quinta-feira, 5 de março de 2015

HÁ DIAS ASSIM!

Há dias em que a tristeza se apodera de mim
E nem uma flor desabrocha no meu jardim
Para que com a sua beleza e luz
Eu possa expulsar essa escuridão
Que não tem fim

Há dias em que a tristeza se apodera de mim
E por mais que o vento cante
E as nuvens dancem
Não conseguem fazer com que a minha alma voe
E os meus medos se espantem
Há dias em que a tristeza se apodera de mim
E embora saiba o que lhe poria fim
Sei e sinto que não está ao meu alcance
Está tão longe como o sol ou a lua
E não imagina como me faria feliz
Se “poisasse” na minha rua
Há dias em que a tristeza se apodera de mim
Porque as injustiças multiplicam-se como cogumelos
Os afetos são esquecidos ou humilhados
E das palavras tolerância, humildade e lealdade
Poucos sabem o significado
Há dias em que a tristeza se apodera de mim
E mesmo com a alegria do mar
Dos meus olhos saltam pérolas de sal
E as gaivotas, como que por magia
Com elas tecem um lindo colar
Que me oferecem, para me animar
Há dias em que a tristeza se apodera de mim
E hoje
É um desses dias!

Helena Santos

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

MORANGOS

Os morangos que me ofereceste
Eram doces pedaços de ti
Foram caixas e mais caixas
Eu comi, comi e tanto me ri

Os morangos que de ti comi
Tinham alma, eram vida
E adoçaram o que por ti sentia
Sempre na chegada, nunca na partida
Os morangos que quis em ti saborear
Vinham recheados de bem querer
Perfumados com desejos de me teres
E servidos em boca de hortelã
Os morangos que por ti não recusei
Arrepiaram o meu ser
Orvalharam a minha pele
E molhados, degustei-os com prazer
Os morangos com que nos amamos
Vestiam-se de calda de provocação
Que escorria pelo meu corpo
E lambuzava-me sem contenção
Os teus morangos, fizeram história
O sabor ficou em mim
E ainda hoje, invadem a minha memória!

Helena Santos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

FELIZ ANIVERSÁRIO, PAI...

Se sei que hoje é o teu aniversário? Sim Pai, sei…82 anos. E então? Achas que isso me impede de dizer o que sinto? Claro que não e tu és meu Pai, conheces-me como ninguém. Aliás, nisso e em tantas outras coisas, eramos iguais. Sabes que nada me faz calar, quando alguém fere o meu coração e me abandona sem direito a despedida ou explicação. E só as pessoas que eu amo conseguem esse feito e mesmo tendo conhecimento, me magoam do mesmo jeito. Não, não me entendem, Pai. Ou será que sou eu que não as entendo? As outras? Nem tomo conhecimento do que dizem ou fazem…E foi o que fizeste. Partiste pela madrugada, enquanto eu descansava esperando o amanhecer, para ir te ver. Preferiste morrer, a ter de ver mais um dia nascer sem que nada pudesses fazer. E eu? Não devia ter uma palavra a dizer? Talvez não, por isso nem pediste a minha opinião. Mas podias ter esperado só mais um bocado. Faltava tão pouco para podermos estar lado a lado.
Imagina como fiquei, quando tocou o telefone e despertei em sobressalto, do cansaço que durante dias me entorpeceu e naquela noite me venceu. Dei um salto da cama e gritei: o meu Pai. Confirmado, tudo tinha terminado. Não chorei, não falei. Eu tanto supliquei para que de mim não te levasse, mas Ele não me escutou, ou simplesmente ignorou.
Fica descansado, o que tenho para te dizer continua guardado até eu te encontrar, aí, nesse lugar sagrado. Vais ter de me ouvir, vais ter se saber o quanto tenho sofrido, por não teres ficado comigo, por não teres por mim esperado. Por que não me levaste contigo?
Tu sabes, Pai, eu nunca fui de histórias de encantar. É que isso de dizerem que quem morre nunca deixa de estar connosco, não é para mim. Ficam as lembranças e o resto? Os beijos, os abraços, as repreensões, as zangas, as pazes, o colo, o afago de mãos e os olhos em comunhão.... Onde vou buscar tudo isso? Não tenho onde, Pai e preciso tanto. Fazes-me falta. Já passou algum tempo, eu sei, mas que posso fazer? Perdi-te e nunca mais me encontrei.
E sim, Pai, hoje é o teu aniversário e desejo que o festejes em alegria, na paz dos anjos, que são a tua companhia. Afinal, hoje é o teu dia, mereces e se estivesses aqui…era o que faria….uma grande festança, onde AMOR certamente não faltaria e ALEGRIA…ai que alegria seria! AMO-TE, PAI!


Helena Santos

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015



LÁGRIMAS E PALAVRAS

Caiu uma lágrima
e transformei-a numa letra
Veio uma segunda
e juntei-a à primeira
Lágrimas de dor
jorram como de uma torneira
e com tantas letras ao dispor
não tive qualquer problema
em juntar uma e outra,
formar palavras com cor
e compor uma bela poesia
secando a tristeza
e enchendo o coração de alegria.
Criei versos de encantar
com temas que dão sentido à vida,
casei-os com muito carinho
porque queria uma batalha ganha
não uma guerra perdida
E com as letras que sobraram
formei o teu nome
e como purpurinas
espalhei-as e abrilhantei o poema
feito de lágrimas de dor
transformadas em palavras de amor.

Helena Santos

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A FOLHA

Esquecida, pisada
Dizem para nada servir
Mas já foi amada, admirada
Ou somente usada
E de tanto se dar
Defraudou-se de si
O que recebeu
Como sendo de coração
Foi apenas manipulação
Não veio de dentro, com sentimento
Resta o lamento
De quem tudo fez, tudo deu
E de viver se esqueceu
Por mérito, ganhou um céu
E provou
Bem mereceu, o infinito gritou
De repente…o inferno
Como apareceu?
Nunca percebeu e ninguém esclareceu
Acusada, condenada
Por quem mostrou
Que na maldade foi valente
E na cobardia, sempre imperou
Restou-lhe esperar e o seu dia chegou
A Folha? Ganhou um amigo, o Vento
Ficou tão feliz, que com ele voou
E a dignidade recuperou!


Helena Santos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DESABAFOS

Sentei-me e aguardei. Para quê desesperar, se nada posso solucionar? Sabia que o vento por ali passaria e algo me diria. Pouco esperei. Avistei-o ao longe, com o seu ar descontraído, sereno, e, quando se aproximou vi o brilho de felicidade no olhar. Mas não vinha sozinho. Falou-me de alguém distante, mas de presença constante no meu coração.
Houve um tempo de amor, harmonia e cumplicidade, mas de repente tudo mudou, tudo se transformou em dor. As perguntas ficaram a pairar, as respostas por adivinhar. O que foi dito não foi retirado, o que foi ouvido ficou registado. O carácter, a amizade, a gratidão e até o amor, foram engolidos simplesmente pelo orgulho de quem pensa que, perdoar, reconhecer erros e assumi-los, faz de seres humanos, seres inferiores.
O vento pouco falou, mas trazia com ele o Tempo e foi quem me elucidou. O Tempo tem tudo, principalmente respostas mudas e quando essas tudo nos dizem, não precisamos das verbalizadas. Por que gostamos tanto de ouvir o que já sentimos, o que já adivinhámos? Talvez porque enquanto não somos confrontados com a realidade, a Esperança permanece. Devemos engordar o nosso amor próprio com sensatez e bom senso e acreditar que o Tempo não é nosso inimigo e nos dá tudo, a seu tempo.
Interrogações, já não as tenho… negociei com o Tempo e troquei-as por pontos finais.

Helena Santos