quinta-feira, 3 de julho de 2014

SEMPRE TE VI

Sempre te vi
Em forma de poesia
Nos versos que escrevias
E eu tanto lia

Sempre te vi
Como um poeta
Apaixonado pelo escrita
De magia na alma
A escorrer pela caneta

Sempre te vi
Como semeador de sonhos
Nas palavras que pintavas
E no amor com que te entregavas

Sempre te vi
Como um poema único
Inacabado só para mim
Lia e relia cada verso
Mas nunca queria chegar ao fim.

Helena Santos

quarta-feira, 2 de julho de 2014

QUE SINA




Às vezes sentimo-nos tão pesados, com fardos que nem precisamos carregar e o fazemos por teimosia, preguiça, ou simplesmente porque gostamos de nos ver como sofredores. Fiz uma limpeza ao meu “guarda roupa da vida” e que bem que me soube. Não que tivesse muito para limpar, nos últimos anos aprendi a não guardar “porcarias”, principalmente mágoas, rancores e ressentimentos, mas tinha um cotão aqui e outro ali que precisavam ser exterminados e sempre deixava, nem mesmo eu entendo a razão. Sentia que lá não podiam ficar porque ainda que inconscientemente, me perturbavam, mas faltava aquela gotinha de coragem que às vezes é tão importante mas que não conseguimos fazer uso dela. Chegou o dia. E porquê? Só Deus sabe. Limpeza total e um recomeçar. Afinal estou viva e o pó irá acumular-se novamente. Mas o importante era livrar-me do que já lá estava bolorento. É incrível como nos apegamos a coisas que não nos engrandecem em nada. Mas sinto-me mais leve e iluminada, com vontade de continuar a sorrir para a vida, ainda que a vida teime em nunca me devolver um único sorriso e até tenta tirar-me os que tenho. Quando penso que vou usufruir um pouquinho do céu….levo com as chagas do inferno. Que sina!!! Mas eu sou teimosa e por isso vou virando costas ao que me desgasta, agarrando tudo de bom que alimenta a minha alma e nunca perco a esperança de dias melhores. Esperando e amando…sempre.

Helena Santos

sábado, 28 de junho de 2014

PEQUENO ALMOÇO PARA DOIS

O amanhecer nasceu frio
apesar do sol radioso lá fora
Acordei e o teu lugar estava quente
mas vazio
Triste perguntei-me:
o que aconteceu agora,
se nem um beijo me deu
e não disse que ia embora?
Levantei-me e cambaleando
não sei se do recente acordar,
ou da desilusão de não te encontrar,
dirigi-me à cozinha
precisava algo forte para tomar
O espanto foi ainda maior,
quando entrei e deparei contigo
sentado confortavelmente e disseste:
chega-te a mim, ternura,
pequeno almoço para dois,
o ingrediente principal,
é o amor…e sei que vais gostar.
Fiquei atónita!
Levantaste, seguraste a minha mão
e meus lábios beijaste
A roupa era pouca,
a cada toque um arrepio
mas de prazer, não de frio
Tornou-se num amanhecer escaldante
porque os ingredientes envolventes,
eram próprios
para quem gosta, para quem sente
que a base da vida
é o amor, naturalmente!

Helena Santos
ANJO

Um dia um anjo em forma de pássaro, entrou pela minha janela. Sim, era lindo. Porte altivo, cores alegres, olhar cativante e cantava lindas melodias que traduzidas eram belas poesias. Cantava para mim todo o dia, gostava de me ver feliz. Como eu não sabia cantar, falava para ele e sei que me escutava e me entendia. Era um ser tão especial... Sem que eu esperasse, começou a ficar prostrado, perdeu o brilho do olhar, não voltou a cantar para mim e senti que estava a chegar o fim. A minha esperança era que com o tempo tudo voltasse ao normal, mas não houve mudança. As suas cores foram ficando desmaiadas, o olhar perdido no infinito, eu chorava e ele chorava. Pedi perdão por algo que pudesse ter feito e magoado mas já não me escutava. O que aconteceu nem eu sei, só sei que já fazia parte da minha vida, mas que a janela que ele próprio escolheu para entrar, teria de ser aberta para voltar a voar pelos céus. Mas ficar sem ele? Como viveria eu? Não sabia. Mas sabia que teria de deixá-lo ir, no momento era o que ele queria. E chegou o dia em que o meu amor falou mais alto que o meu egoísmo e deixei a janela aberta. Ele nem para mim olhou e eu procurei o mar para desabafar. Tanto me custou. Regressei e do que havia nada restou. Tudo levou e me deixou vazia sem comigo querer falar. A janela nunca a fechei, não sei em que céus andará a voar, nem se um dia irá voltar. Só resta esperar.

Helena Santos

quinta-feira, 26 de junho de 2014

PUDESSE EU

Pudesse eu
Olhar nos teus olhos
E tocá-los com os meus
Pudesse eu
Segurar a tua mão
E sentir o teu pulsar
Pudesse eu
Ficar retida na tua memória
Para sempre
Pudesse eu
Enlaçar-te com os meus braços
E sentir o fogo do teu corpo
Pudesse eu
Ser brisa encantada
E perfumar a tua alma
Pudesse eu
Ser canto e embalar
O teu merecido descanso
Pudesse eu
Ter capacidade para guiar teus passos
Em direcção à felicidade
Pudesse eu
Ter-te como me terás eternamente
Numa entrega permanente
Pudesse eu
Colar os meus lábios com os teus
E saborear infinitamente a tua doçura
Que é uma dádiva dos céus.
Pudesse eu
Simplesmente!

Helena Santos

terça-feira, 24 de junho de 2014

SORRISOS PERDIDOS
Dei-me conta de que ultimamente perdi muitos sorrisos, pelos caminhos que percorri. Ainda pensei voltar atrás e tentar recuperá-los, mas desisti. É que não estou certa se foram mesmo perdidos, ou se eles é que fugiram de mim. Ainda que os encontrasse, penso que não teriam o mesmo brilho, a mesma cor. Então, decidi arranjar todos os dias motivos diferentes para novos sorrisos. Quero sorrisos frescos, de cores variadas, cintilantes, perfumados, leves e acima de tudo que alimentem a minha alma que se encontra em estado de fraqueza, por se sentir desfalcada. Quero sorrisos francos que saibam ler nos meus olhos, a importância que têm para mim, que acreditem e confiem. E assim que conseguir absorver a energia de novos sorrisos, tudo será sol, tudo será mar e a vida voltarei a abraçar e sempre deixando pinguinhos de amor, por onde passar.

Helena Santos