sábado, 29 de novembro de 2014

INSPIRAÇÃO

A minha inspiração
É livre como uma gaivota
Geniosa como eu própria
E aparece, simplesmente
Não se alimenta de Pessoa
Tampouco de Picasso
Mas de gotas de orvalho
E da linha do horizonte
A sua chegada baralha-me
completamente
Nunca sei se construir castelos de letras
Ou preparar um cocktail de cores
É difícil decidir entre dois amores
A minha inspiração
É uma criança obstinada
Com personalidade forte
E nela não tenho mão
Por isso entrego-a a Deus
E com caneta e papel
Ou tela e pincel
Os meus dedos deslizam
Os meus olhos nem piscam
Deixo-os navegar em plena liberdade
Certa de que o resultado
Será sempre uma obra única
De valor inestimável
Só para mim, é verdade
Mas esse é o objectivo
Ser feliz, com simplicidade!


Helena Santos

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

AMANHÃ QUANDO MORRER

Amanhã quando eu morrer
Não quero lágrimas salgadas
A saltarem como pipocas
Dos olhos de quem se aperfeiçoou
Na arte de fingir
Quero gotas de licor de mel
A deslizar dos olhos até aos lábios
Provocando sorrisos de saudades
E aveludando a pele
Do rosto de quem me ama
E que estará lá
Assim como hoje está aqui
Quando rio, quando choro
Ou simplesmente
Preciso de colo


Amanhã quando eu morrer
Não quero flores
Flores e amor, devemos ter
Enquanto podemos nos embriagar de prazer
Não depois da partida
Que não vemos as cores
Nem sentimos o sabor
As flores são cor, são vida
Eu aprecio, admiro, me encanto e lá ficam
Não as colho, no meu jardim
Seria matá-las, seria para todas…o fim

Amanhã quando eu morrer
Nada de mim restará
Nem as virtudes que me realçam
A quem me vê com o coração
Nem os defeitos que me desgraçam
Aos olhos dos que me odeiam e nem sabem a razão
Os pecados ou erros, serão perdoados por Deus
E os que nunca foram perdoados pelo Homem
Por arrogância, maldade, ou superioridade
Ficarão a pairar, em forma de assombração

Amanhã eu vou morrer
Terei os olhos fechados
Não verei tristezas forjadas, nem lágrimas plastificadas
Os meus ouvidos não atenderão os chamados
Nem ouvirão os gritos forçados
Mas também não me entristecerei, nem chorarei
Ouvindo o sofrimento sagrado
De quem sempre me quis ao seu lado

Sim, amanhã eu vou morrer
Simplesmente porque não quero mais viver.

Helena Santos

domingo, 23 de novembro de 2014

MAR AMIGO

Está sempre no meu caminho
Se não paro para o cumprimentar
No regresso ele chama-me
E eu não resisto
Sabem sempre tão bem
Os abraços que faz questão de me dar
Mas à vezes também me irrito
Teima sempre em me perguntar
Por ti
Quando já lhe disse e repeti
Que o que havia visto
Não passou de um equivoco
Embora tivesse sido um momento feliz
Não cresceu, não floresceu, logo morreu
Porque não criou raiz
Foi apenas e só, um beijo roubado
Num impulso
Deslumbrado com um céu e mar tão azuis
Que quando a noite desceu
O coração que pensava ser meu
Já tinha esquecido o beijo
Já nem se lembrava de mim
E assim, foi o fim
Mais uma vez explicado
E parece que agora entendeu
Porque pestanejou e as minhas mãos afagou
O Mar amigo
Que está sempre onde eu estou!


Helena Santos

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SE POR UM ACASO!

Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
Há sempre alguém ou um dia
Que fica esculpido na nossa memória, eternamente

Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
O amor é TUDO
O desamor é triste
E enquanto há vida
Não se desiste
Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
Eu erro, tu erras, nós erramos
Eu perdoo, tu devias, nós somos humanos
Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
Só estende a mão, quem é do bem
Que a gratidão existe
E a injustiça também
Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
A vida apaga-se com um sopro
E que perder tempo
A querer ser dono do mundo e da verdade
Não passa de uma enorme imbecilidade
Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
O que dizemos nem sempre é de ouro
O que ouvimos, tantas vezes é um engodo
E nem tudo o que fazemos, nos serve de consolo
Por isso…
Se por um acaso me escutasses
Eu dir-te-ia que
A vida dá-nos uma nova chance a cada dia
Para sermos melhores connosco e com os outros
E que não a devíamos desperdiçar
Mas sim agradecer e saborear.

Helena Santos

terça-feira, 18 de novembro de 2014

GRATIDÃO

Deram-me asas e eu voei
Leram-me um poema e memorizei
Num carrossel de letras
Com palavras me encantei
Num mar de poetas, simplesmente me arrastei
Navegar… nem pensar, sequer tentei
O medo nunca me deixou, sempre me dominou
Mas ensinar, sempre alguém me ensinou
Verso? O que é isso? E a resposta não tardou
Quadra? Como se faz? E como por magia, alguém respondia
Como faço para rimar? Era só esperar e observar
Para mais não me aventurava, ficava assustada
Um dia pensei: preciso de um poema forte
Que mostre todo o meu amor e gratidão
A quem o ler com o coração
Mas não irei pedir a ninguém
Tenho de o escrever com a minha mão
E mostrar que tenho alguma imaginação
Sou capaz
Só tenho de me convencer
Que não posso me manter refém do medo
Preciso mostrar que as palavras ditas
Não foram arrastadas pelo vento
Mas ficaram no meu pensamento
E surtiram efeito
Quem sabe algures, em algum lugar
Irei surpreender alguém
Ao ver que o que me ensinou
O que insistiu e me incentivou
Se transformou em sorrisos, ganhou cor
E brilhou
E como forma de gratidão, aqui estou
Humildemente
Oferecendo ao anjo a luz que brotou
Dos ensinamentos que semeou em mim
Porque na minha capacidade confiou.


Helena Santos

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

É…SIMPLESMENTE!

É de ti
Que vem esse aroma a alecrim
É em ti
Que sinto esse gosto a mel
É por ti
Que os meus pensamentos voam como papel
É de ti
Que me chega esse sorriso cativante
É para ti
Que me banho ao luar
É de ti
Que saboreio esse beijo apaixonante
É para ti
Que escrevo versos de amor cheios de cor
É de ti
Que vem este brilho no olhar
É por ti
O meu saber perdoar
É para ti
Todo o amor que tenho para dar
É por ti
Que fujo da vida e torno a voltar
É por ti
Que no amor continuo a acreditar
É por ti
Que o meu corpo inflama só de recordar
É por ti
Que quero perder o Norte, para seres tu a me encontrar
É de ti
Que desejo aconchegos escaldantes
É para ti
Que ainda sou, como era dantes


É de ti, para ti e por ti
Que estou aqui

És fogo que mora em mim
És força do mar
Calor da terra
Leveza do ar
Contigo vivo a sonhar
E para que viveria eu
Se não fosse para te amar?

Helena Santos