quinta-feira, 10 de julho de 2014

ABISMO

Há algo que me arrasta para o abismo
Sou um ser moldado em fragilidade
Não tenho como me defender das hostilidades
Vivo de sonhos de encantar
Porque nem os pesadelos eu deixo entrar
Mas olho à minha volta e sinto-me única
Será que estou a delirar?
O amor pincela-se de negro e esconde-se na escuridão
Os sorrisos sentem-se tímidos e choram até à exaustão
O vento varre a confiança e a esperança, ao passar
E quem pretende reservar um lugar no futuro
Não tem a quem recorrer, não tem onde se agarrar
A chuva não lava a alma, diz não se querer cansar
O sol não aquece e desola, com ele todos estavam a contar
Será que é a visão de um coração a sangrar,
Ou nada floresce neste jardim
E para mim a vida chegou ao fim?

Helena Santos

quarta-feira, 9 de julho de 2014



 O TEMPO

O tempo
Esse que nos leva os sonhos
e nos traz as mágoas
é o mesmo que nos controla o caminhar
para que os passos dados
não sejam maiores
que a capacidade de andar
Faz-nos olhar ao espelho
para vermos quem somos
ou o que resta de nós
E as suas marcas
essas
estão em todo o lado
sejamos velhos ou jovens
numa ruga
num cabelo branco
num olhar vazio
numa fotografia
numa música
estão sempre lá
E quando se recorre a ele
para apagar um amor
não acaba a dor
porque ele não o elimina
simplesmente o pinta de outra cor.

Helena Santos

terça-feira, 8 de julho de 2014

SONHO

Sonhei com um amor eterno
Como que por magia
O amor eterno me encontrou
Ele não sabia
Nem sequer desconfiou
Que aquele dia
Iria mudar as nossas vidas
Mas o meu coração sentiu
E logo me alertou
A seu tempo ele também notou
Que o meu coração abria-se como uma flor
Exalando o perfume do amor
Que só por isso eu estava ali
E estava
E estive, sempre
Não sei se algum dia fui o seu amor
Mas senti que ele também estava ali
E estava
E esteve, sempre
Era intensa a Luz que iluminava as nossas almas
E a felicidade em nós viveu
De repente tudo escureceu
Ele de mim se afastou
E nem sei o que aconteceu
Nada me disse, não me esclareceu
De mim se esqueceu
E nem sequer se importou
Com a dor que me causou
A ferida que em mim abriu
E que ainda hoje não sarou.

Helena Santos
COISAS SIMPLES

Não há almas perfeitas
Nem corpos santificados
Eu sou feita de pecados
Aceito as minhas maleitas
E não apregoo falsos predicados
Sou feita de carne e osso
Sou humana, pelo que oiço
Como tal
Vivo errando e aprendendo
Amando e sofrendo
Perdoando e crescendo
A felicidade é um momento
Que bebo pausadamente
Porque da sofreguidão não sou fã
Tudo deve ser saboreado com tempo
Degustado e celebrado alegremente
Até à última gota
E nunca terminado num triste lamento.

Helena Santos

sábado, 5 de julho de 2014

HOJE VI-TE

Hoje vi-te
Sim
Consegui ver esses olhos mel
Brilhantes como estrelas grávidas
E senti-me abraçada pelos raios do sol
Como se fosses tu
A aconchegar-me com o teu corpo
Feito um lençol macio
Tendo a noite como abrigo
E não quisesse que com a orvalhada
Eu sentisse frio
Sendo eu frágil como um vidro
Sim
Hoje vi-te
Na minha tão fértil imaginação
E é assim todos os dias
A iludir o meu pobre coração
É uma dor enorme no peito
Haverá outra solução?
As estrelas empurram-me para ti
O sol brilha e me enche de luz
Mas a lua diz que sem o teu amor nada feito
Será que há algo perfeito?
Hoje vi-te
Sim
Em pensamento
A saudade está tão colada a mim
Que o meu coração prestes a sufocar
Já implora que lhe dê um fim.

Helena Santos

quinta-feira, 3 de julho de 2014

PODIAS

Podias bem ser folha caduca
Ou até fruto que amadurecia
E um dia caia
Mas não
Decidiste que tinhas de ser raiz
Alojaste-te bem no centro do meu coração
E foste te apoderando do meu corpo
Mas é boa a sensação
Conquistaste a minha alma
Com sentimentos de nobreza
E eu não resisti
Diante de tanta delicadeza
Atrapalhada?
Não, abençoada.
Tu sugas-me com prazer
Eu entrego-me por tanto te querer
E quanto mais eu te der
Mais em ti me vou perder
Ou encontrar
Tudo o que prezo é em mim te ter
E em ti me enroscar até ao doce amanhecer.

Helena Santos