sexta-feira, 20 de junho de 2014

BEIJO

Beijei-te e algo ganhei
Ganhámos?
Num beijo molhado
Há troca, há partilha
Que como por magia
Tudo se multiplica
São línguas que brincam
Lábios que se trincam
Fluidos que se misturam
E almas que se encontram
O beijo é um ponto de distribuição de
Caricias desejos sensações emoções
A partir do beijo
Tudo acontece
Ou termina no queixo
Ou enrola, rebola
E pára no dedinho do pé
Para quem só com tudo
Se consola.

Helena Santos

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O SOL ESCONDEU-SE

Ao sol que se escondeu
Quero dizer
Que a minha luz não desapareceu
Frio não sinto
Porque me aqueço nos braços da lua
O meu jardim continua esplendoroso,
As flores, risonhas
As árvores, vestidas de gala
A relva, verde como a esperança
São alimentadas pelas estrelas
E refrescadas pelos pingos de chuva
Que caem só para elas
Ao sol que se escondeu
Quero dizer
Que o meu amor sobreviveu
Muito chorei, triste fiquei
Mas se o amor nasceu
Por falta de calor
Não o deixarei morrer
Há almas nobres, corações enormes
E enquanto assim for
O sentimento está resguardado
Seja da tempestade ou da dor
Quem só é amado
E de amar não entende
Não sabe que quem ama
Simplesmente dá e nunca reclama
Ao sol que se escondeu
Quero dizer
Que de mim não se compadeceu
Mas eu gosto de o ver brilhar
A amar vou continuar e de amor vou me lambuzar
Porque quando verdadeiro, nunca morre
Só se muda a forma de saborear.

Helena Santos.

terça-feira, 17 de junho de 2014

PERFEIÇÃO

Pessoas perfeitas
Só em contos de fadas ou versos de poesia
Onde tudo é colorido e se vive de magia
Somos seres imperfeitos
E procurámos perfeição no outro
Constantemente
Quando nem em nós encontraremos
Certamente
Então, amemos simplesmente
Seguindo cada vibração
Do sábio coração!

Helena Santos

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DIZEM

Dizem que sou
Sol quente do deserto
Lava que tudo arrasta
Mar em tempestade
Furacão que tudo varre
Dilúvio que tudo inunda
Mas é só o que dizem
Há tanta gente que não sabe o que diz
Mas gosta de meter o nariz
E sentir-me, alguém tentou?
Só assim saberão como e quem sou
Tudo o resto é imaginação
Delírios de quem não sabe
Ver com o coração.

Helena Santos

quinta-feira, 12 de junho de 2014

SOU

Sou pele a destilar
E carne a inflamar
O rio que corre em mim
Deseja fundir-se com teu mar
Na minha foz
Que anseia por esse dia chegar
Desejos incontroláveis
Fazem-nos viajar e fantasiar
Sem limites
E sem hora para voltar
E tudo é emoção e satisfação
Arrepia-me a rudez das tuas mãos
No meu corpo que sempre foi teu
Activam os meus sentidos
Rasgam caminhos sinuosos
E no latejar da excitação
Entrego-me à luxúria
Os gemidos são teus e me descontrolo
Gritando até à exaustão
E no dar e receber
Perdemo-nos no espaço
Sem nos preocuparmos em descer
Porque é tempo de aproveitar
E nos embriagarmos de prazer
E é nos teus beijos que me encontro
Sempre que me perco de mim
Porque eles me mostram
Que nada no amor tem regras, medida ou fim
E amor sexo paixão
São o combustível
Que mantem palpitante
Qualquer coração.

Helena Santos

quarta-feira, 11 de junho de 2014


PEDAÇOS DE MIM

Não quero sucumbir em falsos sentimentos
Quero os meus ais e os meus lamentos
São pedaços de mim…
Não quero as minhas lágrimas transformadas em sal
Num qualquer lenço de papel, esquecidas
Foram dores por mim sentidas
São pedaços de mim…
E as noites de insónias?
Ninguém as viveu por mim, sempre as suportei
Nunca me queixei, a elas me afeiçoei
São pedaços de mim…
E as horas de espera, por alguém que sabia que nunca viria?
A angústia, o desespero, o medo da rejeição
A descoberta de ter sofrido em vão
Não quero perder
São pedaços de mim…
As injustiças, as incompreensões,
As saudades, as ansiedades, os desamores
Tudo quero, com tudo fico e guardo
São pedaços de mim…
Mas também quero os beijos, as gargalhadas,
Os suores borbulhantes de corpos em chamas
Enfim
Quero tudo o que vivi e senti
O bom e o ruim
Ficarão todos juntos sob a minha pele
Para que me lembrem que um dia foi assim
Que senti o gosto do fel e do mel
E que a vida para mim
Sempre foi um carrossel.

Helena Santos