quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
MOMENTOS NOSSOS...Momentos meu Mar
momentos não são histórias
momentos são vida
momentos és tu
são explosões cósmicas
de amor e dor
és tu em forma de espuma
rebentação na rocha
desfazendo lentamente ravinas
exasperadas de ti meu Mar.
Momentos somos nós
em contemplações virais
o Sol, a Lua e tudo o mais
apenas testemunham e são cor
nós somos a dor, o amor ...
José Apolónia
Um pedaço do paraísoSeguraste a minha mão e sussurraste-me ao ouvido: vem, vou mostrar-te um pedaço do paraíso.
Do cimo da escarpa, a vista era deslumbrante e inesquecível.
Ao fundo, uma enseada abraçava uma língua de mar azul transparente que se fundia, na linha do horizonte, com o céu. A poucos metros da praia uma pequena ilha emergia, timidamente, das águas e dava guarida a um bando de gaivotas.
A brisa salgada afagava a costa e a maré respirava tranquilamente para não acordar o silêncio milenar das conchas.
O teu sorriso sedutor encorajou-me e desci contigo a tosca escadaria de pedra que conduzia à praia deserta, esquecida do mundo, onde o tempo parecia não existir.
As sombras projectadas nas areias douradas eram atravessadas por feixes de luz filtrados pelas brechas escavadas nas rochas que rodeavam a enseada.
Olhámo-nos demoradamente, extasiados pela magia deste momento único e arrebatador…
O brado das gaivotas suspendeu-se no ar quando, nus, mergulhámos no lençol azul do mar, os nossos corpos se fundiram e foram o pulsar da maré.
A vida oferece-nos raros instantes de pura emoção, que nos tocam a alma e guardamos em nós, na ilusão de um dia podermos regressar…
Hoje, voltei àquela praia paradisíaca, para sentir a tua presença, o fulgor dos teus olhos, a lava da tua boca, a centelha do teu corpo a incendiar todos os meus caminhos.
O mar desfolhava-se, em voz dorida, nas areias inanimadas, num entardecer melancólico enfeitado de frio.
Não importa se recordo o que nunca aconteceu…
Regressarei a este céu…essa é a minha maior certeza.
Quem sabe não estarás, um dia, a minha espera à porta do paraíso?
Clara Maria Barata
O teu sorriso sedutor encorajou-me e desci contigo a tosca escadaria de pedra que conduzia à praia deserta, esquecida do mundo, onde o tempo parecia não existir.
As sombras projectadas nas areias douradas eram atravessadas por feixes de luz filtrados pelas brechas escavadas nas rochas que rodeavam a enseada.
Olhámo-nos demoradamente, extasiados pela magia deste momento único e arrebatador…
O brado das gaivotas suspendeu-se no ar quando, nus, mergulhámos no lençol azul do mar, os nossos corpos se fundiram e foram o pulsar da maré.
A vida oferece-nos raros instantes de pura emoção, que nos tocam a alma e guardamos em nós, na ilusão de um dia podermos regressar…
Hoje, voltei àquela praia paradisíaca, para sentir a tua presença, o fulgor dos teus olhos, a lava da tua boca, a centelha do teu corpo a incendiar todos os meus caminhos.
O mar desfolhava-se, em voz dorida, nas areias inanimadas, num entardecer melancólico enfeitado de frio.
Não importa se recordo o que nunca aconteceu…
Regressarei a este céu…essa é a minha maior certeza.
Quem sabe não estarás, um dia, a minha espera à porta do paraíso?
Clara Maria Barata
Tudo
Tudo quanto és, e por tudo quanto foste
Chutada a pontapés, o nosso pentecostes
Em devoção total, rasgada em sacrifício
Sem uso epidural, talhada no suplício
És a Deusa-Mãe, qu'à terra nos brotou
A Jerusalém, qu'a diáspora nos deixou
O ventre da libertação, choro existencial
Extrema ligação, entre o inefável e o real
O apego à vida, nos seus seios torrentes
As saias da guarida, escudo contr'as gentes
O calor, a paciência, o carinho incondicional
O amor, a ciência, naquele ninho lacrimal
A entrega absoluta, a uma causa interna
A uma carne qu'é sua, na realidade baderna
E por mais amargo que seja, o seu verde fruto
Ela reza na igreja, ou ela investe com'um bruto
Porque aquele é a sua vida, e por ele, ela respira
E mesmo maligna ferida, qu'a conduza à sua pira
Ela sabe o seu destino, a sua condição no além
Ela vive p'lo seu menino, ela é o seu tudo, sua Mãe!
Ernesto Ribeiro
Em devoção total, rasgada em sacrifício
Sem uso epidural, talhada no suplício
És a Deusa-Mãe, qu'à terra nos brotou
A Jerusalém, qu'a diáspora nos deixou
O ventre da libertação, choro existencial
Extrema ligação, entre o inefável e o real
O apego à vida, nos seus seios torrentes
As saias da guarida, escudo contr'as gentes
O calor, a paciência, o carinho incondicional
O amor, a ciência, naquele ninho lacrimal
A entrega absoluta, a uma causa interna
A uma carne qu'é sua, na realidade baderna
E por mais amargo que seja, o seu verde fruto
Ela reza na igreja, ou ela investe com'um bruto
Porque aquele é a sua vida, e por ele, ela respira
E mesmo maligna ferida, qu'a conduza à sua pira
Ela sabe o seu destino, a sua condição no além
Ela vive p'lo seu menino, ela é o seu tudo, sua Mãe!
Ernesto Ribeiro
"MONTANHA"Olhei para a montanha,
Pensei em ti,
Tentei subi-la,
Escorregava e caía,
Com dificuldade consegui.
Cheguei,
Numa nuvem me sentei
E fundo respirei.
Brilhantes raios de Sol,
Como laços me abraçaram,
Dançavam no ar,
Ao som do vento,
No seu elegante voar.
As coroas de flores que caiam,
O meu rosto enfeitavam,
Uma Santa eu parecia,
Por ti a Deus pedia,
Que para mim,
Voltasses para um dia.
Era visível,
A união do Céu com a terra,
Até a sua energia,
O meu corpo sentia.
De olhos fechados,
Inspirava o ar puro e verdejante,
Num silêncio singular,
Mais perto de Deus me sentia
E ajuda lhe pedia.
Deus,
Sei que estás aqui e peço-Te,
Mostra-lhe o caminho de regresso,
Quero dar ao meu amor,
Felicidade, carinho e calor.
Ele está longe,
Com esperança,
Esta montanha subi,
Mesmo assim não o vi.
Tudo era lindo e completo,
Se ao meu lado estivesses,
O nosso Paraíso seria aqui,
Jamais choraria por ti.
Tentei subi-la,
Escorregava e caía,
Com dificuldade consegui.
Cheguei,
Numa nuvem me sentei
E fundo respirei.
Brilhantes raios de Sol,
Como laços me abraçaram,
Dançavam no ar,
Ao som do vento,
No seu elegante voar.
As coroas de flores que caiam,
O meu rosto enfeitavam,
Uma Santa eu parecia,
Por ti a Deus pedia,
Que para mim,
Voltasses para um dia.
Era visível,
A união do Céu com a terra,
Até a sua energia,
O meu corpo sentia.
De olhos fechados,
Inspirava o ar puro e verdejante,
Num silêncio singular,
Mais perto de Deus me sentia
E ajuda lhe pedia.
Deus,
Sei que estás aqui e peço-Te,
Mostra-lhe o caminho de regresso,
Quero dar ao meu amor,
Felicidade, carinho e calor.
Ele está longe,
Com esperança,
Esta montanha subi,
Mesmo assim não o vi.
Tudo era lindo e completo,
Se ao meu lado estivesses,
O nosso Paraíso seria aqui,
Jamais choraria por ti.
Zulmira Nascimento
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