quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Não é preciso que a bondade se mostre; mas sim é preciso que se deixe ver.
Platão
Muita Paz, Amor, Amizade, Harminia e Poesia
 
Tango de gaivotas

O mar desconhece
que o infinito azul cabe
nas suas ondas até onde se avista o sol poente
e os barcos fugirem no horizonte.
Que os pássaros do cais de gaivotas
fazem ninhos com fêmeas
nos milheirais de milho branco
junto às rochas.

O mar não sente que
nas suas entranhas, chãos de planícies
de memórias e de encostas de corais,
galopam anémonas azuis como éguas de crinas brancas
nos ombros de medusas na casa dos buzios.

O mar desconhece que
as gaivotas- árvores do céu
têm musica nos olhos,
ritmo nas asas e
num coro de escarcéu de pios
esvoaçam um balet de tangos
e em voo picado beijam com as patas
as faces do mar.

O mar não sabe
que é o farol de vários destinos.


  antonio bahia 
 
SANGUE DA TERRA


Denso, forte, pungente
Que corres livre, sem Tempo
Sentes os pés da gente
Que te pisa em contento

Sangue que flui como a água
Na corrente de um ribeiro
Contando histórias sem mágoa
Ao doce Amor primeiro

Teu aroma, tua cor
É Poema que se canta
Na voz forte de um Tenor
Ascendendo a Luz da Alma

Se pudesse rasgar o ventre
Onde puro sangue corre
Viveria em ti para sempre
Num Coração que não morre!

Isabel Lucas Simões
 
MULHER DIFERENTE

Ela nasceu igual a tantas outras
Ela cresceu e tornou-se diferente

Ela escolheu seguir os seus desejos
Ela descobriu que não era inocente

Ela aprendeu a dizer QUERO
Ela luta contra o preconceito

Ela prefere a liberdade a sós
Ela recusa a submissão acompanhada

Ela diz o que quer e como quer
Ela espera aquele que a eleger perfeita

João Quintela Reis
 
Encontro

Finos pedaços de luz
Em pranto atravessam…
À audácia iluminam
Ao consentido beijo que seduz

Na oculta caverna…
Uma imensa treva e cegos de paixão
Em largos rasgos de carinho
Numa equilibrada união

Uma ternura sentida nos lábios
Na fria e extensa solidão…
Salta a rubra cor do coração…
Em escaldantes meigos sentidos

Vividos na nua transparência
Em carícias doces e suaves
Tido em momento de apetência
Cintila nas arrojadas estrelas …

Querido encontro acontecido
Visto pelo simples olhar
De um efémero amar
entorpecido…

Elisabete Bernardo
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante.
Carlos Drummond de Andrade
 
Muita Paz, Harmonia e Poesia