sexta-feira, 30 de novembro de 2012

TEMPO esquecido
Enquanto o sol espreita
As estrelas brilham na noite
E acompanham a lua

Tu estarás sempre á procura
Do que não procuras

Acreditas, não querendo


Esperas, não esperando

Ao compasso de um tempo
Que corre apressado

Confuso por entre tantas flores

Que atravessam o teu jardim
Ficas parado, deixando o tempo passar
Indeciso sem saberes o rumo a tomar

E o tempo vai passando…

Esqueces que tudo o que foi, passou
E se nada fizeres…
Será um tempo que voou
Por entre sonhos, lembranças e emoções

Tudo se perde por uma indecisão

Entre sonhos vagos e mortais
Entre o passo que se dá
Não querendo aceitar o seu rumo

Esqueces…

Que nada acontece por acaso
Entre o teu mundo real e ilusório
Ele é real, existe
Está ali tão perto de ti
E apenas tu não vês, não queres ver
O tempo que espera por ti….

Se nada fizeres…

Chegará um tempo em que se esgota
Voará pelo infinito recolhendo às estrelas

E perdes o melhor que os Deuses têm para ti

Carla Gomes 
 

domingo, 25 de novembro de 2012

Ama o impossível, porque é o único que te não pode decepcionar.
Vergílio Ferreira
 
Um santo Domingo!!!
NOITE DE POESIA

Há uma pedra preciosa
onde se senta a noite

quando as palavras brotam.
É nascente, pois.
E tem alma lustrosa
como fiandeiras ao luar.
Tem as mais belas quadras
com coração de mar.
É cantiga sedosa
que passeia bonomia nos montes
e nas vangloriadas fontes
de tantas penas por lavar.

- És noite e és gota de sequeiro

seio de mão cheia e sedimento
de um rio que devia sorrir e não veio
mas falas-me de amor
e de quantas estrelas anseiam
tua voz das pedras
tuas nascentes tépidas
que o corpo glosa
e a alma inquieta despe
na alvura de basto calor.


José Brites Marques Inácio 
 
Manifesta o mar
em aberta liberdade
que suas luas e seus sóis
suas marés revoltas em festa
turbulentas alegrias
donde os luares sem cor
lhe trás ao mar essa dor de abandono
e má companhia!

Manifesta o amar profundo
em perfeita igualdade
que seus peixes prateados
voam revoltos e errados
em águas soltas e breves
que nas praias areias leves
encantam olhares desgarrados!

Maria Morais de Sa
 
que bata o bastão
três vezes
se abra a boca de cena
gil vicente
entrará
em forma de arlequim
mascara fria cujos sorrisos
se amordaçaram
esconde um face carregada
de vicissitudes
de palcos passados
de gargalhadas
perdidas
em noites esquecidas
de salas vazias
tempestades presentes
onde a chuva batia
em janelas de vidros
quebrados
por onde saíam palavras
que na incerteza se perdiam
em troca de palmas
não dadas
fosse o tempo de fartura
e as aclamações ficariam
para sempre guardadas

jorge morais
NÃO POSSO TE TOCAR, MAS POSSO TE AMAR

Não posso te tocar
Porque és quente
Feito sol

Não posso chegar a ti

Porque estas longe

Como a lua


Não posso te beijar

Porque as paredes

Estão a separar


Não posso te sentir

Porque sempre

Afastam-me de ti


Não posso seguir

Teus passos

Estou laçada a sete laços


Não posso enxergar-te

Uma nuvem escura

Veio cobrir-te


Não posso nada fazer

Para chegar até ti

Estou impedida

De me aproximar de ti


Mas uma coisa podes ter certeza

Nada nem ninguém

nem a força da natureza

Pode impedir que eu te ame!


Sónia Pinto