SONHOS QUE ME HABITAM
O nascer da aurora é sinal de vida, mais
uma oportunidade me é oferecida. Um novo dia corre para mim,
contagiando-me com a sua energia, transmitindo-me confiança,
embrulhando-me em magia.
O céu dá-me paz, seja qual for a cor que
vista, embora para os meus olhos seja sempre azul e me extasie com a sua
luz. É verdade, ele sabe que me seduz. As flores borrifam-me de
encanto, ao meu passar, tudo fazem para me agradar. Até o sapo, com um
grande papo, se derrete em sorrisos. É inevitável o meu gargalhar.
Olhando ao meu redor, diria que nada existe que provoque dor, ou
tristeza, ao alcance dos meus olhos. Como é fácil saborear a vida, chego
a pensar. Mas nada é perfeito, nem mesmo o meu sonhar. Eles habitam-me,
os sonhos, e, têm tantas cores, que ia jurar que lhes sinto os odores.
São tantos…Eu vivo neles, ou eles vivem em mim. Que diferença faz? Só
sei que vão crescendo, os sonhos, e, não lhes adivinho o fim. Como
poderia não ser feliz? Claro que sim.
Mas nem sempre é assim. Às
vezes o novo dia tem mau acordar e quando está mal-humorado, é tão
doloroso de encarar. Tantas vezes penso que me vai estrangular… Mas há
sempre uma força inexplicável que me envolve, me empurra e sem que tenha
tempo de reagir, acabo estatelada no chão. Mas é só uma manobra de
diversão. Num piscar de olhos, sinto-me deslizar numa dança suave, que
me leva a acreditar que não há dias maus, só maneiras diferentes de os
abraçar.
A vida é como um poema, ou é mesmo um poema? Não sei. Mas
sei que temos de a saber decifrar e agraciar. Sim, tudo o que a vida nos
dá, são bênçãos e delas devemos engravidar e parir com humildade,
principalmente os sonhos. Não devemos desperdiçar os sonhos. Eles têm
asas e levam-nos a qualquer lugar. Só precisamos mostrar
disponibilidade, sempre que a vida nos solicitar. Sem dúvida, é lá nesse
“qualquer lugar”, que vamos encontrar a tal…a Felicidade!
Helena Santos