sábado, 5 de julho de 2014

HOJE VI-TE

Hoje vi-te
Sim
Consegui ver esses olhos mel
Brilhantes como estrelas grávidas
E senti-me abraçada pelos raios do sol
Como se fosses tu
A aconchegar-me com o teu corpo
Feito um lençol macio
Tendo a noite como abrigo
E não quisesse que com a orvalhada
Eu sentisse frio
Sendo eu frágil como um vidro
Sim
Hoje vi-te
Na minha tão fértil imaginação
E é assim todos os dias
A iludir o meu pobre coração
É uma dor enorme no peito
Haverá outra solução?
As estrelas empurram-me para ti
O sol brilha e me enche de luz
Mas a lua diz que sem o teu amor nada feito
Será que há algo perfeito?
Hoje vi-te
Sim
Em pensamento
A saudade está tão colada a mim
Que o meu coração prestes a sufocar
Já implora que lhe dê um fim.

Helena Santos

quinta-feira, 3 de julho de 2014

PODIAS

Podias bem ser folha caduca
Ou até fruto que amadurecia
E um dia caia
Mas não
Decidiste que tinhas de ser raiz
Alojaste-te bem no centro do meu coração
E foste te apoderando do meu corpo
Mas é boa a sensação
Conquistaste a minha alma
Com sentimentos de nobreza
E eu não resisti
Diante de tanta delicadeza
Atrapalhada?
Não, abençoada.
Tu sugas-me com prazer
Eu entrego-me por tanto te querer
E quanto mais eu te der
Mais em ti me vou perder
Ou encontrar
Tudo o que prezo é em mim te ter
E em ti me enroscar até ao doce amanhecer.

Helena Santos
SEMPRE TE VI

Sempre te vi
Em forma de poesia
Nos versos que escrevias
E eu tanto lia

Sempre te vi
Como um poeta
Apaixonado pelo escrita
De magia na alma
A escorrer pela caneta

Sempre te vi
Como semeador de sonhos
Nas palavras que pintavas
E no amor com que te entregavas

Sempre te vi
Como um poema único
Inacabado só para mim
Lia e relia cada verso
Mas nunca queria chegar ao fim.

Helena Santos

quarta-feira, 2 de julho de 2014

QUE SINA




Às vezes sentimo-nos tão pesados, com fardos que nem precisamos carregar e o fazemos por teimosia, preguiça, ou simplesmente porque gostamos de nos ver como sofredores. Fiz uma limpeza ao meu “guarda roupa da vida” e que bem que me soube. Não que tivesse muito para limpar, nos últimos anos aprendi a não guardar “porcarias”, principalmente mágoas, rancores e ressentimentos, mas tinha um cotão aqui e outro ali que precisavam ser exterminados e sempre deixava, nem mesmo eu entendo a razão. Sentia que lá não podiam ficar porque ainda que inconscientemente, me perturbavam, mas faltava aquela gotinha de coragem que às vezes é tão importante mas que não conseguimos fazer uso dela. Chegou o dia. E porquê? Só Deus sabe. Limpeza total e um recomeçar. Afinal estou viva e o pó irá acumular-se novamente. Mas o importante era livrar-me do que já lá estava bolorento. É incrível como nos apegamos a coisas que não nos engrandecem em nada. Mas sinto-me mais leve e iluminada, com vontade de continuar a sorrir para a vida, ainda que a vida teime em nunca me devolver um único sorriso e até tenta tirar-me os que tenho. Quando penso que vou usufruir um pouquinho do céu….levo com as chagas do inferno. Que sina!!! Mas eu sou teimosa e por isso vou virando costas ao que me desgasta, agarrando tudo de bom que alimenta a minha alma e nunca perco a esperança de dias melhores. Esperando e amando…sempre.

Helena Santos

sábado, 28 de junho de 2014

PEQUENO ALMOÇO PARA DOIS

O amanhecer nasceu frio
apesar do sol radioso lá fora
Acordei e o teu lugar estava quente
mas vazio
Triste perguntei-me:
o que aconteceu agora,
se nem um beijo me deu
e não disse que ia embora?
Levantei-me e cambaleando
não sei se do recente acordar,
ou da desilusão de não te encontrar,
dirigi-me à cozinha
precisava algo forte para tomar
O espanto foi ainda maior,
quando entrei e deparei contigo
sentado confortavelmente e disseste:
chega-te a mim, ternura,
pequeno almoço para dois,
o ingrediente principal,
é o amor…e sei que vais gostar.
Fiquei atónita!
Levantaste, seguraste a minha mão
e meus lábios beijaste
A roupa era pouca,
a cada toque um arrepio
mas de prazer, não de frio
Tornou-se num amanhecer escaldante
porque os ingredientes envolventes,
eram próprios
para quem gosta, para quem sente
que a base da vida
é o amor, naturalmente!

Helena Santos
ANJO

Um dia um anjo em forma de pássaro, entrou pela minha janela. Sim, era lindo. Porte altivo, cores alegres, olhar cativante e cantava lindas melodias que traduzidas eram belas poesias. Cantava para mim todo o dia, gostava de me ver feliz. Como eu não sabia cantar, falava para ele e sei que me escutava e me entendia. Era um ser tão especial... Sem que eu esperasse, começou a ficar prostrado, perdeu o brilho do olhar, não voltou a cantar para mim e senti que estava a chegar o fim. A minha esperança era que com o tempo tudo voltasse ao normal, mas não houve mudança. As suas cores foram ficando desmaiadas, o olhar perdido no infinito, eu chorava e ele chorava. Pedi perdão por algo que pudesse ter feito e magoado mas já não me escutava. O que aconteceu nem eu sei, só sei que já fazia parte da minha vida, mas que a janela que ele próprio escolheu para entrar, teria de ser aberta para voltar a voar pelos céus. Mas ficar sem ele? Como viveria eu? Não sabia. Mas sabia que teria de deixá-lo ir, no momento era o que ele queria. E chegou o dia em que o meu amor falou mais alto que o meu egoísmo e deixei a janela aberta. Ele nem para mim olhou e eu procurei o mar para desabafar. Tanto me custou. Regressei e do que havia nada restou. Tudo levou e me deixou vazia sem comigo querer falar. A janela nunca a fechei, não sei em que céus andará a voar, nem se um dia irá voltar. Só resta esperar.

Helena Santos