domingo, 11 de novembro de 2012

" DESRESPEITO "

O caminho a percorrer
Nunca foi, nem será Fácil
Muros , pontes se levantam

Enormes ,que custam tanto
Num tempo fugaz e ágil
Já nada parece Fácil
E pra vos dificultar mais a vida
Mais obstáculos surgirão
Já não há a Voz da razão
E deviam já ter descanso
Ler um livro no seu canto
Com os seus netos brincar
Ler-lhes histórias de embalar
Fazer bolas de sabão
Mas passam frio e fome
O seu corpo já não dorme
Reina assim a ingratidão
Onde tudo é permitido
E já num tom aflito
Lá grita de desespero
Neste mundo eu já não fico!
Acabou!
Quero morrer!
Podem-me fazer o enterro!

Celeste Leite 
 
Restolho
Em cada dia morremos
para amanhã voltarmos a nascer
no mesmo solo onde as folhas se sacrificam
pela alegria das flores da próxima Primavera...

Paulo Lemos
 
Sobre um Mar de prata voa a Liberdade

Sinto-me livre
Solta
Sem destino perco-me
para melhor me encontrar.

Dentro de mim há continentes

Rios, mares, vales e desertos
Há gente de todas as raças e culturas
Há credos e crenças

Sinto-me livre

Amo o pouco que me faz tanto
Tenho paixão ardente
Que me faz amante
Deste momento
breve
quase etéreo
que me faz tão feliz

Elsa Martins Esteves.
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.
Rubem Alves
Uma tarde recheada de Poesia!!!!
PARA LÁ DA MINHA VONTADE

No meio do nada, eu nado
Nas águas do rio, lavo a minha alma
Em ti mato a vontade desgovernada
Podia falar da dor, da vontade em flor
Por isso eu caminho, no meio do nada
Por estradas empoeiradas, os meus pés caminham
Sem mapas, sem rumos eu vou por aí
Falo de mim, porque me conheço bem
Dos outros os outros que o façam também
No meio do nada eu vejo e revejo a tua cor
Meio azul perdido no céu altivo
Ando devagar, meio despido do nada
Quem sou, para onde vou?
Sou daqui, sou dali, sou como o vento crescente
Sou crente na minha mente, sou palavras cadentes
Sou um verbo repetido, uma palavra pensada
No meio do nada, eu vejo-te meio molhada
Oh minha ave depenada, oh minha vontade desejada
Não quero partir por este mar salgado
Meio doente e sempre enganado
Podia morar contigo na água
Morar aqui, aqui e ali
Oh minha ave molhada, porque cantas tu a minha alma lavada?


Carlos Palhau
 
AS TUAS MÃOS
Vi as tuas mãos envolvidas
no silêncio da espera.
Pegavam noutras mãos mais
frágeis e mais sensíveis.
E nesse contacto tão suave,
vi a minha saudade transformada
na promessa
da tua juventude.
As tuas mãos recebiam
as minhas, como herança.
E sobre a ponte dos nossos dedos
emaranhados como cadeias de hera,
vi a estrada onde se acelera
a carruagem do meu passado,
agora, depositado
no futuro das tuas mãos
de primavera.
 
Glória Marreiros