quarta-feira, 6 de abril de 2016

COMO ACONTECEU…

Um dia irei escrever
Como tudo aconteceu
Como te tornaste o meu Rei
E como o meu amor nasceu

Não esperei que me arrebatasses
É só um convite, pensei eu, nada mais
O que não sabia, nem sonhava
É que viveria momentos tão irreais
Criamos um céu apenas diferente
Pintado com sorrisos cativantes
Era tanta a felicidade que nos envolvia
Que quem disser o contrário, mente
Mas o vento de repente mudou
Disseste que a ti já não servia
Esqueceste tudo o que sentias
E num ápice o céu se desmoronou
Espero a visita do alegre Beija-Flor
Com uma melodia, especial para mim
E que não se espante com a minha tristeza
Se era amor, como pôde ter fim?

Helena Santos

domingo, 3 de abril de 2016

NADA É ETERNO

Devolveste-me a Primavera da Vida
Coloriste os meus dias
em tons de ternura
Perfumaste-me as mãos
com aromas amorangados
Cantaste-me o amor
em doces melodias
que sabias tornarem
momentos tristes em alegrias
Deste-me a beber esperança fresca
que brotava da tua alma
E com abraços impermeáveis
protegeste-me de chuvas traiçoeiras
Com a delicadeza das flores
beijaste um céu só teu
que te cobria de estrelas adocicadas
mesmo antes do sol
cumprimentar a amiga lua
Tudo se deu, muito se recebeu
naquele paraíso encantado
feito à medida de um amor
que mais ninguém percebeu
Mas tudo se desvaneceu
quando um bicho te mordeu
e com o veneno te venceu
Com o Tu infetado, o Eu enfraqueceu
e o Nós não sobreviveu
A Primavera oferecida
transformou-se num Inverno
gelado e sombrio
embrulhada num poema inacabado
fechada numa gaveta mofada e esquecida!


Helena Santos

quinta-feira, 31 de março de 2016

CANÇÃO DO VENTO

Ouvi passos, delicados, suaves
Passos assim, só os teus
Esperei que a porta se abrisse
Mas isso não aconteceu
De repente, só o silêncio se moveu
Sonhar, não sonhei
Mas certamente imaginei
Ou melhor, desejei
As saudades criam asas
E levam a mente a perder-se
Não podias ser tu, eu sei
Pela hora tardia
Tanto que a Lua já dormia
Talvez fosse só presságio
De que até mim virias
No novo dia que emergia
Acariciada pela esperança
O vento cantou para mim
E adormeci, por fim!


Helena santos

sábado, 19 de março de 2016

DOCES RECORDAÇÕES

Estavas ali à minha frente e parecias um sol. Toda eu tremi quando te vi. Não desejaria estar noutro lugar, nem com outra pessoa, naquele momento e a única coisa que me era permitido era olhar-te. Depois de algumas palavras embrulhadas em timidez, decidimos mudar de cenário. Seguimos a melodia que vinha do mar e a distância foi conquistada sem que me apercebesse. Sentia-me nas nuvens. Sempre tiveste um enorme poder sobre mim, mesmo antes de ter a oportunidade de ver o mel dos teus olhos. Mas tinha chegado o dia e eras tudo como tinha pintado na tela da minha imaginação. Não sei qual de nós escolheu aquele pedaço de céu junto ao mar, mas quando me dei conta, já lá estávamos a apreciar as flores da arriba que sorriam para nós e a contemplar aquele imenso mar que nos recebeu de sorriso rasgado. Tínhamos também as gaivotas, cúmplices de algo que se adivinhava acabaria em brinde de espuma de prazer. Lembro-me que as palavras eram poucas e desnecessárias, confesso. Os meios de comunicação por nós adoptados, eram bem mais atractivos e condizentes com o momento vivido. Falávamos com gestos subtis e expressões do olhar, deliciosamente envolventes. E o momento era de tal forma mágico que quando menos esperei, roubaste-me um beijo. Lembras-te? O efeito electrizante apoderou-se de tal forma dos nossos sentidos, que instintivamente demos as mãos e procuramos outros braços que nos quisessem acolher com um horizonte só nosso. E encontrámos. O mesmo mar, o mesmo sol, mas ondas diferentes. E como navegamos… Ali não precisaste roubar fosse o que fosse, já sabias que tudo o que tinha seria teu, naquele dia e nos que se seguissem. Foi tanto o que se deu e recebeu naquela gota de tempo que a vida nos concedeu, que ficou para sempre tatuado no corpo e na alma e por mais ondas que venham, nenhuma terá a força para apagar ou arrastar o que ali se viveu. Testemunhas? O sol, o mar e o amor que não morreu e ainda hoje por ti clama, porque não te esqueceu. Foi um sonho meu, ou será que esse dia aconteceu?

Helena Santos

terça-feira, 15 de março de 2016

SOU ASSIM!

Arrogante, dizem
Mas confundem
Arrogância com frontalidade
A franqueza é mal interpretada
Mas com isso não me ralo nada
Não gosto de cinzento
Aprecio o branco e o preto
Detesto o talvez
Mas entendo-me com o sim e o não
A simpatia não invento
Não sou de mas, nem meio mas
Sou dona de um sorriso franco
Que por prazer ostento
Sou fã da clareza, firmeza
Não consumo indecisão, manipulação
Ainda assim
Sou mais coração, menos razão
Não finjo sentimento, emoção
Ou me amam
Ou me odeiam
Não têm outra opção!


Helena Santos

segunda-feira, 14 de março de 2016

PRECISEI REINVENTAR-ME

Tanto podia escrever sobre sofrimento, dor, desilusão, injustiça, vingança e até ingratidão. Mas pergunto: para quê? Se o fizesse choraria até ficar com os olhos inchados como se duas abelhas os tivessem beijado; ofereceria um bilhete só de vinda às rugas e uma estadia vitalícia à depressão.
Mas não deixo que nada me faça perder a razão, sou mais que uma mera insatisfação. E desilusão, quem não teve uma entre mãos? É sempre melhor enaltecermos a alegria e agradecermos à vida, cada dia, ainda que não tenha o perfume desejado. Sentimentos positivos alimentam a nossa alma, dão-nos energia e beleza e isso espelha-se no nosso rosto, no brilho do nosso olhar. Na minha já longa caminhada neste paraíso único de incertezas, todas as coisas más com que fui premiada, tinham um lado colorido, por menor que fosse. Mas ressentimentos que me acompanhavam, não me deram espaço para discernimento e dificultaram-me o desfrute. Tudo que nos é oferecido, tem uma utilidade. Hoje, com mais algumas páginas de vida escritas, vejo tudo com olhos de compreensão, harmonia, tolerância e perdão. O tempo é muito frágil, precisa de todo o carinho e atenção e não o posso melindrar a lamentar da vida ou a odiar quem por alguma razão, não se deu oportunidade de me conhecer, entender ou amar. Mas eu amo incondicionalmente e só se dá valor à luz, depois de se viver na escuridão. As únicas armas que possuo, são a paciência, o sorriso, o amor e como grande aliado…o Tempo.
Se vivo num mar de rosas? Sim, inventado por mim, onde a dor provocada pelos espinhos é minimizada pela maciez e perfume das pétalas. Como as mantenho saudáveis e vistosas? Regando-as com fé, esperança e principalmente muito amor e confiança, em cada dia que me é dado viver.


Helena Santos