segunda-feira, 4 de julho de 2016

SONHOS QUE DESPERTAM

A Lua desceu
Sensual e nua
Queria surpreender o Mar
E aproveitou aquela noite
Em que as estrelas adormeceram
Para sair de mansinho
Elas nem se aperceberam
Tocou à porta devagarinho
E o Mar ao abrir, quase não acreditou
Achou que estava a sonhar
Mas não se deixou intimidar
Com delicadeza, convidou-a a entrar
Era um momento há muito esperado
Agora que a tinha a seu lado
Que mais poderia desejar?
Fechou a porta confiante
De que não permitiria ser incomodado
Uma noite a invejar, certamente
Mas só podemos imaginar
Porque não há mais nada para contar!


Helena Santos

terça-feira, 28 de junho de 2016

VÍRUS, VÍRUS E MAIS VÍRUS

Uma deitou-se aos meus pés
Enroscada no edredão
O outro esticou-se no chão
É mais fresco e está muito calor
Falo dos meus amados patudos, claro
Olho para eles e penso: que hei-de escrever?
A inspiração não me veio ver
E sem ela nunca sei o que fazer
O computador foi invadido por vírus
Com ordem para matar
Está a ser intervencionado
O médico é competente
Não ficará com mazelas, certamente
Acho que o cabecilha deles
Não tem coragem para me enfrentar
Há sempre “paus mandados, “moços de recados”
Quanto a estes actos cobardes pouco mais há a dizer
São bichinhos nojentos
Que nem sabem o que andam neste mundo a fazer
Sinto pena…apenas!
Enquanto espero que o tempo passe
E olho para a TV sem nada ver
Penso: para quê perder tempo comigo
Se tenho mau feitio, sou teimosa como os burros
E só atendo quem disser: por favor, obrigado, desculpa?
Como não tem sido o caso
Daqui não saio, daqui nada, nem ninguém me tira
Não posso pactuar com dejetos mascarados
E ainda por cima mal educados
Era só o que me faltava
Bem, a inspiração não chega
Mas o sono está a tocar à porta
É melhor deixá-lo entrar
Eu preciso de descansar
Já tenho as pestaninhas a reclamar
Logo vejo como amanhã me sinto, ao acordar
Agora quero é relaxar e sonhar
Se despertar com um sorriso, será bom sinal
Prenúncio de um dia fenomenal
E vou mesmo desfrutar
O Sr vírus não tem capacidade de me atrapalhar
Porque a sua insignificância é abismal
Terei o belo sol para me bronzear
O delicioso mar para me refrescar
E um suminho natural de ananás, para saborear
Tudo o resto é poeira perdida no ar
Que não consegue baixar
Por não ter onde o rabo sentar!


Helena santos

quarta-feira, 22 de junho de 2016

OLHARES

De mel são pintados os teus olhos
A morango temperados os teus lábios
E no momento mágico
Os nossos olhares se fundiram
Mas nada pediram
Só precisavam do que viam
Como foi excitante
Descer às profundezas de ti e explorar-te
Sempre estiveste à mercê de mim
Por isso consegui
Tanto se desfruta através do olhar
Muito se desperdiça desviando-o para outros mares
E quando nos apercebemos de que estamos perdidos
Reconhecemos que afinal tudo o que precisávamos
Estava ali naquele olhar intenso e húmido como um beijo
O teu olhar e o meu fizeram amor
Gritaram de prazer mas nunca saciaram o desejo
Precisamos enlaçar os nossos olhares
Para de novo nos perdermos sem pudor!


Helena Santos
GARGALHADAS

Não me vejo nem me sinto
Sem gargalhar
Gosto de gargalhar sem me preocupar
Com o que alguém possa pensar
As gargalhadas fazem parte da minha essência
Há quem ache vulgar, para mim é salutar
Vulgar é não saber ser, nem estar
Gostar de apontar, criticar e julgar
Para esconder o que a muitos iria chocar
Pensando que aos outros podem enganar
E há tanto disso por aí a espernear
Num mar só de inveja e maldade
Mas até gosto de apreciar e aproveito
Para mais umas gargalhadas soltar
Comigo não contem para vos salvar
Certamente que vos deixarei afogar
Eu nem sei nadar…em águas conspurcadas
E para gentinha assim estou-me a borrifar
O que eu quero mesmo, é… GARGALHAR!
Isso sim, é saudável e não tem contra indicações
É esta malvadeza que ofereço muitas vezes
Com imenso prazer porque vitaliza corações
Às poucas pessoas que merecem
A quem me sabe amar, mimar e respeitar! 


Helena Santos

domingo, 12 de junho de 2016

SILÊNCIO DE MORTE

O silêncio do teu mundo, não me choca, afinal eu estou nele, faço parte dele. Não basta a distância… Estou e estarei em ti, sempre e para sempre. Poupa-te a palavras vãs, o que conta é o que sentes e tu sentes, muito…e gostas. Mas é isso, o amor. Inquieta-nos, perturba-nos, desassossega-nos e para nos enganarmos, dizemos que odiamos. Quanto ódio alimenta o amor… não deixa de ser poético. Podes ter muitas paixões, mas o teu amor serei sempre eu, está escrito, no nosso livro da vida. Sim, entrei aí no teu coração e nunca mais saí. Claro que podias ter-me expulsado dele, mas não o fizeste, nunca quiseste, porque gostas de me ter contigo, de me sentir em ti. Eu sou para ti, a fraqueza que te fortaleceu, quando já não acreditavas que havia uma estrela, algures, pronta a amar-te e a mostrar-te que em ti o amor também nasceu…só precisavas de alimentá-lo. Acreditaste e tudo aconteceu…. Abriste o coração e o amor floresceu! Mas como não há finais felizes e nada é eterno, houve um dia em que tudo, de repente, escureceu. O que aconteceu? Já perguntei aos céus, mas nem de lá uma resposta desceu. Não, não me entristeceu, a vida é assim, de vontades muito próprias. Vale sempre pelo que se vive, pelo que se absorve, pelo que se aprende e pelo que o dia seguinte nos traz e sempre nos surpreende. Há tanto para sugar da vida, mas muita gente não entende…por isso, é sempre mais o que se perde. 

Helena Santos
PRESENTE

Os dias estão deprimentes
E para aliviar a mente
Quis escrever algo diferente
Decidi viajar ao Passado
E trazer o que ficou inacabado
Apenas emprestado tempo suficiente
Para rabiscar o que tinha idealizado
Mas presa ao Presente
Ao Passado não consegui voltar
Tentei dar um salto ao Futuro
Mas o muro era demasiado alto
E o topo não consegui alcançar
Logo, não tive acesso à entrada
Para antecipar a minha velhice
Sei que sobre ela muito teria para contar
E iria gostar
Então, resta-me aqui continuar
Aguardar que a inspiração me invada
E traga novidades, para me animar
Quem não tem o dom da escrita
Não se pode aventurar
“A Vida está no Presente”, sempre ouvi dizer
Mas eu gosto é de variar
Enfada-me tanto tempo no mesmo lugar
Só que o Tempo ensinou-me
Nada acontece ao estalar dos meus dedos
O Passado perdeu-se nas noites
No Futuro certamente nada semearei
E a paciência é uma virtude a cultivar
Assim…
Mantenho-me presente, no Presente
Sem da vida me lamuriar!


Helena Santos