quarta-feira, 1 de julho de 2015

ROSAS SEM ESPINHOS?

Se não me for permitido errar
Que ando aqui a fazer?
Mas errando não posso esquecer
Que os meus erros devo assumir
E com as consequências conviver
Não é bonito deles fugir
E a terceiros os atribuir
É pura cobardia
Todos temos legitimo direito
De caminhar, tropeçar e até cair
Mas é no levantar com dignidade
Que mostramos a nossa verdade
Não apostar na mentira piedosa
Que nos vitimiza e transforma
Em seres alheados da realidade
Vendo a vida passar ao lado
Com o coração interditado
Pela razão não fomos contemplados
Sabemos
Mas insistimos em arranjar outros culpados
Simplesmente para nos convencermos
Que somos seres iluminados
E que nunca falhamos
Tenho rosas nos meus canteiros
São lindas
E para se manterem vistosas
Não dispensam carinhos
Gosto de tocá-las, cheirá-las
Se não tiver cuidado e me picar
Não posso culpar as rosas
Tampouco os espinhos!


Helena Santos

sexta-feira, 26 de junho de 2015

REGRESSO A CASA

Foram meses a contar dias
E no meio de tantas emoções
Nada faltou
Lágrimas, sorrisos, medos e alegrias
Afinal, sou mãe
Boa ou má, não sei e com isso nunca me preocupei
Nem reconheço a ninguém, capacidade para me avaliar
Mãe, sei que sou
O meu coração sempre transbordou de amor
E com o filhote longe, como poderia ser indolor?
E por ser mãe
Tinha de rir, com a lágrima no olho
E um enorme aperto no coração
De saudade, ou mesmo de aflição
Estava no outro lado do mundo
Tão longe de o poder alcançar
E a distância não permitia
Tocá-lo com a minha mão
Restava-me vê-lo e senti-lo
Com o coração
O que eu queria mesmo
Era que ele se embriagasse
De experiências, vivências, novos horizontes
E aproveitasse…
E aproveitou
Regressou cheio de vida, brilho no olhar
E sonhos, muitos sonhos
Com cores diferentes das que levou
E uma felicidade ímpar
Do nada que teve e do tudo que reteve
Mas o mais importante
É a vontade de lutar e alcançar
Com que voltou
Fizeste-me falta mas sinto-me orgulhosa
De ti
E para as tuas realizações, nunca estarás só
Porque mãe
É colo e ombro sempre a amparar
Nem que dos próprios sonhos, tenha de se apartar!


Helena Santos

terça-feira, 16 de junho de 2015


E PORQUE...

E porque sinto-me abençoada
E porque não devo perder a esperança
E porque sou fraca, mas não desisto de amar
E porque acho-me uma imbecil, já que perco tempo com imbecilidades e deixo pedaços de vida escaparem-se pelos dedos
E porque não tenho capacidade para abrir o coração dos outros, não fecho o meu
E porque não devo apontar o dedo, sabendo que três ficarão apontados a mim
E porque tenho um castelo com telhado de vidro, não devo atirar pedras ao telhado do vizinho
E porque o passado faz parte de mim, acolho-o com serenidade, mas não vivo em função dele
E porque não deixo as mágoas passarem de prazo, para não me azedarem o coração
E porque tenho noção de que a amizade e o amor, devem ser maiores do que a importância que dou ao meu umbigo
E porque não devo criticar, julgar ,ou condenar, quem não me esforcei por conhecer
E porque não devo “tomar” as dores dos outros, correndo o risco de ser injusta. Os inimigos dos meus amigos, não têm de ser meus inimigos, por contágio.
E porque sempre pensei e decidi por mim, não emprenho pelos ouvidos
E porque devo jubilar com as vitórias dos amigos e não deixar a inveja tomar conta de mim
E porque me sinto orgulhosa das rugas pinceladas no meu rosto, também me sinto leve com o perfume que exala o meu coração.
E porque amo e sei que me amam…o resto é chuva de Verão!


Helena Santos

quarta-feira, 10 de junho de 2015

PRECISEI

Precisei ouvir…ouvi
Precisei chorar…chorei
Precisei implorar…implorei
Precisei aceitar…aceitei

Ainda assim…
Precisei perdoar…perdoei
Precisei esquecer…esqueci
Precisei mudar…mudei
Precisei compreender…compreendi
Mas depois…
Precisei amor…não fui amada
Precisei perdão…não fui perdoada
Precisei atenção…não fui escutada
Então…
Precisei escolher…escolhi
…a mim
e só comigo contei!

Helena Santos

segunda-feira, 8 de junho de 2015

NÃO HÁ DIAS IGUAIS

Os meus dias nunca são iguais
O que me magoou já ficou, algures
São dores que, não, não sinto mais
Só saboreio o bem que a vida me traz
Foram cascatas de lágrimas amargas
Poluindo e escurecendo o meu horizonte
Mas o sol voltou a brilhar, a me iluminar
E nas suas largas asas, trouxe pendurados
Fé, perdão, harmonia e inesgotável alegria
Lembrou-me que o ontem, cumpriu a sua tarefa
Aconteceu, muito me deu, mas feneceu
E que hoje, tenho a sabedoria na minha mão
Só caminho e escorrego no chão que escolher
Porque a minha passagem não tem de ser pesada
Posso simplesmente carregar no coração, leveza e luz
Foi isso que aprendi, nos passos com que me perdi
Apaixonada pela vida, bebo-a pausadamente e ela me sorri!


Helena Santos

quarta-feira, 3 de junho de 2015

AMIGO

Um farol que me guia, ilumina
Um sorriso que me amima
E ainda um poderoso abraço
Que me transmite segurança
Tal como a casinha da árvore
Quando era criança
Nos olhos vejo a alma, a calma
De quem tanto me dá e nada reclama
E embriago-me com gestos adocicados
Que melam o meu ser
Fazendo-me depreender que os amigos
Só me levam a aprender, engrandecer
Nunca a perder!


Helena Santos