segunda-feira, 9 de maio de 2016

FUI ANDUA

Fui Andua colorida
Voei com arte e esplendor
Fiz vibrar um terno coração
E até pipilei canções de amor

Eram serenatas sem fim
Quanta magia no nosso castelo
Ninguém percebia como nos amávamos
Como nos tínhamos, dia sim, dia sim
Mas veio a Catatua disfarçada de anjo
E nas suas asas sinistras cor de lua
Trouxera a maldição, a separação
Própria de quem não tem coração
As minhas penas ficaram baças
O meu pipilar perdeu o vigor
E para quê acrobacias no ar
Se perdera o meu amor?

Helena Santos

sexta-feira, 6 de maio de 2016

RECOMEÇOS

A vida é feita de recomeços. Tempos houve em que me sentia apreensiva a cada recomeço. Há tantas formas de recomeçar… Mas cheguei à conclusão que cada recomeço é um marco para um novo episódio de vida. Pode não ser o que idealizei, mas tenho sempre na minha mão a oportunidade de mudar. Comparo cada recomeço a um banho de mar, em pleno Verão. Refrescante, revigorante, até o sol me aquecer novamente e o calor me sufocar, ou não. Tudo depende da minha sensibilidade e vulnerabilidade, ao me expor. Mas viver é estar exposto à dança de múltiplos raios de sol, só resta sabermos usufruir, sem perder um único passo, que nos tire a magia e o prazer de dançar, apesar dos riscos.

Helena Santos

segunda-feira, 2 de maio de 2016

ESCOLHAS

Vi-te sentado no mesmo jardim, no mesmo banco, onde esperei por ti uma eternidade e não apareceste. Outro amor tinhas encontrado, eu nada sabia …confirmaste um dia. Trazias vestido o sorriso favorito que roubaste de mim, mas estava apagado, precisava ser alimentado. O perfume que o vento me trazia, tinha o aroma do que te tinha oferecido num dia especial e que parecia não ter fim, mas já não te inebriava, perdera a essência…. Ouvias a música que um dia te dediquei, era nossa, única e por ela te apaixonaste, mas no momento não te envolvia porque a letra já não entendias. Os teus olhos estavam baços, tristes, como quando brigávamos por futilidades. Olhavas à tua volta, mas nada vias, estavas distante, perdido num horizonte inconstante. Para além de mim, tudo tiveste. Excluíste-me e assim ficaste com tudo o que te fazia feliz, achaste. Ali, a olhar-te, perguntava-me o que te faltaria para atingires a felicidade desejada, se tudo tinhas, nada te faltava e era eu que te atrapalhava e nem sequer te amava…tantas vezes afirmaste. Será que de mim nunca te esqueceste e do que fizeste te arrependeste? Tudo em ti era eu, só que, sem luz, sem cor, sem brilho, nem alegria…mas indiscutivelmente EU. Que aconteceu? Será que o amor perfeito que dizias ser do peito, por outra que nem conheço, de repente se desvaneceu, ou simplesmente nunca existiu? Partidas do coração, alimentadas pela ilusão da perfeição. Olhava para ti e via-me no sorriso, na música, no perfume… Tinhas tudo, mas nada tinhas, apenas o vazio, porque a substancia, a vida, estavam comigo, estavam em mim. Todo tu, eras eu, do princípio ao fim. Coincidência, o mesmo banco, o mesmo jardim? Claro que não. A lei do retorno, sim, não há outra explicação. Sem ti não sou, nem tu és sem mim. Será que chegaste a essa conclusão? Ainda assim, penso que não. E como a fila anda e a vida raramente é branda, depois de algum tempo de contemplação, decidi segui o meu destino e ouvi o bater de aprovação do meu coração. Tinha chegado a hora de mudar de direcção!

Helena Santos

domingo, 1 de maio de 2016

PAPOILAS

Amarelas, brancas
Laranjas, roxas
Azuis e outras
Selvagens e belas
Mas espalhando charme
Como centelha
Só mesmo as vermelhas
Abrilhantam campos
Extensões sem fim
Não gostam de estar sós
Quando por elas passo
Sorriem para mim
Vaidosas
Bem vestidas e penteadas
Mas não usam maquilhagem
Exibem a beleza campestre
Adoram andar descalças
A sentir a terra, a sua essência
Exalam um perfume embriagador
São sedutoras e apaixonadas
E tudo fazem por amor
Sabendo que são cobiçadas
E até invejadas
Não deixam de pintar paisagens
De vida, harmonia e emoções
Porque sabem que só de afectos
Se embelezam corações!


Helena Santos

terça-feira, 19 de abril de 2016

CERTEZA NAS INCERTEZAS

A vida é tão incerta
Que são poucas as certezas
Que habitam o mundo
Em que me balanço
São imensas dúvidas
A corroerem o meu sono
E mares de medos
A afogarem os meus sonhos
Como será? O que será? Quando será?
Mas nas ínfimas certezas
Que não chegam a transbordar
Da minha mão
Há uma que se realça, com clareza
Já não há vagas no meu coração
O amor encheu-o com bolas de sabão
Coloridas com alegria e emoção
O amor provoca dor?
Sim, mas depende do que se alimenta
O meu é sustentado com sorrisos
Serenidade, esperança e compreensão
A porta continua aberta
Sem perigo da tentação de substituição
Convidei-o a entrar, em mim se instalou
E por cá ficou
E para sempre ficará
Uma das poucas certezas
No meio das tantas incertezas
O amor que me chegou um dia
Embrulhado num verso inacabado
Afinal fazia magia
E transformou a minha vida
Numa melodiosa poesia
Lugar para o amor no meu coração?
Existia um mas há muito está ocupado!


Helena Santos

segunda-feira, 18 de abril de 2016

GANHEI O CÉU

Há dias que acabam
Em noites de magia
Vestidos de pijama
Com flores de alegria
A felicidade existe
E alimenta-se de pouco
Basta estarmos atentos
No que nos é dado
A cada momento
E não no que vemos passar
Nas asas do vento
Doces palavras, versos, poemas
Ou até dilemas
Tristezas ou incertezas
Em tudo há amor
Só varia na forma
Pode ser de deleite ou dor
O meu dia anoiteceu grávido de euforia
E vestiu o seu pijama
Com uma gerbera de cor laranja
No lado esquerdo da alma
A flor é linda
E é a cor da vida, do amor e do perdão
Ainda que seja apenas fantasia
Mas se alguém me leu
Mesmo vendo que não respondeu
O seu tempo e atenção ofereceu
É sinal que me tem no coração
E é motivo para festejar, agradecer
Sentir que nada se perdeu
E que mantenho o meu lugar no céu!


Helena Santos