quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

VIDA NOVA

Sinto que tenho a minha vida
Pendurada em cordas invisíveis
Há tempo demais
Com molas especiais
Porque de lá não cai
Nem com fortes vendavais
Espero sempre que o ano seguinte
Me traga força ou coragem
Para a resgatar
Mas ano vem, ano vai
E sempre a mesma roupagem
Tantas caras camufladas para decifrar
Não é falta de vontade de enfrentar
É medo de repetir erros por não raciocinar
Mas quando não temos outra solução
Ou agimos com a razão, ou com o coração
E se errarmos temos direito a perdão?
Nem sempre
Há quem não saiba perdoar
Mas saiba errar como qualquer ser humano
Aguardei pelas badaladas do Novo Ano
Tenho esperança que ele me devolva a vida
Quero-a na minha mão
Custe o que custar
Afinal a vida é uma fruta muito sensível
Amadurece com muita facilidade
E tenho de a saborear
Não posso deixá-la apodrecer
Sem dela desfrutar do merecido prazer
Deixar a vida se perder, é que não deixo
Podem crer!


Helena Santos

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

HOJE NÃO

O sol entra pelos poros do estore
Convidando a juntar-me a ele, lá fora
Mas eu não quero
Hoje só me apetece vestir de negro
E eu não gosto
Prefiro ficar em casa
A mostrar ao garboso dia
A negritude que há em mim
Para mim a vida é cor
E só faz sentido se assim for
Com certeza que o novo amanhecer
Parirá uma boa razão
Para começar o dia
Com a alma maquilhada de alegria
E aí sim
Vestirei o meu sorriso laranja, rodado
Com flores multi-cores no regaço
Como se me fizesse acompanhar de um jardim
Com sapatinhos a condizer
E unhas pintadas de felicidade
Terminarei com um toque de magia
Nos meus longos cabelos cor de lua
Exibindo um laçarote amarelo sol
Que iluminará as minhas tranças
Sim, para me pincelar de cor
Eu me esmero e tenho jeito
E assim
A vida brotará límpida e leve
Bem do fundo do meu peito
Mas hoje…não!


Helena Santos

domingo, 29 de novembro de 2015

BORDADO A FIOS DE LUZ.

Querendo surpreender o meu amor, que se mostrava um pouco ausente, decidi bordar o meu coração a fios de Luz com sentimentos variados e enviar como presente. Que melhor prenda lhe poderia dar? Que melhor prova de amor poderia ele receber? Isso foi só o que eu pensei, esperando que ele percebesse a minha mensagem. Usei fios de Luz impregnados de amor, paixão, tolerância, compreensão, harmonia e alegria. Devemos alimentar a alma com ingredientes saudáveis e que nos façam ver a vida de uma perspectiva mais positiva. Mas senti que faltava algo para dar um toque especial ao meu bordado, de modo a que a rejeição ficasse fora de questão. Então, juntei perdão, diálogo, justiça, lealdade, simplicidade, humildade e paz. Assim, sim…estava mais apetecível. Não sabia bordar, mas pelo meu amor tudo faria, até os dedos picar. E tanto me piquei! Olhei para a obra finalizada e fiquei encantada. O amor faz milagres. Envolvi-o em linho puro, devido à sua delicadeza e sensibilidade, não queria que sofresse qualquer arranhão. Mas faltava uma caixinha para ficar bem acondicionado e não se danificar na deslocação. Sendo um presente de amor, foi fácil a solução para uma caixinha de emoção. Juntei igual porção de beijos, abraços e saudades e construí uma caixinha de sonho. Com todo o cuidado de que fui capaz, meti o coração na caixa e fechei-a. Para selá-la e embelezá-la ainda mais, usei uma fita de seda pura com a cor vermelha da paixão e um enorme laçarote, pois então. O presente estava pronto a ser entregue ao destinatário. Mas a quem poderia eu incumbir tal tarefa? Perdida nos meus pensamentos e esperando que o horizonte me enviasse alguma resposta, fui despertada por um sopro de vento que abanou a minha janela e para mim olhou. De repente, senti que seria ele o mensageiro ideal para tão valiosa missão e de cariz urgente. A primeira reacção foi declinar o pedido, mas quando se apercebeu da minha aflição, aceitou só por se tratar de uma prova de amor. Entregar o presente e uma resposta trazer, era o que tinha de fazer. E sem demoras, voou. Ele voltou, o presente ficou, mas a resposta não chegou. Que angústia me provocou. Que teria acontecido? Será que me tinha esquecido do seu ingrediente favorito? Nada melhor que perguntar pessoalmente. Se pensei, mais rápido o fiz. O vento que por ali ficou, logo se prontificou a levar-me onde eu quis. Cheguei sem ser convidada e fui recebida com olhar distante e boca fechada. O meu coração estava na sua mão e o que me intrigou, foi ver como o segurava, com o maior cuidado, ternura e atenção. Perguntei o que o atormentava, mas não me explicou. Disse-lhe que o meu coração bordado a Luz, era uma prova de amor, visto nem saber bordar e ter ficado com os dedos todos picados, mas que ainda assim não me tinha importado. Ouviu, mas não se manifestou, como se nada tivesse significado. Doeu-me, mas senti que o que desejava, ali não iria encontrar, não naquele dia. Decidi regressar. O coração não mo devolveu, mas se o tinha oferecido, passou a ser seu. Para que o queria ele? Pensei mas não perguntei. Assim que as costas virei, disse-me que do bordado tinha gostado, mas que para além do meu coração, precisava de tempo, para o seu arrumar e que o aguardasse com carinho porque iria voltar…. E desapareceu.
Regressei e a única coisa que trouxe, foi a Esperança…porque o amanhã é sempre longe. E o amor…ai o amor, será que alguém o sabe decifrar? Mas se é o meu amor e pediu para por ele esperar…eu vou esperar. Até quando? Não importa, o amor não tem prazo de validade e a verdade, é que eu estou tomada pela saudade!

Helena Santos

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

GOTAS DE BÊNÇÃOS

A chuva caía impiedosa
Mas eu nem a sentia
Invadia-me tamanha alegria
Que quem me visse
Certamente perguntaria
Se teria ganho a Lotaria
Mas não, não ganhei
Ou será que sim?
Bom, pensaria nisso depois
Do meu rumo não me desviei
Nem da chuva me abriguei
Precisava pavonear a felicidade
Estampada no meu rosto
Próprio de quem ama
E vive o amor
Ignorando a tristeza, a dor
Porque só floresce o que é regado
Se sou amada? Por favor!
Caro que sim
Nem que seja só por mim
A chuva não parou de cair
Eu continuei e nunca deixei de sorrir.


Helena Santos

terça-feira, 10 de novembro de 2015



REALIDADE DE UM SONHO 

Vi o teu rosto no meu sonho
O rosto que escondes
Com as marcas do tempo
Como escondes sentimentos
As rugas são estradas percorridas
Que devem ser lembradas, não esquecidas
Os cabelos grisalhos que caem aos cachos
Sobre a tua testa
Dando-te um ar charmoso, eu acho
São noites mal dormidas
A que a vida te obriga e ainda te castiga
Mas para quê esconder?
Será que te faz sofrer?
E o que sentes
Porque escondes o que sentes
Num sótão escuro e bolorento
Se há luz e alegria à tua frente
E o amor está lá, paciente?
Liberta-te do peso que carregas
Abre portas e janelas
Recebe quem quer entrar
E oferece o que tens para dar
O AMAR não se pode adiar
Porque a vida não aprendeu a esperar
E o tempo…. apenas sabe voar!

Helena Santos

segunda-feira, 26 de outubro de 2015



PARABÉNS SIMÃO

Por ti dou a vida sem hesitar
Ando descalça e despida
Rio ou choro que importa
Afinal és parte de mim
Beijo-te e abraço-te com ternura
Enquanto Deus permitir
Nada de mim te irá faltar
Serás sempre minha prioridade

Sereno e de bom carácter
Importas-te com quem te rodeia
Marcas a diferença pela simplicidade
Amigo és, amigos tens
Orgulho-me de ti, amado filho!

Helena Santos