quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Nunca tenha a certeza de nada, a sabedoria começa com a dúvida.
__Sigmund Freud

terça-feira, 2 de agosto de 2016

 VOANDO

Ele voa
 Como o vento
 Como um anjo
 Um pássaro
 Ou como o pensamento
 Isso pouco ou nada importa
 Ele voa e é feliz
 Sou eu, a mãe, quem o diz
 Todos nós podemos voar
 Com as asas que escolhermos
 Ele voa com uma prancha
 Sobe aos céus e chega a Deus
 Agradecendo por ser abençoado
 Adora surfar, surfar, surfar
 Não passa sem o mar
 E sabe tão bem dele desfrutar
 Às vezes fico apreensiva, ansiosa
 Não quero imaginar nem ver
 Ele pelos ares em acrobacias
 Mesmo sendo feitas com sabedoria
 É que o mar nem sempre é bom anfitrião
 Também tem os seus momentos de depressão
 Aí cresce a minha preocupação
 Mas ele com doçura descansa o meu coração
 Sabe o quanto o amo, que é a razão do meu viver
 Orgulho? Sinto, muito
 Pelo que é, por ser quem é e pelo que faz
 Pelas virtudes, pelos defeitos
 Por ser simplesmente ele próprio
 É meu filho, que mais preciso dizer?
 Ele voa e é feliz
 E enquanto isso eu sentir e vir
 Eu também feliz serei
 Sou eu, a mãe, quem o diz!

Helena Santos

sábado, 30 de julho de 2016

AINDA A ESPERANÇA

Via-te em cada esquina
Como se quisesses que te alcançasse
Aproximava-me e via-te na esquina seguinte
Como se quisesses que te seguisse
De esquina em esquina
Apercebi-me que apenas pretendias
Arrastar-me para o Passado
Àquele em que a dor quase me trucidou
Com a maldade com que me brindou
Mas não foi capaz, fracassou
Porque uma força maior
Em mim encontrou
Desejei ter-te num Presente de amor
Mas apenas mostraste querer que regressasse
A momentos de sofrimento, mágoa, terror
Há lugares para aonde não devemos regressar
E nesse inferno não voltarei a morar
Tudo o que de lá trouxe
Na esperança de algo mudar
Acabei por enterrar
Limpei a memória e tudo voltou ao normal
Se nada há para recordar
Que poderá haver para contar?
Do que é que estive a falar?
Esqueci-me e não consigo lembrar
A minha memória a falhar?
Não, é o meu amor próprio
Que decidiu se emancipar!


Helena Santos

segunda-feira, 25 de julho de 2016

QUE IMPORTA

Se é Primavera ou Verão
Pouco importa a Estação
Sei que há muita emoção
Já tardava a boa disposição


As flores desabrocham sem pejo
Os caracóis por elas se arrastam, bem vejo
Mas alegria é tudo o que desejo
E nos meus canteiros dá de tudo, até beijos

Da fonte jorra a água puras bailarinas
As tartarugas estendem-se ao sol, lindas
Bafejados por dias coloridos e quentes
Esquecem-se do frio e chuvas irreverentes

Os passarinhos não se calam
Ralho com eles, mas nem se ralam
Já tive um ninho com piu pius bebés
Rápido cresceram, bateram asas, eram três

Mas ainda há muito no meu quintal
Que merece a minha atenção
Há pêssegos lindos a engordar
E physalis deliciosas a amadurar

Não posso falar de tudo e gostaria
Mas a macieira deu lindas flores
A pitangueira cresce cheia de vigor
Usufruo de tudo, com os Patudos e alegria

Viver na aldeia é um encanto
E quando quero ouvir outro canto
Visito o amigo mar, ali em frente
Falamos, rimos e regresso mais contente!!

Helena Santos

terça-feira, 12 de julho de 2016

PROCUREI RETRATOS

Mais um amanhecer
Mas em nada igual aos que costumo ter
Hoje acordei contigo no meu pensamento
Foi estranho o sentimento
Faz tanto tempo que de ti nem o vento fala
E eu nem em ti penso
E de repente
Foi como se estivesses à minha frente
Mas sem rosto
Já passaram tantos anos…
Certamente que estarás muito diferente
Olheiras grosseiras, rugas teimosas
Cabelos grisalhos e outras marcas do tempo
Por curiosidade, entrei nos teus pertences
E procurei um retrato teu, recente
Não encontrei
Só vi registos do passado
Será que só lá foste feliz
E que o presente nada te diz?
Já que invadiste a minha mente
Gostava de ver como estás realmente
Mas escondes-te por detrás da insegurança
Como se as marcas do tempo te envergonhassem
E preferisses que o relógio tivesse parado
Mas há um tempo para tudo
Até para deixarmos de ser jovens fisicamente
E devemos aceitar isso com orgulho
Procurei sinais de ti
E apesar de pouco ter encontrado
Fiquei feliz, evidentemente
Recordei como eras, vendo retratos de antigamente
E assim passei um dia, com momentos diferentes
Agora, o que és e como estás
Já deixou de ser importante, novamente
O dia terminou.
Amanhã será outro tão ou mais emocionante
Estou confiante
Há sempre tantos motivos diferentes
Que me levam a saborear cada novo amanhecer
E são todos para agradecer e enfrentar
Não para me esconder!


Helena Santos
CHEGOU!

De repente do céu cai um raio de luz
Cheio de cor…diferente
Daqueles que sorriem, falam e sentem
Não é melhor nem pior
Dos que já existem
Pois cada um tem intensidade própria
E isso cativa, tal como a delicadeza
Cativou-me, encantou-me e rendi-me
E para além de tanta luz
Ainda considera a amizade
Mais importante que o amor
Claro que isso me seduz
Amor sem amizade é leviandade
Amizades criadas com intenções adulteradas
Com finalidades não claras
Dificilmente resistirão
Às verdades que o tempo
Põe à nossa disposição
Tanta gentileza emana o seu coração
Que o raio de luz da amizade
Brilhe com lealdade e honestidade
A quem acaba de chegar
Com capacidade e vontade
De conquistar e espalhar sorrisos
E eu tenho tantos para ofertar
Que quanto mais dou
Mais tenho para dar!


Helena Santos