quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PONTE

Havia uma ponte sólida, ou não
Que proporcionava momentos de emoção
Cada passo era sempre em direcção à união
Mas um furacão, transformou-a em pedaços
Inevitável foi a separação

Não é impossível a solução
Porque o rio que nos separa
Tem águas mansas, sem ondulação
É fácil a sua suave navegação
Haja vontade e amor no coração
Na tua margem, há uma barcaça
À espera de te cair em graça
No rio que nos separa, peixes voadores
Prontos a transportarem-te
Só porque são a favor do amor
Tudo e todos, conspiram a nosso favor
Deste lado estarei eu, esperando
Com as estrelas mais brilhantes
O luar mais romântico
E o sol mais ardente
Contando cada instante e rezando
Para que a tua viagem para esta margem
Seja uma realidade
Ela depende apenas e só da tua vontade
E eu,
Deposito toda a minha fé …. na tua saudade.

Helena Santos

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

SIMPLES

O amor dá-se
O amor recebe-se
Há quem não saiba dar
Há quem não saiba receber
Mas não devemos esmorecer
O caminho é aguardar
O caminho é mostrar
Que quem ama está sempre presente
Que quem ama espera eternamente
O amor não tem prazo
O amor não tem medida
Quando se ama tudo é cor, tudo é luz
Quando se ama, é o amor que nos conduz
Mas o importante mesmo, é AMAR…muito
O amor não se substitui
Não voa nas asas das palavras vãs
Mas é tão doce e saudável
Como as suculentas e apetitosas romãs
Quem ama luta, não abandona, cuida
Quem ama enfrenta, escuta e não julga
Quem ama é feito de coração
Não vê defeitos
Mas sabe que não existe a perfeição!


Helena Santos


NAS PÁGINAS DA IMAGINAÇÃO

O teu olhar rebelde, traquina, infiltrou-se no meu e por mais anos que passem, não consigo amansá-lo. Nem quero.
As tuas mãos de tanto se passearem em mim, num momento de exaustão adormeceram no melhor e mais confortável recanto e decidi não acordá-las. Já fazem parte do meu ser.
Os nossos corpos tantas vezes guerrearam, mas nunca houve vencedor ou vencido. Trocávamos de armas com amor e o resultado era sempre um batalhão de prazer, com uma pitada saborosa de dor.
Mas o futuro, assim se chama por ser desconhecido, quando passou a presente, as gotas vulcânicas cuspidas pelos poros do meu corpo, em contacto com o teu, transformaram-se em pedras granizadas pela tua ausência, ou melhor, pela tua “morte súbita”.
Mas nem tudo se perdeu, para ti. Nessa tua transição, já uma alma caridosa estaria à tua disposição e tu não disseste que não. Foi um anjo que me deu essa informação. Nem depois de “morto”, assumiste essa traição e decidiste culpar-me desse momento de indecisão, mas que te serviu na perfeição.
Que páginas de vida ficarão por resolver na cabeça ou no coração de pessoas racionais, para haver tanta separação, quando deveria dominar a harmonia, a união? Ou serão irracionais?
É bom continuarmos a vestir a pele de inocente/vitima para sairmos bem na fotografia. Mas nós esquecemos sempre que as máquinas captam muito mais do que queremos mostrar. Esconder, até escondemos, mas nem reparamos que o macaco que andamos a esconder está com o rabo de fora e só não vê quem não quer. Quase que diria até que nessa situação andamos a subestimar a inteligência de quem nos rodeia. Mas um bode expiatório cai sempre muito bem. É tão mais fácil quando erramos e descarregamos as nossas águas poluídas em rio alheio. O pior é quando as águas não se misturam e o cheiro fica a pairar na nossa cabeça, à espera de encontrar uma brecha para se alojar na nossa consciência. E encontra, encontra sempre, por mais anos que passem. E quando isso acontece, a alegria desaparece, as rugas aparecem profundas como levadas, as olheiras penduram-se como cachos de uva passa, os sorrisos passam a simples esgares, as noites de amor passam a ser a três, porque a assombração-consciência, não se faz de rogada e aparece sempre, mesmo sem ser convidada. A vida de sonho, transforma-se num pesadelo e chega-se à conclusão que fugir às responsabilidades e não assumir as consequências dos nossos atos, não compensa. É tão mais fácil e saudável o diálogo, a coragem de enfrentar. Falar é bom, mas saber escutar é muito mais vantajoso. Afinal temos duas orelhas e uma boca por alguma razão. Mas a estrela do filme de amor, não voltou atrás porque a teimosia é muito mais forte que a humildade e pedir perdão é para fracos, não para homens insuflados de razão e perfeição. Quanta ignorância! O que é que quem ama não perdoa e esquece? Tudo, ainda que doa. Mas só sabe disso, quem tem sensibilidade e maturidade para perceber que o amor transcende o sexo, a vaidade, a maldade, a burrice e principalmente a razão. O amor é um sentimento que nos faz perder a noção do certo e do errado e se assim não for, não é amor. Mas, também nos permite ter a capacidade de entender o outro, praticar o perdão e a aceitação, porque por mais que alguém se queira excluir, à nascença já somos todos pecadores. A perfeição nunca encontraremos em nós, por isso, não podemos exigi-la aos outros. Deixemo-nos de superioridades…a simplicidade assenta-nos melhor, em qualquer ocasião. Amemos simplesmente e aproveitemos os muitos créditos que a vida nos vai dando, porque não são eternos!

Helena Santos

domingo, 30 de agosto de 2015

A NOITE

A noite está cheia de vida e do meu quintal usufruo de tamanha magia.
A lua está em festa, com convidados cheios de cor, tornando-a numa fonte de alegria e frescor.
Carregadas de energia estão as estrelas, que dançam animadas ao som da música de uma cotovia talentosa e notívaga, espalhando luz e transmitindo paz a quem para elas olha embevecido com tanta beleza e criatividade.
Os pirilampos também contribuem para o quadro paradisíaco com o seu piscar, para lá e para cá, iluminando o jardim que os meus olhos admiram como se estivesse num conto de fadas.
Ao longe avisto luzes, imensas luzes. Umas são de rua, outras de habitações e só consigo imaginar famílias felizes e amantes apaixonados dentro delas.
Hoje o meu coração está especialmente colorido, o que raramente acontece e isso ajuda a que esta noite seja saboreada com serenidade, confiança e esperança.
A temperatura está à medida do meu estado de espírito, amena. A brisa que vem do mar, a dois passos daqui, provoca um arrepio divinal. A melodia das ondas que os meus ouvidos conseguem captar, levam-me a navegar a horizontes incríveis, embora eu me mantenha sentada no chão do meu quintal. A noite está gostosamente fresca, bonita, perfumada e tanto o meu corpo como a minha alma, se recarregaram de vida e certamente que quando o sono me vier buscar, deixarei que me leve no seu colo e me proteja com o seu manto, para que a minha noite seja de pleno descanso. É nestes raros momentos que sinto que vale a pena viver.
Adivinho um doce amanhecer!

Helena Santos

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

SENTIRES

Fui e já voltei
Mas tanto penei
Ainda gosto de por aqui andar
Metade de mim nunca daqui sai
Encontrei um abrigo de amor
Que tanta falta me faz
Por isso muito me dói
Quando sou obrigada a me ausentar
Alguns dias para repousar
Ordens de quem de mim anda a cuidar
Porque a saúde não me corre de feição
E a cada dia a vida escapa-me da mão
Tenho tanto para dizer
Sequer me querem escutar
Mas continuarei a tentar
Confio na força do amar
Não na ilusão da razão
É o que me ensina o coração
Enquanto a esperança me habitar
E de emoção a vida palpitar
Estarei aqui de alma cheia
A retribuir o muito que me dão
Pelo pouco que tenho a oferecer
A quem faz por merecer
Gratidão, amizade, respeito
Sempre terão em forma de sorrisos
E para quem não fui tão doce
Peço perdão
E que sigamos para mais um ano
De muita harmonia, alegria e poesia
Porque para mim, já terminou o Verão!


Helena Santos

domingo, 26 de julho de 2015

LIVRO MÁGICO

Hoje não venho ler-te, venho somente agradecer por tudo que de importante tens feito por mim. Confesso que me apaixonei por ti, ao primeiro olhar. Tantas histórias me foram contadas, tantas ilustrações mostradas. As primeiras letras, os primeiros números, cativaram-me. Mas depois foste exigindo demasiado de mim e comecei a desencantar-me, porque não conseguia acompanhar-te. É que houve uma altura em que te via como uma obrigação e os problemas foram surgindo, sem que encontrasse solução. Tudo que seja por obrigação, nunca é uma boa opção. Irreverência e rebeldia da juventude. Ainda assim, não desisti. Com o passar do tempo e tendo liberdade de escolha, a minha relação contigo foi normalizando. O importante, mesmo, é que nunca te abandonei e sempre te tive como o meu melhor e fiel amigo. Contigo rio, choro, adormeço, acordo, velo, me perco e me encontro. Tanto viajo, ou simplesmente agarrada a ti, fico. És um mar de alegria, amor, conhecimento e quando te leio, para tão longe voa o meu pensamento. Independentemente da forma como te apresentas, estarás comigo em todos os momentos.
Leio-te para quem queira ouvir; folheio-te para quem te queira ver. É tanto o que contigo aprendo e sempre que me entrego a ti, sinto-me renascer.
Sendo tu o Universo, és imenso e certamente que sabes que há caminhos teus que ainda não percorri, mas lá chegarei. E muitos há, que tenho a certeza de que nunca os pisarei, mas continuarei a sonhar, a voar, a navegar e não será por isso que desistirei. Enquanto puder, os meus passos serão na tua companhia, garantindo que aprenderei algo todos os dias e num ser humano mais rico, me tornarei.
Tu, livro, és uma fonte inesgotável de sabedoria, de vida e energia, a alimentar-me dia após dia!

Helena Santos