quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PAPAGAIO DE PAPEL

Tive um papagaio de papel que adorava
Lançava-o ao ar e todo majestoso se serpenteava
Eu sabia que nos Céus pouco tempo se aguentaria
de papagaios, eu nada percebia
Mas gostava do efeito que no ar fazia
Enquanto se aguentou, eu vivia feliz
mas pouco tempo durou e no chão se estatelou
Tanto me custou
O que fazer com um papagaio desfeito
se o meu coração ficou do mesmo jeito
e não sei colar o que restou?
O certo, é que do papagaio pouco se aproveitou
e o que ficou nunca mais aos Céus voou
Quanto ao meu coração, ficou destroçado
e nunca mais se recuperou.

Helena Santos


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SER…TER

Gostava de ir
ao fundo do mar
resgatar as cores
que davam vida
ao meu Ser,
por te Ter,
mas que uma onda arrastou
e com elas ficou
Sim, sempre tento manter o que me faz feliz
Fiz e desfiz nós,
nadei, nadei
e quase me afoguei,
mas do mar
nada consegui
apesar do que insisti
Na areia me abandonei,
quase morri,
mas de ti
nada mais vi
A não ser aquelas imagens,
que alugam a nossa mente
e se recusam a abandonar,
mesmo quando a renda já deixaram de pagar
Mas isso eu não quero,
não quero nada empoeirado, nem recordação
quero acção, quero luz
quero toque e emoção
Quero beber em ti
e quero que te drogues em mim
Só assim me sentirei viva,
plena como mulher
porque é de ti
que vêm as cores
que alimentam o meu Ser,
quando me permites Ter.

Helena Santos


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sábado, 8 de fevereiro de 2014

- O senhor cultiva
epigramas?
- Não, só a grama do meu jardim.
Carlos Drummond de Andrade
 
 
SINAL DE TI

O vento chegou
pedi-lhe noticias tuas
e nem para mim olhou
A nuvem passou
fiz-lhe sinal acenou
mas nem sequer parou
O rio correu
e noticias tuas não me deu
A chuva caiu
e com ela
de ti nada trouxe
A andorinha voltou
mas nem em ti falou
A onda na areia se espraiou
e se algo trazia de ti
no regresso com ela arrastou
No meu sonho apareceste
mas viraste-me as costas
e nem sei se algo disseste
Ansiosa
e sem como notícias ter
procurei o tempo
e tudo quis saber
Disse-me que de mim sentes saudades
que queres a minha felicidade
mas que do meu amor tiveste medo
porque nunca tinhas sido
amado de verdade
Então que decidiste
fugir da realidade
e que esperas que ele
vá amaciando a minha tristeza
esbatendo a minha dor
e me faça entender
que nem sempre os ventos
sopram a nosso favor
principalmente
quando se trata de Amor.

Helena Santos

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CHUVA

Gotas mágicas caem lá fora
Sim é chuva
e eu vou brincar com ela
É uma chuva que acaricia
que me molha e delicia
Cada pingo no meu cabelo
transforma-se numa estrela
enchendo-o de brilho
como se tivesse um Céu sem nuvens
em cada onda em cada fio
E cai
vai caindo
e o meu corpo vai sentindo
cada gota cada pingo
que o meu ser vai invadindo
Pedaço a pedaço
o meu corpo é conquistado
e quando já não sobra espaço
apareces tu
me envolves num terno abraço
em ti me enlaço
e à chuva
contigo danço.

Helena Santos








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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

BEIJO

No teu beijo
sacio a minha sede
No meu beijo
entrego o meu desejo
No nosso beijo
navegamos pelo mar da imaginação
e atracamos no porto
da magia e sedução.

Helena Santos

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