quinta-feira, 11 de setembro de 2014

VÃO-SE AS FÉRIAS, FICAM AS SAUDADES

Afinal para que servem as férias?
Brinquei, brinquei e até abusei.
Fiquei toda empenada, mas não parei
Não sou feita de porcelana
Ainda assim, há sempre algo que se parte
Mas faço umas colagens, com arte
Nada me impediu de correr, saltar, tropeçar, cair e me esborrachar
Idade? Só podem estar a brincar! Com 50 anos, sou uma criança.
Ah, referem-se ao politicamente correto? Bem, política não sou e correta, tem dias.
Só devia caminhar? Mas nem pensar
Até já tentei voar. Um dia destes consigo e vocês verão onde vou poisar!
Então as férias não são para extravasar?
Banhos de sol, lua e mar, tive até fartar
Passear, descobrir e aprender
Também fizeram parte da minha lista de quereres
As surpresas agradáveis não faltaram
Amigos do coração, me visitaram
E não pude evitar, rir e chorar de emoção
É que sou fraca…do coração!!!
Mas foi uma diversão. Venham mais e mais vezes
Sou um ser inacabado.
Quando feliz, adoro infernizar a vida aos amigos
Sejam reais ou virtuais
Mas eles percebem que é a minha maneira torta
De lhes dizer ou mostrar
Que estou, sou…sempre…é só chamar.
E no ser, também se inclui o destrambelhada
Não resisto às “palhaçadas”
Em casa só recebo amigos
E eles sabem os riscos que correm
Mas nunca querem perder os momentos de loucura
Porque a amizade
É uma mistura de ervas aromáticas, pura!



Helena Santos

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O SOL VEIO VISITAR-ME

Mergulhada num sono profundo,
Acordei com o toque da campainha
Vontade de me levantar não tinha,
Mas perante tanta insistência,
Fui ver o que por lá vinha
Espreitei, era o Sol e abri a janela
- Bom dia, Sol. Que hora imprópria para visitar alguém.
- Hora imprópria? É quase meio dia. Que fazes metida no escuro com um dia tão lindo? Distribui os meus raios de luz e o meu calor, para que todos tivessem um dia de esplendor e tu ainda a dormitar?
Podíamos brincar juntos no teu jardim, com os teus cães; sentarmo-nos no quintal a ler um bom livro; simplesmente esticarmo-nos na relva a absorver o meu calor. Se quiseres também podemos ir até à praia, fazer uma caminhada à beira mar, deitarmo-nos na areia a relaxar, olhando as gaivotas a voar e conversar com o mar que tão bem sabe escutar. Tens o mar aqui tão perto, algo contigo se anda a passar!!!
- Sabes Sol, estás coberto de razão, mas eu hoje estou em dia não e tanto me faz que chova ou faça sol. Não quero ver luz porque toda eu sou escuridão e enquanto a minha cabeça não se entender com o meu coração, dificilmente melhores dias virão. Quem sabe se amanhã por aqui passares, eu não aproveitarei a luz do teu raiar e o calor que emanas e que por eles tanta gente anda a suspirar? Agradeço mas por hoje volto para a minha solidão e se houver amanhã, veremos então.
Com muita tristeza o Sol foi-se embora, prometendo voltar e dizendo que não era de desistir e que fosse qual fosse o minha maleita, não se curava na escuridão….mas com muita luz e uma boa dose de diversão para sacudir a tristeza, aproveitando o que de bom a vida põe à nossa disposição.

Helena Santos
O LIVRO

Nem todos os livros
nos cativam
Nem todos os livros
nos deixam entrar nas suas vidas
Cada livro
uma história
cada história
seu final
ou sem final
Li um que me surpreendeu
Capa atraente
Cores vivas
Letras desenhadas
Foto deslumbrante
Muito apelativo
O primeiro contacto
foi envolvente
Nas primeiras páginas
me encantei
Fácil compreensão
e conteúdo interessante
A dada altura
tudo muda
Lia relia
e nada entendia
As dúvidas se acumulando
e página após página
nada encontrei
para me esclarecer
permitindo o enredo perceber
Do livro não desisti
curiosa continuei
li-o até ao fim
mas o mistério
não desvendei
O marcador nele ficou
porque para mim
a história não terminou
Guardei-o num lugar de destaque
e pergunto-me sempre
por que será que me veio parar às mãos
um livro tão intrigante
tão diferente?

Helena Santos
O TEMPO QUE PASSA

O Tempo passa
E ninguém acha graça
Traz rugas, mágoas, estraga o corpo
Mas se o Tempo não passasse
Como seria a Vida vivida?
Não é o Tempo que nos traz sabedoria?
E a experiência, como é obtida?
A saudade, as recordações
As eternas paixões que dão vida aos corações
Tudo que nos dá alegria
Vem com o Tempo
O Tempo é um aliado
Se não for visto como um bicho papão
Que só deixa azedume e depressão
Gosto de sentir o Tempo a passar por mim
Gosto das marcas que me crava na pele e no peito
Dos sorrisos que ateia
Dos alertas
Dos olhos que embacia
Gosto do Tempo exactamente porque passa por mim
E tudo que faz
Tem um propósito, tem um sentido
Que raramente é compreendido!

Helena Santos

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

HUMMMM

Olhei e cativou
Provei e deliciou
Chupei e lambuzou
Textura aveludada
Polpa cremosa e macia
O toque provoca arritmia
Aqui e ali veios
Salientes atrevidos
Excitantes rijos
Queria mais e mais
Tornei-me insaciável
Tornou-se viciante
Sabor especial
Degustava extasiada
E gemia de prazer
Tinha de me conter
Para não enlouquecer
Há fruta que não sei comer
Sem me exceder.

Helena Santos
ESTA TAMBÉM SOU EU

Só me demoro onde me sinto bem
Só me faço acompanhar, por quem me quer bem
Não me imponho a ninguém
Não preciso de PIN, sou de livre acesso, só exijo que me respeitem
Digo o que penso e o que sinto, não sou de rodeios nem floreados, o meu precioso tempo não é para ser perdido, mas sim aproveitado.
Também sei escutar e sou boa a observar
Adoro brincar….quase na menopausa e continuo criança
Gargalhar? Do que faço, é o que mais prazer me dá. Sim, mesmo quando a vida insiste em me tramar. Teimosia? Não, puro mau feitio, não sou fácil de dobrar.
Defeitos??? Correm-me nas veias, não vivo sem eles.
Amiga????Sou daqueles que me enchem a alma e também me torram a paciência
Mas para mim, a amizade é isso mesmo, o doce e o amargo.
Os que estão a quilómetros de distância e raramente nos vemos e quase nem falamos, são tão amados como os que me beijam e abraçam todos os dias. É o que chamo de amizade correspondida. Todos sabem onde e como me encontrar e principalmente…com o que contar!
Digo que gosto com a mesma facilidade com que digo que não gosto. Por isso, considero os meus poucos amigos uns heróis. Nem todos me engolem sem precisar de sais de fruto, para digerir. Só os que me ouvem e sabem que eu os oiço, mesmo que o assunto não me agrade e não concorde. Se temos todos o direito de falar, logo, temos a obrigação de ouvir e respeitar. Cada um…é como cada qual…evidentemente! E se tivéssemos isso presente, seria tão fácil convivermos com toda a gente.

Helena Santos

2/09/2014