quinta-feira, 19 de maio de 2016

LIBERDADE DE SENTIRES

Um livro rasgado não morre. As folhas viajam com o vento e correm mundo, mas o sentimento de quem escreveu, permanece eterno, na memória de quem o leu. Assim é o amor. Tu sabes, eu sei, todos sabemos, mas não entendemos e pouco fazemos. Desperdiçamos tanto tempo… Precisamos consumir mais diálogo, compreensão e menos doses de razão. Por que exigimos tanto a perfeição? Afinal o objectivo não é empanturrar de felicidade, o precioso coração? Amemos simplesmente e desfrutemos da vida com paixão, deixando abertas portas e janelas, para livre circulação da emoção, da afeição!

Helena Santos

terça-feira, 17 de maio de 2016

MAR

Encher os olhos de mar
Sempre que a vontade brota
Sem precisar planear
Pois ele mora mesmo aqui à porta
Faz-me sentir abençoada
E sendo grata
Desfruto cada minuto
Aqui estou, sentada no seu terraço
Em almofadas confortáveis de areia fininha
Oferecendo-me a melhor melodia
Para começar o meu dia
Bebo paz, amor e alegria
Tenho sempre a porta aberta
E nunca estou sozinha
Amigos comuns, fazem-me companhia
Incansáveis,
Todos os dias tenho surpresas
Do peixe bailarino
Do búzio macambúzio
Do pato pescador
Da onda contorcionista
Da gaivota fadista
Da alga estilista
Da ostra exibicionista
E para que tudo corra na perfeição
O sol só se desliga, depois da nossa saída
Pedido especial do mar
E que por veneração
Está fora de questão, recusar!


Helena Santos
AMOR E SERVIDÃO

O sal temperou o meu rosto
De desilusão, de desgosto
Mas também de alivio, libertação
Há um tempo para cada estação
E se teimarmos em prolonga-lo
Transforma-se num inferno
Em intermináveis momentos de terror
De destruição
E nunca se encontra solução
Esperando sempre pelo milagre do amor
Mas o tempo é bom conselheiro
E ainda nos brinda com exemplos
Que nos facilitam o desprendimento
Deixando sossegar o coração
E agindo com a razão
Livrando-nos de pedaços de vida
Que mais não servem
Senão para atafulhar a alma
De lixo irrecuperável
E fazer-nos confundir
Amor com servidão
O mel adocicou o meu rosto
Com partículas mágicas de emoção
Porque descobri por fim
Que apenas eu, sou dona de mim!


Helena Santos

sexta-feira, 13 de maio de 2016

NOITE COMO BREU

A Noite desceu negra e triste
O vento louco serpenteava
Carregando nuvens em depressão
E as estrelas receosas
Ficaram em casa abrigadas
E a lua de nada valeu
A Noite escura como breu
Chorou porque sentiu-se abandonada
Sem a luz que a embelezava
Em piscares mágicos e cintilantes
Mas o vento que afinal era amistoso
Enterneceu-se com a Noite amargurada
E decidiu suspender o espectáculo
Permitindo às estrelas assustadas
Saírem animadas e pintalgarem o céu
De purpurinas prateadas
Surpreendendo a Noite que encantada
Dançou até à chegada da alvorada.


Helena Santos

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PALHAÇO

Sou palhaço sorridente
E gente que também sente
Faço rir e dá-me prazer
Mas já chorei em actuação
Uso roupas coloridas
Cabeleiras divertidas
Sapatolas muito giras
E a criançada até delira
O que faço é por paixão
Encho a alma de emoção
Mas em nada sou diferente
De ti, de ti, ou de ti
Fico triste quando me olham
Como se fosse um demente
Ser palhaço é uma profissão
Como a tua, a tua e a tua
Nas minhas veias?
Também corre sangue quente
Sou palhaço faço rir e farei sempre
Ainda que de dor o meu peito
Muitas vezes quase rebente.


Helena Santos

segunda-feira, 9 de maio de 2016

FUI ANDUA

Fui Andua colorida
Voei com arte e esplendor
Fiz vibrar um terno coração
E até pipilei canções de amor

Eram serenatas sem fim
Quanta magia no nosso castelo
Ninguém percebia como nos amávamos
Como nos tínhamos, dia sim, dia sim
Mas veio a Catatua disfarçada de anjo
E nas suas asas sinistras cor de lua
Trouxera a maldição, a separação
Própria de quem não tem coração
As minhas penas ficaram baças
O meu pipilar perdeu o vigor
E para quê acrobacias no ar
Se perdera o meu amor?

Helena Santos