segunda-feira, 18 de abril de 2016

GANHEI O CÉU

Há dias que acabam
Em noites de magia
Vestidos de pijama
Com flores de alegria
A felicidade existe
E alimenta-se de pouco
Basta estarmos atentos
No que nos é dado
A cada momento
E não no que vemos passar
Nas asas do vento
Doces palavras, versos, poemas
Ou até dilemas
Tristezas ou incertezas
Em tudo há amor
Só varia na forma
Pode ser de deleite ou dor
O meu dia anoiteceu grávido de euforia
E vestiu o seu pijama
Com uma gerbera de cor laranja
No lado esquerdo da alma
A flor é linda
E é a cor da vida, do amor e do perdão
Ainda que seja apenas fantasia
Mas se alguém me leu
Mesmo vendo que não respondeu
O seu tempo e atenção ofereceu
É sinal que me tem no coração
E é motivo para festejar, agradecer
Sentir que nada se perdeu
E que mantenho o meu lugar no céu!


Helena Santos

quinta-feira, 14 de abril de 2016

ABRAÇOS OCOS

Eram enormes os braços que me enlaçavam. Os teus sorrisos rasgados, nunca me faltaram. Era a Estrela Maior do teu Céu, houvesse alguém a contrariar. Uma confiança inviolável existia entre nós, como deve ser entre amigos. A tua vida nas minhas mãos, a minha vida nas tuas, pois então. Mas se a tal da amizade não for bem cimentada, não resiste às dúvidas, intrigas, maldade, falta de carácter e cobardia. E como a vida sempre nos dá boas lições, enviou um temporal que serviu de teste às ilusões. A Confiança foi atingida com uma paulada e não resistiu aos ferimentos. Recorrendo à Amizade para possível esclarecimento, recusou-me qualquer contacto, qualquer entendimento. Apenas fui culpada, julgada e condenada, sem direito a defesa. Apenas, disse eu. Vi-me sozinha perdida num mundo de interrogações, gritando com indignação aos quatro ventos, mas ninguém me respondeu. Absorta no meu desespero, ouvi um gargalhar que me soou a diversão. Com os olhos turvos avistei um Burro que se rebolava no chão de tanto gargalhar, parando de vez em quando para olhar para mim, sorrindo. Por momentos esqueci-me da raiva e fixei-me naquela figura que ousava rir-se do meu chorar, com tanta descontracção. Foi-se aproximando com ar ternurento e de repente vejo-me a sentir uma simpatia por um animal que sempre achei estranho, mas que afinal tinha uma beleza muito própria e uma doçura sem igual. Sentou-se à minha frente, lambeu-me as lágrimas e disse:
“Mais burros que os de 4 patas, são os de 2 patas que acreditam em contos de fadas. A amizade precisa de uma raiz profunda e saudável. Só assim saberemos que quando der frutos serão bons e que por mais forte que sejam os vendavais nunca a arrancarão da terra. Tudo o que nasce e cresce demasiado rápido e bonito, não tem qualidade, não tem consistência e morre ao primeiro abanão porque a beleza não alimenta corações. Estavas certa dos teus sentimentos, mas infelizmente não correspondidos. Alguém precisou fazer-te acreditar que sim, enquanto serviste para um fim.”
Ouvi sem perder uma única palavra e no final, nada consegui balbuciar. Tudo tem uma razão de ser. Umas vemos, outras só olhamos…e acabamos por nos perder! Mas nem tudo foi mau, ou perdas. Ganhei um novo amigo, daqueles que fazem questão de nos ter no seu peito e por mais forte que seja o vendaval, dele nada consegue arrancar e ainda nos enche de boa disposição….o Burro Gozão, mas com grande coração.


Helena Santos.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

COMO ACONTECEU…

Um dia irei escrever
Como tudo aconteceu
Como te tornaste o meu Rei
E como o meu amor nasceu

Não esperei que me arrebatasses
É só um convite, pensei eu, nada mais
O que não sabia, nem sonhava
É que viveria momentos tão irreais
Criamos um céu apenas diferente
Pintado com sorrisos cativantes
Era tanta a felicidade que nos envolvia
Que quem disser o contrário, mente
Mas o vento de repente mudou
Disseste que a ti já não servia
Esqueceste tudo o que sentias
E num ápice o céu se desmoronou
Espero a visita do alegre Beija-Flor
Com uma melodia, especial para mim
E que não se espante com a minha tristeza
Se era amor, como pôde ter fim?

Helena Santos

domingo, 3 de abril de 2016

NADA É ETERNO

Devolveste-me a Primavera da Vida
Coloriste os meus dias
em tons de ternura
Perfumaste-me as mãos
com aromas amorangados
Cantaste-me o amor
em doces melodias
que sabias tornarem
momentos tristes em alegrias
Deste-me a beber esperança fresca
que brotava da tua alma
E com abraços impermeáveis
protegeste-me de chuvas traiçoeiras
Com a delicadeza das flores
beijaste um céu só teu
que te cobria de estrelas adocicadas
mesmo antes do sol
cumprimentar a amiga lua
Tudo se deu, muito se recebeu
naquele paraíso encantado
feito à medida de um amor
que mais ninguém percebeu
Mas tudo se desvaneceu
quando um bicho te mordeu
e com o veneno te venceu
Com o Tu infetado, o Eu enfraqueceu
e o Nós não sobreviveu
A Primavera oferecida
transformou-se num Inverno
gelado e sombrio
embrulhada num poema inacabado
fechada numa gaveta mofada e esquecida!


Helena Santos

quinta-feira, 31 de março de 2016

CANÇÃO DO VENTO

Ouvi passos, delicados, suaves
Passos assim, só os teus
Esperei que a porta se abrisse
Mas isso não aconteceu
De repente, só o silêncio se moveu
Sonhar, não sonhei
Mas certamente imaginei
Ou melhor, desejei
As saudades criam asas
E levam a mente a perder-se
Não podias ser tu, eu sei
Pela hora tardia
Tanto que a Lua já dormia
Talvez fosse só presságio
De que até mim virias
No novo dia que emergia
Acariciada pela esperança
O vento cantou para mim
E adormeci, por fim!


Helena santos

sábado, 19 de março de 2016

DOCES RECORDAÇÕES

Estavas ali à minha frente e parecias um sol. Toda eu tremi quando te vi. Não desejaria estar noutro lugar, nem com outra pessoa, naquele momento e a única coisa que me era permitido era olhar-te. Depois de algumas palavras embrulhadas em timidez, decidimos mudar de cenário. Seguimos a melodia que vinha do mar e a distância foi conquistada sem que me apercebesse. Sentia-me nas nuvens. Sempre tiveste um enorme poder sobre mim, mesmo antes de ter a oportunidade de ver o mel dos teus olhos. Mas tinha chegado o dia e eras tudo como tinha pintado na tela da minha imaginação. Não sei qual de nós escolheu aquele pedaço de céu junto ao mar, mas quando me dei conta, já lá estávamos a apreciar as flores da arriba que sorriam para nós e a contemplar aquele imenso mar que nos recebeu de sorriso rasgado. Tínhamos também as gaivotas, cúmplices de algo que se adivinhava acabaria em brinde de espuma de prazer. Lembro-me que as palavras eram poucas e desnecessárias, confesso. Os meios de comunicação por nós adoptados, eram bem mais atractivos e condizentes com o momento vivido. Falávamos com gestos subtis e expressões do olhar, deliciosamente envolventes. E o momento era de tal forma mágico que quando menos esperei, roubaste-me um beijo. Lembras-te? O efeito electrizante apoderou-se de tal forma dos nossos sentidos, que instintivamente demos as mãos e procuramos outros braços que nos quisessem acolher com um horizonte só nosso. E encontrámos. O mesmo mar, o mesmo sol, mas ondas diferentes. E como navegamos… Ali não precisaste roubar fosse o que fosse, já sabias que tudo o que tinha seria teu, naquele dia e nos que se seguissem. Foi tanto o que se deu e recebeu naquela gota de tempo que a vida nos concedeu, que ficou para sempre tatuado no corpo e na alma e por mais ondas que venham, nenhuma terá a força para apagar ou arrastar o que ali se viveu. Testemunhas? O sol, o mar e o amor que não morreu e ainda hoje por ti clama, porque não te esqueceu. Foi um sonho meu, ou será que esse dia aconteceu?

Helena Santos