa atitude de nas noites de boa programação chamar os vizinhos para poderem todos assistir!
É assim desta forma harmoniosa de são convívio que me lembro das noites quentes de verão.

29-02-18 maria g.



Ela Sorria

Ela agora sorria, tinha navegado por tantos mares
tinha engolido tanto salitre
tinha pegado de caras tanta forte rebentação
Mas agora sorria
E o estranho é que mesmo sorrindo
ainda se sentia em alto mar
Mas como ? perguntava-se,
a vida parecia agora uma viagem num navio de prazeres, o mundo tinha agora tantas cores, o vento agora ausente
deixava-a ouvir os pássaros e como cantavam, diria melhor como falavam, as conversas que eles tinham, e eram enérgicos umas vezes, outras planavam serenamente apreciando o solo descansando de vez em quando num ou outro galho
E ela ali ficava, de olhos postos num céu muito azul, tentando advinhar o que sentiriam os passaras
o que faria como que todas as manhas se levantassem ao nascer da aurora e assim alegres e descontraídos
viverem mais um dia. composto por procurar alimento ,água planar, descansar e ao entardecer dormir.
Pela primeira vez, ela acreditou que talvez fosse fácil a vida correr assim, sem muitos desejos e sonhos, sem ter que amealhar objectos e memórias, sujeita a uma não desejada prisão emocional, alem de física, porque qualquer partira requeria uma organização de coisas consideráveis e indispensáveis ao dia a dia.
Os pássaros não ,faziam um ninho, sabiam da necessidade de procriar e faziam-no sem alardes , ponham o ovo aconchegavam-no e na hora de se partir e dele outro se erguer, buscavam alimento, que era depositado nos seus bicos trémulos e inexperientes
Mas nem ela sabia explicar o porquê de o barco onde se mantinha continuar a fazê-la marear
E era angustiada, que temia nunca fazer dele um imponente navio, daqueles que atravessam todos Oceanos, seguros de si ,contornando gelos e correntes quentes
corais pontiagudos e rochas submersas
que atracam sem tremer num cais de um País qualquer.
Sabia como sabia, que viria um dia em que o mar chão de hoje seria nova tempestade amanha , e não queria pensar, planear, só queria deixar escorrer esta maré tão anormalmente rasa por si, deixar que a penetrasse, que a tomasse nos braços, que a fizesse dormir como quem acaba de nascer, como quem na sua inocência só do papão tem medo e nada lhe diz se um amanha será melhor, pior, assim assim ,o que pretende é as mãos da mãe na testa e no peito e a voz grossa do pai, ao sei ouvido falando-lhe das estrelas brilhantes lá no céu, e de como a princesa, encontra sempre o seu Princepe, vivendo para sempre num idilio
sem que a morte seja afinal algo a temer
visto nem sequer ser mencionada nas histórias de encantar.
Ela hoje sorria e sabia que o deixaria de fazer, mais depressa do que querer é poder
Bastava aquela angustia, que fazia com o seu sangue parecesse que para fora de si escorria, o murro interminável no estômago, e a voz que lhe fugia cada vez que muito falar queria.
Passou por si um tempo de permeio, onde o certo era certeiro e o incerto muito feio
Acho que sorrindo, o tempo que ia passando se fosse contentando e do alivio a fosse aliviando
Cada embate numa onda sorrateira , era chutada com a raiva de quem sabe, que se ela a enrola, será tarde para submergir, e uma a uma foi combatendo com a força de quem já naufragou e do mar revolto voltou.
Mas quem ,muito com o mar se debate, num casco furado de um bote em mau estado sabe à piori ,que a sorte só dura, enquanto a sua capa for cozida de raís e não remendada aqui e ali por rasgões que não a desfizeram por um triz
Hoje ela voltou a sorrir, os pássaros ainda continuavam a cantar ou falar e a planar, ela já não os via nem ouvia, o seu barco andava à nora, volteava, onda dentro onda fora, e só sorria, porque sabia, que sempre soube, que nunca navio seria e sorrir, ainda era a sua arma para enganar o tempo , covencendo-o, que afinal novo Oceano atravessaria, até ao dia em que do seu bote não mais precisaria

28 Fevereiro 2018
ANA MARQUES




Era uma vez a tranquilidade
Que foi chegando devagarinho
Foi-se instalando suavemente
Contagiando toda a gente
Que encontrou pelo caminho

Era uma vez a paz
Que se sentiu nos horizontes
E que ainda hoje faz
Com que se encontre a calmaria
Até nos velhos montes

Era uma vez o amor
Num prado lindo, verde e amplo
Que se espalhava por toda a parte
Docemente com toda a arte
Para que seguissem o seu exemplo

Era uma vez a vida
Celebrada numa poesia
Contada num belo sorriso
Numa história que hoje em dia
Faz lembrar o paraíso

Sónia Paulo




21-02-2018 
 Era uma vez, num tempo vestido de árvores em flor.
Passeavam unidas de mão dada a mãe e a filha menina ainda.
Levavam no olhar o amor florido.
Felizes se davam a respirar o perfume doce dos frutinhos vestidos de flor.
A mãe ensinava numa prece.
Sorri menina agradece toda esta graça que a natureza veste.
A garota fitou a mãe no olhar,
Balbuciando com inocencia.
Mãe, rezar é quando se está na capela,
Lá há santos, um altar.
Aqui mãe há flores, vento que faz as árvores chorar.
Passarinhos que cantam.
Essa mãe com a alma alindada com um amor perfeito.
Disse menina, cresce aprende a amar este templo sem teto.
Iluminado de sol cirio de ouro.
Acaricia as florinhas que caem, num brincar.
Respira fundo.
Ajoelha neste chão de terra negra.
Aprende amor, que é aqui a capela dos que a natureza louvam cantando a rezar.

Augusta Maria Gonçalves




 Era uma vez ...abril ....
Vivíamos na ignorância
numa absoluta letargia
em que permanecemos
cegos e surdos...
adormecidos na imensa noite
sem nunca mais ser dia!
Mas os cravos foram bandeira
erguidos em muita mão
gritou -se liberdade
e abril fez -se canção!
Dançou-se a alegria na rua
cantou-se a uma só voz
ronpeu-se com o medo e o silêncio
que havia em muitos de nós
Bebedeira de liberdade
ingênua consciência
um povo que vivia de gatas...
de repente pôs- se de pé
e a vertigem não pediu licença!
Esse abril ficou na distância
poema escrito por homens
de coragem, que ao povo
devolveram a esperança!
Hoje em mim...
dourada lembrança!!!!

21-02-18 maria g.



“Era uma vez"…
Um amor
Que não sabia amar
Oferecia poesias em troca de sorrisos
Dava o seu amor em troca de nada
De mãos abertas e punhos cerrados
Acalmava as tuas feridas com a minha ternura
Enregelava os dedos nas tuas mãos frias
Entrelaçava os teus dedos nos meus
Sentia o meu calor no teu gelo
Subitamente escondi a minha alma nua
Tendo nas minhas mãos o teu coração quebrado
Não o reconheci
Engoli em seco, cai-me uma lágrima
Esquecemos as pontes que erguemos
Eram pontes de amor
Esqueceste o meu nome
O meu abraço o meu beijo
Ainda sinto o teu corpo no meu
Sinto as tuas mãos amadas em mim
Enlaço-te
Não sentes o meu amar
Afastas-te lentamente
Deixas as minhas palavras
Desaguarem nesse rio
Que te levará ao mar
A minha alma vai contigo
Não te sigo
Deixo-te ir
Sei que vais voltar
Basta acordar do sonho…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




Era uma vez a vez do Era.

O Era era o nome dado, certa vez, a três irmãos. E todos falavam e escreviam da mesma forma! Ui, que grande confusão! E ainda mais confuso ficava a situação sempre que alguém dizia Era uma vez, pois todos os três vinham logo de uma vez saber o que se passava
Ora, o primeiro era, era conhecido por ser amigo do Tiago, já o segundo era, era amigo dos manos Pedro e Filipe e, finalmente, o terceiro era era conhecido como sonhador e muito poeta. As meninas gostavam dele e ficavam a imaginar o que eram. Mas as meninas também brincavam com os outros irmãos, quando liam histórias em que o primeiro era, entrava logo para apresentar uma bela história, já que o segundo era, entrava sempre que era preciso e sempre com um belo sorriso!
Os três irmãos davam alegria e magia às crianças! As crianças, cada vez que falavam daqueles três irmãos, faziam estes serem especiais e únicos. O primeiro era, era o mais cómico e hilariante, fazendo piruetas e cambalhotas, com as crianças a darem gargalhadas tão fortes que até as flores ficavam mais coloridas!
O segundo era, era mais conhecido pela luz e pela esperança que trazia a qualquer criança que estivesse necessitada de um gesto mais “especial”… E brilhava tanto que qualquer criança que estivesse com o segundo era, era realmente mais feliz depois da sua passagem. E, finalmente, o terceiro era trazia uma peculiar mistura dos outros dois irmãos: E a missão do terceiro era, dada por Deus, estava na forma deste construir sonhos e esperanças aos mais pequenos, - e não só - , através dos sorrisos e das atitudes, bem como também pela poesia, doce alegria nas palavras que, nas crianças, nascia e vinha em soltas rimas, onde elas aprendiam e faziam jogos e liam durante os dias, mesmo nos recreios escolares.
Ora, os três irmãos tornaram-se conhecidos, quando o primeiro livro nasceu! Foi então que o primeiro era, sempre irrequieto, deu um salto tão grande que, por momentos, foi ter perto das estrelas do Universo e, apenas de lá, voltou à Terra, para entrar em todas as histórias lindas e de encantar!
O segundo era, sendo muito especial, tão ligado que era aos seus irmãos, foi num ápice ter com o seu primeiro irmão, que continuava a entrar pelas páginas. E, enquanto os outros dois irmãos pareciam ter-se reencontrado, eis que o nosso terceiro era, continuava a declamar poesias ancestrais e intemporais, tendo sido responsável pelo encantamento de muitas almas. Mas quando viu uma imensa Luz do Alto do Céu, o terceiro irmão era percebeu que tinha de deixar os amigos que conhecera em toda a Terra.
E, num poema que disse, o terceiro era prometeu continuar a trazer e a dar esperança e inspiração, todos os dias e a cada instante, a qualquer criança, através do gosto pela leitura e a qualquer adulto que precisasse, através da inspiração, em cada nova poesia!
E deu-se que, no fim desta história, todos os três irmãos entraram para sempre nos livros das mil e uma histórias, inclusive do Tiago, do Pedro e do Filipe, sendo amigos destes e de muitas crianças, sempre que as crianças e os familiares destas, lêem novos ou antigos livros.
Assim conta-se que os três irmãos era, continuam actuais e especiais, pois cada um deles completam uma História que compõe a nossa vida no Mundo!

-- Helder Filipe da Silva Monteiro-- 29 de Junho de 2017-- colocado aqui a 21 de Fevereiro de 2018-




 O MEU PASSEIO!

Era uma vez fui passear
Numa nave espacial,
Para umas férias não para ficar
Era uma terra sem igual.
Não sabia onde ficar.
Num local bem diferente
Foi lá que a nave parou,
Maravilha!...fiquei contente
Meu coração interrogou.
Que terra linda, ideal
Depressa fiquei sabendo,
Que era Angola afinal
Que um dia viu-me crescendo.
Amigos,como fiquei
Entre toda aquela gente
Muitos eu encontrei
Angolanos, não me tinha de contente.
Entre, aquela gente Angolana
Árvores de fruta encontrei
Onde havia muita banana
Lá eu voltarei.
E na hora da partida
Uma lágrima limpei,
O meu lencinho acendi perdida
E bastante eu chorei.
Para onde vai agora?
Na nave me perguntaram,
Por esse mundo fora
Onde tanto me amaram.
Na hora de seguir viagem
Segui minha intuição,
Era só uma miragem
No meio daquele sertão.
Quiseram saber de onde vinha
Respondi de Portugal
E que saudades já tinha
Também era minha terra afinal.
Com meus olhos chorando
E no peito grande anseio
Pois que não sabia quando
Tetomsria:O MEU PASSEIO!!
Carmen Bettencourt! 





 O MELRO VOLTOU

Ouvi-o cantar,
aquela ária de gargalhada
irónica, atrevida, desafiadora.
Há muito, fugido andava,
visitou-me:
negro, madrugador, luzidio, jovial, inquieto.
Belo,
de bico amarelo,
na relva saltitando,
de árvore em árvore voando
para a minha varanda entrou
e poisou.
Tinha saudades dele,
pois, todas as manhãs, todas as tardes
ao anoitecer,
o cantar que ouvia
me apetecia.
Mas, assim que me sentia
fugia,
observava-me
cantava-me,
a alma me acalmava
com o canto que declamava.
A ele me familiarizei,
poisado na minha varanda.

José Lopes da Nave




14-02-2018
 Era uma vez um jardim
de roseiras muito belas
mas entre essas...
algumas apenas singelas!
Então, numa roseira singela
que tinha por cor não aquela
floriu um dia ...
uma linda rosa branca!
Rosa degenerada ...
que saíu da sua cor
por tal sorte enjeitada
desabrochou frágil flor!
Tinha o branco d'alvura
a cor do poema que se canta
duma criança a candura....
essa linda rosa branca!
Cheirava a terra lavada
o seu perfume de rosa
pelo orvalho salpicada
era ainda mais formosa!
A beleza fresca e viçosa
que a manhã orvalhou
logo deixou de ser rosa
quando o vento a agitou!
Sua vida foi fugaz
rosa depois de botão
desfolhada agora jaz
caída pelo chão!

14-02-18 maria g. 




 O MEU CAMINHAR

A beleza que me envolvia,
enquanto criança,
era para satisfazer as coisas simples da vida,
as admirar, comprazer-me
e quão agraciado fui
por estar apto para admirar a pureza da natureza
e da convivência humana, fraterna.
Liberdade foi uma das grandes premissas
que logrei viver e estar apto
para assumir, quando jovem
o meu próprio caminho,
construindo o meu destino,
controlando dificuldades
com imaginação e sonhos,
como ave,
iniciando o meu voo.

José Lopes da Nave 




“UM SER CHAMADO MULHER”
Era uma vez
Uma mulher
Germinada de outra mulher
Terna e doce
Tens uma missão
Acordas a vida
És semente fecunda
Desbaratas sonhos
Floresces e encantas
És sedução e volúpia
Esperança e liberdade
Tens chama na alma
Mulher
Chamam-te assim
Ultrapassas obstáculos
Vais pelos atalhos traçados
És força e coragem
És rosa em botão
És mulher e mãe
Voas livremente
Á procura do amor
Não desistes
Mulher
Segues segura
Com os filhos debaixo da asa
Sem medos
Nem preconceitos
És destemida
Amante e sensual
Desinibida e provocante
Mulher inspiração
Mulher poesia
Presente em cada verso
Mulher
Em cada gesto, em cada frase
Trazes o amor no fundo dos olhos
E o carinho nas mãos que abraçam
Segues o trilho do amor
Traçando o teu destino
Na vida que te espera
Com um sorriso no rosto
Serás sempre mulher…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




O CAVALINHO (Conto já publicado em 2016)

Era uma vez um menino, que tinha cinco anos de idade, igual a tantos outros, traquinas e muito vivo, com uns olhos verdes expressivos e brilhantes.
Vivia com seus pais, tios e primos, numa casa grande e bonita. Nas traseiras, havia um enorme quintal, onde tinham árvores de fruta, animais e também uma horta para alimentar a família. Costumava lá brincar muitas vezes, com os seus três primos, alguns anos mais velhos do que ele.
Toda a família o tratava carinhosamente por Nelito, vivia feliz e contente, rodeado de amor e mimos, de todos eles.
Um dia adoeceu, tinha uma mancha num pulmão, suspeitava-se ser tuberculose.
Começou então o martírio e sofrimento, principalmente para o Nelito, mas também, para os seus familiares.
Durante vários meses, foi um andar de médico para médico e muitas idas ao hospital.
Mas esse menino tinha muita força de viver e um grande sonho. Desejava um dia ter um cavalinho e com ele, poder passear. Via ás vezes, passar na rua onde morava, pessoas montadas em cavalos e também ansiava ter um. Seus pais não lhe podiam concretizar esse sonho, era muito caro comprar um cavalo, não tendo sequer condições, para o sustentar.
Andavam num grande desespero também, estava a ser difícil de debelar, a doença do seu filho.
Para conseguir que ele dormisse, a mãe contava-lhe histórias que ia inventando e o pai lia-lhe contos e poesias, que lhe amenizavam o sofrimento.
O Natal estava quase a chegar, seus pais diziam-lhe para rezar e pedir ao Menino Jesus, o que desejava receber de prenda. Com a condição, de pedir apenas uma.
O Nelito queria ficar curado de vez, já estava farto de médicos e hospital, mas também queria o cavalinho. Rezava então mais ou menos, como lhe tinha ensinado sua mãe, pedindo não um, mas dois desejos, ficar curado e ter o cavalinho. Quando os pais, lhe perguntaram que prenda tinha pedido, disse ter pedido, apenas o cavalinho.
A família fez então um esforço conjunto e compraram um, de cartão muito forte e grosso, com uma estrutura de madeira no interior, fixado num suporte com rodinhas. Cor de café com leite, com crina e cauda de um branco pérola, com sela, rédeas e estribos. Era um Palomino, como lhe chamavam os entendidos.
Chegado o dia de Natal, lá estava junto do pinheirinho, o bonito cavalinho, para ele.
Não cabia em si de contente o Nelito, não lhe importava, que o cavalo não fosse verdadeiro. Andava nele com a ajuda dos primos, que tinham amarrado uma corda ao suporte, que puxavam, para o fazer andar. Também eles, muitas vezes andavam nele.
Estava muito feliz e agradecido ao Menino Jesus, pelo presente que tinha recebido.
Depois de passado o Natal, começou lentamente, a melhorar da sua doença.
A cor voltou às suas faces, o bonito sorriso também, assim como o brilho do seu olhar.
Seus pais e toda a família estavam muito felizes e quase não acreditavam que isso estava a acontecer. Os médicos igualmente, pois o diagnóstico que lhe haviam feito, era muito, muito reservado. Passados seis meses, estava totalmente curado.
O Nelito, que entretanto cresceu e se fez homem, nunca mais esqueceu esse lindo Natal, em que os seus dois desejos foram atendidos. O cavalinho, sabia terem sido os pais que lho tinham comprado. A cura da sua doença, ainda hoje acredita, ter sido dádiva do Menino Jesus. Foram-lhe oferecidos nesse longínquo Natal, os melhores presentes da sua vida.

António Henriques




07-02-2018 
 Naquela janela

Era uma vez e mais uma vez...
como tantas mais ainda serão
a tristeza debruçada á janela
desfolhando os dias de solidão!

Nessa janela virada para a saudade
que se mantém sempre aberta
vejo alguém com marcas de muita idade
que para ver passar a vida cedo desperta!

De gestos lentos na sua expressão ...
de cansaço, de tanto esperar
fica nessa janela da solidão...
todo o seu tempo a ver a vida passar!

Sobre as mãos cruzadas, seus poemas rasurados
mãos que bordaram crivos de esperanças
vazias das vivencias de tempos passados
só silêncio acompanha as suas lembranças!

É a essa janela...
que os meus olhos vão sempre dar
á espera de não ver mais nela...
quem já se despede da vida a passar!

Um dia...a janela não se abrirá
nunca mais será aberta de par em par
e nos meus olhos uma lágrima lembrará
quem nela morria a ver a vida passar!

07-02-18 maria g. 




Era uma vez uma mulher
Que tinha medo de envelhecer
Tinha medo de perder a memória
Ficar á deriva do tempo
Tinha medo que lhe dissessem
Lembras-te?
Já não me conheces?
Como faria?
Não queria quebrar
O cristal da memória
Não queria ficar insana
Não queria esquecer os pormenores
Os locais
Não queria que ficassem
Pedaços em branco
Imagens difusas
Só aguarelas de cores infindas
Não queria escrever na tela
Como se fosse uma criança
Não queria ser borrão
Dizer frases sem nexo
Sorrir sem saber de quê
Quem sou eu?
Quem és tu?
A que não sabe quem é
A que grava frases nas paredes transparentes
A que chama marido ao neto
A que já não se conhece
Ecos soam dentro de mim
A urgência de querer ficar
De não ir para outro lado
Não querer ferir e perder o amor
A dúvida vai persistir
Será que um dia vai acontecer?
Tenho medo de me perder no tempo
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez
uma mulher romântica
e sensível,
que flores via nascer
nos desertos inopinados da vida.
E batia as asas iridecentes
de borboleta estontante
na fragrância do doce instante.
Era a alma de mulher!
Aquela luminosidade
que teima em surgir no bem e na adversidade.
E o olhar, por vezes magoado,
vislumbrava beijos
de poentes perfumados
e de crenças sublimadas.
Era a voz da alma de mulher,
a declamar poemas
de amor e fantasia e alguns dilemas.
Um coração pleno de amor,
as mãos formosas,
desfolhando a alma das rosas.
Mulher...
Era uma vez...
Um ser naufragado
na senda da vida.
Forte e corajosa...
bebia da água da esperança.
No infinito prendia o olhar
com laivos puros do ACREDITAR!
Romântica mulher
Em beijos ardentes
na volúpia intensa do querer.
Era uma vez...
uma tentativa de poema,
um perfume a bailar no ser,
um amor e coragem ma alma de mulher.

Emilia Maria 




ERA UMA VEZ

Uma caminhada matinal
Subindo a montanha
Objecto fora do normal
Uma coisa estranha

Quando me aproximei
Uma barcaça de madeira
Longe do rio encontrei
Uma casinha branca perguntei

Um homem de idade
Cabelos brancos sorria
Grande minha curiosidade
Uma forte energia

Explicou-me a barcaça
Que para aqui arrastou
Respeito e graça
A passear me convidou

Sentados olhando a água
Foi bom conversar
Por vezes a mágoa
E a vontade de regressar

Bolhas de água dançavam
Discreto de voz baixa
que alguém me comunicava
Meu corpo se relaxa

esqueci onde estava
numa grande bolha
Minha mãe me falava
Fez boa escolha

Uma felicidade imensa
Meu corpo sorria
Comunicação intensa
Minha mãe não sofria

Escutando a água
Não a deixar morrer
Ela apaga a nossa mágoa
Mas está a sofrer

=====•••Serafim ======= 




 Era uma vez uma menina que dançava nas nuvens
Tinha a ilusão dos sonhos
E o fado na voz
Sonhava ser actriz
Pisar os palcos ,vestir mil personagens
Correr as estações da vida ,vivê-las na plenitude
Era a menina poeta ,de livro mão
De mochila às costas ,doce Cinderela
Pensava ela ...
Eram tantos os poemas de amor
Alguns de dor,de sonhos e fantasias
Escrevia ,guardava no baú escondido
Um dia encontrou o poeta
Oh!!!!!! Tão lindo conto de fadas
Se enamoram ,casaram
Fazendo das palavras o baloiço da vida
Foi a partida ....o meio ...o fim...

Os versos embrulhados nas lágrimas
As letras sem magia
Parou o tempo
A menina agora mulher ,se cansou
Um dia gritou ...
Virou o mundo do avesso
O poeta partiu ...seguiu o seu rumo
Ela fez dançar as vogais com as consoantes
A poesia a pintou na tela mais bela
Sorriu....
No trinar da velha guitarra ....se ouviu de novo cantar
O poema ....
Agora livre sem qualquer sensura

A menina fugiu da clausura....
Está por fim segura de ser MULHER

Anabela Fernandes 





Era uma vez …Uma estrela …caiu do céu!
 Uma luz brilhava ao longe, turvava o olhar. Fui andando orientada pelo brilho de olhos semicerrados. Era uma estrela deitada á beira da estrada, não estava magoada de tanto ter descido. Só estava cansada!
 Parei não lhe toquei, podia escaldar-me foi o que pensei.
 Tinha acabado de chegar, mas a noção do tempo não o tinha! Olhei em volta em circunferência, era um tapete de relva verde-esmeralda em seu redor, em contraste com o azul-turquesa do céu.
 Muitas flores platinadas muito bem semeadas no meio do verde.
 Árvores bem altas, no meio delas, as flores pareciam pirilampos a iluminar o caminho.
 Ao longe o céu tocava a terra! Fiz um gesto de me abaixar não tocasse eu no tecto do mundo.
 Fiquei confusa e pensei eu no tal jardim do Éden…
Fontes de águas frescas e transparentes em caprichosos motivos até me lembrou, das marchas populares, com os arcos e balões.
 Apercebi-me que a bela estrela, caiu ali, porque fugia…era daquelas que se chamam errantes, a quem se pede um desejo.
 Pensei; e se lhe pedisse um desejo? Ela adivinhou as minhas intensões e pensamentos, e disse!
 Cai, porque em cima das minhas costas, havia muitos desejos para concretizar, já não podia com esse fardo e desci de mansinho, para ver se se esqueciam de mim por umas horas, até que o peso me permita viajar...
 Não tive coragem calei só admirava aquela Divindade da eternidade, caída do tecto do Universo.
 Beleza natural perfumada de aromas raros que me pareceu a alpeces
 E amoras silvestres.
 Pela primeira vez olhou-me, grandes olhos azuis e pestanas de prata.
 Pede o que queres, foste corajosa ao te acercares de mim, eu já cai, não caio mais…só se a “Terra” abrisse um buraco, deu umas risadinhas, uns sons do outro mundo!
 Diz! Voltou a falar.
 Pedi Amor! Só quero Amor!
 Ela olhou e disse… já a entrar no por – do – sol perto das nuvens…
Todos aí por baixo terão amor, quando os homens e mulheres quiserem. Quando os terrestres se respeitarem, e houver a tão falada IGUALDADE! E seguiu subindo não tinha ainda chegado ao piso estrelar.

Maria Fernanda





 

ERA UMA VEZ.

Vão já muitos anos passados. Uma jovem mãe esperava o nascer da sua flor.
Por entre dores chegou a hora. Perante a inexperiência, muitas horas tinha seu bebé estado na posição de nascer, nasceu com a cabeça pisada e inchadinha.
Passou tudo isso. Regressaram a casa, ela feliz, ele o pequenino com a fragilidade de uma flor.
Decorreu o tempo, o menino cresceu, feliz, lindo risonho. Alegre como um rouxinol, travesso como um passarito. Rápido nos reflexos nada lhe escapava.
Vi tantas vivencias de cúmplice amor.
O tempo arrebatadoramente voou, outras crianças nasceram no mesmo lar, foi com renovado amor que essa mulher guiou a todos pela vida.
O menino louro caiu um dia de um alto muro,
Vi o desespero, a angustia dessa mulher. Rumo ao hospital, aparentemente nada de ferido havia. Ficou O menino sem poder andar uns dias. Resultado da queda, caiu sentado, sues membros inferiores estavam doloridos.
Com o tempo tudo passou, porém seu estar na escola e na vida era desatento.
Frequentou a escola os anos permitidos por lei.
Depois… Vi que tantas vezes se recusou crescer, Ouvi tanta vez, não quero ser grande.
Impiedosos os anos lhe fizeram branquear os cabelos.
Deu-lhe Deus um largo peito. Um coração piedoso sempre pronto a perdoar.
O vejo tanta vez.
Tem nos olhos escuros, uma luz a tremulejar. Tão só, diz por vezes sem lamento ninguém gosta de mim.
Guardo no coração esse sofrer sem lágrimas. Nunca dei porque ele chorasse.
Mas o vi crescer, sei quanto o olhar perdido e vago se traduz num grande amor fechado em seu peito.
Feliz será a pessoa que o tiver por perto num frágil momento.
Pois será a suave seda para amaciar a dor.
Ele saberá contar histórias de verdade.
Dirá. Era uma vez.

Augusta Maria Gonçalves.



 



 31-01-2018
 Era uma vez um contador de memórias e emoções, que com paixão escrevia as vivências do seu simples quotidiano. Puro exercício sem quaisquer pretensões de querer parecer... ser escritor, mas apenas por prazer e considerar essencial para se sentir realizado e feliz.
Manifesto
É Deus tenho a certeza
quem me ajuda de forma tão singular
dando- me inspiração e a beleza
que na minha vida estava a faltar!
O papel e o lápis que preparo
para o que me ocorre escrever
são também o meu amparo
cúmplices de assim viver!
Dá-me um enorme prazer
em momentos conseguir
com as palavras certas escrever
os sentimentos que estou a sentir!
Escrever é puro exercício na minha vida
para do vazio me libertar
é forma de me sentir viva...
e sem asas poder voar!

31-01-18 maria g. 




Era uma vez um mar
Um mar azul cor do céu
Às vezes calmo, outras tempestuoso
Este é o meu mar
Pertence-me de corpo e alma
Às minhas origens
Mergulhei em voo picado
Qual gaivota
Fundi-me no seu marear
Voltei á superfície
Saciei a minha saudade
Hoje fui mar
Origem do meu ser
Hoje ressurgi
Fui areia e sal
Fui onda e maresia
Fui sereia e mulher
Lavei a alma
Fui vaga em corpo meu
Fui tempestade
Fui mar calmo e sereno
Fui lágrima caída
Abri caminho á vida
Fui um pedaço de mim
Fui toque de musa
Fui concha em maré cheia
Fui barco á deriva
Fui farol no nevoeiro
Fui gaivota em voo rasante
Fui pôr-do-sol
Fui lua em quarto crescente
Fui o que o destino escolheu
Hoje voltei ao meu mar…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 




 Era uma vez um coração, que vivia preso num labirinto de pensamentos e emoções, sem saber que direção seguir. Por mais que refletisse, estava difícil decidir o que fazer, se lhe era impossível ver até onde cada caminho o poderia levar. Decidiu, então, calar de vez a sua voz e permanecer por tempo indefinido no seu cantinho, onde ninguém lhe poderia chegar… Talvez assim, mais nada o pudesse magoar e conseguisse a sua vida em paz viver, conseguindo esquecer todas as ilusões que tinha criado em si. E desta forma, aos pouquinhos foi definhando… sempre guardando, bem fechados a cadeado, os sentimentos que tinha revelado, mas ninguém soubera valorizar. Em breve, esse coração parará de respirar e será para sempre esquecido nesse labirinto, onde também sepultou toda a sua dor.

Clara Lopes 




Já a luz beijava as cercanias.
Todos os silêncios acordavam.
Festa nos ninhos.
Augureo de outros dias, sem chuva nem ventanias.
Sol, perfumadas flores luz, flores a rir num verde prado.
O céu azul,
Espelho de asas.
Cantam já os melros outra vez.
Juro ouvi um cucu.
Vou dar aos olhos o bailar das borboletas.
Essas pétalas suspensas entre sopros de vento
Como brilham as sedosas asas.
Já o sol a pino beija a natureza.
Há rente ao chão festa de vida.
Entre a grama verde e orvalhada, suspira ofegante uma formiga.
Com um grão perdido carregada.
Pé ante pé, para não assustar, dou por duas flores a festejar.
Pois o sol fez acordar muitas sementes já abrolhar.
Um regato corre bem traquina.
As pedras lavadas são diamantes.
Parecem estrelas pequeninas caídas da noite caminhante.
Não sei se é verdade, se só sonho.
Mas há lá maior beleza a desfrutar,
Que ser essa!
Que uma vez
Se fez pétala solta adormecida a sonhar no prado,.
Agurelado de cores orvalho e tempo.

Augusta Maria Gonçalves. 



24-01-2018

Era uma vez...Um povo simples e feliz que vivia numa época em que só aos médicos se chamava Dr. e estes contavam -se pelos dedos.
Muito dessa gente eram analfabetos ou quase, nesse tempo em que o trabalho era a alegria do povo!
Ora neste caso quem soubesse ler e escrever nesta terra era rei! Como em todos estes lugares, nesta terra havia uma figura que se destacava pelas suas artes e ofícios ...pois era sempre solicitado para tudo!
Era o barbeiro, homem simpático e solícito,bom chefe de família e homem bondoso.
A barbearia só abria às cinco da tarde , porque o Sr Tomaz trabalhava no dispensário da terra " hoje Centro de saúde" era então a sua segunda profissão...auxiliar de enfermagem , naquele tempo chamava - se " servente."
Ora o homem para a maioria das pessoas era o Sr enfermeiro!
Até aqui nesta história tudo é normal, se não houvesse uma outra faceta do Sr Tomaz...
Nas traseiras da sua casa bem nos fundos do quintal, construiu uma pequena Oficina que pretendia ser um consultório, místico lugar onde acudia a todas as aflições dos pobres que não tinham acesso ao medico,; então nessa Catedral do sofrimento era ver alicates para arrancar dentes que depois de arrancados eram exibidos como troféus e a boca do coitado desinfectada com bochechos de vinagre!
Por cima das bancadas viam -se pequenas bacias de alumínio e outros utensílios destinados a tratamentos de feridas e a pequenos acidentes domésticos...que eram trazidos á sucapa do dispensário onde durante o dia trabalhava .
O homem fazia naquele tempo o que hoje se diz ser um bom serviço público, pois nada cobrava pelos seus serviços prestados!
E assim era considerado e respeitado, sempre se deu bem , nunca se constou que tivesse corrido mal nesta sua missão de homem dos sete ofícios!

24-01-18 maria g.




“UM POETA”
Era uma vez um poeta
Que brincava com as palavras
Não sabia que lhes fazer
Não cabia nelas
Tinha os sentimentos á flor da pele
Gravava os poemas na mente
Dava voz ao silêncio
E ao coração… Tempo de amar
Resgatou as memórias
Do tempo que não existia
E do tempo que já passou
Persistiu na ideia louca
De saber mais e mais
Trilhou os passos do destino
Nas margens dos sonhos que passaram
Fez da insónia sua amiga
Adormeceu no regaço da madrugada
Fazendo da inquietude das noites
A sua musa encantada
Esperou que a manhã rosada
Lhe trouxesse a paz que procurava
Nas palavras que compôs
Nos sonhos que se esvaíram
Embriagou-se no amanhecer
Pedindo ao dia que nasceu
Mais palavras de amor
Para fazer dos seus dias
E dos dias de quem o sente
Dias de poesia e saudade
O poeta não sabe viver sem palavras
O que seria dele, sem elas?
Não saberia quem era, nem de onde vinha…
Obrigada, palavras…E poetas…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA




 Um dia o sol encontrou a lua
Linda ,com um brilho especial
Transparente até ...
O sol tão de perto parecia que desnudava os seus mistérios
Não queria acreditar
Andava á sua volta ,numa dança sem igual
Tímido o astro rei
Se interrogava porque há tanto desejava a lua
Afinal ela às vezes até o esconde
Olhou á volta
Segredou á nuvem cinzenta
Que o escutou com atenção
Diz-me amiga porque estou apaixonado?
Não sei Sol talvez a lua seja tão mágica com os seus poderes te infeitiçou
Este não acreditou
Perguntou o mesmo á estrela
Há amigo Sol eu sei ....
Sabes?????
Quando vem o amanhecer e despoletas radioso
O dia passa ,os amantes sorriem ,o prazer é a dobrar
No entardecer a lua espreita formosa
Se põe o luar ,sem gotejar o céu
Sem o trovejar na noite escura
Se tornem amantes um dia distantes
Agora tão perto
Rasguem a autora
E fiquem ....
Sem ir embora
Cúmplices apenas

Anabela Fernandes 




 A garota que brincava no apeadeiro de comboio.
Em tempos era a pequena estação um lugar lindo muito movimento e gente apressada. Salete a garota sardenta vivia na encosta perto do apeadeiro. Ela e avó desfrutavam dessa paisagem sublime, onde o céu se deitava nas águas deixando embalar-se, brincando naágua o sol se refazia em beijos luminosos como estrelas. Este cenário era a linha do Douro. Salete travessa e alegre tinha um cão fagueiro de nome Tejo. Tinha um dia ficado por ali. Ao primeiro encontro se deu um abraço que traçou essa amizade para a vida. Tinha um velho burrito que só gostava de olhar o horizonte, como se recordasse tempos de trabalho pelos socalcos. Salete afagava-o, sempre se impressionava porque o Mulato deixava rolar duas lágrimas. Com a sua generosidade de criança corria a buscar dois trevos amarelos e lhe acariciava o focinho. Mulato zurrava, Salete ria. Já tinham passado todos os comboios nesse dia. A noite caminhava já sobre os montes sombrios, avó chamou! Salete… Ela respondeu a caminho vó, o Tejo de cauda contente subiu a ladeira feliz arteiro . Salet encheu a avó de beijos ternos. Avó pensativa suspirou, era a luz dos seus olhos esta Flor a única razão do seu viver. Que reservaria o destino filha de um pai riquíssimo, que sempre a rejeitou desde o nascer. Seria que Deus tinha para ela escrito, um papiro de vida radiosa, teria ela a dita de ser a moça amada e formosa. Salet adormecera, avó rezava pedia proteção. A candeia num sopro se apagou num clarão. Lá fora a lua ditosa ornava a noite.
Tudo era silencio e segredo. O vento açoite.
Amanhã tudo recomeçava,
Hoje tinha sido UMA VEZ.

Augusta Maria Gonçalves.



17-01-2018

Era uma vez ...um sorriso que procurava uns lábios onde pudesse mostrar os seus encantos.
Depois de tanto pensar, escolheu o portão de uma escola, aqui haveria por certo onde os seus dotes pudessem brilhar.
Mas todas as crianças mais ou menos saíam felizes com os seus belos sorrisos estridentes que mais pareciam avezinhas em liberdade!
Já o sorriso voltava costas abandonando aquele espaço ...quando se deparou com um rapazinho de cabeça baixa pensativo e a tentar sair despercebido!
Abordo- o perguntando qual o motivo por que não sorria? Ele com voz embargada apenas lhe disse... que já algum tempo era vítima de provocações que lhe chamavam ...o cromo da escola, que não sabia brincar e era o menino da mamã! Depois de ouvir a sua historia disse-lhe que queria ficar com ele para viver nos seus lábios e certamente eu seria uma arma ideal para combater tamanha humilhação!
No outro dia de manhã ao chegar á escola e ao entrar de cabeça levantada e cheio de confiança no seu amigo sorriso que irradiava, os que habitualmente lhe faziam frente a pouco e pouco se foram afastando!
E assim o sorriso ainda hoje é o seu melhor amigo que nunca lhe falha!!

17-01-18 maria g. 




Era uma vez
Uma menina traquina
Que gostava de passear na praia
Logo de manhã, descalça na areia
Sentir os grãozinhos nos pés
Caminhar na areia molhada
Sentir a brisa do mar no rosto
E os raios de sol a bater na face
Aquele ventinho morno de verão
Aquele céu e mar azuis sem par
Caminhar é como recordar
É reinventar a vida
Voltar á infância
De menina irreverente e feliz
Depois…
Mergulhava naquelas águas
Tranquilas e serenas
Nadava e ria á gargalhada
Ao ver os magotes de peixes
De volta dela como se dançassem
Voltava então a casa
Onde a esperava amor e carinho
Um banho morninho
E um repasto de pequeno-almoço
É bom voltar às recordações
Onde moram as lembranças
De menina feliz
É um renovar de energias
Como se o tempo voltasse para trás
E fosse, essa menina outra vez…
Recordar é viver…
“BRASA MAGDA BRAZINHA




Era uma vez um poeta e um poema, que caminhavam de mãos dadas, por caminhos desconhecidos. Não sabiam por onde iriam nem até onde iriam chegar, mas sabiam que não nunca se iriam separar, porque a vida ,um sem o outro ,já não fazia sentido.
Poeta e poema, cansados de tão longa caminhada, sentaram-se à beira da estrada, lado a lado, e, em sintonia, repousaram por momentos. Fecharam, brevemente, os olhos deixando a sua mente divagar sem destino. Unidos, dessa forma, sonharam, sonharam muito e, em todos esses sonhos, adivinhava-se tudo aquilo que sempre os iria unir: a vontade de ir mais longe do que todos os outros, descobrindo novos mundos, entrando em universos distantes e misteriosos, só ao alcance daqueles que têm a coragem de arriscar, sem receio.
Quando os seus olhos se abriram, poeta e poema sorriram em cumplicidade. Levantaram-se, então, e, de forma decidida, enfrentaram de novo o caminho que se estendia à sua frente. Continuavam sem saber por onde iriam ou até onde poderiam chegar, todavia sabiam que não podiam parar, visto que poeta e poema tinham sido feitos para cumprir uma missão sagrada, desafiando as leis dos homens e da Natureza!

Clara Lopes




 SÓ NO RASTO DE UMAS ASAS.
Duas ou três palavras mágicas.
Que entoam entre a nossa mente e o azul do céu.
Passam nuvens a correr. Pássaros a cantarolar.
O vento sempre a soprar.
Até nos rouba o chapéu.
Mas há uma história para contar.
Tento pedir ás flores risonhas perfume.
Ao vento a arte de beijar as dunas.
Visito ninhos escrevo melodia.
E num requebro de emoção.
Escuto cantar o coração.
Era uma vez a travessa borboleta.
Que ria, rodopiava na fragilidade das asas.
Ela sabia ser sua vida só um dia.
Sem temer quis ser feliz.
Foi de flor em flor' cruzou-se com uma libelinha mais um grilo cantador.
Desceram até ao leito do rio apressado.
As águas límpidas reproduziam,mais imagens.
A festa foi de colorida magia.
O sol se reclinou, a lua nascia.
Era tanta a luz que a borboleta em cama de seda adormeceu.
Sonhando que ao despertar da claridade teria um novo par de asas de seda pura, para viver feliz em liberdade.
Viver um dia tem de ser pura magia.

Augusta Maria Gonçalves.




10-01-2018 

Era uma vez uma matemática
Que aprendia gramática
Era uma menina prática
E nadinha enigmática

Divertida, andava a saltar
Com a corda a dar a dar
Entre verbos e preposições,
números infinitos ou anões

E se acaso lhe faltasse o 20
Cerrava os olhos pestanudos,
deixava de pensar nos estudos
E fixava-se no recreio seguinte!

Rute Pio Lopes 





Era uma vez uma menina-mulher que teve pressa de viver. Pressa de chegar onde não devia, onde não a deixavam sonhar, deixou de lado o sonho e enfrentou a dura realidade da vida. Correu riscos, abraçou o vento, contou os dias e os meses, passou por tempestades, sempre com um sorriso no rosto e a fantasia de ser feliz. Desejou névoas e sois, gotas de chuva e beijos, viver sentimentos jamais sentidos, encontrar o verdadeiro amor. Tinha pressa de partir e de viver, enfrentar desafios, olhar a vida com olhos de amor. Tinha pressa de encontrar a sua outra metade.Cresceu,amadureceu,sorriu,chorou.tropeçou,caiu, levantou-se e amou. Guardou na sua caixinha de recordações o seu passado, ao encontrar o verdadeiro amor numa curva da vida, percebeu que afinal tudo valeu a pena Hoje madura e serena ama como nunca amou e é amada. De vez em quando folheia as memórias que não lhe deixaram só mágoas. A vida também lhe deu coisas belas e maravilhosas que vivem no seu coração e ama acima de tudo. Essa menina-mulher, hoje é mulher-menina e feliz…
“BRASA” MAGDA BRAZINHA 






 SARDANISCA

Era uma vez uma linda menina
a quem sua vovó chamava
de sardanisca ,traquina e teimosa,
mas divertida muito arisca,no seu
reclamar,mas quando uma história
queria ouvir,
lá vinha a sardanisca no colo da avó
para que a avó a pudesse contar:

Sardanisca foi crescendo
é hoje uma linda mulher
sua avó vai escrevendo
porque nem pode parar sequer,
para tantos netos que vão lendo
e tanta sardanisca já mulher:

JOANA RODRIGUES




 ÊXODO--------

Era uma vez ...um povo que vivia
subjugado a uma guerra
numa terra ...
com cheiro a morte!
Um dia...alguém lhes veio contar...
que havia um paraíso ...
num lugar longínquo
lá para o Ocidente...
onde era feliz muita gente!
Então partiram aos milhares
de mãos vazias...
levados por ventos de esperança !
Fugiam ao inferno
da guerra que os vencia
e apesar de destino incerto...
esperavam encontrar..
um tempo de bonança !
Enfrentaram um mar hostil
que a tantos matou ...
para além de muitos mil
e todos sofreram privações !
Quando chegados...
ao paraíso anunciado
perderam o encanto ...
dos sonhos e ilusões
com os impiedosos ...
fantasmas levantados!!!!

10-01-18 maria g.





 ERA UMA VEZ QUATRO AMIGOS

Era uma vez quatro amigos
um flamingo e um casal de
gaivotas e seu filhote ...
Um dia resolveram ir à conquista da liberdade.
O flamingo procurou as margens do rio para passear,
as gaivotas voaram em direcção ao mar...
Os dias passaram, as gaivotas brincavam à beira da praia
a comerem o seu peixinho, a brincarem com as conchas,
a ouvir as ondas do mar e a brincarem com o seu filhinho ...
O flamingo , mais triste sem os seus amigos, passeava pelas
margens do rio a olhar para o ar, para descobrir nas nuvens
as gaivotas que andavam a voar ...
O vento passava a uivar, as gaivotas não conseguiam parar
de voar pois o vento empurrava-as com toda a força, até que
avistaram o seu amigo flamingo nas margens do rio a brincar .
As gaivotas começaram a chamá-lo para que ele pedisse ajuda para elas conseguirem parar de voar, junto de um abrigo.O flamingo começou a grasnar e um barco por milagre ali passava a navegar, começou a flutuar de mansinho e as
gaivotas ajudadas por uma brisa mais calma, no barco vieram pousar.Assim ,se encontraram de novo os quatro amigos, muito felizes por de novo estarem juntos e todos poderem conviver e brincar e nunca mais se separaram. Assim reza a história destes quatro amigos, que viveram muito felizes e nunca mais se separaram .

MARY HORTA  





 Era uma vez, um Mundo em extinção,
Onde para única salvação,
Era, só, procurar uma saída.
Por isso, um Flamingo, inventor,
Para salvar os outros desta dor,
Libertando-os de um fim tão trágico;
Criou um livro, tal qual uma nave,
Meteu em cada página, tudo que cabe,
Para partir para um Mundo Mágico.
E cada bicho, cantando e rindo,
Voaram com o seu amigo Flamingo,
Nesta viagem, só para sonhadores.
Criando um novo Mundo mais saudável,
Mais puro, mais terno e mais amável,
Deixando, só, no outro, os poluidores.

LAF10JAN2018 





 Á CONQUISTA

Plantei a semente
Num vaso com terra
Via crescer ....forte e sadia
Reguei com gosto
Fortaleci ,cada pedaço seu
Era um pouco meu
Floresceu na Primavera
Amor impera
Tudo ganha vida
Veio o Outono
Pétalas caíram
Amareleceu
Foi o frio
O triste abandono
Agora sem dono
Flor está carente
O sol se foi
As nuvens gotejam
Lareira acessa
Espera o Inverno
Flor recolheu
Ao amargo da terra
Escondida
Olha á sua volta
Conquista sozinha
Lugar de princesa
Com real certeza
Espera o Verão
Estação despojada
De preconceitos
Amores a seu jeito
Está determinada
Voltar a crescer
No mais lindo vaso
Daquela janela
Que espera por ela
Flor....

Anabela Fernandes 




 Era uma vez...

QUANDO!
Eu era pequenina, a(inda)
aprendi a contar até três,
Depois, cresci mais um pouquito
e aprendi a contar até dez.
E depois por aí fora,
aprendi a ler.
Fui adolescente
e de ir à vida... Chegou a hora.
Fui sem demora!
Fui determinada!
Aprendi que a vida, é uma jornada.
E depois... Depois, fui criando a minha estória.
Talvez a minha história seja a de alguém sem glória
mas o que fui fazendo, foi feito numa vida a dois
numa vida calma, uma vida de família e constituição
uma vida vivida com sentimento, bons valores e paixão.
Também encontrei pedras no caminho
e também tive medos... Medos medonhos.
E com tudo isto construí um castelo de sonhos.

Sonhos que sonhei...
Uns que perdi, outros, que realizei.

Amei...
Amei tanto, até o coração me doer.
Amei, e amo a(inda) casei, tive filhos, tenho netos,
Plantei uma árvore, escrevi um livro com amor
e dei-lhe como titulo, ''Na Eessência de uma Flor''

E a seguir... Não sei...
Não sei o que a(inda) serei.
Estou nas mãos de Deus,
ou de quem me domina.
Não sei ao certo quem É...
Eu chamo-lhe de Deus, o Nosso Criador,
Aquele que deu continuidade a esta menina.
Hoje MULHER.

Florinda Dias 




 Era uma vez…
A era da era
Já era!
Muitas eras têm havido
Há quanto tempo foi isso…
A era do desperdício?
A era já levou o tempo
Sim era nada havia!
Foi a escrita que nos contou.
Aquelas eras
Vão muito longe
Lonjuras e séculos de tempos
De damas e cavalheiros,
Nos passeios a passear
E no coche a descobrir
Os divertimentos e a luxuria.
Dos tempos de pés descalços,
Pelas calçadas e vielas
Sombrias, a cheirar a jaquinzinhos…
Pelas tabernas
E pelo fado,
E as marias Severas eram…
Peixeiras esbeltas
Exibindo as ancas
Levando o peixe fresco
Aos endinheirados
Dos negócios abastados.
Uma azáfama naquele cais
De pedintes a coxear
Para juntar pro jantar.
A era do marquês
Que tanto fez
Por essa Lisboa
Ficou na história
Assim é que foi
Melhor que o rei…
A era lembrada
As estórias escritas
Nos livros que li
E tanto aprendi!
Em todas as eras
Houve Primaveras
Agora não tanto!
Ainda as há…
Mas fora do tempo!

Fernanda Bizarro

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