sábado, 19 de março de 2016

DOCES RECORDAÇÕES

Estavas ali à minha frente e parecias um sol. Toda eu tremi quando te vi. Não desejaria estar noutro lugar, nem com outra pessoa, naquele momento e a única coisa que me era permitido era olhar-te. Depois de algumas palavras embrulhadas em timidez, decidimos mudar de cenário. Seguimos a melodia que vinha do mar e a distância foi conquistada sem que me apercebesse. Sentia-me nas nuvens. Sempre tiveste um enorme poder sobre mim, mesmo antes de ter a oportunidade de ver o mel dos teus olhos. Mas tinha chegado o dia e eras tudo como tinha pintado na tela da minha imaginação. Não sei qual de nós escolheu aquele pedaço de céu junto ao mar, mas quando me dei conta, já lá estávamos a apreciar as flores da arriba que sorriam para nós e a contemplar aquele imenso mar que nos recebeu de sorriso rasgado. Tínhamos também as gaivotas, cúmplices de algo que se adivinhava acabaria em brinde de espuma de prazer. Lembro-me que as palavras eram poucas e desnecessárias, confesso. Os meios de comunicação por nós adoptados, eram bem mais atractivos e condizentes com o momento vivido. Falávamos com gestos subtis e expressões do olhar, deliciosamente envolventes. E o momento era de tal forma mágico que quando menos esperei, roubaste-me um beijo. Lembras-te? O efeito electrizante apoderou-se de tal forma dos nossos sentidos, que instintivamente demos as mãos e procuramos outros braços que nos quisessem acolher com um horizonte só nosso. E encontrámos. O mesmo mar, o mesmo sol, mas ondas diferentes. E como navegamos… Ali não precisaste roubar fosse o que fosse, já sabias que tudo o que tinha seria teu, naquele dia e nos que se seguissem. Foi tanto o que se deu e recebeu naquela gota de tempo que a vida nos concedeu, que ficou para sempre tatuado no corpo e na alma e por mais ondas que venham, nenhuma terá a força para apagar ou arrastar o que ali se viveu. Testemunhas? O sol, o mar e o amor que não morreu e ainda hoje por ti clama, porque não te esqueceu. Foi um sonho meu, ou será que esse dia aconteceu?

Helena Santos

terça-feira, 15 de março de 2016

SOU ASSIM!

Arrogante, dizem
Mas confundem
Arrogância com frontalidade
A franqueza é mal interpretada
Mas com isso não me ralo nada
Não gosto de cinzento
Aprecio o branco e o preto
Detesto o talvez
Mas entendo-me com o sim e o não
A simpatia não invento
Não sou de mas, nem meio mas
Sou dona de um sorriso franco
Que por prazer ostento
Sou fã da clareza, firmeza
Não consumo indecisão, manipulação
Ainda assim
Sou mais coração, menos razão
Não finjo sentimento, emoção
Ou me amam
Ou me odeiam
Não têm outra opção!


Helena Santos

segunda-feira, 14 de março de 2016

PRECISEI REINVENTAR-ME

Tanto podia escrever sobre sofrimento, dor, desilusão, injustiça, vingança e até ingratidão. Mas pergunto: para quê? Se o fizesse choraria até ficar com os olhos inchados como se duas abelhas os tivessem beijado; ofereceria um bilhete só de vinda às rugas e uma estadia vitalícia à depressão.
Mas não deixo que nada me faça perder a razão, sou mais que uma mera insatisfação. E desilusão, quem não teve uma entre mãos? É sempre melhor enaltecermos a alegria e agradecermos à vida, cada dia, ainda que não tenha o perfume desejado. Sentimentos positivos alimentam a nossa alma, dão-nos energia e beleza e isso espelha-se no nosso rosto, no brilho do nosso olhar. Na minha já longa caminhada neste paraíso único de incertezas, todas as coisas más com que fui premiada, tinham um lado colorido, por menor que fosse. Mas ressentimentos que me acompanhavam, não me deram espaço para discernimento e dificultaram-me o desfrute. Tudo que nos é oferecido, tem uma utilidade. Hoje, com mais algumas páginas de vida escritas, vejo tudo com olhos de compreensão, harmonia, tolerância e perdão. O tempo é muito frágil, precisa de todo o carinho e atenção e não o posso melindrar a lamentar da vida ou a odiar quem por alguma razão, não se deu oportunidade de me conhecer, entender ou amar. Mas eu amo incondicionalmente e só se dá valor à luz, depois de se viver na escuridão. As únicas armas que possuo, são a paciência, o sorriso, o amor e como grande aliado…o Tempo.
Se vivo num mar de rosas? Sim, inventado por mim, onde a dor provocada pelos espinhos é minimizada pela maciez e perfume das pétalas. Como as mantenho saudáveis e vistosas? Regando-as com fé, esperança e principalmente muito amor e confiança, em cada dia que me é dado viver.


Helena Santos

quinta-feira, 10 de março de 2016

PIU, PIU

Piu, Piu foi melodia no tempo
Ilusão levada pelo vento
Breve encontro de sentimentos
Mas criou raiz no meu pensamento!


Helena Santos

quarta-feira, 2 de março de 2016

AINDA NÃO É!

Ainda não é Primavera
Mas já cheira
Os pássaros já chegaram
Desfizeram as malas
E com a azáfama
Não há horas de descanso
Acordam de madrugada
Eu reclamo, mas…
Já estamos de volta,
Respondem do alto de um ramo
O sol acompanha-os na melodia matinal
A sinfonia está bem orquestrada
De olhos fechados
Por momentos, embalo no som
Que a Natureza me oferece
Mas não resisto
Abro a janela e lá estão:
O sol a salpicar de cor os canteiros
Com o seu melhor sorriso
As rosas de tão animadas
Dançam e não pensam em mais nada
Os lírios roxos abraçam-se aos brancos
Em perfeita harmonia
Há dias de muita alegria no meu quintal
A passarada canta e encanta
As caracoletas no seu passo controlado
Desfilam e fazem piruetas, maravilhadas
Todos querem participar
Até as aranhas enfeitam as árvores
Com as suas lindas teias prateadas
Os patudos olham-se e perguntam-se:
O que se está a passar?
Mas decidem entrar na confusão
Não querem perder a diversão.
Toc, toc, toc...batem à porta
Ainda não é a Primavera
Mas está mesmo, mesmo a chegar!


Helena Santos

sábado, 27 de fevereiro de 2016

MOMENTO ESPERADO

Temos um encontro marcado
Não sei onde, nem quando
Mas temos…
Só sei o motivo, ambos sabemos
Dizem que o tempo não espera e arrasta a vida
Acredito…
Mas eu espero e não me exaspero
Cada dia é uma gota a encher o oceano da esperança
Por ti irei até ao infinito…
Sei que o dia chegará e será tão bonito
A minha boca parirá estrelas para te receber
O tempo não apaga o que foi esculpido com delicadeza
Até consigo entender…
Como me enleva a saudade do amargo e do doce
Estranho? Nem tanto, ambos fazem parte da ementa da vida
E é a harmonia que dá mais paladar aos dias que temos para folhear
O livro das nossas memórias…
O segredo é saber tirar prazer de cada rasgo de vento sedutor
Mas quando nos encontrarmos, juntaremos os nossos sabores
E certamente que faremos história porque será uma vitória
Sobre a mágoa, sobre a dor…
O Tempo não tem tempo e varre o tempo por onde passa
Mas o meu tempo guardo-o na minha mão e não há nada que faça
Com que dele me desfaça…
Preciso preservar o tempo, que o Tempo me dá
Até à chegada do meu amor!


Helena Santos