domingo, 12 de junho de 2016

PRESENTE

Os dias estão deprimentes
E para aliviar a mente
Quis escrever algo diferente
Decidi viajar ao Passado
E trazer o que ficou inacabado
Apenas emprestado tempo suficiente
Para rabiscar o que tinha idealizado
Mas presa ao Presente
Ao Passado não consegui voltar
Tentei dar um salto ao Futuro
Mas o muro era demasiado alto
E o topo não consegui alcançar
Logo, não tive acesso à entrada
Para antecipar a minha velhice
Sei que sobre ela muito teria para contar
E iria gostar
Então, resta-me aqui continuar
Aguardar que a inspiração me invada
E traga novidades, para me animar
Quem não tem o dom da escrita
Não se pode aventurar
“A Vida está no Presente”, sempre ouvi dizer
Mas eu gosto é de variar
Enfada-me tanto tempo no mesmo lugar
Só que o Tempo ensinou-me
Nada acontece ao estalar dos meus dedos
O Passado perdeu-se nas noites
No Futuro certamente nada semearei
E a paciência é uma virtude a cultivar
Assim…
Mantenho-me presente, no Presente
Sem da vida me lamuriar!


Helena Santos

sexta-feira, 27 de maio de 2016

SURPRESA

Uma nuvem de algodão
Num sonho de magia
Veio cair na minha mão
E engravidou-me de alegria
Tal era a boa energia
Perdida em tamanha euforia
Nem me lembrei que ela
Era mensageira do amor
Fazia tudo por paixão
E foi por pouco que não perdi
O beijo doce que para mim trazia
Presente enviado
Pelo dono do meu coração!


Helena Santos

sexta-feira, 20 de maio de 2016

SEMPRE ROMÃS

Eram romãs
Que eu comia
Todas as manhãs
Depois de noites mal dormidas
À espera que sonhos dormentes
Fossem despertados
Por beijos lambuzados
De desejos
Eram romãs
Que eu sugava
Enquanto chorava
Apregoando palavras vãs
Esperando em cada bago
Encontrar a doçura, a energia
Que me ia faltando
Dia após dia
Com a ausência desmedida
De ti, meu amor
Que sabias ser a minha vida
Ainda eram romãs
Que tinha por companhia
Quando por aqui passou o Tempo
E com ele um embrulho bonito e enlaçado
Trazia
Tendo como remetente o meu amado
Abri-o e só continha frio, ai que arrepio
De olhos embaciados
O coração nunca recuperou
O Tempo seguiu o seu caminho
A romãzeira um dia secou
E o pouco que de mim restou
Ainda por ela chorou
O meu amor? Esse nunca mais voltou
E os meus dias perderam-se na esperança
No regresso, o Tempo, só o pó encontrou!


Helena Santos

quinta-feira, 19 de maio de 2016

LIBERDADE DE SENTIRES

Um livro rasgado não morre. As folhas viajam com o vento e correm mundo, mas o sentimento de quem escreveu, permanece eterno, na memória de quem o leu. Assim é o amor. Tu sabes, eu sei, todos sabemos, mas não entendemos e pouco fazemos. Desperdiçamos tanto tempo… Precisamos consumir mais diálogo, compreensão e menos doses de razão. Por que exigimos tanto a perfeição? Afinal o objectivo não é empanturrar de felicidade, o precioso coração? Amemos simplesmente e desfrutemos da vida com paixão, deixando abertas portas e janelas, para livre circulação da emoção, da afeição!

Helena Santos

terça-feira, 17 de maio de 2016

MAR

Encher os olhos de mar
Sempre que a vontade brota
Sem precisar planear
Pois ele mora mesmo aqui à porta
Faz-me sentir abençoada
E sendo grata
Desfruto cada minuto
Aqui estou, sentada no seu terraço
Em almofadas confortáveis de areia fininha
Oferecendo-me a melhor melodia
Para começar o meu dia
Bebo paz, amor e alegria
Tenho sempre a porta aberta
E nunca estou sozinha
Amigos comuns, fazem-me companhia
Incansáveis,
Todos os dias tenho surpresas
Do peixe bailarino
Do búzio macambúzio
Do pato pescador
Da onda contorcionista
Da gaivota fadista
Da alga estilista
Da ostra exibicionista
E para que tudo corra na perfeição
O sol só se desliga, depois da nossa saída
Pedido especial do mar
E que por veneração
Está fora de questão, recusar!


Helena Santos
AMOR E SERVIDÃO

O sal temperou o meu rosto
De desilusão, de desgosto
Mas também de alivio, libertação
Há um tempo para cada estação
E se teimarmos em prolonga-lo
Transforma-se num inferno
Em intermináveis momentos de terror
De destruição
E nunca se encontra solução
Esperando sempre pelo milagre do amor
Mas o tempo é bom conselheiro
E ainda nos brinda com exemplos
Que nos facilitam o desprendimento
Deixando sossegar o coração
E agindo com a razão
Livrando-nos de pedaços de vida
Que mais não servem
Senão para atafulhar a alma
De lixo irrecuperável
E fazer-nos confundir
Amor com servidão
O mel adocicou o meu rosto
Com partículas mágicas de emoção
Porque descobri por fim
Que apenas eu, sou dona de mim!


Helena Santos