domingo, 14 de outubro de 2012


Acorda Povo


Levanta-te, oh ilustre alma lusitana!
Protesta, revolta-te, que a hora é de luta.
De esganar o vampiro filho da puta,
Que promete, te mente e te engana.

Acordai! Bestas obedientes e insanas.

Manada apática, pobre gente estulta.
Que sem conhecer a sua força bruta,
Aguenta tanto ladrão, tantos sacanas.

Está na hora deste povo vir p’ra rua

E tratar de pôr um fim nesta modorra
Que a verdade está, bem nua e crua

Cumpriste e pagaste a tua parte. Porra!

De uma dívida que se sabe não ser tua
Mas dos que te têm roubado á tripa forra.
 
Joaquim Godinho


" SOU MILITAR"
NASCI MILITAR

DE CORPO E ALMA
CUMPRI TROPA
E POR LÁ FIQUEI
E PRA BEM

DA MINHA PÁTRIA
SOFRI HORRORES
E CHOREI
SEMPRE HONRREI
MINHA NAÇÃO
CUMPRO A RIGOR
SUAS REGRAS
SE NECESSÁRIO
ENTRO EM GUERRAS
ENTREGO-LHE
O MEU CORAÇÃO
NUNCA FAMILIA FORMEI
PRA LHE DEDICAR
A VIDA
PORTUGAL
MINHA NAÇÃO
TENHO PENA
ANDAS PERDIDA
NÃO SOPORTO
VER-TE ASSIM
PÁTRIA MINHA DEGREDADA
POR NUNCA
BAIXEI BANDEIRA
POR MIM
SERÁS SEMPRE
HONRADA!

CELESTE LEITE
 

SONHO FUGIDIO

A Saudade ficou, vive comigo,
E fala-me de ti, do teu sorriso,
Do olhar que era meu e que preciso,
Dos beijos que não dou, p’ra meu castigo.


Enlaçar-te a cintura, de improviso,
Suplicar teu amor, como mendigo,
São gestos que desejo e não consigo,
E a saudade deixa-me indeciso...

Teu pescoço beijar, tão de mansinho,

Provocando em teu corpo um arrepio,
Sussurar-te ao ouvido, com carinho...

Sonho que o teu cabelo acaricio,

Mas a saudade vem, devagarinho,
Lembrar-me que és um sonho fugidio.


Carlos Fragata

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

"Um amigo é um presente que você
dá a si mesmo."

(Robert Louis Stevenson)
Tenham um excelente fim de semana!!! SORRIAM...




LINHAS D"ÁGUA...

Uma linha de águas cristalinas
floresce por meus olhos
não é tristeza nem alegria
apenas água que escorre
para que a sede de ti
não floresça em mim.
Um malmequer floriu
entre as pedras e sentei-me,
por momentos, instantes
senti que nos observávamos
seres tão distantes, dispares,
segui o meu caminho
não levava catanas
nem desbravava florestas
apenas seguia o curso d"água
que aos poucos encorpava
e sempre que a sede apertava
bebia-te e sentia-me mais perto
da força, da tua imensidão
quando abri os olhos, vi-te
e exclamei,que lago é este!
um ancião ali sentado, falou
não é um lago é a foz
estuário de um rio, o Tejo
é Pai e Mãe de todos nós
sentei-me a seu lado, mudo
ainda hoje por lá estou...

José Apolónia

Inútil
silenciar palavras presas
na garganta.

Imerecidos
são os momentos

de silêncio
suspensos na languidez
de uma língua
quase inerte.

À sombra

do terrifico medo
que nos sufoca
na espera de uma morte
suave
em noite de luar.

Essa certeza

que inutilmente
nos amordaça.

Até ao dia

Em que inevitavelmente
virá
para sempre
nos abraçar.

(eu) Cristina Cebola