sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

MOLHA-ME

É só olhares
e me derreto
Se me tocas então,
eu desfaleço
Mas eu quero,
quero que me deixes
sem jeito
Que me agarres
com os teus olhos,
que me vejas
com as tuas mãos
e que me molhes
Sim,
preciso que me molhes
com o que tiveres
de mais precioso,
para apagares este fogo
que começa na minha boca,
desce ao meu peito
e termina ali,
sim, ali onde precisas de te esmerar
com efeito,
para que tudo seja perfeito.

Helena Santos

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014






 TRISTE ANOITECER

Desceu o entardecer e logo se instalou o anoitecer
Mais uma noite em que a solidão de mim se apoderou
É a tua ausência, amor que faz sangrar o meu peito
No silêncio do meu quarto oiço os teus passos,
Mas o frio dos lençóis lembra-me que foste e não mais voltaste
São horas de angústia, a esperança voa através da janela semi aberta,
Se perde na noite estrelada e nunca regressa acompanhada
Só que eu não me conformo,
O que foi não volta a ser, mas algo melhor irá acontecer
Tu irás voltar e quando em mim te instalares
As noites passarão a ser de magia
Ao amanhecer estarás tão rendido, que outra partida será uma utopia
E para além da luz que entra pelas frestas, nada mais será permitido
Para além de amar, amar e amar
Meu querido!

Helena Santos

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 DESALINHO

Adoro cabelos no ar,
despenteados, desgrenhados,
soltos, livres,
desafiando o vento
Assim devia ser a vida, em cada momento

Adoro gargalhar,
rir, sorrir, me escangalhar
enfim, deixar a alegria sair
porque um dia ela vai acabar

Adoro janelas escancaradas,
portas sem trancas,
sentir o ar circular
e no meu corpo se entranhar

Adoro amar
sem regras, limites
esquecendo as boas maneiras,
porque gosto mesmo de aproveitar
e com tudo me deliciar

Adoro o desalinho,
a simplicidade

Detesto a suposta perfeição
porque é no meio do caos
que se reconhece
um enorme coração

Helena Santos.

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MORTE

Sei que vou morrer
Todos nós iremos morrer
Mas eu sei que será breve
Sinto a morte a chegar
Já oiço os seus passos no jardim
Não tarda está a tocar à porta
E quando isso acontecer,
Nada farei para a impedir de entrar
Terá estadia caso queira descansar
E quando chegar a hora de partir
Estarei pronta para a acompanhar
Se ela me vem buscar
É porque sabe que serei mais feliz, num outro lugar
Podia aqui ficar, mas sinto que não é o que quero
Então, para quê me contrariar?
Os dias estão cada vez mais cinzentos
As flores a perder o perfume e a cor
As pessoas vão deixando de sorrir
O amor se mascara de vários personagens,
Porque tem vergonhar de se assumir
A amizade manipulada pelo ciúme e pela inveja,
Vai perdendo qualidades e de repente não há quem a veja
No meio de tanto vazio e tanta maldade,
Não haverá melhor lugar para quem pretende serenidade?
Certamente que sim e é para lá que vou rumar,
Despida de tudo e até de mim
E em paz, com calma, simplesmente levarei a minha alma.

Helena Santos

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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PAPAGAIO DE PAPEL

Tive um papagaio de papel que adorava
Lançava-o ao ar e todo majestoso se serpenteava
Eu sabia que nos Céus pouco tempo se aguentaria
de papagaios, eu nada percebia
Mas gostava do efeito que no ar fazia
Enquanto se aguentou, eu vivia feliz
mas pouco tempo durou e no chão se estatelou
Tanto me custou
O que fazer com um papagaio desfeito
se o meu coração ficou do mesmo jeito
e não sei colar o que restou?
O certo, é que do papagaio pouco se aproveitou
e o que ficou nunca mais aos Céus voou
Quanto ao meu coração, ficou destroçado
e nunca mais se recuperou.

Helena Santos


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SER…TER

Gostava de ir
ao fundo do mar
resgatar as cores
que davam vida
ao meu Ser,
por te Ter,
mas que uma onda arrastou
e com elas ficou
Sim, sempre tento manter o que me faz feliz
Fiz e desfiz nós,
nadei, nadei
e quase me afoguei,
mas do mar
nada consegui
apesar do que insisti
Na areia me abandonei,
quase morri,
mas de ti
nada mais vi
A não ser aquelas imagens,
que alugam a nossa mente
e se recusam a abandonar,
mesmo quando a renda já deixaram de pagar
Mas isso eu não quero,
não quero nada empoeirado, nem recordação
quero acção, quero luz
quero toque e emoção
Quero beber em ti
e quero que te drogues em mim
Só assim me sentirei viva,
plena como mulher
porque é de ti
que vêm as cores
que alimentam o meu Ser,
quando me permites Ter.

Helena Santos


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

- O senhor cultiva
epigramas?
- Não, só a grama do meu jardim.
Carlos Drummond de Andrade
 
 
SINAL DE TI

O vento chegou
pedi-lhe noticias tuas
e nem para mim olhou
A nuvem passou
fiz-lhe sinal acenou
mas nem sequer parou
O rio correu
e noticias tuas não me deu
A chuva caiu
e com ela
de ti nada trouxe
A andorinha voltou
mas nem em ti falou
A onda na areia se espraiou
e se algo trazia de ti
no regresso com ela arrastou
No meu sonho apareceste
mas viraste-me as costas
e nem sei se algo disseste
Ansiosa
e sem como notícias ter
procurei o tempo
e tudo quis saber
Disse-me que de mim sentes saudades
que queres a minha felicidade
mas que do meu amor tiveste medo
porque nunca tinhas sido
amado de verdade
Então que decidiste
fugir da realidade
e que esperas que ele
vá amaciando a minha tristeza
esbatendo a minha dor
e me faça entender
que nem sempre os ventos
sopram a nosso favor
principalmente
quando se trata de Amor.

Helena Santos

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