quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

SURF DA VIDA

A vida é feita de ondas
Escolhe as que te cativarem
E surfa nelas
Com a mesma perícia
Entrega e paixão
Com que surfas nas outras
Nas do mar que tanto amas
E onde te perdes
Tanto quanto te encontras.


Helena Santos

sábado, 17 de janeiro de 2015

JARDIM DA AMIZADE

A amizade é um perfume raro
Não se vende, não se compra
Nem se encontra em qualquer lado
É uma jóia de valor inestimável
E quem tem amigos, não deve esquecer
Que também deve dar
Não só receber
No meu jardim da amizade, há flores diversas
Cada uma com sua cor, com seu glamour
Mas são todas iguais no amor que recebem
Do meu coração…sem excepção.
As flores do meu jardim, são poucas, mas vistosas
E sei que, como eu, precisam
Carinho, cuidado, atenção, respeito
Às vezes me descuro
E culpada me confesso
Mas a tristeza que se hospeda no meu peito
Domina-me
As forças não me obedecem
Esmoreço
E quando os sorrisos de que preciso,
Adormecidos como um vulcão,
Despertam, por fim
Dão brilho ao meu olhar
E feliz, entrego-os ao vento
Para os espalhar
As flores do meu jardim, sabem
O quanto são importantes para mim.


Helena Santos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

CORAÇÕES FECHADOS

Os corações fechados
Amargurados
Amanhecem empedernidos
Sem tino, sem Norte
Acabam perdidos
Entregues à má sorte
Que não é de sina
Mas de quem quer
Mostrar-se forte
Sem o ser
Recusam-se amar
Foram amados
Mas o amor rejeitaram
Simplesmente
Por medo de sofrer.


Helena Santos

sábado, 29 de novembro de 2014

INSPIRAÇÃO

A minha inspiração
É livre como uma gaivota
Geniosa como eu própria
E aparece, simplesmente
Não se alimenta de Pessoa
Tampouco de Picasso
Mas de gotas de orvalho
E da linha do horizonte
A sua chegada baralha-me
completamente
Nunca sei se construir castelos de letras
Ou preparar um cocktail de cores
É difícil decidir entre dois amores
A minha inspiração
É uma criança obstinada
Com personalidade forte
E nela não tenho mão
Por isso entrego-a a Deus
E com caneta e papel
Ou tela e pincel
Os meus dedos deslizam
Os meus olhos nem piscam
Deixo-os navegar em plena liberdade
Certa de que o resultado
Será sempre uma obra única
De valor inestimável
Só para mim, é verdade
Mas esse é o objectivo
Ser feliz, com simplicidade!


Helena Santos

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

AMANHÃ QUANDO MORRER

Amanhã quando eu morrer
Não quero lágrimas salgadas
A saltarem como pipocas
Dos olhos de quem se aperfeiçoou
Na arte de fingir
Quero gotas de licor de mel
A deslizar dos olhos até aos lábios
Provocando sorrisos de saudades
E aveludando a pele
Do rosto de quem me ama
E que estará lá
Assim como hoje está aqui
Quando rio, quando choro
Ou simplesmente
Preciso de colo


Amanhã quando eu morrer
Não quero flores
Flores e amor, devemos ter
Enquanto podemos nos embriagar de prazer
Não depois da partida
Que não vemos as cores
Nem sentimos o sabor
As flores são cor, são vida
Eu aprecio, admiro, me encanto e lá ficam
Não as colho, no meu jardim
Seria matá-las, seria para todas…o fim

Amanhã quando eu morrer
Nada de mim restará
Nem as virtudes que me realçam
A quem me vê com o coração
Nem os defeitos que me desgraçam
Aos olhos dos que me odeiam e nem sabem a razão
Os pecados ou erros, serão perdoados por Deus
E os que nunca foram perdoados pelo Homem
Por arrogância, maldade, ou superioridade
Ficarão a pairar, em forma de assombração

Amanhã eu vou morrer
Terei os olhos fechados
Não verei tristezas forjadas, nem lágrimas plastificadas
Os meus ouvidos não atenderão os chamados
Nem ouvirão os gritos forçados
Mas também não me entristecerei, nem chorarei
Ouvindo o sofrimento sagrado
De quem sempre me quis ao seu lado

Sim, amanhã eu vou morrer
Simplesmente porque não quero mais viver.

Helena Santos

domingo, 23 de novembro de 2014

MAR AMIGO

Está sempre no meu caminho
Se não paro para o cumprimentar
No regresso ele chama-me
E eu não resisto
Sabem sempre tão bem
Os abraços que faz questão de me dar
Mas à vezes também me irrito
Teima sempre em me perguntar
Por ti
Quando já lhe disse e repeti
Que o que havia visto
Não passou de um equivoco
Embora tivesse sido um momento feliz
Não cresceu, não floresceu, logo morreu
Porque não criou raiz
Foi apenas e só, um beijo roubado
Num impulso
Deslumbrado com um céu e mar tão azuis
Que quando a noite desceu
O coração que pensava ser meu
Já tinha esquecido o beijo
Já nem se lembrava de mim
E assim, foi o fim
Mais uma vez explicado
E parece que agora entendeu
Porque pestanejou e as minhas mãos afagou
O Mar amigo
Que está sempre onde eu estou!


Helena Santos