Conto Partilhado 2017



CONTO PARTILHADO

Acho que precisamos de abanar um pouco o SORRISOS. Por isso, arranjei um desafio que espero seja abraçado pelo número suficiente de participantes. Será um CONTO PARTILHADO, à semelhança de dois que já fiz em 2012 e 2013, no meu primeiro grupo Jardim de Poesia. Há membros no SORRISOS que me acompanham desde essa altura e que participaram. Como funcionará? Irei apresentar o primeiro capítulo escrito por um membro e os restantes participantes irão escrever um capítulo, dando continuação ao anterior. É só darem asas à imaginação e tenho a certeza de que sairá uma bela história.


     






Titulo: ERA SETEMBRO…


1º Capítulo

Era Setembro. O tempo continuava seco e com o sol a convidar andar ao ar livre. Quem não pôde gozar as suas férias em Agosto,, aproveitava o sol de fim de Verão.
Heitor, foi um desses veraneantes que se sentia um sortudo pelo facto de ter o tempo a jeito, em Setembro. Volta e meia pensava: Que sorte, noutros tempos já chovia a cântaros por esta altura. Na realidade o aquecimento global modificou muito o tempo.
Amante da Natureza e das caminhadas, resolveu dar um passeio a pé pela ecopista entre São Pedro da Torre e Vila Nova de Cerveira. Já não era a primeira vez que fazia esse trajecto. De cada vez que o fazia, descobria novos pontos de interesse para fotografar. Gostava especialmente desse troço de pista, embora na altura já houvesse ecopista desde Monção até Viana do Castelo.
Nesse dia, a combinação do sol com a água do rio Minho, faziam com que cada fotografia fosse um autêntico postal ilustrado. Estava a tentar fotografar um recanto que envolvia a vegetação existente na beira do rio e as suas águas, quando surge uma senhora e lhe pede que a fotografasse naquele ponto com a máquina dela, pois também achou bonito aquele local. Num gesto de cavalheiro, acedeu sorridente ao seu pedido.
Ela, com o seu ar solto e livre de preconceitos, escolheu um espaço entre duas árvores de forma a que se visse bem aquele recanto do rio.
O seu sorriso, um pouco trabalhado mas lindo aos olhos de Heitor, ficou a condizer com o local. Ela, de cabelos soltos moldados pela sua própria natureza sem a ajuda de tratamento de cabeleireira, aparecia na forma mais simples e bela, para quem gosta de uma silhueta pura.
Os dois analisaram a foto e verificaram que estava perfeita. Continuaram a caminhada a passo um pouco acelerado. Heitor ficou triste de repente! Bolas! Podia ter ficado com uma foto igual à dela, pensou. Mas já era tarde para repor o descuido. Para iniciar um diálogo, disse:
- Está a ver? Daquele lado do rio é Espanha, mais propriamente a Galiza. Noutros tempos, por aqui, havia contrabando entre os dois países.
- Ai sim? Disse com ar de quem pensa que sempre houve livre trânsito de mercadorias entre os dois países.
- É verdade, e não há muito tempo. Foi até à abertura das fronteiras. E mais! Foi também atravessando o rio Minho que milhares de portugueses emigraram para França. Embora com a oposição do regime na altura, mas ainda bem que foram, porque o país ficou com muito mais vida. Nasceram casas novas pelas aldeias e cidades do país. O câmbio do franco para o escudo, convidava a que o máximo de dinheiro ganho por terras de França viesse direitinho para Portugal. A indústria vocacionada para essa área floresceu a um ritmo como nunca se tinha visto. Quem não emigrou, ficou com muito mais trabalho e tudo evoluiu de repente.
Sempre caminhando iam passando por outros transeuntes.
- Estes são espanhóis?
- Sim! É comum andarem por aqui, disse Heitor. Existe uma boa relação entre as pessoas dos dois países. Os espanhóis são grandes consumidores dos nossos restaurantes, adoram o bacalhau. Nesta iguaria, os portugueses são bastante criativos, talvez pelo facto de, quando não havia distribuição de peixe fresco como há hoje, fosse uma maneira de consumir peixe sem acusar o estado de saturação, tendo assim pratos variados. A este ritmo chegamos ao destino num instante! Até onde vai?
- Eu vou a pé até à Praia da Lenta, tenho lá amigos à espera.
- É um local lindíssimo. Estamos mesmo a chegar.
- Ainda não conheço, estamos hospedados no Hotel Valença do Minho. Ontem fomos informados da existência desta pista pedonal e desta praia fluvial, e só eu resolvi fazer este trajecto a pé.
- E pronto, chegamos.
- É verdade, foi um prazer. Quando termina a estadia por aqui?
- Amanhã vamos para Guimarães e vamos fazer como fizemos aqui, vamos andar por lá, à volta, a conhecer a zona até terminarem as férias.
- É uma boa táctica. Boa viagem.
Heitor seguiu a caminhada a falar com os seus botões e pensou! Nem sei como se chama na realidade, e aquela cara até não me é estranha, mas como faço tudo pela metade é no que dá.
Passado uma centena de metros, resolveu voltar para trás, afinal tinha uma boa caminhada para fazer até São Pedro da Torre. Um pouco desiludido consigo próprio, caminhava a uma cadência acelerada. Deixou de ver a paisagem. Na verdade no que pensava era onde poderia ter visto aquela pessoa que o marcou pela figura e simpatia. Caminhou até ao local onde a fotografou e parou. Destapou e calibrou a máquina fotográfica. Escolheu o ângulo semelhante ao que tinha usado. O rio estava lá. Majestoso e sereno como sempre, na foto captou o máximo da distância que pôde, no sentido do Mar. Analisou a fotografia e pensou: Falta aqui aquela linda figurinha. Vou guardar esta foto religiosamente. Se a encontrar, vou fazer uma montagem e vou pôr no lugar dela uma rosa vermelha, expedita como é, deve andar por aí nas redes sociais e eu arranjo maneira de lha mandar.
Ah! E se lhe fizer um poeminha a acompanhar? Hum, deixa cá ver! Vai ser assim:
“Vi uma rosa encarnada
Junto ao rio a passear
Não sei a sua morada
Nem que nome lhe chamar”.
...

Hermínio Mendes



2º Capitulo


Heitor depois de ter feito mentalmente o poema que acabaram de ler, ficou a magicar na sua inexperiência, ou talvez, inocência respeitosa ao não indagar do nome da bela senhora.
Após vários instantes de indecisão e reflexão, decidiu-se pelo óbvio e, talvez o mais fácil. Iria ao Hotel onde a senhora disse estar hospedada e faria com que o reencontro se mostrasse casual.
Se pensou, melhor se prontificou a executar esse pensamento. Tinha de voltar a ver a senhora, que o tinha deixado perturbado de modo positivo.
Diria até, que já sentia algo a nascer-lhe do fundo da alma. Poderia estar equivocado e o que sentia era simples fascínio, porém, a verdade é que sentia absoluta necessidade de voltar a ver a senhora, que teria uns 35 anos de idade, praticamente a mesma do Heitor, que acabara de fazer 36 precisamente no 15 do mês que corria, Setembro de quentes ventos, embora cronologicamente o Verão se aproximasse do fim, não parecia no entanto, que isso viesse acontecer brevemente, pois o tempo continuava bem seco e quente.
Heitor então, disposto a rever a senhora dos seus encantos, dirige-se ao Hotel onde estava hospedado, para se refrescar, tomando um banho e, até para se perfumar, pois tinha o sentimento que novo encontro dar-se-ia. Estava realmente muito esperançado, pois vira nos olhos da desconhecida um lampejo de interesse, poderia, quem sabe, ter-se dado uma provável empatia, que o Destino lhes tenha colocado.

Em vez de ir ao Hotel, onde certamente ela só regressaria à noite, pensou deslocar-se à praia, para onde ela havia dito ter amigos à sua espera, praia da Lenta, e foi para lá que ele se dirigiu, lentamente, era cedo, faltavam 10 minutos para as 16 horas. A distância a percorrer do seu hotel à praia era muito curta.

Heitor, enquanto deslizava pela estrada, ia pensando a maneira de a rever, de modo casual. Talvez, por sorte sua, ela estivesse no bar que havia nessa praia fluvial, por sinal, um local maravilhoso, bem arborizado e com uma infraestrutura muito funcional.

Com o coração em ritmo acelerado, chegou à praia, deixando o carro a uma distância considerável e caminhou pelo passadiço de madeira, que evitava as areias, onde muita gente deitada sobre toalhas se deleitava sob o sol daquela tarde.
Debaixo das muitas árvores, também muitos gozavam da frescura, apaziguando a canícula, que naquele dia, era especialmente exagerada.

Eis que surge o bar, de cadeiras vermelhas, com um telhado panorâmico, numa arquitetura que parecia desafiar o equilíbrio, debruçado sobre o rio. Era uma construção simpática.
Várias pessoas encontravam-se sentadas na esplanada e também no interior do bar, várias mesas estavam ocupadas.

Heitor olhou discretamente todas as mesas, ansiando encontrar a musa do seu poema.
Lamentavelmente na esplanada não a viu.
Entrou, olhando para todos os lados do amplo salão e, infelizmente também, a senhora não estava. Maldisse a sua sorte, mas não esmoreceu, iria esperar, certamente que ela, com os amigos viriam tomar algum refresco.

Heitor estava totalmente decidido a rever a sua dama e, até achava que se estava a passar da cabeça, pois nunca antes, havia sentido tanta emoção por uma mulher. Aquela, tinha-o efectivamente, deixado abalado, parecia que a conhecia há muito tempo e que se sentia apaixonado, o que seria inadmissível, dado que só a vira alguns minutos, embora intensos de conversa e olhares mútuos.

Procurá-la na praia, vestido como estava, seria ridículo e olhado por todos. Decidiu esperar. Já que tivera a sorte de a encontrar há poucas horas, talvez o Destino lhe reservasse nova surpresa.

Sentou-se numa mesa, na esplanada, situada num ponto de onde avistaria quem entrasse, pediu uma cerveja à jovem que servia às mesas e deixou-se levar pela imaginação romântica de um outro poema, e, ficou à espera dela. Viria de certeza, nem que tivesse de ir à noite ao Hotel Valença do Minho, onde ela disse estar hospedada. Entretanto foi escrevendo num guardanapo de papel...

Bela mulher de feliz aparição
que trazias luz no teu olhar
provocaste em mim tanta emoção
que preciso de te encontrar

Quando acabou de fazer esta simples quadra, Heitor olhou em frente e eis que, no grupo de 4 pessoas, que se aproximava do bar, vinha a mulher da sua inquietação...


José Carlos Moutinho




3º Capítulo

Heitor ficou petrificado! Ela! Era ela! Sentiu-se como um adolescente… as pernas tremiam e o coração pulava. Respirou fundo e recompôs-se.
O grupo de quatro mulheres que acabava de entrar na esplanada, chamava a atenção. Todas muito belas; de idades diferentes e diversas também no tipo de beleza, mas encantadoras. Heitor, levantou-se e via apenas aquela que o tinha enfeitiçado umas poucas horas atrás. A “feiticeira” olhava-o desafiante, porém com uma certa doçura.
- Ora, ora, quem venho aqui encontrar, o meu querido sobrinho!
Heitor, como que despertado de um sonho, olha e repara que no grupo estava, nada mais, nada menos, que a sua tia Inês! Mas que mundo pequeno!
 - Tia Inês, mas que surpresa! Aliás, dupla surpresa. Vê-la a si, que julgava em Caminha, e reencontrar alguém que conheci há poucas horas, por breves instantes, tão breves que sequer deu tempo para apresentações.
Heitor indicava a sua “feiticeira”, com um olhar enlevado.
Desta vez foi a Tia Inês que se surpreendeu. Bonita, a Tia Inês! Rondaria os sessenta anos, decidida, esbelta e de olhar penetrante. Deu um enorme abraço ao sobrinho e disparou:
- Pois então vamos lá às apresentações. Este é o meu sobrinho Heitor, disse dirigindo-se às amigas. E tu, meu maroto, vais ficar a conhecer a Maria, amiga e antiga colega de faculdade; a Filomena, minha indispensável colaboradora e, finalmente, a Cláudia, filha de uns amigos que estão de visita ao nosso verdejante Minho.
Heitor sentia-se um cata-vento, saltando o olhar entre aquelas quatro encantadoras figuras e inclinava a cabeça, em cumprimento. Fazia-o como um autómato, porque a sua atenção estava pregada à sua “feiticeira” que, sabia agora, se chamava Cláudia!
Sugeriu que se sentassem e procurou, discretamente, ficar ao lado de Cláudia. A Tia Inês olhava divertida para os dois e pediu que lhe contassem o fugaz encontro. Cláudia, sorridente e graciosa, tomou a iniciativa da narrativa, acompanhada das graças e gargalhadas do grupo. 
- Porque não vamos todos, amanhã, à feira de velharias, em Caminha? Heitor olhou a tia, que tinha feito a sugestão, e teve vontade de a beijar. Sentiu nela uma aliada…
- Excelente ideia Tia! O grupo concorda? Claro, responderam todas.
- A Cláudia gosta de feiras de velharias? Perguntou Heitor para iniciar conversa.
- Já fui a algumas e, francamente, fascinam-me. Deambulo por entre as barraquinhas e encanto-me por aquelas tão diversas peças, que imagino terem muitas histórias para contar. Devem ansiar que alguém as compre, para voltarem a ter o seu espaço. Deve ser angustiante estar naquela amálgama de “coisas” sem identidade. Cláudia falava com um olhar distante e alheado…
Fascinado, Heitor bebia cada palavra da sua “feiticeira” e aguardava com ansiedade o encontro na Feira de Velharias, dizendo para si:
Mistério tem no olhar
De feiticeira, tão bela,
É suave como o Luar
E brilha como uma Estrela

Maria Clara Lopes
 




06-11-2017

Boa noite, amiguinhos


Junto escala semanal para cada capitulo do conto. Se alguém não tiver disponibilidade na data que lhe calhou, por favor, avise-me. Cada capítulo é para me ser enviado no Sábado, para haver tempo de se fazer alguma alteração, caso seja necessário, antes de eu o publicar.


Beijinhos e obrigada a todos.



1 – Herminio Mendes
2 – José Carlos Moutinho – 6 a 10 de Novembro
3 – Maria Clara Lopes – 13 a 17 de Novembro
4 – José da Nave – 20 a 24 de Novembro
5 – Maria Gonçalves – 27 de Novembro a 01 de Dezembro
6 – José Sá – 04 a 08 de Dezembro
7 – Joana Rodrigues – 11 a 15 de Dezembro
8 – Magda Brazinha – 01 a 05 de Janeiro
9 – Albertino Galvão – 08 a 12 de Janeiro
10 – Rute Pio Lopes – 15 a 19 de Janeiro
11 – Anabela Fernandes – 22 a 26 de Janeiro
12 – Alberto Cuddel – 29 de Janeiro a 02 de Fevereiro
13 – Zita Nogueira – 05 a 09 de Fevereiro
14 – David Marques – 12 a 16 de Fevereiro
15 – António Henriques – 19 a 23 de Fevereiro
16 – Augusta Gonçalves – 26 de Fevereiro a 02 de Março

 
  
31-10-2017
Listagem de participantes


Aqui deixo a listagem dos corajosos que se dispuseram a participar no nosso desafio, para confirmação. É apenas o número de membros, não a ordem com que participarão.
Oportunamente enviarei a "escala de serviço". Como teremos o Natal pelo meio, será feita de forma a não prejudicar ninguém.

Hermínio Mendes
Alberto Cuddel
José Carlos Moutinho
José da Nave
Magda Brazinha
Albertino Galvão
Anabela Fernandes
Maria Gonçalves
António Henriques
Maria Clara Lopes
Rute Pio Lopes
Zita Nogueira
Augusta Gonçalves
David Marques
José Sá

Muito obrigada a todos
Helena Santos.




17-10-2017
O 1º capítulo do conto, já se encontra em Ficheiros, no SORRISOS!



15-10-2017
Como informei há dias, irei publicar no grupo um Documento com o 1º Capítulo do Conto Partilhado e poderão encontrá-lo em FICHEIROS. Quem quiser participar, deverá manifestar a sua vontade, enviando-me mensagem privada. O número desejado é de 20 participantes e poderão inscrever-se até dia 29 de Outubro. Se o número de participantes for atingido antes da data, informarei. O resto das informações, encontram-se na página do blogue.
NÃO SE INSCREVAM NOS COMENTÁRIOS DO CAPÍTULO, NÃO TOMAREI CONHECIMENTO E ELIMINO.

Helena Santos


07-10-2017
1 -
- Letra – Arial
- Tamanho – 10
- 2 páginas A4 – máximo
- 1 página A4 – mínimo
São +- 35/40 linhas por página

2 –
Cada participante terá de Segunda a Sexta para escrever o seu capítulo, dia em que deverá enviá-lo para mim, por mensagem privada. Ao Domingo será publicado, para dar tempo ao participante seguinte de se inteirar da história e dar continuação

3 –
Depois de ter a listagem dos participantes, irei fazer uma escala.

4 – Numero máximo de participantes – 20

5 - Os capítulos serão publicados num Documento que será aberto no grupo.

Reservo-me o direito de fazer qualquer alteração que ache conveniente, depois de ler cada capitulo.


Brevemente publicarei o primeiro capitulo.

Helena Santos

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