terça-feira, 17 de maio de 2016

MAR

Encher os olhos de mar
Sempre que a vontade brota
Sem precisar planear
Pois ele mora mesmo aqui à porta
Faz-me sentir abençoada
E sendo grata
Desfruto cada minuto
Aqui estou, sentada no seu terraço
Em almofadas confortáveis de areia fininha
Oferecendo-me a melhor melodia
Para começar o meu dia
Bebo paz, amor e alegria
Tenho sempre a porta aberta
E nunca estou sozinha
Amigos comuns, fazem-me companhia
Incansáveis,
Todos os dias tenho surpresas
Do peixe bailarino
Do búzio macambúzio
Do pato pescador
Da onda contorcionista
Da gaivota fadista
Da alga estilista
Da ostra exibicionista
E para que tudo corra na perfeição
O sol só se desliga, depois da nossa saída
Pedido especial do mar
E que por veneração
Está fora de questão, recusar!


Helena Santos
AMOR E SERVIDÃO

O sal temperou o meu rosto
De desilusão, de desgosto
Mas também de alivio, libertação
Há um tempo para cada estação
E se teimarmos em prolonga-lo
Transforma-se num inferno
Em intermináveis momentos de terror
De destruição
E nunca se encontra solução
Esperando sempre pelo milagre do amor
Mas o tempo é bom conselheiro
E ainda nos brinda com exemplos
Que nos facilitam o desprendimento
Deixando sossegar o coração
E agindo com a razão
Livrando-nos de pedaços de vida
Que mais não servem
Senão para atafulhar a alma
De lixo irrecuperável
E fazer-nos confundir
Amor com servidão
O mel adocicou o meu rosto
Com partículas mágicas de emoção
Porque descobri por fim
Que apenas eu, sou dona de mim!


Helena Santos

sexta-feira, 13 de maio de 2016

NOITE COMO BREU

A Noite desceu negra e triste
O vento louco serpenteava
Carregando nuvens em depressão
E as estrelas receosas
Ficaram em casa abrigadas
E a lua de nada valeu
A Noite escura como breu
Chorou porque sentiu-se abandonada
Sem a luz que a embelezava
Em piscares mágicos e cintilantes
Mas o vento que afinal era amistoso
Enterneceu-se com a Noite amargurada
E decidiu suspender o espectáculo
Permitindo às estrelas assustadas
Saírem animadas e pintalgarem o céu
De purpurinas prateadas
Surpreendendo a Noite que encantada
Dançou até à chegada da alvorada.


Helena Santos

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PALHAÇO

Sou palhaço sorridente
E gente que também sente
Faço rir e dá-me prazer
Mas já chorei em actuação
Uso roupas coloridas
Cabeleiras divertidas
Sapatolas muito giras
E a criançada até delira
O que faço é por paixão
Encho a alma de emoção
Mas em nada sou diferente
De ti, de ti, ou de ti
Fico triste quando me olham
Como se fosse um demente
Ser palhaço é uma profissão
Como a tua, a tua e a tua
Nas minhas veias?
Também corre sangue quente
Sou palhaço faço rir e farei sempre
Ainda que de dor o meu peito
Muitas vezes quase rebente.


Helena Santos

segunda-feira, 9 de maio de 2016

FUI ANDUA

Fui Andua colorida
Voei com arte e esplendor
Fiz vibrar um terno coração
E até pipilei canções de amor

Eram serenatas sem fim
Quanta magia no nosso castelo
Ninguém percebia como nos amávamos
Como nos tínhamos, dia sim, dia sim
Mas veio a Catatua disfarçada de anjo
E nas suas asas sinistras cor de lua
Trouxera a maldição, a separação
Própria de quem não tem coração
As minhas penas ficaram baças
O meu pipilar perdeu o vigor
E para quê acrobacias no ar
Se perdera o meu amor?

Helena Santos

sexta-feira, 6 de maio de 2016

RECOMEÇOS

A vida é feita de recomeços. Tempos houve em que me sentia apreensiva a cada recomeço. Há tantas formas de recomeçar… Mas cheguei à conclusão que cada recomeço é um marco para um novo episódio de vida. Pode não ser o que idealizei, mas tenho sempre na minha mão a oportunidade de mudar. Comparo cada recomeço a um banho de mar, em pleno Verão. Refrescante, revigorante, até o sol me aquecer novamente e o calor me sufocar, ou não. Tudo depende da minha sensibilidade e vulnerabilidade, ao me expor. Mas viver é estar exposto à dança de múltiplos raios de sol, só resta sabermos usufruir, sem perder um único passo, que nos tire a magia e o prazer de dançar, apesar dos riscos.

Helena Santos

segunda-feira, 2 de maio de 2016

ESCOLHAS

Vi-te sentado no mesmo jardim, no mesmo banco, onde esperei por ti uma eternidade e não apareceste. Outro amor tinhas encontrado, eu nada sabia …confirmaste um dia. Trazias vestido o sorriso favorito que roubaste de mim, mas estava apagado, precisava ser alimentado. O perfume que o vento me trazia, tinha o aroma do que te tinha oferecido num dia especial e que parecia não ter fim, mas já não te inebriava, perdera a essência…. Ouvias a música que um dia te dediquei, era nossa, única e por ela te apaixonaste, mas no momento não te envolvia porque a letra já não entendias. Os teus olhos estavam baços, tristes, como quando brigávamos por futilidades. Olhavas à tua volta, mas nada vias, estavas distante, perdido num horizonte inconstante. Para além de mim, tudo tiveste. Excluíste-me e assim ficaste com tudo o que te fazia feliz, achaste. Ali, a olhar-te, perguntava-me o que te faltaria para atingires a felicidade desejada, se tudo tinhas, nada te faltava e era eu que te atrapalhava e nem sequer te amava…tantas vezes afirmaste. Será que de mim nunca te esqueceste e do que fizeste te arrependeste? Tudo em ti era eu, só que, sem luz, sem cor, sem brilho, nem alegria…mas indiscutivelmente EU. Que aconteceu? Será que o amor perfeito que dizias ser do peito, por outra que nem conheço, de repente se desvaneceu, ou simplesmente nunca existiu? Partidas do coração, alimentadas pela ilusão da perfeição. Olhava para ti e via-me no sorriso, na música, no perfume… Tinhas tudo, mas nada tinhas, apenas o vazio, porque a substancia, a vida, estavam comigo, estavam em mim. Todo tu, eras eu, do princípio ao fim. Coincidência, o mesmo banco, o mesmo jardim? Claro que não. A lei do retorno, sim, não há outra explicação. Sem ti não sou, nem tu és sem mim. Será que chegaste a essa conclusão? Ainda assim, penso que não. E como a fila anda e a vida raramente é branda, depois de algum tempo de contemplação, decidi segui o meu destino e ouvi o bater de aprovação do meu coração. Tinha chegado a hora de mudar de direcção!

Helena Santos

domingo, 1 de maio de 2016

PAPOILAS

Amarelas, brancas
Laranjas, roxas
Azuis e outras
Selvagens e belas
Mas espalhando charme
Como centelha
Só mesmo as vermelhas
Abrilhantam campos
Extensões sem fim
Não gostam de estar sós
Quando por elas passo
Sorriem para mim
Vaidosas
Bem vestidas e penteadas
Mas não usam maquilhagem
Exibem a beleza campestre
Adoram andar descalças
A sentir a terra, a sua essência
Exalam um perfume embriagador
São sedutoras e apaixonadas
E tudo fazem por amor
Sabendo que são cobiçadas
E até invejadas
Não deixam de pintar paisagens
De vida, harmonia e emoções
Porque sabem que só de afectos
Se embelezam corações!


Helena Santos

terça-feira, 19 de abril de 2016

CERTEZA NAS INCERTEZAS

A vida é tão incerta
Que são poucas as certezas
Que habitam o mundo
Em que me balanço
São imensas dúvidas
A corroerem o meu sono
E mares de medos
A afogarem os meus sonhos
Como será? O que será? Quando será?
Mas nas ínfimas certezas
Que não chegam a transbordar
Da minha mão
Há uma que se realça, com clareza
Já não há vagas no meu coração
O amor encheu-o com bolas de sabão
Coloridas com alegria e emoção
O amor provoca dor?
Sim, mas depende do que se alimenta
O meu é sustentado com sorrisos
Serenidade, esperança e compreensão
A porta continua aberta
Sem perigo da tentação de substituição
Convidei-o a entrar, em mim se instalou
E por cá ficou
E para sempre ficará
Uma das poucas certezas
No meio das tantas incertezas
O amor que me chegou um dia
Embrulhado num verso inacabado
Afinal fazia magia
E transformou a minha vida
Numa melodiosa poesia
Lugar para o amor no meu coração?
Existia um mas há muito está ocupado!


Helena Santos

segunda-feira, 18 de abril de 2016

GANHEI O CÉU

Há dias que acabam
Em noites de magia
Vestidos de pijama
Com flores de alegria
A felicidade existe
E alimenta-se de pouco
Basta estarmos atentos
No que nos é dado
A cada momento
E não no que vemos passar
Nas asas do vento
Doces palavras, versos, poemas
Ou até dilemas
Tristezas ou incertezas
Em tudo há amor
Só varia na forma
Pode ser de deleite ou dor
O meu dia anoiteceu grávido de euforia
E vestiu o seu pijama
Com uma gerbera de cor laranja
No lado esquerdo da alma
A flor é linda
E é a cor da vida, do amor e do perdão
Ainda que seja apenas fantasia
Mas se alguém me leu
Mesmo vendo que não respondeu
O seu tempo e atenção ofereceu
É sinal que me tem no coração
E é motivo para festejar, agradecer
Sentir que nada se perdeu
E que mantenho o meu lugar no céu!


Helena Santos

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ABRAÇOS OCOS

Eram enormes os braços que me enlaçavam. Os teus sorrisos rasgados, nunca me faltaram. Era a Estrela Maior do teu Céu, houvesse alguém a contrariar. Uma confiança inviolável existia entre nós, como deve ser entre amigos. A tua vida nas minhas mãos, a minha vida nas tuas, pois então. Mas se a tal da amizade não for bem cimentada, não resiste às dúvidas, intrigas, maldade, falta de carácter e cobardia. E como a vida sempre nos dá boas lições, enviou um temporal que serviu de teste às ilusões. A Confiança foi atingida com uma paulada e não resistiu aos ferimentos. Recorrendo à Amizade para possível esclarecimento, recusou-me qualquer contacto, qualquer entendimento. Apenas fui culpada, julgada e condenada, sem direito a defesa. Apenas, disse eu. Vi-me sozinha perdida num mundo de interrogações, gritando com indignação aos quatro ventos, mas ninguém me respondeu. Absorta no meu desespero, ouvi um gargalhar que me soou a diversão. Com os olhos turvos avistei um Burro que se rebolava no chão de tanto gargalhar, parando de vez em quando para olhar para mim, sorrindo. Por momentos esqueci-me da raiva e fixei-me naquela figura que ousava rir-se do meu chorar, com tanta descontracção. Foi-se aproximando com ar ternurento e de repente vejo-me a sentir uma simpatia por um animal que sempre achei estranho, mas que afinal tinha uma beleza muito própria e uma doçura sem igual. Sentou-se à minha frente, lambeu-me as lágrimas e disse:
“Mais burros que os de 4 patas, são os de 2 patas que acreditam em contos de fadas. A amizade precisa de uma raiz profunda e saudável. Só assim saberemos que quando der frutos serão bons e que por mais forte que sejam os vendavais nunca a arrancarão da terra. Tudo o que nasce e cresce demasiado rápido e bonito, não tem qualidade, não tem consistência e morre ao primeiro abanão porque a beleza não alimenta corações. Estavas certa dos teus sentimentos, mas infelizmente não correspondidos. Alguém precisou fazer-te acreditar que sim, enquanto serviste para um fim.”
Ouvi sem perder uma única palavra e no final, nada consegui balbuciar. Tudo tem uma razão de ser. Umas vemos, outras só olhamos…e acabamos por nos perder! Mas nem tudo foi mau, ou perdas. Ganhei um novo amigo, daqueles que fazem questão de nos ter no seu peito e por mais forte que seja o vendaval, dele nada consegue arrancar e ainda nos enche de boa disposição….o Burro Gozão, mas com grande coração.


Helena Santos.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

COMO ACONTECEU…

Um dia irei escrever
Como tudo aconteceu
Como te tornaste o meu Rei
E como o meu amor nasceu

Não esperei que me arrebatasses
É só um convite, pensei eu, nada mais
O que não sabia, nem sonhava
É que viveria momentos tão irreais
Criamos um céu apenas diferente
Pintado com sorrisos cativantes
Era tanta a felicidade que nos envolvia
Que quem disser o contrário, mente
Mas o vento de repente mudou
Disseste que a ti já não servia
Esqueceste tudo o que sentias
E num ápice o céu se desmoronou
Espero a visita do alegre Beija-Flor
Com uma melodia, especial para mim
E que não se espante com a minha tristeza
Se era amor, como pôde ter fim?

Helena Santos

domingo, 3 de abril de 2016

NADA É ETERNO

Devolveste-me a Primavera da Vida
Coloriste os meus dias
em tons de ternura
Perfumaste-me as mãos
com aromas amorangados
Cantaste-me o amor
em doces melodias
que sabias tornarem
momentos tristes em alegrias
Deste-me a beber esperança fresca
que brotava da tua alma
E com abraços impermeáveis
protegeste-me de chuvas traiçoeiras
Com a delicadeza das flores
beijaste um céu só teu
que te cobria de estrelas adocicadas
mesmo antes do sol
cumprimentar a amiga lua
Tudo se deu, muito se recebeu
naquele paraíso encantado
feito à medida de um amor
que mais ninguém percebeu
Mas tudo se desvaneceu
quando um bicho te mordeu
e com o veneno te venceu
Com o Tu infetado, o Eu enfraqueceu
e o Nós não sobreviveu
A Primavera oferecida
transformou-se num Inverno
gelado e sombrio
embrulhada num poema inacabado
fechada numa gaveta mofada e esquecida!


Helena Santos

quinta-feira, 31 de março de 2016

CANÇÃO DO VENTO

Ouvi passos, delicados, suaves
Passos assim, só os teus
Esperei que a porta se abrisse
Mas isso não aconteceu
De repente, só o silêncio se moveu
Sonhar, não sonhei
Mas certamente imaginei
Ou melhor, desejei
As saudades criam asas
E levam a mente a perder-se
Não podias ser tu, eu sei
Pela hora tardia
Tanto que a Lua já dormia
Talvez fosse só presságio
De que até mim virias
No novo dia que emergia
Acariciada pela esperança
O vento cantou para mim
E adormeci, por fim!


Helena santos

sábado, 19 de março de 2016

DOCES RECORDAÇÕES

Estavas ali à minha frente e parecias um sol. Toda eu tremi quando te vi. Não desejaria estar noutro lugar, nem com outra pessoa, naquele momento e a única coisa que me era permitido era olhar-te. Depois de algumas palavras embrulhadas em timidez, decidimos mudar de cenário. Seguimos a melodia que vinha do mar e a distância foi conquistada sem que me apercebesse. Sentia-me nas nuvens. Sempre tiveste um enorme poder sobre mim, mesmo antes de ter a oportunidade de ver o mel dos teus olhos. Mas tinha chegado o dia e eras tudo como tinha pintado na tela da minha imaginação. Não sei qual de nós escolheu aquele pedaço de céu junto ao mar, mas quando me dei conta, já lá estávamos a apreciar as flores da arriba que sorriam para nós e a contemplar aquele imenso mar que nos recebeu de sorriso rasgado. Tínhamos também as gaivotas, cúmplices de algo que se adivinhava acabaria em brinde de espuma de prazer. Lembro-me que as palavras eram poucas e desnecessárias, confesso. Os meios de comunicação por nós adoptados, eram bem mais atractivos e condizentes com o momento vivido. Falávamos com gestos subtis e expressões do olhar, deliciosamente envolventes. E o momento era de tal forma mágico que quando menos esperei, roubaste-me um beijo. Lembras-te? O efeito electrizante apoderou-se de tal forma dos nossos sentidos, que instintivamente demos as mãos e procuramos outros braços que nos quisessem acolher com um horizonte só nosso. E encontrámos. O mesmo mar, o mesmo sol, mas ondas diferentes. E como navegamos… Ali não precisaste roubar fosse o que fosse, já sabias que tudo o que tinha seria teu, naquele dia e nos que se seguissem. Foi tanto o que se deu e recebeu naquela gota de tempo que a vida nos concedeu, que ficou para sempre tatuado no corpo e na alma e por mais ondas que venham, nenhuma terá a força para apagar ou arrastar o que ali se viveu. Testemunhas? O sol, o mar e o amor que não morreu e ainda hoje por ti clama, porque não te esqueceu. Foi um sonho meu, ou será que esse dia aconteceu?

Helena Santos

terça-feira, 15 de março de 2016

SOU ASSIM!

Arrogante, dizem
Mas confundem
Arrogância com frontalidade
A franqueza é mal interpretada
Mas com isso não me ralo nada
Não gosto de cinzento
Aprecio o branco e o preto
Detesto o talvez
Mas entendo-me com o sim e o não
A simpatia não invento
Não sou de mas, nem meio mas
Sou dona de um sorriso franco
Que por prazer ostento
Sou fã da clareza, firmeza
Não consumo indecisão, manipulação
Ainda assim
Sou mais coração, menos razão
Não finjo sentimento, emoção
Ou me amam
Ou me odeiam
Não têm outra opção!


Helena Santos

segunda-feira, 14 de março de 2016

PRECISEI REINVENTAR-ME

Tanto podia escrever sobre sofrimento, dor, desilusão, injustiça, vingança e até ingratidão. Mas pergunto: para quê? Se o fizesse choraria até ficar com os olhos inchados como se duas abelhas os tivessem beijado; ofereceria um bilhete só de vinda às rugas e uma estadia vitalícia à depressão.
Mas não deixo que nada me faça perder a razão, sou mais que uma mera insatisfação. E desilusão, quem não teve uma entre mãos? É sempre melhor enaltecermos a alegria e agradecermos à vida, cada dia, ainda que não tenha o perfume desejado. Sentimentos positivos alimentam a nossa alma, dão-nos energia e beleza e isso espelha-se no nosso rosto, no brilho do nosso olhar. Na minha já longa caminhada neste paraíso único de incertezas, todas as coisas más com que fui premiada, tinham um lado colorido, por menor que fosse. Mas ressentimentos que me acompanhavam, não me deram espaço para discernimento e dificultaram-me o desfrute. Tudo que nos é oferecido, tem uma utilidade. Hoje, com mais algumas páginas de vida escritas, vejo tudo com olhos de compreensão, harmonia, tolerância e perdão. O tempo é muito frágil, precisa de todo o carinho e atenção e não o posso melindrar a lamentar da vida ou a odiar quem por alguma razão, não se deu oportunidade de me conhecer, entender ou amar. Mas eu amo incondicionalmente e só se dá valor à luz, depois de se viver na escuridão. As únicas armas que possuo, são a paciência, o sorriso, o amor e como grande aliado…o Tempo.
Se vivo num mar de rosas? Sim, inventado por mim, onde a dor provocada pelos espinhos é minimizada pela maciez e perfume das pétalas. Como as mantenho saudáveis e vistosas? Regando-as com fé, esperança e principalmente muito amor e confiança, em cada dia que me é dado viver.


Helena Santos

quinta-feira, 10 de março de 2016

PIU, PIU

Piu, Piu foi melodia no tempo
Ilusão levada pelo vento
Breve encontro de sentimentos
Mas criou raiz no meu pensamento!


Helena Santos

quarta-feira, 2 de março de 2016

AINDA NÃO É!

Ainda não é Primavera
Mas já cheira
Os pássaros já chegaram
Desfizeram as malas
E com a azáfama
Não há horas de descanso
Acordam de madrugada
Eu reclamo, mas…
Já estamos de volta,
Respondem do alto de um ramo
O sol acompanha-os na melodia matinal
A sinfonia está bem orquestrada
De olhos fechados
Por momentos, embalo no som
Que a Natureza me oferece
Mas não resisto
Abro a janela e lá estão:
O sol a salpicar de cor os canteiros
Com o seu melhor sorriso
As rosas de tão animadas
Dançam e não pensam em mais nada
Os lírios roxos abraçam-se aos brancos
Em perfeita harmonia
Há dias de muita alegria no meu quintal
A passarada canta e encanta
As caracoletas no seu passo controlado
Desfilam e fazem piruetas, maravilhadas
Todos querem participar
Até as aranhas enfeitam as árvores
Com as suas lindas teias prateadas
Os patudos olham-se e perguntam-se:
O que se está a passar?
Mas decidem entrar na confusão
Não querem perder a diversão.
Toc, toc, toc...batem à porta
Ainda não é a Primavera
Mas está mesmo, mesmo a chegar!


Helena Santos

sábado, 27 de fevereiro de 2016

MOMENTO ESPERADO

Temos um encontro marcado
Não sei onde, nem quando
Mas temos…
Só sei o motivo, ambos sabemos
Dizem que o tempo não espera e arrasta a vida
Acredito…
Mas eu espero e não me exaspero
Cada dia é uma gota a encher o oceano da esperança
Por ti irei até ao infinito…
Sei que o dia chegará e será tão bonito
A minha boca parirá estrelas para te receber
O tempo não apaga o que foi esculpido com delicadeza
Até consigo entender…
Como me enleva a saudade do amargo e do doce
Estranho? Nem tanto, ambos fazem parte da ementa da vida
E é a harmonia que dá mais paladar aos dias que temos para folhear
O livro das nossas memórias…
O segredo é saber tirar prazer de cada rasgo de vento sedutor
Mas quando nos encontrarmos, juntaremos os nossos sabores
E certamente que faremos história porque será uma vitória
Sobre a mágoa, sobre a dor…
O Tempo não tem tempo e varre o tempo por onde passa
Mas o meu tempo guardo-o na minha mão e não há nada que faça
Com que dele me desfaça…
Preciso preservar o tempo, que o Tempo me dá
Até à chegada do meu amor!


Helena Santos