domingo, 23 de setembro de 2012

MOMENTO 693


Espelho-mo numa imagem
Idêntica a mim próprio

Não me reconheço
O velho espelho
Corroído pela vida
Diz que não.
Em silêncio de vozes
Abafadas pelo tempo
Nega toda a razão
Do meu ser. Advoga
A busca noutro local
A minha relação
Com o mal….
Procuro poça de água
Ao luar sossegada
Que cristalina seja
Onde o reflexo não minta.
Na imagem aguada
Sinto um silêncio
Inda mais absoluto
Olho e não reconheço
Percepciono o devoluto.
Apalpo e não sinto o grito
De gente. Que grita, sou eu!
Sou a sombra que se move.
Se é gente é corpo estático.
Afasto-me em procura
De uma moeda com duas faces.
Quero conhecer ambas
Quero conhecer
Quantos eus
Puder.

RUIZ PAZ  
 
Ritual que o olhar canta

Da Primavera colho o sol
estendido nos dias sem colheitas...
Quando caem as folhas

gosto de caminhar
no ruído seco do chão
com os pés alinhados nas mãos...

Os aromas castanhos

a inspirar as noites longas
os dias ténues
das árvores despidas...

Quando o Inverno chega

aconchego-me
no ritual que o olhar canta
com as gotas finas na janela
revestidas das estações...

Aguardo a corrente serena dos rios

com a primeira estação
de novo na mão
a germinar as sementeiras
no colorido dos braços da paz
que vou buscar
nas pontas dos relâmpagos
sem vendavais...

Ana Coelho
 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A alegria não está nas coisas, está em nós.
Johann Goethe
Muita Paz, Harmonia e Poesia!!!
E, de repente...a gente sente
que a ALMA parece desaparecer
de debaixo do seu sacrário...

E a folhagem das árvores

germinadas,
vivas,
crescidas,
enfeitadas de AMOR pela TERRA,
em suas coloridas flores....
a folhagem...essa... acaricia-nos
com a aragem,
num suave tempestuoso suspirar...

Tremia, naquele dia

em que fiz amor contigo!

Pegaste na tua Flor com amor...

na leveza brutal da ânsia de despertar-me!

Reconheci-te, AMOR...

sem nunca te ter conhecido!
SONHEI...OU VIVI?
Não...foi verdade!
TUDO falava de ti
no mais secreto de MIM......
o banho, a toalha pelo chão...
a máquina de barbear...um pedaço de sabão...
um chuveiro a pingar...um cheiro de TI
em MIM...uma mística no ar...
A tua roupa
por ali , assim...deixada,
vou buscá-la!......
Pedaços de TI para MIM...

Na mesinha da cabeceira

junto ao nosso candeeiro,
estava um presente ligeiro
de valor inestimável...A tua letra...palavras do teu sangue vivo,
diziam somente assim:"...adoro-te, querida...pensa e espera por mim"
Eu penso e espero ,sim!

Dar-te-ei, com a mesma pureza,

essa flor que me puseste na mesa!

"Até já, tesouro meu!"


Não importa que voe o tecto...

que se abra uma janela...
Eu vou estar ao pé dela
e ouvir teus passos,voando para mim...
MEU DEUS!Abro a porta!E
é o fim......
de um novo princípio,
doce,
refrescante, normal como o ar que respiro...
After -shave a respirar suor
de AMOR....
Esfrego os olhos, do cansaço
que vai reviver,
perdurando no DAR-ME A TI, meu senhor!

Marialisa Ribeiro
beleza estonteantemente
imaculada
cabelos fogo
que imolas teu corpo
assentada estás
deixando transparecer
o suave seio
com que alimentarás vida
rara pulcritude
num misto de vermelho
e creme ameno da tua pele
que suavemente acaricio
com minhas rudes mãos
nesta perfeição chamada
de imaginação
contornos pintados por um pincel
cujos pelos se unificaram
para delinearem linhas perfeitas
de costas te postas
escondendo o pudico
que de frente escondes
apartando os cabelos
miras a espera de alguém
que tarde em vir

jorge morais
 
 
Lágrima de Dor

Olhos...
Caem lágrimas,
Coração sai,

Rosto rolam,
Na alma ficam.

Sofrimento negro

Oceano inseguro,
Turbulento.

Laço roubado,

Gritos no silêncio,
Infinita distância,
Solidão das trevas,
Angústia do anoitecer.

Cansadas...

Derramam sangue,
Dor húmida,
Veneno ardente,
Poemas presos
sem vazão,
Palavra líquida,
Fluida,
Tumores internos,
Fortes...

Suportar...

Posso tentar...
Diminuem,
Cristalizão,
Despedida,
Templo de emoções,
libertação.

Lágrimas de poeta,

De Sonho e Amor,
Cessarão.
Amanhecer de sol,
Verdadeiro amor,
Aflora e cresce.
 


Ceu Pina