quarta-feira, 22 de outubro de 2014

É BONITO!!!

É bonito e com ele fico
Chegou o Outono
Folhas caídas, árvores despidas
Chuva miúda e charcos na rua
Época de vindima e bom vinho
Querem beber? Eu alinho
Cores e mais cores
A beleza anda no ar
Telas de folhas e flores
Laranja, vermelho e amarelo
Lindas como os singelos amores
É só apreciar
Andorinhas abandonam os ninhos
Mas logo, logo irão regressar
O cheirinho a castanha
Se espalhou, se impregnou
Lareira acesa, frio contagiante
É tudo muito excitante
Embora seja o Outono o visitante
Ele chegou e como eu gosto
Em mim se hospedou!!

Helena Santos

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

DIFICIL AMAR

É penoso amar
Sem tocar corações
É difícil tocar corações
Que se fecham
Às emoções
E quando isso acontece,
Amar
É remar, remar
Sem um porto encontrar
E surge a questão:
Desistir ou continuar?
Mas quem ama,
Tem outra opção
Senão a de lutar?
O futuro
É uma incógnita
Mas há sempre que tentar
Quem sabe
Se não se abre uma brecha no nevoeiro
E uma luz consegue penetrar?
O amor faz magia
E a esperança
É a última a nos abandonar.


Helena Santos
HÁ TANTO DE TI

Há tanto de ti em mim
Que me perdi nos limites
Vestida para amar, entrei no mar
E com a maré baixa
Consegui sentir o teu cheiro
Me enrolar no teu olhar meigo
E acabar perdida nos teus abraços

Há tanto de ti em mim
Que ainda que fosse meu desejo
Seria quase impossível resgatar
Todos os cantos e rugas
Que de mim te apoderaste
Há tanto de ti em mim
Que na escuridão
Onde se cala a solidão
Quando o que és parece não ter fim
Sinto o teu respirar
Oiço o bater do teu coração
Há tanto de ti em mim
Que mesmo sabendo
Eu ser mais de ti
Do que de mim
Nada faço, nem me lamento
Porque o pouco que sou de mim
Sem o tanto que há de ti
Seria nada, seria fim
Pois é em ti
Que me sustento.

Helena Santos

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

NÃO ME ENTENDES

Falar, falo
Mas não me escutas
Escrever, escrevo
E nem me lês
Não entendes as minhas lutas
Por isso, são tão escuras
As cores com que me vês
Não silencio a minha dor
Nem escondo o meu amor
O que brota de mim
São sentimentos nobres e profundos
Não há lugar para raiva ou rancor
Que corroem até ao fundo
A alma sem nenhum pudor
Nuvens negras pairam sobre a minha cabeça
Mas não, não deixo que me vençam
Tampouco que se aproximem
Porque reina em mim a esperança
E é forte
A luz que emana o meu coração.


Helena Santos
VICIADA NO TEU SILÊNCIO

TORNEI-ME VICIADA NO TEU SILÊNCIO
Há silêncios estrondosos, arrebatadores
Não o teu
É um silêncio morto, inútil, num corpo vivo…mas sem vida
Porque a tua alma, não encontrou guarida
De ti só saem sons mudos, sem asas
E perdem-se no ar, por falta de amor
Nem tu próprio te consegues ouvir
O mundo por ti inventado, dá-te imagens irreais
Sons distorcidos e verdades fabricadas
Que te levam a definhar
Como as flores que não são regadas
ESTOU VICIADA NO TEU SILÊNCIO
Não me dizes nada
Mas gosto de te ouvir de boca fechada
A olhar preso numa estrada sonhada
Que se esfumou por falta de garra
VOU CONTINUAR VICIADA NO TEU SILÊNCIO
Mas nunca alienada do que sinto e penso
Os teus murmúrios silenciosos
Alimentam o rio que borbulha na minha mente
Porque mesmo ausente
Há uma energia potente que me puxa para beber em ti
Esse silêncio.
SIM, VICIEI-ME…
Ou será que tu é que me viciaste
Para que de ti nunca me afastasse?


Helena Santos

terça-feira, 30 de setembro de 2014

SERÁ????

Claro que é o Outono
Quem mais poderia vestir-se de tanta alegria
E passear-se como se fosse Verão todos os dias?
Adora extravasar
Cabelo pintado de vermelho fogo
Lábios roxos, provocantes
Vestido rodado com tons de laranja e amarelo sol
No pescoço, um lenço verde esperança
E descalço, com andar sensual
Passos leves
Para não ferir as folhas
Estendidas pelo chão a preceito
Para que tivesse uma passerelle
Com cores vivas e variadas, a seu jeito
Onde pudesse desfilar
Como se fosse uma princesa
Acabada de chegar ao mundo da fantasia
Ele adora passar por menina
Maquilhar-se de vivas cores
Perfumar-se como flores
E dançar na rua, feito criança rabina
Debaixo de uma chuva borbulhante
Que para ele não é mais do que um excelente espumante
E saboreia gota a gota, usufruindo do seu tempo de reinado
Que sendo cíclico tem um principio e um fim
E como tal
Não há nada que o pare porque é a sua estação
E vive-a com muita emoção
Até ao dia em que a bebida se transforma
Em pedaços de cristal
E percebe que está na hora de se recolher
Para dar lugar ao duro Inverno
E só lhe resta contemplá-lo da sua janela, abrigado do gelo e do frio
No aconchego do lar
Com toda a beleza que lhe é permitido absorver, observar.


Helena Santos