PERDÃO MÃE!
Querida Mãe,
Sendo hoje o teu dia, o nosso dia, aproveito para te confessar algo que
me tem atormentado, na minha condição de filha e de mãe.
Tu és
parte do meu mundo, não só por me teres parido, mas por teres sabido
sempre sentir e agir como uma verdadeira Mãe. Há tantas mulheres que
pariram e nunca foram mães. Tu és fonte de vida, eu também sou fonte de
vida. E só depois de ter esse estatuto, fui percebendo o que nunca tive
capacidade de entender, enquanto filha. Ser Mãe, é uma flor que vai
desabrochando e em cada pétala está um ensinamento, uma aprendizagem.
Nunca valorizei o suficiente, as tuas preocupações, os teus receios, as
tuas aflições. Para mim eram sempre exageradas. Claro que mudei de
opinião. Quando? Quando me tornei Mãe. Podia enumerar várias situações e
atitudes impensadas, da minha parte, mas vou focar-me só numa. Quando
eu me ausentava de casa, da cidade, do país, por algumas horas, por um
dia, ou por vários dias, não conseguia entender por que querias que
ligasse a dizer onde estava, ou a que horas chegava; se a viagem tinha
sido boa, se tinha chegado bem… Por não entender, nunca o fiz,
limitava-me ao “já vou” e “já cheguei”. Hoje, como Mãe, é uma das
situações que mais me angustia. Não sei se é castigo, mas tu sabes como
eu sofro com as ausências do teu neto. É que ele cada vez que viaja, vai
para mais longe e fica mais tempo. Um dia destes sai deste mundo e vai
de férias para outro que irá descobrir, e, continuará a agir como se
simplesmente tivesse saído de casa para ir só ali à praia, surfar. Claro
que reclamo, mas assim como eu, ele também acha que não há necessidade
de ligar, ou de ligar tantas vezes, quando está tudo bem. As más
noticias chegam rápido, diz ele e ainda se ri. Acho isso tão importante,
que sendo hoje o teu dia, o nosso dia, quis que soubesses como agora te
entendo e como me dói saber que te fiz sofrer, embora sem intenção.
Peço que me perdoes, Mãe, por tudo e agradeço o que me tens mimado e serenado quando choro no teu colo, por falta de notícias.
Mas por que é que ele não liga, nem atende o telemóvel? Será que não
percebe a minha preocupação? Ele está no outro lado do mundo… Não, ele
não percebe, assim como eu não percebi, Mãe. E há dias em que parece que
não sinto o chão, de tão apertado estar o meu coração. É tão grande a
minha aflição, Mãe. É meu filho e eu amo-o, mais do que à minha própria
vida, assim como tu me amas e eu te amo. Mas o que eu quero, mesmo, é
que ele seja feliz, assim como tu sempre quiseste que eu fosse. Sou
grata por te ter sempre, para afagares a minha mão!