BORDADO A FIOS DE LUZ.
Querendo surpreender o meu amor, que se
mostrava um pouco ausente, decidi bordar o meu coração a fios de Luz
com sentimentos variados e enviar como presente. Que melhor prenda lhe
poderia dar? Que melhor prova de amor poderia ele receber? Isso foi só o
que eu pensei, esperando que ele percebesse a minha mensagem. Usei fios
de Luz impregnados de amor, paixão, tolerância, compreensão, harmonia e
alegria. Devemos alimentar a alma com ingredientes saudáveis e que nos
façam ver a vida de uma perspectiva mais positiva. Mas senti que faltava
algo para dar um toque especial ao meu bordado, de modo a que a
rejeição ficasse fora de questão. Então, juntei perdão, diálogo,
justiça, lealdade, simplicidade, humildade e paz. Assim, sim…estava mais
apetecível. Não sabia bordar, mas pelo meu amor tudo faria, até os
dedos picar. E tanto me piquei! Olhei para a obra finalizada e fiquei
encantada. O amor faz milagres. Envolvi-o em linho puro, devido à sua
delicadeza e sensibilidade, não queria que sofresse qualquer arranhão.
Mas faltava uma caixinha para ficar bem acondicionado e não se danificar
na deslocação. Sendo um presente de amor, foi fácil a solução para uma
caixinha de emoção. Juntei igual porção de beijos, abraços e saudades e
construí uma caixinha de sonho. Com todo o cuidado de que fui capaz,
meti o coração na caixa e fechei-a. Para selá-la e embelezá-la ainda
mais, usei uma fita de seda pura com a cor vermelha da paixão e um
enorme laçarote, pois então. O presente estava pronto a ser entregue ao
destinatário. Mas a quem poderia eu incumbir tal tarefa? Perdida nos
meus pensamentos e esperando que o horizonte me enviasse alguma
resposta, fui despertada por um sopro de vento que abanou a minha janela
e para mim olhou. De repente, senti que seria ele o mensageiro ideal
para tão valiosa missão e de cariz urgente. A primeira reacção foi
declinar o pedido, mas quando se apercebeu da minha aflição, aceitou só
por se tratar de uma prova de amor. Entregar o presente e uma resposta
trazer, era o que tinha de fazer. E sem demoras, voou. Ele voltou, o
presente ficou, mas a resposta não chegou. Que angústia me provocou. Que
teria acontecido? Será que me tinha esquecido do seu ingrediente
favorito? Nada melhor que perguntar pessoalmente. Se pensei, mais rápido
o fiz. O vento que por ali ficou, logo se prontificou a levar-me onde
eu quis. Cheguei sem ser convidada e fui recebida com olhar distante e
boca fechada. O meu coração estava na sua mão e o que me intrigou, foi
ver como o segurava, com o maior cuidado, ternura e atenção. Perguntei o
que o atormentava, mas não me explicou. Disse-lhe que o meu coração
bordado a Luz, era uma prova de amor, visto nem saber bordar e ter
ficado com os dedos todos picados, mas que ainda assim não me tinha
importado. Ouviu, mas não se manifestou, como se nada tivesse
significado. Doeu-me, mas senti que o que desejava, ali não iria
encontrar, não naquele dia. Decidi regressar. O coração não mo devolveu,
mas se o tinha oferecido, passou a ser seu. Para que o queria ele?
Pensei mas não perguntei. Assim que as costas virei, disse-me que do
bordado tinha gostado, mas que para além do meu coração, precisava de
tempo, para o seu arrumar e que o aguardasse com carinho porque iria
voltar…. E desapareceu.
Regressei e a única coisa que trouxe, foi a
Esperança…porque o amanhã é sempre longe. E o amor…ai o amor, será que
alguém o sabe decifrar? Mas se é o meu amor e pediu para por ele
esperar…eu vou esperar. Até quando? Não importa, o amor não tem prazo de
validade e a verdade, é que eu estou tomada pela saudade!
Helena Santos