quarta-feira, 22 de julho de 2015

INDECISÃO

Pssstt, tu aí
Que passas por aqui
Finges que não vês
Convences-te que nada sentes
Mas arrastas-te com desalento
Por negares um sentimento
Que outrora foi teu alimento
Abre o peito e recebe a Vida
Extermina a erva daninha
E entrega-te ao desfrute
Mas muda de posição
De costas só vês a tua sombra
E não há quem te escute
Ah como te conheço…
Os teus olhos revelam saudade
A tua boca transpira paixão
Os teus suspiros vêm e vão
Então porquê a indecisão?
Não te agarres à razão
Ela não combina com coração
Segura a minha mão
Essa sim é uma feliz opção!


Helena Santos

domingo, 12 de julho de 2015

TIVESTE TANTO TEMPO

Tiveste tanto tempo para me ver
e só para mim olhaste
Tiveste tanto tempo para me conhecer
e só o meu nome fixaste
Tiveste tanto tempo para te arrependeres
e nem para trás olhaste
Tiveste tanto tempo para mostrar ser gente
mas não tiveste coragem, sequer tentaste
Tiveste tanto tempo para controlar o tempo
e nem isso aproveitaste
Tiveste tanto tempo para provar a verdade
e por medo, não a encaraste
Tiveste tanto tempo para pedir perdão
mas para ti, sempre esteve fora de questão
Tiveste tanto tempo para me ouvir
preferiste simplesmente presumir
E agora?
O tempo foi embora
ficaste sem saber onde perdeste a razão
mas continuas a acreditar que a tens toda na tua mão
Pura ilusão!
Só te restou ressentimento e frustração
mas nunca é tarde para se arejar o coração!


Helena Santos

sexta-feira, 10 de julho de 2015

SORRISOS GRATUITOS

Os meus sorrisos
São novelos de mel
Que se desenrolam
Sem aviso prévio
São espontâneos e com eles
Vou bordando e pincelando
Os corações férteis
Que não têm medo de receber
Nem de se entregar
A sentimentos seculares, sagrados
Tão simples, como a amizade e o amor
Fazendo crescer a árvore
Onde os dois sentires
Se envolvem harmoniosamente
Em cada tronco, folha e dão frutos
Porque a raiz é cuidada, adubada
E o objetivo, é, não mantê-los na prisão
A verdadeira emoção, está na ostentação
Quem resiste a um deleitante sorriso
Que brota de um saborido coração
Quando existe cada vez mais
Lábios trancados a cadeado
Sem chave que permita a libertação?
Aceitem os meus,
São ternos, amigos, genuínos, gratuitos,
Sem qualquer contra indicação!


Helena Santos

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ROSAS SEM ESPINHOS?

Se não me for permitido errar
Que ando aqui a fazer?
Mas errando não posso esquecer
Que os meus erros devo assumir
E com as consequências conviver
Não é bonito deles fugir
E a terceiros os atribuir
É pura cobardia
Todos temos legitimo direito
De caminhar, tropeçar e até cair
Mas é no levantar com dignidade
Que mostramos a nossa verdade
Não apostar na mentira piedosa
Que nos vitimiza e transforma
Em seres alheados da realidade
Vendo a vida passar ao lado
Com o coração interditado
Pela razão não fomos contemplados
Sabemos
Mas insistimos em arranjar outros culpados
Simplesmente para nos convencermos
Que somos seres iluminados
E que nunca falhamos
Tenho rosas nos meus canteiros
São lindas
E para se manterem vistosas
Não dispensam carinhos
Gosto de tocá-las, cheirá-las
Se não tiver cuidado e me picar
Não posso culpar as rosas
Tampouco os espinhos!


Helena Santos

sexta-feira, 26 de junho de 2015

REGRESSO A CASA

Foram meses a contar dias
E no meio de tantas emoções
Nada faltou
Lágrimas, sorrisos, medos e alegrias
Afinal, sou mãe
Boa ou má, não sei e com isso nunca me preocupei
Nem reconheço a ninguém, capacidade para me avaliar
Mãe, sei que sou
O meu coração sempre transbordou de amor
E com o filhote longe, como poderia ser indolor?
E por ser mãe
Tinha de rir, com a lágrima no olho
E um enorme aperto no coração
De saudade, ou mesmo de aflição
Estava no outro lado do mundo
Tão longe de o poder alcançar
E a distância não permitia
Tocá-lo com a minha mão
Restava-me vê-lo e senti-lo
Com o coração
O que eu queria mesmo
Era que ele se embriagasse
De experiências, vivências, novos horizontes
E aproveitasse…
E aproveitou
Regressou cheio de vida, brilho no olhar
E sonhos, muitos sonhos
Com cores diferentes das que levou
E uma felicidade ímpar
Do nada que teve e do tudo que reteve
Mas o mais importante
É a vontade de lutar e alcançar
Com que voltou
Fizeste-me falta mas sinto-me orgulhosa
De ti
E para as tuas realizações, nunca estarás só
Porque mãe
É colo e ombro sempre a amparar
Nem que dos próprios sonhos, tenha de se apartar!


Helena Santos

terça-feira, 16 de junho de 2015


E PORQUE...

E porque sinto-me abençoada
E porque não devo perder a esperança
E porque sou fraca, mas não desisto de amar
E porque acho-me uma imbecil, já que perco tempo com imbecilidades e deixo pedaços de vida escaparem-se pelos dedos
E porque não tenho capacidade para abrir o coração dos outros, não fecho o meu
E porque não devo apontar o dedo, sabendo que três ficarão apontados a mim
E porque tenho um castelo com telhado de vidro, não devo atirar pedras ao telhado do vizinho
E porque o passado faz parte de mim, acolho-o com serenidade, mas não vivo em função dele
E porque não deixo as mágoas passarem de prazo, para não me azedarem o coração
E porque tenho noção de que a amizade e o amor, devem ser maiores do que a importância que dou ao meu umbigo
E porque não devo criticar, julgar ,ou condenar, quem não me esforcei por conhecer
E porque não devo “tomar” as dores dos outros, correndo o risco de ser injusta. Os inimigos dos meus amigos, não têm de ser meus inimigos, por contágio.
E porque sempre pensei e decidi por mim, não emprenho pelos ouvidos
E porque devo jubilar com as vitórias dos amigos e não deixar a inveja tomar conta de mim
E porque me sinto orgulhosa das rugas pinceladas no meu rosto, também me sinto leve com o perfume que exala o meu coração.
E porque amo e sei que me amam…o resto é chuva de Verão!


Helena Santos