Não é preciso que a bondade se mostre; mas sim é preciso que se deixe ver.
Platão
Muita Paz, Amor, Amizade, Harminia e Poesia
Tango de gaivotas O mar desconhece que o infinito azul cabe nas suas ondas até onde se avista o sol poente e os barcos fugirem no horizonte. Que os pássaros do cais de gaivotas fazem ninhos com fêmeas nos milheirais de milho branco junto às rochas.
O mar não sente que nas suas entranhas, chãos de planícies de memórias e de encostas de corais, galopam anémonas azuis como éguas de crinas brancas nos ombros de medusas na casa dos buzios.
O mar desconhece que as gaivotas- árvores do céu têm musica nos olhos, ritmo nas asas e num coro de escarcéu de pios esvoaçam um balet de tangos e em voo picado beijam com as patas as faces do mar.
O mar não sabe que é o farol de vários destinos.
antonio bahia
SANGUE DA TERRA
Denso, forte, pungente Que corres livre, sem Tempo Sentes os pés da gente Que te pisa em contento
Sangue que flui como a água Na corrente de um ribeiro Contando histórias sem mágoa Ao doce Amor primeiro
Teu aroma, tua cor É Poema que se canta Na voz forte de um Tenor Ascendendo a Luz da Alma
Se pudesse rasgar o ventre Onde puro sangue corre Viveria em ti para sempre Num Coração que não morre!
Isabel Lucas Simões
MULHER DIFERENTE
Ela nasceu igual a tantas outras Ela cresceu e tornou-se diferente
Ela escolheu seguir os seus desejos Ela descobriu que não era inocente
Ela aprendeu a dizer QUERO Ela luta contra o preconceito
Ela prefere a liberdade a sós Ela recusa a submissão acompanhada
Ela diz o que quer e como quer Ela espera aquele que a eleger perfeita
João Quintela Reis
Encontro Finos pedaços de luz Em pranto atravessam… À audácia iluminam Ao consentido beijo que seduz
Na oculta caverna… Uma imensa treva e cegos de paixão Em largos rasgos de carinho Numa equilibrada união
Uma ternura sentida nos lábios Na fria e extensa solidão… Salta a rubra cor do coração… Em escaldantes meigos sentidos
Vividos na nua transparência Em carícias doces e suaves Tido em momento de apetência Cintila nas arrojadas estrelas …
Querido encontro acontecido Visto pelo simples olhar De um efémero amar entorpecido…
Elisabete Bernardo
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Também temos saudade do que não existiu, e dói bastante.