quarta-feira, 10 de junho de 2015

PRECISEI

Precisei ouvir…ouvi
Precisei chorar…chorei
Precisei implorar…implorei
Precisei aceitar…aceitei

Ainda assim…
Precisei perdoar…perdoei
Precisei esquecer…esqueci
Precisei mudar…mudei
Precisei compreender…compreendi
Mas depois…
Precisei amor…não fui amada
Precisei perdão…não fui perdoada
Precisei atenção…não fui escutada
Então…
Precisei escolher…escolhi
…a mim
e só comigo contei!

Helena Santos

segunda-feira, 8 de junho de 2015

NÃO HÁ DIAS IGUAIS

Os meus dias nunca são iguais
O que me magoou já ficou, algures
São dores que, não, não sinto mais
Só saboreio o bem que a vida me traz
Foram cascatas de lágrimas amargas
Poluindo e escurecendo o meu horizonte
Mas o sol voltou a brilhar, a me iluminar
E nas suas largas asas, trouxe pendurados
Fé, perdão, harmonia e inesgotável alegria
Lembrou-me que o ontem, cumpriu a sua tarefa
Aconteceu, muito me deu, mas feneceu
E que hoje, tenho a sabedoria na minha mão
Só caminho e escorrego no chão que escolher
Porque a minha passagem não tem de ser pesada
Posso simplesmente carregar no coração, leveza e luz
Foi isso que aprendi, nos passos com que me perdi
Apaixonada pela vida, bebo-a pausadamente e ela me sorri!


Helena Santos

quarta-feira, 3 de junho de 2015

AMIGO

Um farol que me guia, ilumina
Um sorriso que me amima
E ainda um poderoso abraço
Que me transmite segurança
Tal como a casinha da árvore
Quando era criança
Nos olhos vejo a alma, a calma
De quem tanto me dá e nada reclama
E embriago-me com gestos adocicados
Que melam o meu ser
Fazendo-me depreender que os amigos
Só me levam a aprender, engrandecer
Nunca a perder!


Helena Santos
A VIDA NÃO SE COMPADECE

Olhei, vi e quase não reconheci
Porque a vida não se compadece
Suga-nos tudo, cobrando o que oferece
Um semblante moldado pelas mãos dos anos
O olhar perdeu o brilho, esmoreceu
Sinal de que muito se perdeu
A porta para a alma, estava fechada
Porque para além dela, não existe mais nada
As rugas que habitam hoje o rosto
Não são as mesmas de outrora
Com beleza, vida e luz, muita luz
As que agora carrega, são baças e pesadas
Como se arrastassem uma enorme cruz
Os flocos de neve, substituíram os fios prata
Que iluminavam os seus irreverentes cabelos
Agora tão entristecidos, como os lábios
Amordaçados, descoloridos,
Que desaprenderam o simples gesto do sorrir
O seu perfume?
Tem aroma a tristeza, mágoa e escuridão
Era tão feliz!
Como deixou secar a raiz?
Se nada fizermos para a alegria nos possuir
A quem vamos apontar o dedo e a culpa atribuir?
Confiaram-lhe a flor do amor
Semeada, colhida e depositada na sua mão
Propositadamente deixou-a cair
E acabou por secar, sucumbir
Não se rejeita um amor, por mera suposição
É preciso ter atenção
Não somos donos da verdade, tampouco da razão
Principalmente quando se sabe, que a simples flor
Ganhou asas num escaldante dia de Maio
E escolheu para pousar, não outro
Mas aquele preciso e precioso coração.
O futuro? Só a Deus pertence!


Helena Santos

quinta-feira, 28 de maio de 2015

CORES DO SILÊNCIO

Os silêncios povoam a nossa mente
Uns quase nos enlouquecem, ensurdecedores
Também os há mudos e calados,
Que nos deixam ocos, vazios, prostrados
Mas os que me impressionam, são os multi cores
Para saber distinguir, é preciso ter sentido as dores
Já atravessei todos os seus estágios
Alguns provocam profundas depressões
Tão pesados são os seus tons
Outros criam em nós oceanos de esperança sem fim
Pintados com cores vivas e alegres
Exalando das suas ondas, um cheirinho a alecrim
Mas ambos não deixam de ser silêncios
E quantas vezes precisamos
Que um silêncio mesmo colorido e perfumado
Se transforme numa palavra, fria ou quente
É indiferente
O importante, é ouvirmos o barulho do silêncio
Transformado em som de letras em movimento
Fazendo chegar algo em nós
Lembrando que somos almas sensíveis
E precisamos ouvir o ruído de palavras
Ainda que escritas, caso as ditas
Não consigam fazer ouvir a sua voz
Porque um silêncio, mesmo colorido
Não substitui a magia do ler
Ou a emoção de um sussurro ao ouvido.


Helena Santos

domingo, 24 de maio de 2015

PERTO DE DEUS

Gosto de estar perto do céu ou de Deus, quando me sinto sem chão. Por isso, escalei a montanha mais alta que os meus olhos alcançaram.

Fui à procura de ti, ao encontro de mim.

Encontrei um céu azul alegria, umas nuvens transparentes e um sol ardente, mas consciente de que embora me encontrasse só naquele lugar perdido de tudo, era frágil e ele teria de ser prudente. O vento não me castigou a pele delicada como uma flor, própria de quem se alimenta de amor. Em vez disso, refrescou a minha mente que fervia de tão impaciente e ansiosa, por não saber que desfecho teria a minha incessante procura. Sabia que podia terminar numa queda vertiginosa.

À chegada, avistei um Condor. Elegante nas suas vestes, corpo cuidado e discreto. De longe, observou-me. Todos os meus movimentos controlou, mas não se manifestou, como se não quisesse interromper um ritual. Então, simplesmente esperou, voando em círculos, mantendo uma certa distância como se estivesse a proteger-me ou apenas a dar-me as boas vindas, com algumas subtis piruetas.

Ali estava eu, entregue nem eu mesma sabia a quê ou a quem. O silêncio que ouvia, enchia-me a alma de certezas incertas e o horizonte aos meus pés, mostrava-me caminhos inexistentes. Estava espiritualmente perdida, com dois meios de salvação: a beleza da natureza nas suas formas e cores e um Condor que desde o início me adoptou, assim o senti. Cheguei com as mãos cheias de nada, mas regressaria com o coração cheio de tudo… tinha me prometido.

Munindo-me de toda a força que me restava, gritei perguntas ao Universo, esperando que as respostas chegassem em eco. O eco chegou, mas as respostas não as facultou. Uma lágrima rebolou pelo meu rosto. O Condor que tudo observou, de mim se aproximou e fixando os meus olhos, perguntou o que fazia ali uma delicada flor que aparentava ser um forte, mas carregava tanta dor.

Respondi que procurava um amor perdido, que já tentara resgatar e não havia conseguido. Disse-me que o amor nunca se perdia e nunca se ganhava, simplesmente se sentia e que o meu sempre esteve comigo. Sugeriu que sentisse como enchia o meu coração e veria que nada tinha sido em vão.

Regressei à vida no dorso de um Condor, que me mostrou que nunca há lugar para a dor, sempre que a prioridade for o amor que sentimos, não o que gostaríamos que alguém sentisse por nós e que só assim poderemos nos vestir de serenidade.

Helena Santos