quinta-feira, 26 de novembro de 2015

GOTAS DE BÊNÇÃOS

A chuva caía impiedosa
Mas eu nem a sentia
Invadia-me tamanha alegria
Que quem me visse
Certamente perguntaria
Se teria ganho a Lotaria
Mas não, não ganhei
Ou será que sim?
Bom, pensaria nisso depois
Do meu rumo não me desviei
Nem da chuva me abriguei
Precisava pavonear a felicidade
Estampada no meu rosto
Próprio de quem ama
E vive o amor
Ignorando a tristeza, a dor
Porque só floresce o que é regado
Se sou amada? Por favor!
Caro que sim
Nem que seja só por mim
A chuva não parou de cair
Eu continuei e nunca deixei de sorrir.


Helena Santos

terça-feira, 10 de novembro de 2015



REALIDADE DE UM SONHO 

Vi o teu rosto no meu sonho
O rosto que escondes
Com as marcas do tempo
Como escondes sentimentos
As rugas são estradas percorridas
Que devem ser lembradas, não esquecidas
Os cabelos grisalhos que caem aos cachos
Sobre a tua testa
Dando-te um ar charmoso, eu acho
São noites mal dormidas
A que a vida te obriga e ainda te castiga
Mas para quê esconder?
Será que te faz sofrer?
E o que sentes
Porque escondes o que sentes
Num sótão escuro e bolorento
Se há luz e alegria à tua frente
E o amor está lá, paciente?
Liberta-te do peso que carregas
Abre portas e janelas
Recebe quem quer entrar
E oferece o que tens para dar
O AMAR não se pode adiar
Porque a vida não aprendeu a esperar
E o tempo…. apenas sabe voar!

Helena Santos

segunda-feira, 26 de outubro de 2015



PARABÉNS SIMÃO

Por ti dou a vida sem hesitar
Ando descalça e despida
Rio ou choro que importa
Afinal és parte de mim
Beijo-te e abraço-te com ternura
Enquanto Deus permitir
Nada de mim te irá faltar
Serás sempre minha prioridade

Sereno e de bom carácter
Importas-te com quem te rodeia
Marcas a diferença pela simplicidade
Amigo és, amigos tens
Orgulho-me de ti, amado filho!

Helena Santos


sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PRIMEIROS VERSOS

Foi aqui que tudo começou
Nesta aldeia que me acolheu
Quando tudo era tão doloroso
Que até o sol comigo soluçou


Precisei falar, a alma abrir
E a quem apelei, simplesmente recusou
Não me quis ouvir

Pedi ao vento Norte, um conselho
Respondeu que dele não precisava
No coração encontraria a resposta que ansiava

E encontrei, depois de muito pensar
Com uma caneta fiz uma arma
Do papel o campo de batalha
E iniciei uma guerra para ganhar

Usei munições de palavras doces
Bandeira da cor do amor
Transportei-me numa estrela cadente
E aterrei no campo adversário, sempre sorridente

Denunciei-me

Fui descoberta como planeei
E expulsa como esperei
A mensagem que na bagagem levei
Deixei espalhada na terra fértil que encontrei

Missão cumprida
Fui lida mas não sei se entendida
Diálogo não houve mas estou de bem com a vida
Embora triste e um pouco desiludida

Alguns anos passaram e novamente aqui estou
Com o olhar perdido no mesmo horizonte
Onde a Serra que as minhas lágrimas amparou
Acena-me feliz porque agora só sorrisos captou

Se o primeiro escrito foi manchado com sal
Este está iluminado com amor e alegria
E até recordo com serenidade e saudade
Tudo o que aqui vivi um dia!

Helena Santos

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

ADORO O OUTONO

Não me zanguei com o Outono
Por destronar o Verão
Todas as estações têm o seu chão
E cada uma tem um senão
O cheiro descongestiona-me a alma
E tantas cores, tantos tons
Pintam a paisagem de vida
É vermelho fogo, amarelo canário
Castanho chocolate, laranja e até rosa
Fazendo acreditar em sonhos de encantar
Não há beleza, nem perfume de flores
Os pássaros deixam de cantar
Mas no chão piso tapetes
Ornamentados de folhas secas multicores
Deixando-me extasiada
E para que nada falte
Apodera-se de mim um frio prazeroso
Que arrepia e amacia todos os sentidos
Porque o Outono é assim
Rebelde, caprichoso, personalidade forte
Mas com um simples sopro de carinho
Derrete-se todo para mim!


Helena Santos

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

OUTRAS REALIDADES

Explodiram relâmpagos de dor
No dia em que ouvi, sentida
Já não ser Rainha do castelo
Que foi construído só com amor


A Natureza é soberana
Põe, dispõe e tantas vezes se engana
Se dizem que errei, meu Deus e Senhor
Não terei direito a defesa, como humana?

Já somos arrogantes por o dedo apontar
Como podemos castigar sem antes escutar
Acaso nos foi dado o papel de “Deus Todo Poderoso”
Que nos permite os mais frágeis calcar?

Apregoamos a simplicidade e humildade
Mas só valorizamos rios de vaidades
Será essa uma forma de generosidade?
Olhemo-nos ao espelho. Quem somos de verdade?

Helena Santos