ESCOLHAS
Vi-te sentado no mesmo jardim, no mesmo banco, onde
esperei por ti uma eternidade e não apareceste. Outro amor tinhas
encontrado, eu nada sabia …confirmaste um dia. Trazias vestido o sorriso
favorito que roubaste de mim, mas estava apagado, precisava ser
alimentado. O perfume que o vento me trazia, tinha o aroma do que te
tinha oferecido num dia especial e que parecia não ter fim, mas já não
te inebriava, perdera a essência…. Ouvias a música que um dia te
dediquei, era nossa, única e por ela te
apaixonaste, mas no momento não te envolvia porque a letra já não
entendias. Os teus olhos estavam baços, tristes, como quando brigávamos
por futilidades. Olhavas à tua volta, mas nada vias, estavas distante,
perdido num horizonte inconstante. Para além de mim, tudo tiveste.
Excluíste-me e assim ficaste com tudo o que te fazia feliz, achaste.
Ali, a olhar-te, perguntava-me o que te faltaria para atingires a
felicidade desejada, se tudo tinhas, nada te faltava e era eu que te
atrapalhava e nem sequer te amava…tantas vezes afirmaste. Será que de
mim nunca te esqueceste e do que fizeste te arrependeste? Tudo em ti era
eu, só que, sem luz, sem cor, sem brilho, nem alegria…mas
indiscutivelmente EU. Que aconteceu? Será que o amor perfeito que dizias
ser do peito, por outra que nem conheço, de repente se desvaneceu, ou
simplesmente nunca existiu? Partidas do coração, alimentadas pela ilusão
da perfeição. Olhava para ti e via-me no sorriso, na música, no
perfume… Tinhas tudo, mas nada tinhas, apenas o vazio, porque a
substancia, a vida, estavam comigo, estavam em mim. Todo tu, eras eu, do
princípio ao fim. Coincidência, o mesmo banco, o mesmo jardim? Claro
que não. A lei do retorno, sim, não há outra explicação. Sem ti não sou,
nem tu és sem mim. Será que chegaste a essa conclusão? Ainda assim,
penso que não. E como a fila anda e a vida raramente é branda, depois de
algum tempo de contemplação, decidi segui o meu destino e ouvi o bater
de aprovação do meu coração. Tinha chegado a hora de mudar de direcção!
Helena Santos