sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Dou-te a soma dos meus sonhos

Para juntares com os teus

Antologias de devaneios

E colorações, para sol-pôr

Paisagens que se contemplam


E esta pátria, que é a nossa…


Dou-te a soma dos meus sonhos


E cuidadas intempéries


Das que fazem voar monotonias


…E um baú cheio de aragens


Para os dias de muito ardor…


Dos teus sonhos eu sei pouco


Mas aceita esta minha porção


Porquanto tudo é o que te dedico


Entre fragmentos e felicidades


Dos que acontecem e esvoaçam


E voluteiam por esta mente


…Quando mergulho naquela nuvem


Polvilhada de sacarina,


…e somada de quimeras


Doce e alva, quanto estes sonhos


À soma daqueles que eu te dou…




Maria Nóbrega
 

domingo, 23 de setembro de 2012

Gosto do outono porque ele é frio suficiente para refrescar o calor...
E é quente o suficiente para aquecer o frio!
Lidiane Araújo Mejozebato
Continuação de boa tarde!!!
MINHA SAUDADE É RIO

Ó povo de marinheiros,
Onde navega a saudade,
Vives de velhas marés
Na tua eterna vaidade.
Venceste a ira dos mares,
Estilaste fel nos seus leitos
E vieste ancorar
Num rio de amores perfeitos.

Minha saudade é um rio,

Um rio de maré cheia.
Minha saudade é um rio,
Um rio que me enleia.
Minha saudade é um rio,
Um rio vazio e distante
Minha saudade é um rio
Que me enlaça na vazante.

E esta saudade, tamanha,

Do meu país um bocado,
Que docemente se entranha
Onde em minha alma há o fado.
À sina de bem cantar,
Nobre estio duma cigarra.
Ó povo de marinheiros,
Eco de velha guitarra.

Manuel Manços
 
Insanos são estes versos que te abraçam
como incenso purificador
em catarse da minha existência.

Ajoelhado como quem ora
vejo em teu rosto desenhados os traços
de uma réstia dependurada de luz.
Deixas resvalar as mãos
sobre as pernas ainda dobradas.

E em vénia curvas-te um pouco mais
sobre meu corpo distraído quase esquecido
balbuciando palavras que te crescem
na boca húmida e selada e que florescem
sem coragem para as dizer.

É então que as minhas mãos se estendem
em voo de ave
e nelas vejo inscrito o poema.

Finalmente ouço-te pronunciar o meu nome.

(eu) Cristina Cebola
MOMENTO 693


Espelho-mo numa imagem
Idêntica a mim próprio

Não me reconheço
O velho espelho
Corroído pela vida
Diz que não.
Em silêncio de vozes
Abafadas pelo tempo
Nega toda a razão
Do meu ser. Advoga
A busca noutro local
A minha relação
Com o mal….
Procuro poça de água
Ao luar sossegada
Que cristalina seja
Onde o reflexo não minta.
Na imagem aguada
Sinto um silêncio
Inda mais absoluto
Olho e não reconheço
Percepciono o devoluto.
Apalpo e não sinto o grito
De gente. Que grita, sou eu!
Sou a sombra que se move.
Se é gente é corpo estático.
Afasto-me em procura
De uma moeda com duas faces.
Quero conhecer ambas
Quero conhecer
Quantos eus
Puder.

RUIZ PAZ  
 
Ritual que o olhar canta

Da Primavera colho o sol
estendido nos dias sem colheitas...
Quando caem as folhas

gosto de caminhar
no ruído seco do chão
com os pés alinhados nas mãos...

Os aromas castanhos

a inspirar as noites longas
os dias ténues
das árvores despidas...

Quando o Inverno chega

aconchego-me
no ritual que o olhar canta
com as gotas finas na janela
revestidas das estações...

Aguardo a corrente serena dos rios

com a primeira estação
de novo na mão
a germinar as sementeiras
no colorido dos braços da paz
que vou buscar
nas pontas dos relâmpagos
sem vendavais...

Ana Coelho