segunda-feira, 14 de julho de 2014

VERÃO

A praia estava convidativa
O sol brilhante, sorria-me dum céu azul inigualável. O mar, de um azul maravilha a contrastar com o céu, estava sereno, com umas ondas a dançar para mim, provocando-me para entrar na dança. Vontade tinha, mas, primeiro queria relaxar, engolir uma boa porção de sol que tanta falta me fazia e simplesmente estar, ao som do silêncio do mar, sob o olhar atento de uma e outra gaivota.
Acompanhada de um delicioso refresco e um livro apaixonante, estendi-me na areia molhada e ali fiquei concentrada no que de bom a vida me oferecia. E que prazer sentia, sempre que uma onda se espreguiçava na areia e beliscava os meus pés.
Que bem estava, num paraíso só meu.
Embrenhada a saborear a felicidade, não me dei conta da chegada traiçoeira de uma onda mais afoita que, me inundou até à alma e quase me afogou. Na aflição, acordei e estava apenas na minha cama e o sonho terminou.

Helena Santos

domingo, 13 de julho de 2014

AMOR

Do amor, pouco sei
Faz-me chorar
Faz-me sorrir
E até faz-me voar
Mas o melhor
É que isso só acontece
Quando estou contigo
Quando penso em ti
E quando te sinto em mim
O que significa que
Tu és o meu céu
O meu mar
És tudo o que possas imaginar
Por isso
Sinto-me feliz
Abençoada
E do meu coração, não sairás
Por nada.

Helena Santos


quinta-feira, 10 de julho de 2014

ABISMO

Há algo que me arrasta para o abismo
Sou um ser moldado em fragilidade
Não tenho como me defender das hostilidades
Vivo de sonhos de encantar
Porque nem os pesadelos eu deixo entrar
Mas olho à minha volta e sinto-me única
Será que estou a delirar?
O amor pincela-se de negro e esconde-se na escuridão
Os sorrisos sentem-se tímidos e choram até à exaustão
O vento varre a confiança e a esperança, ao passar
E quem pretende reservar um lugar no futuro
Não tem a quem recorrer, não tem onde se agarrar
A chuva não lava a alma, diz não se querer cansar
O sol não aquece e desola, com ele todos estavam a contar
Será que é a visão de um coração a sangrar,
Ou nada floresce neste jardim
E para mim a vida chegou ao fim?

Helena Santos

quarta-feira, 9 de julho de 2014



 O TEMPO

O tempo
Esse que nos leva os sonhos
e nos traz as mágoas
é o mesmo que nos controla o caminhar
para que os passos dados
não sejam maiores
que a capacidade de andar
Faz-nos olhar ao espelho
para vermos quem somos
ou o que resta de nós
E as suas marcas
essas
estão em todo o lado
sejamos velhos ou jovens
numa ruga
num cabelo branco
num olhar vazio
numa fotografia
numa música
estão sempre lá
E quando se recorre a ele
para apagar um amor
não acaba a dor
porque ele não o elimina
simplesmente o pinta de outra cor.

Helena Santos

terça-feira, 8 de julho de 2014

SONHO

Sonhei com um amor eterno
Como que por magia
O amor eterno me encontrou
Ele não sabia
Nem sequer desconfiou
Que aquele dia
Iria mudar as nossas vidas
Mas o meu coração sentiu
E logo me alertou
A seu tempo ele também notou
Que o meu coração abria-se como uma flor
Exalando o perfume do amor
Que só por isso eu estava ali
E estava
E estive, sempre
Não sei se algum dia fui o seu amor
Mas senti que ele também estava ali
E estava
E esteve, sempre
Era intensa a Luz que iluminava as nossas almas
E a felicidade em nós viveu
De repente tudo escureceu
Ele de mim se afastou
E nem sei o que aconteceu
Nada me disse, não me esclareceu
De mim se esqueceu
E nem sequer se importou
Com a dor que me causou
A ferida que em mim abriu
E que ainda hoje não sarou.

Helena Santos
COISAS SIMPLES

Não há almas perfeitas
Nem corpos santificados
Eu sou feita de pecados
Aceito as minhas maleitas
E não apregoo falsos predicados
Sou feita de carne e osso
Sou humana, pelo que oiço
Como tal
Vivo errando e aprendendo
Amando e sofrendo
Perdoando e crescendo
A felicidade é um momento
Que bebo pausadamente
Porque da sofreguidão não sou fã
Tudo deve ser saboreado com tempo
Degustado e celebrado alegremente
Até à última gota
E nunca terminado num triste lamento.

Helena Santos