domingo, 23 de setembro de 2012

MINHA SAUDADE É RIO

Ó povo de marinheiros,
Onde navega a saudade,
Vives de velhas marés
Na tua eterna vaidade.
Venceste a ira dos mares,
Estilaste fel nos seus leitos
E vieste ancorar
Num rio de amores perfeitos.

Minha saudade é um rio,

Um rio de maré cheia.
Minha saudade é um rio,
Um rio que me enleia.
Minha saudade é um rio,
Um rio vazio e distante
Minha saudade é um rio
Que me enlaça na vazante.

E esta saudade, tamanha,

Do meu país um bocado,
Que docemente se entranha
Onde em minha alma há o fado.
À sina de bem cantar,
Nobre estio duma cigarra.
Ó povo de marinheiros,
Eco de velha guitarra.

Manuel Manços
 
Insanos são estes versos que te abraçam
como incenso purificador
em catarse da minha existência.

Ajoelhado como quem ora
vejo em teu rosto desenhados os traços
de uma réstia dependurada de luz.
Deixas resvalar as mãos
sobre as pernas ainda dobradas.

E em vénia curvas-te um pouco mais
sobre meu corpo distraído quase esquecido
balbuciando palavras que te crescem
na boca húmida e selada e que florescem
sem coragem para as dizer.

É então que as minhas mãos se estendem
em voo de ave
e nelas vejo inscrito o poema.

Finalmente ouço-te pronunciar o meu nome.

(eu) Cristina Cebola
MOMENTO 693


Espelho-mo numa imagem
Idêntica a mim próprio

Não me reconheço
O velho espelho
Corroído pela vida
Diz que não.
Em silêncio de vozes
Abafadas pelo tempo
Nega toda a razão
Do meu ser. Advoga
A busca noutro local
A minha relação
Com o mal….
Procuro poça de água
Ao luar sossegada
Que cristalina seja
Onde o reflexo não minta.
Na imagem aguada
Sinto um silêncio
Inda mais absoluto
Olho e não reconheço
Percepciono o devoluto.
Apalpo e não sinto o grito
De gente. Que grita, sou eu!
Sou a sombra que se move.
Se é gente é corpo estático.
Afasto-me em procura
De uma moeda com duas faces.
Quero conhecer ambas
Quero conhecer
Quantos eus
Puder.

RUIZ PAZ  
 
Ritual que o olhar canta

Da Primavera colho o sol
estendido nos dias sem colheitas...
Quando caem as folhas

gosto de caminhar
no ruído seco do chão
com os pés alinhados nas mãos...

Os aromas castanhos

a inspirar as noites longas
os dias ténues
das árvores despidas...

Quando o Inverno chega

aconchego-me
no ritual que o olhar canta
com as gotas finas na janela
revestidas das estações...

Aguardo a corrente serena dos rios

com a primeira estação
de novo na mão
a germinar as sementeiras
no colorido dos braços da paz
que vou buscar
nas pontas dos relâmpagos
sem vendavais...

Ana Coelho
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A alegria não está nas coisas, está em nós.
Johann Goethe
Muita Paz, Harmonia e Poesia!!!
E, de repente...a gente sente
que a ALMA parece desaparecer
de debaixo do seu sacrário...

E a folhagem das árvores

germinadas,
vivas,
crescidas,
enfeitadas de AMOR pela TERRA,
em suas coloridas flores....
a folhagem...essa... acaricia-nos
com a aragem,
num suave tempestuoso suspirar...

Tremia, naquele dia

em que fiz amor contigo!

Pegaste na tua Flor com amor...

na leveza brutal da ânsia de despertar-me!

Reconheci-te, AMOR...

sem nunca te ter conhecido!
SONHEI...OU VIVI?
Não...foi verdade!
TUDO falava de ti
no mais secreto de MIM......
o banho, a toalha pelo chão...
a máquina de barbear...um pedaço de sabão...
um chuveiro a pingar...um cheiro de TI
em MIM...uma mística no ar...
A tua roupa
por ali , assim...deixada,
vou buscá-la!......
Pedaços de TI para MIM...

Na mesinha da cabeceira

junto ao nosso candeeiro,
estava um presente ligeiro
de valor inestimável...A tua letra...palavras do teu sangue vivo,
diziam somente assim:"...adoro-te, querida...pensa e espera por mim"
Eu penso e espero ,sim!

Dar-te-ei, com a mesma pureza,

essa flor que me puseste na mesa!

"Até já, tesouro meu!"


Não importa que voe o tecto...

que se abra uma janela...
Eu vou estar ao pé dela
e ouvir teus passos,voando para mim...
MEU DEUS!Abro a porta!E
é o fim......
de um novo princípio,
doce,
refrescante, normal como o ar que respiro...
After -shave a respirar suor
de AMOR....
Esfrego os olhos, do cansaço
que vai reviver,
perdurando no DAR-ME A TI, meu senhor!

Marialisa Ribeiro