sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A FOLHA

Esquecida, pisada
Dizem para nada servir
Mas já foi amada, admirada
Ou somente usada
E de tanto se dar
Defraudou-se de si
O que recebeu
Como sendo de coração
Foi apenas manipulação
Não veio de dentro, com sentimento
Resta o lamento
De quem tudo fez, tudo deu
E de viver se esqueceu
Por mérito, ganhou um céu
E provou
Bem mereceu, o infinito gritou
De repente…o inferno
Como apareceu?
Nunca percebeu e ninguém esclareceu
Acusada, condenada
Por quem mostrou
Que na maldade foi valente
E na cobardia, sempre imperou
Restou-lhe esperar e o seu dia chegou
A Folha? Ganhou um amigo, o Vento
Ficou tão feliz, que com ele voou
E a dignidade recuperou!


Helena Santos

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DESABAFOS

Sentei-me e aguardei. Para quê desesperar, se nada posso solucionar? Sabia que o vento por ali passaria e algo me diria. Pouco esperei. Avistei-o ao longe, com o seu ar descontraído, sereno, e, quando se aproximou vi o brilho de felicidade no olhar. Mas não vinha sozinho. Falou-me de alguém distante, mas de presença constante no meu coração.
Houve um tempo de amor, harmonia e cumplicidade, mas de repente tudo mudou, tudo se transformou em dor. As perguntas ficaram a pairar, as respostas por adivinhar. O que foi dito não foi retirado, o que foi ouvido ficou registado. O carácter, a amizade, a gratidão e até o amor, foram engolidos simplesmente pelo orgulho de quem pensa que, perdoar, reconhecer erros e assumi-los, faz de seres humanos, seres inferiores.
O vento pouco falou, mas trazia com ele o Tempo e foi quem me elucidou. O Tempo tem tudo, principalmente respostas mudas e quando essas tudo nos dizem, não precisamos das verbalizadas. Por que gostamos tanto de ouvir o que já sentimos, o que já adivinhámos? Talvez porque enquanto não somos confrontados com a realidade, a Esperança permanece. Devemos engordar o nosso amor próprio com sensatez e bom senso e acreditar que o Tempo não é nosso inimigo e nos dá tudo, a seu tempo.
Interrogações, já não as tenho… negociei com o Tempo e troquei-as por pontos finais.

Helena Santos
SURF DA VIDA

A vida é feita de ondas
Escolhe as que te cativarem
E surfa nelas
Com a mesma perícia
Entrega e paixão
Com que surfas nas outras
Nas do mar que tanto amas
E onde te perdes
Tanto quanto te encontras.


Helena Santos

sábado, 17 de janeiro de 2015

JARDIM DA AMIZADE

A amizade é um perfume raro
Não se vende, não se compra
Nem se encontra em qualquer lado
É uma jóia de valor inestimável
E quem tem amigos, não deve esquecer
Que também deve dar
Não só receber
No meu jardim da amizade, há flores diversas
Cada uma com sua cor, com seu glamour
Mas são todas iguais no amor que recebem
Do meu coração…sem excepção.
As flores do meu jardim, são poucas, mas vistosas
E sei que, como eu, precisam
Carinho, cuidado, atenção, respeito
Às vezes me descuro
E culpada me confesso
Mas a tristeza que se hospeda no meu peito
Domina-me
As forças não me obedecem
Esmoreço
E quando os sorrisos de que preciso,
Adormecidos como um vulcão,
Despertam, por fim
Dão brilho ao meu olhar
E feliz, entrego-os ao vento
Para os espalhar
As flores do meu jardim, sabem
O quanto são importantes para mim.


Helena Santos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CORAÇÕES FECHADOS

Os corações fechados
Amargurados
Amanhecem empedernidos
Sem tino, sem Norte
Acabam perdidos
Entregues à má sorte
Que não é de sina
Mas de quem quer
Mostrar-se forte
Sem o ser
Recusam-se amar
Foram amados
Mas o amor rejeitaram
Simplesmente
Por medo de sofrer.


Helena Santos

sábado, 29 de novembro de 2014

INSPIRAÇÃO

A minha inspiração
É livre como uma gaivota
Geniosa como eu própria
E aparece, simplesmente
Não se alimenta de Pessoa
Tampouco de Picasso
Mas de gotas de orvalho
E da linha do horizonte
A sua chegada baralha-me
completamente
Nunca sei se construir castelos de letras
Ou preparar um cocktail de cores
É difícil decidir entre dois amores
A minha inspiração
É uma criança obstinada
Com personalidade forte
E nela não tenho mão
Por isso entrego-a a Deus
E com caneta e papel
Ou tela e pincel
Os meus dedos deslizam
Os meus olhos nem piscam
Deixo-os navegar em plena liberdade
Certa de que o resultado
Será sempre uma obra única
De valor inestimável
Só para mim, é verdade
Mas esse é o objectivo
Ser feliz, com simplicidade!


Helena Santos