sexta-feira, 13 de maio de 2016

NOITE COMO BREU

A Noite desceu negra e triste
O vento louco serpenteava
Carregando nuvens em depressão
E as estrelas receosas
Ficaram em casa abrigadas
E a lua de nada valeu
A Noite escura como breu
Chorou porque sentiu-se abandonada
Sem a luz que a embelezava
Em piscares mágicos e cintilantes
Mas o vento que afinal era amistoso
Enterneceu-se com a Noite amargurada
E decidiu suspender o espectáculo
Permitindo às estrelas assustadas
Saírem animadas e pintalgarem o céu
De purpurinas prateadas
Surpreendendo a Noite que encantada
Dançou até à chegada da alvorada.


Helena Santos

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PALHAÇO

Sou palhaço sorridente
E gente que também sente
Faço rir e dá-me prazer
Mas já chorei em actuação
Uso roupas coloridas
Cabeleiras divertidas
Sapatolas muito giras
E a criançada até delira
O que faço é por paixão
Encho a alma de emoção
Mas em nada sou diferente
De ti, de ti, ou de ti
Fico triste quando me olham
Como se fosse um demente
Ser palhaço é uma profissão
Como a tua, a tua e a tua
Nas minhas veias?
Também corre sangue quente
Sou palhaço faço rir e farei sempre
Ainda que de dor o meu peito
Muitas vezes quase rebente.


Helena Santos

segunda-feira, 9 de maio de 2016

FUI ANDUA

Fui Andua colorida
Voei com arte e esplendor
Fiz vibrar um terno coração
E até pipilei canções de amor

Eram serenatas sem fim
Quanta magia no nosso castelo
Ninguém percebia como nos amávamos
Como nos tínhamos, dia sim, dia sim
Mas veio a Catatua disfarçada de anjo
E nas suas asas sinistras cor de lua
Trouxera a maldição, a separação
Própria de quem não tem coração
As minhas penas ficaram baças
O meu pipilar perdeu o vigor
E para quê acrobacias no ar
Se perdera o meu amor?

Helena Santos

sexta-feira, 6 de maio de 2016

RECOMEÇOS

A vida é feita de recomeços. Tempos houve em que me sentia apreensiva a cada recomeço. Há tantas formas de recomeçar… Mas cheguei à conclusão que cada recomeço é um marco para um novo episódio de vida. Pode não ser o que idealizei, mas tenho sempre na minha mão a oportunidade de mudar. Comparo cada recomeço a um banho de mar, em pleno Verão. Refrescante, revigorante, até o sol me aquecer novamente e o calor me sufocar, ou não. Tudo depende da minha sensibilidade e vulnerabilidade, ao me expor. Mas viver é estar exposto à dança de múltiplos raios de sol, só resta sabermos usufruir, sem perder um único passo, que nos tire a magia e o prazer de dançar, apesar dos riscos.

Helena Santos

segunda-feira, 2 de maio de 2016

ESCOLHAS

Vi-te sentado no mesmo jardim, no mesmo banco, onde esperei por ti uma eternidade e não apareceste. Outro amor tinhas encontrado, eu nada sabia …confirmaste um dia. Trazias vestido o sorriso favorito que roubaste de mim, mas estava apagado, precisava ser alimentado. O perfume que o vento me trazia, tinha o aroma do que te tinha oferecido num dia especial e que parecia não ter fim, mas já não te inebriava, perdera a essência…. Ouvias a música que um dia te dediquei, era nossa, única e por ela te apaixonaste, mas no momento não te envolvia porque a letra já não entendias. Os teus olhos estavam baços, tristes, como quando brigávamos por futilidades. Olhavas à tua volta, mas nada vias, estavas distante, perdido num horizonte inconstante. Para além de mim, tudo tiveste. Excluíste-me e assim ficaste com tudo o que te fazia feliz, achaste. Ali, a olhar-te, perguntava-me o que te faltaria para atingires a felicidade desejada, se tudo tinhas, nada te faltava e era eu que te atrapalhava e nem sequer te amava…tantas vezes afirmaste. Será que de mim nunca te esqueceste e do que fizeste te arrependeste? Tudo em ti era eu, só que, sem luz, sem cor, sem brilho, nem alegria…mas indiscutivelmente EU. Que aconteceu? Será que o amor perfeito que dizias ser do peito, por outra que nem conheço, de repente se desvaneceu, ou simplesmente nunca existiu? Partidas do coração, alimentadas pela ilusão da perfeição. Olhava para ti e via-me no sorriso, na música, no perfume… Tinhas tudo, mas nada tinhas, apenas o vazio, porque a substancia, a vida, estavam comigo, estavam em mim. Todo tu, eras eu, do princípio ao fim. Coincidência, o mesmo banco, o mesmo jardim? Claro que não. A lei do retorno, sim, não há outra explicação. Sem ti não sou, nem tu és sem mim. Será que chegaste a essa conclusão? Ainda assim, penso que não. E como a fila anda e a vida raramente é branda, depois de algum tempo de contemplação, decidi segui o meu destino e ouvi o bater de aprovação do meu coração. Tinha chegado a hora de mudar de direcção!

Helena Santos

domingo, 1 de maio de 2016

PAPOILAS

Amarelas, brancas
Laranjas, roxas
Azuis e outras
Selvagens e belas
Mas espalhando charme
Como centelha
Só mesmo as vermelhas
Abrilhantam campos
Extensões sem fim
Não gostam de estar sós
Quando por elas passo
Sorriem para mim
Vaidosas
Bem vestidas e penteadas
Mas não usam maquilhagem
Exibem a beleza campestre
Adoram andar descalças
A sentir a terra, a sua essência
Exalam um perfume embriagador
São sedutoras e apaixonadas
E tudo fazem por amor
Sabendo que são cobiçadas
E até invejadas
Não deixam de pintar paisagens
De vida, harmonia e emoções
Porque sabem que só de afectos
Se embelezam corações!


Helena Santos