terça-feira, 12 de julho de 2016

CHEGOU!

De repente do céu cai um raio de luz
Cheio de cor…diferente
Daqueles que sorriem, falam e sentem
Não é melhor nem pior
Dos que já existem
Pois cada um tem intensidade própria
E isso cativa, tal como a delicadeza
Cativou-me, encantou-me e rendi-me
E para além de tanta luz
Ainda considera a amizade
Mais importante que o amor
Claro que isso me seduz
Amor sem amizade é leviandade
Amizades criadas com intenções adulteradas
Com finalidades não claras
Dificilmente resistirão
Às verdades que o tempo
Põe à nossa disposição
Tanta gentileza emana o seu coração
Que o raio de luz da amizade
Brilhe com lealdade e honestidade
A quem acaba de chegar
Com capacidade e vontade
De conquistar e espalhar sorrisos
E eu tenho tantos para ofertar
Que quanto mais dou
Mais tenho para dar!


Helena Santos

sexta-feira, 8 de julho de 2016

NÃO SINTO A VIDA

Não sinto a vida com tanta empolgação como devia. Talvez por ela já nada me dizer, ou simplesmente por eu já não a achar interessante. Aliás, acho-a cada dia mais entediante, sem graça, apagada, sem nada que faça com que tenha vontade de acordar no dia seguinte e olhá-la. Nunca fui de perder batalhas, nem temer guerras, mas estou a perder a emoção pelas guerras impostas pela vida. Será por eu estar a perder vida, ou por estar a perder-me da vida? O céu tem cada vez mais nuvens escuras, as noites têm menos estrelas a brilhar, a lua já nem no mar se quer deitar. E eu, só sei que aqui não quero continuar. O sol incomoda-me, encadeia-me a alma e a sua intensidade fere-me e pele. Já não o suporto, já não o tolero e nem com seus malefícios me importo. Simplesmente o ignoro. Até o mar que sempre viveu em mim, ou eu vivi dele, de repente deixou de ser importante. Mas dele ainda não desisti…. Bebo da sua doçura, saboreia a sua calmaria, absorvo a sua sabedoria e até me congratulo com a sua revolta. Gosto dele, que importa! Sei que é uma fonte inesgotável e por mais que o sugue, não o seco. Visito-o quase diariamente. Nem sei bem o que lá vou buscar ou deixar, mas sei que com ele sinto-me protegida, confiante. Já são tão poucas as coisas que me fazem sentir bem, que dificilmente continuarei refém da vida por mais tempo. São dias e mais dias. Uns correm, outros andam, mas nenhum se preocupa em saber se alguém, por alguma razão, não os consegue acompanhar. Eles apenas querem o céu alcançar, custe o que custar. E se ao passarem, alguém pisarem, não param para olhar para trás, para ajudar. Assim são os dias que todos nós engordamos, com as nossas fantasias, egoísmos, maldades e vazios. Mas que raio de vida esta, que engole dias e não se preocupa como nós estamos? As minhas forças já quase que não as vejo, mas ainda moramos no mesmo corpo. A minha vontade era perder a vontade de fazer fosse o que fosse, sem vontade. Há quem durma apavorado com a hipótese de não acordar para o novo dia brindar; eu adormeço a rezar para que Deus não permita que dos meus sonhos venha a despertar. Como a vida rapidamente perde o sentido, quando perdemos algo que para nós fazia todo o sentido e logo deixa de fazer sentido, o sentido que a vida tinha. Olho ao meu redor e só vejo sombras de mim, sem terem qualquer fim, e pergunto-me: o que faço eu aqui parada, se por mais que me esforce, não consigo antever uma estrada que me leve a um destino que me faça chegar à conclusão que afinal a vida até tem graça? Mas o engraçado é que eu acho graça à vida, mas não no sentido de a querer bem e viver eternamente, como qualquer mortal pretende. Acho-lhe graça, porque ela sabe que nunca lhe implorarei que me deixe viver anos sem fim. Ela também sabe que eu decidirei quando, onde e de que forma terminarei a minha viagem. A ela nunca pedirei opinião, nunca precisarei de um sim ou de um não, bastará a minha decisão. Esta vida está um caos, eu cansei-me de confusão e de mendigar por migalhas de atenção, consideração e humanização!

Helena Santos

segunda-feira, 4 de julho de 2016

EU E O CAMPO

Vivo no campo
E oiço as ondas
Do mar onde me encanto
Que mais posso desejar
Se até lhe sinto o pranto
E quase lhe posso tocar?
Entre mim e ele
Tenho muito para desfrutar
Há campos lavrados
Eucaliptos perfumados
Animais a pastar, relaxados
Moinhos recuperados
Chaminés com vestidos rendilhados
Que dão beleza à paisagem
Há cabos de alta tensão
Que de feios chamam a atenção
Mas ficam diferentes, atraentes
Quando pássaros os transformam
Em belas pautas musicais
As perdizes acenam-nos
Da beira da estrada
E os coelhos correm e saltam
Brincando como crianças
O galo cantarola na alvorada
A galinha com o seu cacarejar de alegria
A chegada de mais um ovo, anuncia
Até os bâmbis lá estão ao entardecer
Para quem os queira conhecer
Há os costumes da aldeia
A simplicidade das suas gentes
Suas festas e tradições
Tanta cultura em ebulição
E claro, também tenho um por do sol
Sim, da minha humilde casinha
Vislumbro um mágico meio por do sol
Que umas vezes é laranja
Outras, amarelo
Muitas vezes anil
E de vermelho também se veste
Ali, a dois passos daqui
Para onde foge o meu olhar
E encontro o serenar
O sol beija o mar
Numa beleza sem igual
E eu posso imaginar
Como será o seu tocar
Sem precisar de me deslocar
A vida no campo é tranquila
Há sempre algo para aprender
Porque de campónia nada tenho
Mas a curiosidade é minha guia
E ouvindo as vozes da sabedoria
Enriqueço dia após dia
E há muito para aproveitar
De quem tem tanto para contar
Para ensinar…


Helena Santos
SONHOS QUE DESPERTAM

A Lua desceu
Sensual e nua
Queria surpreender o Mar
E aproveitou aquela noite
Em que as estrelas adormeceram
Para sair de mansinho
Elas nem se aperceberam
Tocou à porta devagarinho
E o Mar ao abrir, quase não acreditou
Achou que estava a sonhar
Mas não se deixou intimidar
Com delicadeza, convidou-a a entrar
Era um momento há muito esperado
Agora que a tinha a seu lado
Que mais poderia desejar?
Fechou a porta confiante
De que não permitiria ser incomodado
Uma noite a invejar, certamente
Mas só podemos imaginar
Porque não há mais nada para contar!


Helena Santos

terça-feira, 28 de junho de 2016

VÍRUS, VÍRUS E MAIS VÍRUS

Uma deitou-se aos meus pés
Enroscada no edredão
O outro esticou-se no chão
É mais fresco e está muito calor
Falo dos meus amados patudos, claro
Olho para eles e penso: que hei-de escrever?
A inspiração não me veio ver
E sem ela nunca sei o que fazer
O computador foi invadido por vírus
Com ordem para matar
Está a ser intervencionado
O médico é competente
Não ficará com mazelas, certamente
Acho que o cabecilha deles
Não tem coragem para me enfrentar
Há sempre “paus mandados, “moços de recados”
Quanto a estes actos cobardes pouco mais há a dizer
São bichinhos nojentos
Que nem sabem o que andam neste mundo a fazer
Sinto pena…apenas!
Enquanto espero que o tempo passe
E olho para a TV sem nada ver
Penso: para quê perder tempo comigo
Se tenho mau feitio, sou teimosa como os burros
E só atendo quem disser: por favor, obrigado, desculpa?
Como não tem sido o caso
Daqui não saio, daqui nada, nem ninguém me tira
Não posso pactuar com dejetos mascarados
E ainda por cima mal educados
Era só o que me faltava
Bem, a inspiração não chega
Mas o sono está a tocar à porta
É melhor deixá-lo entrar
Eu preciso de descansar
Já tenho as pestaninhas a reclamar
Logo vejo como amanhã me sinto, ao acordar
Agora quero é relaxar e sonhar
Se despertar com um sorriso, será bom sinal
Prenúncio de um dia fenomenal
E vou mesmo desfrutar
O Sr vírus não tem capacidade de me atrapalhar
Porque a sua insignificância é abismal
Terei o belo sol para me bronzear
O delicioso mar para me refrescar
E um suminho natural de ananás, para saborear
Tudo o resto é poeira perdida no ar
Que não consegue baixar
Por não ter onde o rabo sentar!


Helena santos

quarta-feira, 22 de junho de 2016

OLHARES

De mel são pintados os teus olhos
A morango temperados os teus lábios
E no momento mágico
Os nossos olhares se fundiram
Mas nada pediram
Só precisavam do que viam
Como foi excitante
Descer às profundezas de ti e explorar-te
Sempre estiveste à mercê de mim
Por isso consegui
Tanto se desfruta através do olhar
Muito se desperdiça desviando-o para outros mares
E quando nos apercebemos de que estamos perdidos
Reconhecemos que afinal tudo o que precisávamos
Estava ali naquele olhar intenso e húmido como um beijo
O teu olhar e o meu fizeram amor
Gritaram de prazer mas nunca saciaram o desejo
Precisamos enlaçar os nossos olhares
Para de novo nos perdermos sem pudor!


Helena Santos